quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

NEGÓCIOS DE ALTO NÍVEL

Enquanto isso naquele campo de golfe ( com tradução simultânea)

- Senhor Ford. O seu colega Krusshov acaba de chegar.
- Obrigado, Jarbas. Meu grande amigo Kruss...que bom revê-lo
- Olá, Ford. Como vão as coisas?
- Pior um pouco né? Tem uns caras muito chatos que vivem atrapalhando nossos negócios.
- Eu vim aqui por causa disso. Precisamos dar um jeito nesses intrometidos. Você está jogando golfe. Podemos jogar juntos?
- Claro. Mas vocês tem golfe lá na Rússia?
- Temos de tudo na Rússia. Mas vamos ao assunto principal. De quem foi a ideia de fomentar a paz na Síria? Vai atrapalhar pra gente.
- Pois é. Precisamos nos unir. Tava bom o negócio. Nós vendendo armas pra um lado e vocês vendendo pro outro.
- Não sei por que tem gente que gosta de estragar o prazer dos outros. Vocês tem algum plano?
- Bom, pra não ficar perdido de tudo, já estamos movendo esforços para pegar o trabalho de reconstrução, que também dá um bom dinheiro. Imagine o tanto de material de construção? 
- É. Mas vender armas é muito melhor. Logo agora que desenvolvemos armas mega sofisticadas.
- Pois é. A tecnologia russa também tem alta tecnologia. Sabia que inventamos um mini míssil que entra pela janela e pega até o sujeito sentado no trono sem explodir o local. 
- Que legal. Nossa tecnologia criou um revolver que não erra o tiro. Você olhou, atirou e a bala vai no alvo pensado.
- Que bom. Vamos fazer um intercâmbio de tecnologias. Mas veja bem. Precisamos pensar nos negócios.
- É verdade. Precisamos inventar uma guerra em algum lugar para desovarmos nosso estoque.
- Nem me fale. Só de tanques anfíbios temos 2000 em nosso pátio. 
- E temos também os novíssimos drones killers. A gente nem precisa mandar gente mais. Só manda o drone e tá feito o estrago.
- Mas aqui...tenho uma ideia interessante. Por que não vendemos pros Talibãs?
- Você não está doido? Eles tem homens bomba e tudo.
- Que nada. Eles estão com raiva do pessoal do EI que roubou a fama deles.
- Entendi. E aí vocês vendem armas pra eles combaterem o EI...
- Exatamente. E vocês dão um jeito de vender pro EI...assim a gente aproveita e testa nossas armas.
- Ótima ideia. Vou ligar pros meus amigos fofoqueiros da mídia pra começar a intriga.
- Como assim?
- Simples. Vou mandar espalhar que o pessoal da EI falou que os talibãs são frouxos e que não gostam de mulher. 
- Mas quem vai ser doido de falar isso?
- Não se preocupe. Nós temos atores e maquiadores muito bons. E ademais, já fazemos isso usando Hollywood há muito tempo.
- Boa ideia. E aqui...tem mais alguma notícia sobre nossos pleitos junto aos políticos no Brasil?
- Tá meio enrolado. Mas tomara que tenhamos novidades nos próximos meses.
- Precisamos que o porte de armas seja liberado, pois aí poderemos vender bastante. É um mercado potencial e o povo de lá adora atirar. 
- É mas existe forte resistência...
- Bobagem. Vamos pedir ao pessoal pra fazer uma daquela novelas em que um personagem herói salva um monte de gente por estar com uma arma no momento. Ai ele é preso por portar armas, mas todo o povo se revolta. Estará pronto o clima para a aprovação do armamento.
- Ótima ideia. Será que pega?
- Ora. Se não pegar a gente lança uma guerra civil por lá. Eles já estão se atracando mesmo. Falta pouco para começarem a se pegar.
- Então vamos fomentar uma guerra por lá. Bom que desovamos nosso estoque.
- Uhn...pensando bem acho que lá não rola.
- Por que?
- Por que aquele pessoal lá tem uma arma mais poderosa que nosso arsenal nuclear.
- É mesmo? O que é? 
- A corrupção. Eles compram e vendem as almas como trocamos de roupas. Piores que os chineses.
- Mas então é mais fácil corrompê-los
- Não fie nisso. Se bobear, em pouco tempo eles é que estão nos comprando.
- Eu? De jeito nenhum. Posso ser um fabricante e negociador de almas, mas honesto. Com corrupção eu não mexo de jeito nenhum. 
- É o nosso caso também. O Sonho americano não permite esse tipo de prática. 
- Por falar nisso...e a divisão de farmacos? Conseguiram vender as vacinas para aquele pais africano?
- Ainda não. Infelizmente eles foram muito incompetentes na disseminação do vírus. Muitos adoeceram, mas pouco morreram até agora. Precisávamos de muitos óbitos para sensibilizar o governo local. Mas tenho fé em Deus que em pouco tempo fecharemos esse negócio das vacinas. 
- Ok. Foi bom conversar com você. Agora vou indo.
- Não vai querer continuar o jogo de golfe?
- Outro dia eu volto. Minha esposa me espera para jantar hoje ainda no caribe.
- Quer que eu mande meu avião particular te levar?
- Não precisa. Eu vim no meu. 
- Boa viagem então. Mas vá pensando numa guerra boa pra gente inventar por aí...
- Tenho uma ideia. Que tal uma terceira guerra mundial? Imagine o lucro?
- Vamos conversar mais à respeito...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

