segunda-feira, 9 de maio de 2016

PESSOAS? PRA QUE PESSOAS?

EU SOU FRANK TIME O REPÓRTER DO TEMPO. VOU LIGAR A MÁQUINA PARA O FUTURO...AQUI VAMOS NÓS...PUXA...O RELÓGIO PAROU NO ANO DE 2100...VOU ENTREVISTAR UMA PESSOA POR AQUI...

- Ei...você...como vai?
- Eu vou bem...e você?
- Bem, meu nome é Frank Time e sou um repórter viajante do tempo. Vocês estão satisfeitos com a vida em 2100?
- Mas é claro. A vida tá muito boa.
- Mas não sente saudades do passado?
- Eu não...algumas pessoas sentiam falta por exemplo do prazer de dirigir automóveis.
- Uai. Mas o que aconteceu?
- Ah...agora todos os carros são automáticos e sem motoristas. A gente entra no carro, senta, diz onde quer ir e ele leva a gente.
- Puxa...realmente é uma pena. Dirigir é muito gostoso. Mas me conte uma coisa.  Como é a culinária de vocês?
- Pois é.  De uns anos pra cá as cozinhas passaram a ser automáticas. A pessoa diz o que deseja e a cozinha inteligente providencia tudo. Os pratos mais deliciosos tudo no ponto, sem sal a mais, tudo perfeito.
- É. Realmente no meu tempo existia o prazer no cozinhar, nos elogios. Mas e o esporte? O futebol por exemplo. Continua fazendo sucesso?
- Sim, mas  os jogadores passaram a jogar de suas casas. Nem precisavam ir ao estádio. Colocavam seus óculos sensitivos e se transportavam para um estádio virtual. Eles jogavam ali com os melhores jogadores virtuais do mundo e eram assistidos pela plateia no mundo inteiro, sem contusões e outros perigos. 
- Sei. E a música?
- Também passou a ser feita pelos computadores. A pessoa dizia que ritmo queria, quais os instrumentos, qual o sentimento desejava e os computadores faziam a música instantânea..
- Mas como são os governos?
- Governos automáticos. A presidência, os governos estaduais, prefeituras e câmaras substituídos por uma assembléia de avatares. Foram construídos perfis ideais, perfeitos guardiões que garantem o cumprimento da constituição em 100%.
- Mas e a vida das pessoas, o consumo? Como as pessoas passaram a comprar o que necessitavam?
- Tudo virtual. As empresas comerciais passaram a monitorar a vida das pessoas, cujas demandas foram supridas de forma automática. O que a pessoa precisava era encaminhado via correios, que deixou de entregar correspondências há alguns séculos pra se encarregar das encomendas.
- Puxa. Mas então passou a ser eletrônico e online?
- Não. Nem tudo. Por exemplo, as pessoas continuaram a fazer sexo.
- Nossa. Pelo menos isso. Imagino que com mais liberdade né? 
- Mais ou menos. As pessoas começaram a adquirir seus androids sexuais pra usar, desligar e guardar...de todos os tamanhos e necessidades.
- Mas e as profissões, o trabalho da pessoas?
- Ninguém precisou mais trabalhar. As máquinas fazem tudo...
- Mas o que você acha disso?
- Eu acho legal. As máquinas são perfeitas.
- Mas você não tem medo de, sei lá, perder o seu emprego?
- Não corro esse risco.
- Mas o que você faz?
- Eu sou uma andróide, uma robot.
- E onde estão as pessoas?
- Pessoas? Pra que pessoas?

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