sexta-feira, 29 de maio de 2015

ENQUANTO ISSO NA PADARIA GLOBO...


Enquanto isso na Padaria Globo, dois amigos se encontraram depois de algum tempo....

- Antônio, Antônio. Você por aqui?
- Opa. Que prazer te encontrar....
- Essa Padaria Globo é demais né? A gente sempre encontra gente boa por aqui.
- Pois é. Toda vez que venho a Monlevade dou uma paradinha pra tomar um café e para um dedo de prosa. É o Café Nice de Monlevade.
- Vc sumiu da cidade. Tá em São Gonçalo ainda?
- É claro. Não saio de lá de jeito nenhum.
- E tá lendo jornal, né? Se informando...
- Pois é. A gente tem de estar por dentro. E você? Não lê jornais?
- Ah...eu não. Eu gosto é da internet. Pego as notícias é lá.
- Eu já sou a moda antiga ainda.
- Mas e o seu politico lá?
- Tá muito bem, uai. Acaba de dar entrada num projeto muito importante. De colocar Monlevade e Itabira fazendo parte da grande BH.
- Mas pera aí. Quem propôs isso é o candidato aqui de Monlevade.
- Não foi não. Foi o meu candidato. Tá na internet e tudo. O candidato seus tá g* com p* dos outros, sô!
- Isso é vocês que acham. O candidato aqui de Monlevade falou que entrou com requerimento 3 vezes antes.
- É mesmo? Mas só que não conseguiu nada. Já o meu candidato conseguiu incluir Monlevade e Itabira no cinturão de Belo Horizonte.
- Pode até ser. Mas me diga uma coisa. Será que isso é vantagem pra nós?
- Mas é claro, uai. Vamos ter um monte de benefícios.
- É mesmo? Mas que vantagens isso vai trazer mesmo?
- Uai...tem o...quer dizer...nós vamos ter mais...ah..sei lá, amigo. Alguma vantagem deve ter.
- kkk. Nem você sabe me dizer, né? Agora...o candidato aqui da cidade entrou com um pedido pra 381 continuar passando aqui na cidade. Eu acho isso importante. Se não passar muita gente vai quebrar.
- Só tem um problema. O candidato daqui não tem nenhuma moral. Não vai conseguir nada. Vai pedir pra quem? Em Brasília ele não tem poder. No governo do Estado também não tem. Vai ficar chorando mais 3 anos e meio. Mas não vai conseguir nada.
- Nós tamos lascados.
- Tão lascado nada. Vocês podem contar com São Gonçalo.O candidato nosso lá foi mais votado aqui. Através dele vai dar pra conseguir as coisas pra Monlevade e pra região.
- Vou nessa, Antônio. Dê lembranças pro pessoal lá em São Gonçalo, viu?
- Pode deixar. 
- Ô Antônio. Pode pagar meu cafezinho? Estou sem trocado aqui...
- Que pobreza!
- O que você falou, Antônio?
- Com certeza...eu falei com certeza...( aff). 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

DONA PENHA - EVOLUÇÃO BACANA

Embasbacado com a evolução dessa banda. Costumo ser sincero. Quando a produtora Samira Lima me mostrou uma música dessa banda a alguns anos atrás, eu não curti tanto e expressei isso pra ela. Mas a banda continuou na estrada e evoluiu demais. Essa música postada no Youtube é prova disso. Mistura soul music com uma coisa meio Jimmy Hendrix, um baixo mezzo Red Hot, a letra também é muito boa, a batera, o swing, enfim. Pesquisei na Internet e vi que tem um bocado de materiais de ensaio. Senti falta de mais clips, mas sei que isso custa caro. Gosto das canções disponibilizadas no youtube com a logo, que nem essa. A gente presta mais atenção na música, nos instrumentos. Parabéns à Samira Lima pela persistência na arte e à Dona Penha pela evolução. Quero ouvir mais...

quinta-feira, 21 de maio de 2015

NINGUÉM MANDOU SER BONITA...