PRESSÃO



ENQUANTO ISSO NAQUELE JORNAL...

- Senhor Jairo. Tudo bem?
- Tudo bem. Em que posso ajuda-lo?
- Eu vim aqui parabeniza-lo pelo seu jornal. Muito bom viu.
- Obrigado. Você lê todo dia?
- É claro. Gosto principalmente das piadas e do horóscopo.
- Pois é. A página de esportes também faz muito sucesso.
- E a página de sociais?  Eu acho muito legal também. Coloca o povo no jornal.
- Pois é. Mas você não veio aqui pra falar sobre essas partes do jornal, certo?
- Certamente que não. Estou é querendo anunciar alguns empreendimentos do nosso grupo e seu jornal me parece uma mídia adequada.
- Que bom. Então vou mostra-lo como é que funciona o jornal. Um anúncio de página inteira é um valor, meia página é outro.
- Não se preocupe. Eu quero fechar um valor mensal com você.
- Uai. Você é quem manda. Quer que eu lhe mande a tabela com orçamento?
- Não precisa. Vamos acertar aqui mesmo. Eu gosto de tratar as coisas é no fio de bigode. Vou deixar um pagamento inicial de 10 mil reais em dinheiro  para o primeiro mês.
- Uai. Tá certo então. Mas vai enviar os anúncios pra gente colocar?
- Vou pedir ao pessoal do escritório para lhe enviar os anúncios. Vamos começar devagar.
- Como o senhor desejar. Vai querer recibo, nota fiscal? 
- Não precisa. Trata-se de um dinheiro não contabilizado. Sabe como é né?
- Como o senhor quiser. Quer um cafezinho?
- Eu gostaria sim...
- Dona Lúcia. Traga um cafezinho para o nosso cliente aqui. .- .mas me diga uma coisa. O empreendimento de vocês é em que área mesmo?
- O senhor quer saber empresa formal?
- Sim...pode ser.
- Nós criamos a Orange Life,  uma empresa de assistência odontológica para podermos limpar o dinheiro da nossa atividade central.
- Sei. E qual seria essa atividade central?
- Isso infelizmente eu não poderei lhe revelar. Mas lhe garanto que é uma atividade muito lucrativa.
- Sei...então as propagandas serão sobre a ORANGE LIFE.
- Exatamente.
- E vão me pagar 10 por mês para divulgar a ORANGE LIFE.
- Exatamente. Precisamos de uma boa fachada.
- E se eu me negar a entrar no esquema?
- Nesse caso vou visitar seu concorrente mais próximo.
- E se eu revolver denunciá-lo por tentar me corromper?
- Neste caso faremos uma oferta de compra do jornal.
- E se eu me negar a vender?
- Vamos cercear todos os seus anunciantes e patrocinadores e convencê-los a deixar de ser seus clientes.
- Tá bom então. 10 mil por mês, né?
- E o primeiro pagamento está aqui nesse envelope.
- Negócio fechado. Adoro a cor laranja.
- Então aperte a minha mão. Você acaba de vender a sua alma, quer dizer, acaba de fechar um excelente negócio.
- Eu tenho certeza. Vamos tomar alguma coisa pra comemorar?
- Não posso. Tenho de visitar mais alguns jornais nas cidades próximas.
- Ok então. Assim que tiver os anúncios, mande que eu publico.
- Só mais uma coisa. Eu andei visitando sua família esses dias. Muito bonita a sua esposa.
- Mas como assim?
- Eu estive lá como pregador de mensagens religiosas. Ela me atendeu muito bem, me ofereceu até café...
- Espero um pouco. Deixa eu ver se estou entendendo bem. Você está me ameaçando?
- De forma alguma. Só lhe parabenizando mesmo pela bela família. Mas já que mencionou, tome muito cuidado com o que publica em seu jornal. Sabe como é né? Tem gente que não gosta de aparecer em jornal...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

