segunda-feira, 28 de março de 2016

ESQUERDA? DIREITA?



ENQUANTO ISSO NAQUELE TEMPLO...

- Mestre, nós estamos em dúvida. Qual caminho o senhor nos recomenda? Esquerda ou da direita?
- Sigam os corações de vocês...
- O coração é vermelho...então o caminho é da esquerda né?
- É assim que você interpreta? 
- A esquerda não significa sensibilidade social, distribuição das riquezas?
- Sim. Mas a direita também tem qualidades. Representa o ordenamento público, a possibilidade da prosperidade, do desenvolvimento.
- Mas mestre...a vida inteira nos ensinaram que a direita é da elite...
- Mas você não almeja prosperar também? Ter um triplex, um sitio bacana, carro do ano, conforto?
- Sim. 
- Então também quer ser elite.
- Aí não. Pode me chamar de bicha, maconheiro, mas não me xingue de elite.
- Mas rapaz...se você quer enriquecer, ter uma vida melhor, qual o problema de ser elite?
- Ah. Eu prefiro não ter posses, para não me tornar escravo delas.
- Muito bem. O desapego é uma ótima política.
- Mas mestre. O senhor chama desapego de política?
- Mas é claro. É um ato político radical de extrema esquerda. A direita é acumulativa. A esquerda distributiva.
- Então o senhor também é de esquerda?
- Eu não sou de esquerda nem de direita, nem de fora nem de dentro.
- AH, mestre. O senhor está em cima do muro.
- Na verdade eu sou o muro. 
- Mas como assim, mestre? Você não pode ser o muro...você é o caminho.
- Não. Eu sou o muro. Você pode subir em cima e observar o outro lado. Vai ver que não é tão ruim assim. Tem gente boa do lado de lá também.
- Ah não, mestre. O senhor está parecendo tucano.
- Meu querido. Eu voo um pouco mais alto. 
- Uma águia? Mas a águia é um símbolo americano. O senhor é de direita, mestre?
- Eu voo um pouco mais alto ainda.
- Mais alto ainda? Mas o que voa mais alto que uma águia? Não sei...será um foguete...os discos voadores? Ah não mestre. Não vá me dizer que o senhor é um alienígena?
- Não precisamos nem de asas pra voar, meu querido. Só a imaginação nos basta.
- Mas e então? Esquerda ou direita?
- Eu recomendo que olhem o mundo sem as lentes das ideologias. Elas distorcem as visões. Busquem a pureza dos sentimentos.
- O senhor está nos enrolando, mestre. Imagine que estamos numa estrada e de repente chegamos a uma bifurcação. Um caminho vai pra esquerda, outro pra direita. Qual devemos seguir?
- Que tal seguirem pelo caminho do meio?
- Mas mestre...não existe caminho do meio.
- Então construam um...e sigam juntos de mãos dadas.

sexta-feira, 18 de março de 2016

PARANÓIA !


- Triiiim!...Triiiim!
- Alô..
- Oi, amor...
- Oi.
- Só oi?
- É um oi normal
- Uhn...não gostei desse oi ...
- Bobagem. É um oi como outro qualquer.
- Não é não. Seus ois antes eram mais calorosos.
- Impressão sua.
- Você está esquisito. O que aconteceu?
- Nada. Tá tudo tranquilo.
- Você não me ama mais?
- Não é isso.
- Ô Jorge Augusto. O que está acontecendo. Você está muito formal.
- Eu converso com você pessoalmente.
- Pessoalmente? Que história é essa? Não tinha essas bobagens com a gente.
- Não tire conclusões precipitadas.
- Já sei. Você está fazendo amor com a sua mulher, né? Tá bem com ela...
- Não é isso. Vamos nos encontrar pessoalmente que eu te falo.
- Ah não. Esse negócio de encontrar pessoalmente só acontece quando a pessoa vai terminar com a outra. É isso?
- Não.
- Ah não! Tá muito esquisito. O que foi, Jorge Augusto. Você tá muito estranho.
- Eu preciso te falar algumas coisas, mas tem de ser pessoalmente.
- Espere um pouco. Já sei. Você virou gay. Ah não. Não é possível que eu tava com um amante gay esse tempo todo e não suspeitei.
- Nada disso, vamos nos encontrar pra conversar...eu insisto.
 - Só me responda uma coisa: você me ama?
- Ranran
- Mas como assim ranran?
- Ranran quer dizer ok.
- Ok? Eu te pergunto se me ama e você diz ok? Isso não é amor.
- Pessoalmente eu te explico.
- Essa conversa tá muito sinistra. Se você não me disser o que está acontecendo nós vamos terminar é agora. Não dá pra continuar com alguém que tem segredos pra mim...
- Ô sua tonta. Você não está entendendo?
- Ah...já sei...é uma pegadinha né? Eu adoro pegadinhas...eu adoro pegada...adoro quando você me pega por trás e...
- Por favor...pare.
- Pare por que? Já sei...você está ficando excitado, né?
- Pare. Não é pegadinha. É sério. Você precisa ser mais cuidadosa.
- Mas como assim?
- Nossos telefones estão grampeados. Os telefones de todo mundo estão grampeados. A privacidade morreu...

