terça-feira, 19 de abril de 2016

PLANO DE GOVERNO

Enquanto isso, naquela reunião partidária

- Amigos, precisamos criar um plano de governo que contemple os sonhos de nossa gente.
- Mas senhor Renato. Não teríamos de escrever um plano realista?
- Ô, meu amigo. Realidade o povo já tem. Nós precisamos é de sonhos que as pessoas possam sonhar juntos. Por isso estamos aqui.
- Tudo certo, senhor Renato. Por isso chamou todos aqui né? Um representante de cada área...
- Exatamente. E eu gostaria de ouvir um por um.
- Tá certo então. Começamos por quem?
- Eu gostaria de ouvir primeiro a pessoa responsável pela saúde.Dr Alberto Colins. Muito obrigado pelo seu tempo, viu Dr?
- Eu é que agradeço o convite, Renato. Bom! Na área da saúde, podemos rever o PSF, de modo a atingir todo o município. Podemos ainda investir na medicina preventiva, pra evitar demandas posteriores, para termos dinheiro para outras ações.
- Espere...me perdoe, Renato. Rs. Vc entende de saúde, mas não entende de política. Se prometermos coisas assim, não ganharemos a eleição.
- Mas o que devemos colocar no plano de governo?
- Coisa do tipo...colocar um posto de saúde em cada bairro e distrito, distribuição de remédios de graça para a população, médicos 24 horas.
- Mas espere. Isso sabemos que não conseguiremos cumprir...
- Ah...cumprir é detalhe. Precisamos prometer e convencer.
- Sei...entendi...
- E quanto ao Sr João Gualberto. O que tem a oferecer?
-Bem, sr Renato. Eu sou engenheiro e posso contribuir nessa área. Eu sugiro que refaçamos toda a parte pluvial do centro e dos principais bairros, pois a rede está sempre dando problemas. Sugiro também o reforço em algumas pontes, que estão carcomidas pelo tempo. Sugiro ainda a reforma de alguns prédios públicos, que estão correndo sério risco de ruir, pela ação do tempo.
- Olha, Sr João Gualberto. Nós sabemos que a estrutura precisa de reparos.Mas sinceramente? Isso não dá voto. Que tal o asfaltamento de várias ruas, construção de casas populares, construção de um estádio municipal e um novo parque de exposições para a cidade?
- Mas sr Renato. O nosso parque é até bom.
- Ah...mas já está velho e o povo enjoa. Podemos transformar numa garagem e construir um novo. Pode ter certeza que o povo vai preferir...vai por mim.
- Ok.
- E quanto ao nosso professor Zazu da Educação? O que sugere?
- Olha. O que estamos precisando mesmo é de manutenção nas nossas escolas. A rede é até boa. Mas algumas estão com goteiras nos telhados...ah...teve algumas depredações também e precisamos repor algumas carteiras.
- Ah...mas desse jeito não vamos ganhar eleição. Vocês são muito certinhos. A gente precisa sonhar mais...querer mais.
- Mas o que sugere?
- Que tal construirmos um ginásio coberto em cada escola? Comprarmos tablets para todos os alunos, wi-fi gratuito para todos os alunos e transporte escolar gratuito em toda a rede escolar?
- Puxa. Seria ótimo. Mas podemos fazer isso?
- Eu já falei. A gente promete. Fazer é outra história.
- Entendi...
- E quanto a você, Oswaldo Aranha? Você é da cultura. Nem sei pra que te chamaram. Cultura não dá voto!
- Ora. Eu fui chamado por que as pessoas da cidade gostam de cultura. Eu pensei o seguinte. Vamos fazer eventos culturais o ano inteiro. De janeiro a janeiro. Faremos saraus poéticos, lançamentos de autores locais, festivais de música e de cinema, festival de teatro, ginkanas culturais, traremos shows de alto nível com baixo custo, desenvolveremos work shopps para os artistas locais e desenvolveremos incentivos para que os artistas da terra possam se apresentar em outros locais.
- É por isso que a cultura não vai pra frente. Inventam moda demais.
- Mas por que? Isso tudo que eu falei fica barato e dá pra fazer.
- Dá pra fazer, mas não dá voto nenhum. O povo quer é outras coisas.
- Então o que devemos colocar pra cultura?
- Muito simples. Que vamos investir na exposição agropecuária e cavalgada, com shows de artistas sertanejos famosos e do funk também. Que vamos fazer carnaval na praça com bandas de axé e pronto. Não precisa de mais nada. Você ficar colocando itens demais, depois não dá conta de fazer.
- Mas sr Renato. Isso fica muito mais caro...e é entretenimento, não é cultura.
- Mas pra que cultura? O povo quer é festa. Cultura é coisa de elite.
- Tá bom então. O senhor pode colocar o que achar melhor.
- Calma, sô. É só mascarar o jeito de escrever que fica parecendo cultura. Escreva por exemplo - investir nas atividades de cultura nativa, principalmente eventos que valorizem o homem do campo e as raízes. 
- Engalobamento, né?
- Agora você pegou. Tem de escrever difícil, pois aí as pessoas não entendem e acham inteligente.
- Ok então, Renatão. Eu tenho de ir. Você vai ouvir o resto do pessoal pra finalizar o plano?
- Não precisa. Só queria bater um papo com vocês. Podem deixar que colo dos planos de governo de outras prefeituras.
- Mas é tudo feito assim? Sem mínimo respeito pelo público?
- De maneira alguma. Nós precisamos do eleitor. Só não vamos trabalhar para o que o povo precisa, mas para o que o povo quer...essa é a lógica. 

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