POR FAVOR, SENHORES PREFEITOS. FAÇAM FESTIVAIS

FAÇAM FESTIVAIS DE MÚSICA. São verdadeiras escolas para os artistas mais novos e abrem vitrines para a nova música. Tá certo. Asfalto, viadutos, saúde, educação, segurança, tudo é importante. Mas fazer cultura não é tão caro. Basta não gastar toda a verba com megashows sertanejos. Guardem um pouquinho pra fazer cultura de verdade. Por favor, senhores prefeitos. E que sejam Festivais autorais. Nada contra os covers, mas precisamos de músicas novas, letras novas, poesia, artistas ousados. Por favor, senhores prefeitos: FAÇAM FESTIVAIS DE MÚSICA. Por favor amigos, levem essa mensagem aos prefeitos das suas cidades, até os secretários de cultura, presidentes de Fundações: FAÇAM FESTIVAIS DE MÚSICA.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ESPÍRITO DE CARNAVAL


Enquanto isso naquela academia...

- Menina. Tô gostando de ver. Você está malhando com mais energia. O que aconteceu?
- Sabe o que foi? O Carnaval foi tão bom que quero levar ele comigo o ano inteiro.
- Como assim?
- Uai. Durante 4 dias eu fui feliz, beijei na boca, tomei todas, dancei, tomei banho de chuva, banho de espuma, pintei o rosto, sambei, sai nos blocos...foi uma delícia.
- Mas peraí...você não pode fazer isso no dia-a-dia.
- E por que não?
- Ora. O dia-a-dia é pra gente trabalhar, estudar, fazer alguma coisa de útil.
- Quer dizer então que o dia-a-dia não é pra gente ser feliz?
- Espere. Não é bem assim...
- Pois é. Por isso eu quero carnaval o ano inteiro.
- Essa sua roupa de malhar...parece com uniforme da mulher maravilha.
- Exatamente. Estou fantasiada...por isso estou mais forte pra fazer exercícios. 
- Eu acho que você pirou.
- Pirei mesmo. E não quero mais voltar ao normal.
- Espera ai. E você continua trabalhando?
- É claro. E muito melhor...
- Mas você trabalha com que?
- Eu sou professora. Minhas aulas agora são divertidas, lúdicas.
- Mas você dá aulas de que?
- De história. E a nossa história é um carnaval...
- Você pirou mesmo.
- Pirei nada. Nossa história é um carnaval. Imagine Cabral chegando e encontrando a indiaiada toda pelada? Puro carnaval. E o Dom Pedro mandando ver no grito do Independência ou morte? Não parece um enredo de carnaval?
- Mas você está ensinando de um jeito distorcido.
- Distorcido nada. A história é contada pelos brancos, que sempre a distorceram. Eu conto versões mais divertidas. Os alunos adoram...
- Mas como você sai na rua? Sai fantasiada?
- Mas é claro. Cada dia saio com uma fantasia. As vezes saio de executiva, outras vezes saio de indiana com aquelas roupas esvoaçantes. Já vesti até de Burka. Maior barato.
- Meu Deus. Eu sou amiga de uma louca.
- E tem outra coisa, amiga. Não dou trÉgua pra depressão nem pra tristeza. Sou foliã o ano inteiro. Só distribuo sorrisos, só abraço as pessoas e não desejo mal a ninguém.
- E os beijos na boca?
- Ihh...minha filha. Multipliquei por mil. Não estou perdoando ninguém. Pode me chamar de cortesã, de colombina, de cigana, de periguete, do que quiser.
- Eu tenho medo que te prendam dia desses, que te botem numa camisa de força.
- Eu não tinha pensado nisso. Fantasia interessante viu. Dá uma self diferentona.
- Amiga. Você não anda tomando aquelas drogas alucenógenas né?
- Ih minha filha. Eu não preciso disso. É que baixou em mim o espírito do carnaval.
- Então é o caso de levá-la numa dessas igrejas que fazem desencapetamento. Você está possuída...será a pomba gira?
- Não. Você não entendeu. Não fui possuída por um espírito maligno. Eu é que incorporei o espírito de carnaval. E não quero exorcizá-lo jamais...ser feliz não é pecado. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

VAI FANTASIAR DE QUE?

