sábado, 24 de setembro de 2016

VALE TUDO ELEITORAL


ENQUANTO ISSO NO CENTRO DA CIDADE, UM DESSES CABOS ELEITORAIS MALA ABORDA TODOS QUE PASSAM...

- Meu amigo...meu amigo...
- Sim sinhô.
- O sr já decidiu em quem vai votar?
- Ih, moço. Eu não gosto desses negócio não.
- Mas espere um pouco. O sr mora onde?
- Eu moro lá no Vale Encantado, na roça mesmo.
- Ah...mas então?  O sr então vai votar no nosso candidato. Ele vai levar saúde pro meio rural?
- Ih...moço. Lá não precisamos disso não. O povo lá tem saúde, nós come comida sem veneno, ovo caipira...temo agua limpa...morre de morte morrida. Morrer faz parte da vida.
- Ah...mas vocês do meio rural precisam ter saúde, segurança.
- Segurança pra que? Ocês vão mandar armadilhas pra pegá onça?
- Isso também não, né? Mais policiamento, umas câmaras de segurança...
- Ah...nós não precisamos disso não. Nós já temos os cachorros. Eles vigiam tudo, dão sinal e mordem quem se aproximar.
- Tá certo então. Ah...já sei...vamos asfaltar a estrada até a casa de vocês.
- Ih...moço. Não faz isso não. Nós estamos satisfeitos do jeito que está. Eu venho de cavalo pela tria. Precisa de asfalto não.
- Mas meu candidato vai mandar tratar a água de vocês.
- Ih, moço. A nossa água é limpinha, limpinha. Vocês da cidade é que sujam tudo.
- Tá certo. Mas nosso candidato pode mandar urbanizar lá pra vocês, colocar postes, luz elétrica.
- Ô seu moço. Num precisa mesmo. Lá nós temos luz do sol o dia inteiro e de noite nós vamos dormir...isso depois de cumprir a obrigação com a patroa né? E de noite nós temos os vagalumes...
- Mas vocês não tem luz elétrica? Mas não é possível...
- Nós não precisemos disso lá não.
- Mas vocês não tem rádio? E televisão?
- Não. Lá fica num lugar tão escondido, mas tão escondido que não tem nem eletricidade, nem rádio nem tv.
- Meu Deus. Como é que pode ter um lugar assim ainda no mundo. Mas como é que vocês fazem pra comprar roupas e outras coisas pro dia a dia?
- Ih, moço. Roupa a gente precisa de poucas pra viver. E não precisamos de muita coisa. A natureza nos dá tudo que a gente precisa.
- Mas não pode ser assim. Vocês precisam consumir...precisam gerar dinheiro.
- Ah...nós não liguemos pra dinheiro não. Nós temos tudo que precisamos.
- Mas vocês votam?
- Votemos. De 4 em 4 anos a gente vai na rua, vota e volta lá pro Vale Encantado.
- Mas então? Vote no meu candidato.
- Eu não posso. Seu candidato não pode ajudar nós. 
- Pode sim. Ele vai levar qualidade de vida, levar comércio, infra-estrutura, abrir ruas e loteamentos, indústrias...vai levar o progresso pra sua região.
- Mas o sinhô é insistente hein?
- E Então? Vai votar no nosso candidato?
- Mas no Vale Encantado ninguém liga pra política.
- Olha só...leve essas fotos pro pessoal e fale do nosso candidato pra eles. 
- Eu não quero fazê o sinhô perdê seu tempo. O pessoal lá não liga pra esses trem...
- Mas o senhor é difícil mesmo hein? Meu candidato só quer o bem do seu povo. Posso levar ele pra fazer uma reunião na comunidade de vocês?
- Poder pode. O único pobrema é que o Vale Encantado fica no município vizinho. Tem pobrema pro senhor? 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

