sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ESPÍRITO DE CARNAVAL


Enquanto isso naquela academia...

- Menina. Tô gostando de ver. Você está malhando com mais energia. O que aconteceu?
- Sabe o que foi? O Carnaval foi tão bom que quero levar ele comigo o ano inteiro.
- Como assim?
- Uai. Durante 4 dias eu fui feliz, beijei na boca, tomei todas, dancei, tomei banho de chuva, banho de espuma, pintei o rosto, sambei, sai nos blocos...foi uma delícia.
- Mas peraí...você não pode fazer isso no dia-a-dia.
- E por que não?
- Ora. O dia-a-dia é pra gente trabalhar, estudar, fazer alguma coisa de útil.
- Quer dizer então que o dia-a-dia não é pra gente ser feliz?
- Espere. Não é bem assim...
- Pois é. Por isso eu quero carnaval o ano inteiro.
- Essa sua roupa de malhar...parece com uniforme da mulher maravilha.
- Exatamente. Estou fantasiada...por isso estou mais forte pra fazer exercícios. 
- Eu acho que você pirou.
- Pirei mesmo. E não quero mais voltar ao normal.
- Espera ai. E você continua trabalhando?
- É claro. E muito melhor...
- Mas você trabalha com que?
- Eu sou professora. Minhas aulas agora são divertidas, lúdicas.
- Mas você dá aulas de que?
- De história. E a nossa história é um carnaval...
- Você pirou mesmo.
- Pirei nada. Nossa história é um carnaval. Imagine Cabral chegando e encontrando a indiaiada toda pelada? Puro carnaval. E o Dom Pedro mandando ver no grito do Independência ou morte? Não parece um enredo de carnaval?
- Mas você está ensinando de um jeito distorcido.
- Distorcido nada. A história é contada pelos brancos, que sempre a distorceram. Eu conto versões mais divertidas. Os alunos adoram...
- Mas como você sai na rua? Sai fantasiada?
- Mas é claro. Cada dia saio com uma fantasia. As vezes saio de executiva, outras vezes saio de indiana com aquelas roupas esvoaçantes. Já vesti até de Burka. Maior barato.
- Meu Deus. Eu sou amiga de uma louca.
- E tem outra coisa, amiga. Não dou trÉgua pra depressão nem pra tristeza. Sou foliã o ano inteiro. Só distribuo sorrisos, só abraço as pessoas e não desejo mal a ninguém.
- E os beijos na boca?
- Ihh...minha filha. Multipliquei por mil. Não estou perdoando ninguém. Pode me chamar de cortesã, de colombina, de cigana, de periguete, do que quiser.
- Eu tenho medo que te prendam dia desses, que te botem numa camisa de força.
- Eu não tinha pensado nisso. Fantasia interessante viu. Dá uma self diferentona.
- Amiga. Você não anda tomando aquelas drogas alucenógenas né?
- Ih minha filha. Eu não preciso disso. É que baixou em mim o espírito do carnaval.
- Então é o caso de levá-la numa dessas igrejas que fazem desencapetamento. Você está possuída...será a pomba gira?
- Não. Você não entendeu. Não fui possuída por um espírito maligno. Eu é que incorporei o espírito de carnaval. E não quero exorcizá-lo jamais...ser feliz não é pecado. 

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