Estou aqui sentado no passeio de uma grande praça em Alvinópolis. Arranjei uma namorada linda e estou nas nuvens. Me belisquei umas 5 vezes pra conferir e era verdade mesmo. Rosto lindo, lábios de mel e um beijo perfeito. E tudo aconteceu de forma inesperada. Sou advogado, bem sucedido, tenho uma vida bem estruturada e dizem que sou conservador demais. Eu estava fechando o escritório pra ir embora quando um amigo que faz a limpeza no prédio passou puxando papo...

- E aí?
- E aí o que?
- Vai fantasiar de que?
- Vou fantasiar de nada não. Detesto carnaval.
- Que isso. Carnaval é bom demais. Por 4 dias você pode ser o que quiser.
- Eu já prefiro eventos culturais, cinema, teatro, shows...
- Mas o Carnaval é uma festa cultural
- Cultural? Você quer dizer bacanal, né?
- Exagero seu. E vai me dizer que não gosta de dar uns beijos na boca?
- Ah tá. E esse monte de pessoas suadas abraçando a gente?
- Ah. A gente nem pensa nisso.
- Eu acho uma perdição.
- Que nada. Tem o lado bom. Tem um lado mágico. É como diz a minha namorada. É uma festa cultural. Tem cultura nos blocos, nas escolas de samba, nas fantasias. Tem um espécie de teatro. Carnaval é teatro. Cultura pura.
- Eu hein. As pessoas tomam todas e soltam as frangas. 
- É verdade. Tem muita gente que sai do armário no carnaval. Mas isso é bom também. Deixa a turma vestir de mulher a vontade.
- Nem se me matassem.
- Que isso, sô. Larga de ser recalcado. Carnaval é um descarrego de 4 dias. As pessoas tem licença pra viver qualquer fantasia.
- Eu acho muito perigoso. Sou um sujeito sério com uma reputação a zelar.
- Reputação? Reputação vem de puta...uma pessoa que foi puta reputando...kkk
- Engraçadinho hein?
- Relaxa, Doutor. Olha! Eu quero lhe fazer um convite. Venha passar o carnaval com a nossa turma numa cidade aqui pertinho. É Alvinópolis. Você vai poder se fantasiar do que quiser. Ninguém lá o conhece. Garanto que vai se divertir.
- Mas você vai quando?
- Agora mesmo. Vou pegar um ônibus daqui a pouco.
- Será?
- Claro. 
- Então tá bom. Mas eu vou me fantasiar de que?
- Uai. Você pode se fantasiar de você mesmo. 
- De terno e gravata? 
- Por que não?
- Vamos fazer o seguinte. Eu não ia fazer nada mesmo. Vou te levar lá de carro. Se eu resolver, paro pra tomar uma cerveja e venho embora. 
- Combinado. 

E fomos pra Alvinópolis. Lá chegando, meu amigo apresentou-se para várias pessoas. Comecei a tomar uma caipivodka e fui entrando no clima. Até que uma menina, a mais bonita da praça começou a me encarar...e foi se aproximando. Com pouco tempo estávamos conversando e ela me falou que adorou minha fantasia de homem de preto, mas que não ia aceitar que eu apagasse a memória dela. Ficamos por ali bebendo e brincando carnaval. Fui me soltando. A certa altura tirei os sapatos e guardei no carro. Acabei também tirando o terno, a camisa, e brincando no bloco, totalmente hipnotizado pela beleza da menina. O que ela pedisse, eu faria. E agora estou aqui na praça em Alvinópolis sentado, pensando em como a vida pode ser surpreendente. Minha namorada foi ali no bar pegar mais uma birita pra gente. Naquele instante ela chegou com mais uma caipivodka e me levou de volta ao paraíso com seu delicioso beijo. Meu amigo tinha razão. Carnaval é mágico...