BR 171 - A RODOVIA DA MENTIRA - EX 381

Sugiro que sejam trocadas todas as placas na rodovia da morte. Em homenagem aos nossos políticos, vamos rebatizá-las como BR 171. Durante todo esse meu breve tempo aqui na terra, nunca vi uma obra mais prometida, mas utilizada eleitoralmente e mais desprezada pelos nossos políticos. E olha que da última vez que foi anunciada a duplicação, fui voz do otimismo. Fui a algumas audiências públicas, criei blogs e grupos de Facebook. Em uma postagem cheguei até sugerir que, se a rodovia fosse realmente concretizada, deveria se chamar “Rodovia Dilma Rousseff”. E eu fui avisado de que se tratava de uma obra cenário, algo apenas para enganar o povo durante a época eleitoral e que tudo iria parar depois da eleição. E gradativamente é isso que vem acontecendo. Até que recentemente saiu notícia de que o Temer não pretende levar adiante. O certo é que quem prometeu não fez... e quem não prometeu lava as mãos. E aí? O que nós cidadãos faremos? Parece que o número de acidentes com mortes diminuiu, primeiro por causa dos radares e das multas e depois por que o trajeto ficou mais lento, com várias interrupções em função das obras. Como diminuíram os acidentes, as pessoas tendem a relaxar e a esquecer. Já teve gente que veio puxar a minha orelha, dizendo que a obra é desnecessária, que a culpa é dos motoristas. É mais ou menos como culpar os atropelados pelos atropelamentos, culpar a estuprada pelo estupro. Como é ruim a sensação da gente se sentir enganado. Como defender uma geração política como a que temos hoje? Eu simplesmente não consigo entender como é que os políticos votados em nossa região não criam uma bancada da BR 171(381), pra convencer o país sobre a sua importância. Quando acontece algum acidente eles dão entrevistas, fazem reunião no DNIT, tomam cafezinho com ministro, dão entrevista coletiva e fica por aí. Aliás, o DNIT é uma empresa pública, porém quase privativa de um partido. Mas...também não entendo como a USIMINAS, AÇOMINAS, GERDAU, ARCELOR e tantas outras não se insurgem contra o descaso dos governos passantes para com uma via de transportes que é contraproducente, insegura tanto para cargas como para com as vidas humanas. Então quero propor esse re-batismo urgente, pelo menos marginal, informal. Vamos chamar a partir de agora de BR 171, a rodovia da mentira...

terça-feira, 6 de setembro de 2016

ESSA VIDA É UMA NOVELA



Enquanto isso, aquele sujeito tava bravo com a mulher que demorava pra sair de casa

- Ô Jackinha. Vamos depressa. O homem vai falar daqui  a pouco. A praça tá cheia.
- Eu não vou enquanto não terminar a novela.
- Mas amor...é importante a gente aparecer lá, pro pessoal ver que apoiamos o partido.
- Mas nós vamos lá. Espere só acabar a novela. Vai lendo o jornal aí...tem dois jornais desses de político.
Ah...pelo amor de Deus. Tá vendo novela? Como é que você fica vendo essa globo? Eles apoiaram o golpe.
- Golpe você vai ver se não ficar calado. Cala a boca que essa cena eu quero  ver...
- É um absurdo. Minha muié vendo essa globo golpista.
- Cale a boca agora.
- Eu...
- Nem um pio...
- Era só essa que me faltava. Minha mulher vendo essa porcaria.
- Se você falar mais uma palavra eu me separo de você...
- ( silêncio)...
( O ASSASSINO É REVELADO E O MOCINHO BEIJA A MOCINHA)
- Nossa...terminou bem demais. Podemos ir agora. O que você estava falando mesmo?
- Então vamos logo...o home vai falar agora...a praça tá cheia.
- Espera que eu vou só retocar a maquiagem. Cadê a camisa e a bandeira do partido?
- Tá aqui ó...vamos nessa...
- Deixa eu trocar a camisa...
- Nossa amor...você assim sem blusa me deu uma vontade...
- Você se importa de chegarmos um pouco atrasados?
- De jeito nenhum...
Uma hora depois os dois estávamos no meio do povo gritando o famoso grito de guerra. O povo não é bobo. Abaixo a rede globo.