sábado, 12 de março de 2016

MACUMBA FASHION

ENQUANTO ISSO NAQUELE SALÃO DE BELEZA

- Nossa, amiga. Estou com muito ódio. Estou até pensando em fazer uma coisa meio radical, sabe?
- Calma, amiga. Não faça algo que possa se arrepender depois...
- Mas eu não vou me arrepender nunca. Vou adorar fazer isso.
- Mas o que você está pensando?
- Você não tem preconceito?
- Mas de jeito nenhum.
- Estou pensando em fazer um trabalho na encruzilhada.
- Macumba? Uma loira sorumbática como você?
- Ah...chame como quiser...no youtube explica tudo direitinho como fazer...
- Ah não. Você é louca mesmo...não acredito numa coisa dessas.
- Ah, minha filha. Eu quero ele pare de ganhar dinheiro, fique duro, sem grana, pois ai ele não terá dinheiro pra sair com ela. Tenho de cortar as fontes. Sabe como é né?
- Mas o que você tem de fazer
- Bom, preciso comprar os ingredientes. É sério. Preciso afastar ela do meu bofe. Ela é muito sonsa...
- Mas o que você vai fazer.
- Olha. Eu preciso de um favor seu. Preciso que compre os ingredientes pra mim. Não pode ser eu, entende? Senão não dá certo...tá aqui a lista e o dinheiro.
- Ai, meu deus do céu. Só faltava essa. Ser assistente de macumbeira. Tá bom...

ALGUMA HORAS DEPOIS...JÁ ANOITECENDO...

- Ei. Estão aqui os ingredientes.
- Beleza. Vamos pra encruzilhada do cemitério então.
- Mas não tem de ser a meia-noite?
- Ah...vamos fazer diferente.
- Legal. Bem dark...
- Deixa eu ver os ingredientes aqui...uai...cadê a galinha preta?
- Ah...não tinha lá no supermercado do shopping. Peguei um chester mesmo. É mais gostoso.
- E a aguardente?
- Uai. Não era detergente? Essa letra sua é um garrancho.
- E as velas pretas?
- Ah...também não tinha...peguei uma coloridinhas mesmo...bem mais fashion.
- Minha nossa senhora...e a farofa? Não veio a farofa?
- Sabe o que aconteceu? Passei num selfservice do shopping. Infelizmente não era dia de farofa. Mas eu trouxe salpicão, que é bem mais gostoso.
- Minha nossa, amiga. Como vou fazer uma macumba assim?
- Uai. Essa época de crise exige inovação. O importante é a fé amiga. Já chegamos na encruzilhada. Vai rapidinho antes que chegue alguém...
- Mas quem vai vir aqui a essa hora?
- Você não sabe? Os casais vem aqui pra fazer aquilo escondido.
- Então tá...vou lá fazer o ritual...espere aqui, viu?

E lá foi ela. Fez sua reza de criação própria, colocou o chester com salpicão, acendeu a vela colorida, botou junto o detergente e um litro de leite também, que sua amiga levou não sei por que. Fez um desenho, fechou os olhos, visualizou a cena pretendida e depois entrou correndo no carro da sua amiga e voltaram pras suas casas.

No outro dia a amiga liga cedinho...

- Amiga...estou passada.
- O que houve?
- Você ainda não soube?
- Não...
-Sabe o seu bofe? Aquele que você  fez aquela macumba?
- Desembucha logo.
- Ele ganhou 1 bilhão na megasena. Tá podre de Rico.
- Uhn...então nossa macumba fashion deu errado.
- Pior é que não...
- Como assim?
- Aconteceu que ele deu entrevista dizendo que ia curtir a vida com o amor dele que é um outro homem. Ele é gay e assumiu.
- Uai. Quer dizer então que minha macumba deu certo. Pelo menos ele vai se afastar daquela bruaca. Vitória na guerra, amiga.
- Vitória na guerra...

sexta-feira, 4 de março de 2016

PLANETA ANUBIS


Enquanto isso naquele campinho de futebol...

