sábado, 10 de dezembro de 2016

MONLEVADENSE VOADOR...

O piloto monlevadense Edson Coelho Jr foi o vencedor da mais importante prova do calendário nacional em Interlagos na categoria turismo. Foi a última corrida da temporada. A prova foi transmitida ao vivo pelo canal Sportv. O piloto, de 22 anos, vem sendo considerado como um dos mais promissores da atual geração do automobilismo brasileiro. 
Após conquistar diversos pódios e sagrar-se campeão em diversas provas, o monlevadense terminou em terceiro lugar na temporada 2016, com chances de ser campeão até a última prova. Precisava contar com uma combinação de resultados que não aconteceu, mas venceu a última corrida numa recuperação incrível. Saiu em 7º e chegou ao ponto mais alto do pódio, deixando a melhor impressão. Para quem não sabe, a categoria Turismo é considerada principal série a revelar pilotos para a Stock Car, uma das principais categorias do automobilismo brasileiro e para onde Edson Coelho Jr tem convites para se mudar no próximo ano. Mas vamos à entrevista.
CENÁRIOS – De onde vem essa paixão pela velocidade..

EDSON JR-  Desde criança eu me interessava muito por carros e corridas. Pensava em competir profissionalmente um dia e sabia que a base de quase toda categoria automobilística é o kart. Aos 9 anos de idade meu pai me levou para uma visita ao Kart Clube Ipatinga. Meu interesse pelo esporte foi inevitável. Compramos um kart e comecei a competir.

CENÁRIOS – Quem foram seus grandes incentivadores?

EDSON JR- A maior parte dos meus grandes incentivadores (e também ídolos) está na minha família. Um grande ídolo e o primeiro incentivador - sem dúvidas o maior deles até hoje - é meu pai. Ele me incentivou a começar no kart e me acompanha em todas as corridas desde que comecei.

CENÁRIOS – Você passou por outras categorias antes de chegar a Categoria Turismo? Como foi a sua trajetória?

EDSON JR- Permaneci no Kart de 2004 até 2010, quando, já tendo conquistado muitas vitórias e títulos, completei 16 anos.  Fui convidado a assistir um treino da categoria Marcas e Pilotos e me encantei. Algumas semanas depois, pilotei um carro da categoria pela primeira vez. Nessa categoria, disputei o Campeonato Paulista por dois anos e os bons resultados abriram as portas para o início da minha trajetória no automobilismo nacional. Aos 17 anos de idade, fiz minha estreia no Mercedes-Benz Grand Challenge, onde permaneci por dois anos e, em 2013, conquistei a 3ª colocação no campeonato. Em 2014 ainda fiz participações na categoria da Mercedes-Benz como piloto convidado e venci a primeira corrida com a CLA 45 AMG (novo carro da marca). O foco nesse ano, porém, foi o início no Campeonato Brasileiro de Turismo, categoria em que corro atualmente.

CENÁRIOS – A Categoria Turismo envolve um investimento muito alto por parte das equipes? Como é a estrutura da sua equipe atual, o investimento financeiro e perspectivas futuras?

EDSON JR - O Campeonato Brasileiro de Turismo é uma categoria muito profissional e, naturalmente, exige boa estrutura física e de pessoal por parte das equipes, o que demanda alto investimento financeiro. Geralmente, um único carro de corrida mobiliza ao menos cinco pessoas em tempo integral – entre mecânicos, engenheiros e chefe de equipe.   Minha atual equipe, a W2 Racing, tem sede no Rio de Janeiro e é um dos times de maior força e reconhecimento na categoria. Além disso, é a equipe que mais levou pilotos à Stock Car – desde 2013, três pilotos que passaram pela W2 conseguiram se promover e atualmente participam da categoria principal, entre eles Felipe Fraga, atual líder da Stock Car. Essa realidade me traz boas perspectivas para o futuro.

CENÁRIOS – Como é que funciona a captação de patrocínios. É feita por vc mesmo ou tem alguém que cuida dessa parte?

EDSON JR -O trabalho de captação de patrocínios consiste basicamente em demonstrar o potencial de marketing envolvido em um evento como o da Stock Car. É de responsabilidade do piloto, em um trabalho contínuo e incessante. Tenho também contratos firmados com empresários específicos do setor.

CENÁRIOS – Como foi vencer a última prova do ano em Interlagos? 

EDSON JR -  Tenho um ótimo histórico nessa pista e trata-se do local em que conquistei minha primeira vitória na categoria. Tivemos dificuldades com o carro no treino de classificação, mas na hora do prova deu tudo certo. Quanto ao título, dependia de um uma combinação de resultados para ser campeão, mas a vitória na última prova do ano foi muito importante.

CENÁRIOS – Quais são as perspectivas de chegar a categoria principal da Stock Car

EDSON JR -Para 2017, recebi convites de equipes renomadas para competir na Stock Car (categoria principal). Esse fato, por si só, já me deixa bastante contente, pois representa reconhecimento no meio automobilístico. Para concretizar este projeto, dependo exclusivamente de apoio financeiro de empresas com interesse em ter retorno de mídia em nível nacional.

CENÁRIOS – E quanto a Fórmula 1? Almeja chegar a principal categoria do automobilismo mundial?

EDSON JR - O caminho que decidi percorrer no automobilismo é o dos carros de Turismo (carros fechados). A Fórmula 1 passa por uma trajetória distinta, com outro tipo de preparação. A Stock Car, brasileira; e a NASCAR, categoria americana, são alguns dos sonhos que tenho para minha carreira.

CENÁRIOS – Você é Monlevadense. Teve apoio na cidade para acelerar e chegar às vitórias?

EDSON JR - Do ponto de vista financeiro, a única empresa da cidade que sempre esteve ao meu lado foi a EMC Sistemas, empresa familiar. Várias foram procuradas, mas poucas compreenderam a oportunidade representada pela exposição de marca no automobilismo nacional. No entanto, se tratando de torcida e sentimento da população, sempre tive bastante apoio na região.

CENÁRIOS – O que aconselha para os jovens que também amam a velocidade a almejam uma carreira no automobilismo?

EDSON JR - O automobilismo depende de um bom trabalho de base, que começa no Kart. A evolução no meio depende não só do gosto pela velocidade, mas também de virtudes como habilidade, persistência e dedicação. Seguir a carreira como profissional é missão árdua, sendo necessário superar muitas barreiras, inclusive financeiras.

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