terça-feira, 31 de maio de 2016

O MARKETEIRO BEBUM

ENQUANTO ISSO NAQUELA CIDADE DO INTERIOR...

- Estamos aqui na cidade de João Monletarde onde aconteceu uma coisa surpreendente.Um candidato que não tinha apoio de nenhum deputado, de nenhum prefeito nem nada venceu as eleições. Vamos conversar com uma pessoa da cidade.

- Por favor...por favor...em quem você votou para prefeito?
- Ah...eu votei no Luisonofre.
- Mas por que você votou no Luisonofre?
- Ah...porque ele não fez campanha, não gastou dinheiro, não fez comício, só foi lá em casa.
- Tá bom. Mas o que ele fez que te convenceu?
- Uai. Ele não prometeu nada. Ele foi sincero. Falou que só ia prometer depois que estivesse na prefeitura e parecia realmente se preocupar com a gente.
- Tá certo. Vamos conversar com mais uma pessoa aqui. Qual é o seu nome?
- É Débora.
- Você também votou no Luisonofre?
- Mas é claro.
- E por que você votou nele?
- Ah...por que ele foi lá em casa, tomou café com a gente e não prometeu nada. Só disse que ia fazer o melhor depois que fosse prefeito. E parecia preocupar-se muito com a gente.
- Tá certo. E você que é jovem? Por que votou no Luisonofre?
- Veja só. Foi o primeiro candidato que veio aqui em casa, tomou café e ouviu minhas ideias pra cultura, pra gente abrir espaços pros artistas da terra, fazer ginkanas. Ele parecia muito preocupado com a situação da cultura no município.
- Bom, pelo que posso notar, ele fez sua campanha totalmente centrada no contato corpo a corpo. Vamos entrevistar mais uma pessoa aqui. Por favor...você também votou no Luisonofre?
- Sim senhor.
- Mas por que?
- Por que ele não me pediu voto.
- Mas como assim?
- Ah...ele chegou lá em casa e falou que conhecia meu pai e minha mãe, que eles sempre votaram com certo candidato, mas que mesmo assim queria tomar um café e bater um papo...ele chegou lá em casa, ouviu a gente e não é que até meu pai e minha mãe votaram nele? Ele pareceu sinceramente preocupado conosco.
- Bom pessoal, vamos entrevistar apenas mais uma coisa para entender esse fenômeno eleitoral, de um candidato que não gastou um tostão com campanha. Vamos falar com o Sr...
- Zé da Lua.
- Muito bem Sr Zé da Lua. O senhor também votou no Luisonofre?
- Mas é claro, uai. Ele é o home.
- Mas quando é que você se decidiu a votar nele?
- Olha. Dizem que eu sou meio passado das ideias né?  Certa noite eu tava sentado na praça olhando a lua e o danado apareceu. Sabe o que ele fez?
- Eu não faço ideia...
- Ele apareceu e ficou lá sentado olhando a lua comigo. Tinha chegado da roça com uma mão na frente e outra atrás. Eu tinha uma garrafa de pinga e outro de alcool. Tomamos as duas garrafas e ficamos beleza. A certa altura ele falou que ia ser prefeito da cidade e me perguntou o que teria de fazer para isso e eu falei pra ele.
- Mas então senhor Zé da Lua...o senhor foi o marketeiro dele?
- Isso mesmo.  Eu falei pra ele: se você quer ser prefeito, só precisará fazer uma coisa.
- E o que era?
- Fazer cara de preocupado.
- Como assim?
- Eu falei pra ele que ele teria de ir de casa em casa...hic... conversar com o povo e fazer cara de preocupado. Mas que antes teria de arrumar um emprego, hic...sempre ajudando as pessoas e aperfeiçoando a cara de preocupado. Ele conseguiu um emprego num posto de saúde, aperfeiçoou tanto a cara de preocupado que foi crescendo no governo até chegar a secretário de saúde. Ele mandou fazer fotos dele para o santinho com a melhor cara de preocupado. E hoje é o prefeito.
- Puxa vida. Que história interessante. E ele não arrumou um emprego pra você na prefeitura?
- E quem diz que eu queria emprego? Eu gosto é de Pinga. Mas deixa eu te contar uma história. O danado ganhou e sumiu e tá me devendo a garrafa de pinga que prometeu até hoje. Foi a única promessa que fez e não cumpriu. Mas minha vingança será maligna. A próxima eleição ele não ganha.
- Por que?
- Por que estou ensinando um novo moço que chegou na cidade agora a fazer cara de quem presta atenção...vai ser o quente pelano...mas dessa vez vou pegar minha garrafa de pinga antes...

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