- Toca...toca pra mim...ôôô barbantim...
- Ah não...olha o Jairim de novo com a cachorrada dele. Sai daí, Jairim cachorrêro.
- Sai daí você, perna de pau. Vai aprender a jogar bola.
- Pior é você...que anda com essa cachorrada...parece doido.
- O que eu posso fazer? Eles gostam de mim...vou levar eles pra nadar...
- Gente, gente...o que é aquilo no céu?
- O quê?
- Aii...gente...corre...parece um disco voador...corre....corre

NAQUELE INSTANTE A NAVE FOI DESCENDO NO CAMPIM E FOI CHEGANDO PERTO DO JAIRIM QUE NÃO CORREU PRA NÃO DEIXAR OS CACHORROS DESPROTEGIDOS. A NAVE EMITIU UMA LUZ VERDE ESTRANHA E ELE E OS CACHORROS ADORMECERAM QUANDO ELE ACORDOU, ESTAVA DENTRO DE UMA NAVE...FOI ABRINDO OS OLHOS AOS POUCOS E PERCEBEU QUE HAVIA ALGO ESTRANHO.

- Ei? Onde estou? Estou sonhando?
- Não. Não tente se levantar. Espere o efeito da gravidade diminuir.
- Gravidade? Onde estou? E você...
- Está estranhando a minha cara de cachorro? Au, au, au, au. Isso é normal no lugar de onde viemos.
- Mas como assim?
- Nós somos do planeta Anubis. Lá, os cachorros é que evoluíram.
- Planeta Anubis???
NISSO ENTROU OUTRA PESSOA NO RECINTO...
- Olá. Como está passando?
- Eu...parece que estou bem...quer dizer...ainda não tenho certeza se estou acordado ou sonhando.
- Au,au,au,au. Não se preocupe. Você está numa nave orbital classe Z do Planeta Anubis.
- Sério? Mas quer dizer então que vocês evoluíram a partir dos cães?
- Pois é. E já visitamos seu planeta a alguns milênios.
- Espere aí. Houve um personagem no Egito...com cara de cachorro.
- Exatamente. Anubis foi considerado o Deus dos mortos dos Egípcios. Foi assim que passou pra história humana, mas ele foi muito mais que isso. Naquela época nossa civilização teve grande intercâmbio tecnológico com os egípcios, principalmente na arquitetura e matemática.
- Puxa vida. Que legal. Mas vocês são muito mais evoluídos que nós?
- Estamos 3 milênios à frente em escala planetária. Já dominamos a tecnologia da dobra espacial e das viagens espirituais pelos confins das galáxias.
- Caraca. Mas me digam uma coisa...e Deus?
- O que tem Deus?
- Vocês acreditam em Deus?
- Não como o Deus de vocês que tem cara de gente.
- Mas como é o Deus de vocês? Tem cara de cachorro?
- Também não. Deus não tem cara. Deus não tem forma...Deus é a energia criativa pura. Deus é amor.
- Puxa. Mas espere aí...e os cachorros que estavam comigo? Cadê eles?
- Ah tá. Nossos cientistas estão tratando direitinho deles, dando banho, vacinas, tirando carrapatos...na verdade nosso interesse era pegar alguns cães para analisar a vida dos nossos irmãos em estágios primitivos de evolução.E também de trazê-lo a bordo, pois você tem uma relação fraternal com eles.
- Mas cocês sentem raiva do ser humano por escravizar os cães?
- De jeito nenhum. A relação entre cães e humanos é interativa e positiva.
- Mas tem muita gente que maltrata...
- Infelizmente é da vida. Em todas as civilizações tem os maus. No nosso planeta não é diferente. Mas também tem os bons...como você...por isso resolvemos lhe trazer pra conhecer nossa nave.
- Mas então eu posso divulgar pro pessoal que fui raptado, quer dizer, convidado a dar uma volta numa nave pilotada por cachorros espaciais do planeta Anubis?
- Poder você pode. Mas o pessoal vai achar que ficou doido. Você já tem essa fama de cachorreiro...
- Uhn...é mesmo. Melhor ficar calado né? Mas agora posso voltar lá pro campinho? Preciso levar os cachorros pra tomar banho...
- Ok. Vamos deixar você e seus cachorros lá Mas quando seus amigos chegarem perto pra saber o que aconteceu, você vai apertar este treco aqui ó...  
ASSIM FOI FEITO...O PESSOAL DESCEU COM A NAVE E DEIXOU JAIRIM E SEUS CACHORROS NO CENTRO DO CAMPINHO...
- Nossa, Jairim. Que sinistro. O que eles fizeram com você???
- Cheguem perto que vou lhes contar...( quando chegaram perto ele apertou o treco – que liberou um gás com cheiro de titica de cachorro daquela que grudano pé e dá o maior trabalho pra limpar).
- Uhm, Jairim. Esses cachorros seus cagaram aqui...
- Ihh...vocês deveriam adotar um cachorro desses. Vocês não imaginam como eles são inteligentes.
- Espere aí. Você não ia levar eles pra tomar banho? Mas eles estão limpinhos. Tão parecendo cachorro de madame.
- Eu ia levar eles é pra nadar. Eles são educados e asseados. Diferente de vocês, seus porcos...

( Homenagem ao grupo Anjos sem Asas de Alvinópolis e todos os amigos dos cães que estiverem lendo ).