Enquanto isso, aquela mulher se exercitava numa dessas academias ao ar livre e era observada por um senhor de meia idade.

- O que é que foi? Nunca viu mulher?
- Já vi sim.  Mas você é maravilhosa.
- Sou bonita mas não sou pros seus olhos.
- Aí é que você se engana. Te olhar já é uma dádiva de Deus.
- Que mané Davida coisa nenhuma. Vai tirando o olho.
- Mas por que eu faria isso? A gente tem de admirar a beleza...
- Ah...não me venha com conversa fiada. Pra mim você não passa de um velho tarado.
- Aí você está me ofendendo.
- Ah pára...você é que está me ofendendo...pare de me olhar.
- Desculpe mas eu não consigo. Você é linda demais...
- Se não parar de me olhar eu vou chamar a polícia pra você.

COINCIDENTEMENTE UM POLICIAL PASSAVA POR PERTO 

- Seu guarda..por favor...
- O que está acontecendo aqui? Alguém está te importunando, moça?
- Esse velho só fica me encarando...falou que admira minha beleza, que sou linda demais, que sou formosa e fica aí babando...
- E o que você quer que eu faça?
- Uai...que dê um corretivo nele, quem sabe uns carinhos com o cassetete, quem sabe deixar os olhos dele roxos...
- Infelizmente, minha flor, olhar não é proibido. Sua beleza não pertence a você. A senhorita enfeita o mundo.
- Ah...querem saber? Eu vou embora. A gente não pode nem fazer um exercício em paz...
- Ninguém mandou ser bonita...

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A gente somos inúteis...



Enquanto isso, naquela praça no centro de uma favela, um sujeito dormia no banquinho.

- Ei...meu amigo. Você não pode dormir aí não...
- Mas quem é você?
- Eu sou segurança aqui da Vila. A praça é pública. Não pode dormir ai...
- Mas meu amigo. Como é que eu vou fazer? Eu perdi tudo, emprego, família...não tenho ninguém.
- Tá certo. O senhor é apenas mais um. Vá para aquele galpão. Lá eles vão te ajudar.
- Mas que galpão é esse?
- É o local onde ficam os obsoletos. O que você faz?
- Eu sou jornalista. O jornal em que eu trabalhava fechou e eu só sei ser jornalista.
- Tá certo. Já é o oitavo que chega aqui essa semana. Vou acompanha-lo até o galpão.
- Mas me diga uma coisa. Que comunidade é essa?
- O nome é Vila saudade. Mas vou encaminhá-lo para o galpão. Lá você terá alimentação, um colchão para dormir e encaminhamento.
- Muito obrigado.
ELE CHEGOU, PREENCHEU UM CADASTRO, REUNIU-SE COM UMA ASSISTENTE SOCIAL E FOI DIRECIONADO PARA UM QUARTO, ONDE ESTAVAM MAIS 6 PESSOAS
- Olá, meu amigo. Seja bem vindo na saudade.
- Bem vindo? Vou ficar aqui por pouco tempo.
- Todos falam isso.
- Mas como assim? Quero dar a volta por cima.
- Pra que? Aqui a gente tem tudo. Tem gente que já está aqui a muitos anos.
- Tá certo. Então me diga quem é você e como chegou aqui?
- Meu nome é Ângelo.  Eu era tipógrafo.
- O que são tipógrafos?
- São aquelas pessoas que montam jornais peça por peça, letrinha por letrinha. Quando apareceram as gráficas modernas, acabou o nosso trabalho. Como não sabia fazer outra coisa, a comunidade me acolheu.
-E você?
- Meu nome é Sr Lúcio Caldas. Eu era comerciante de 10 000 telefones. Eu alugava e vendia. Fui um sujeito bem rico. De repente o mercado de telefones acabou, evaporou e eu perdi tudo que tinha.
- Sério? E você?
- Eu era vendedor de máquinas elétricas de escrever. Era um mercado excelente. Mas aí apareceram os computadores e fiquei com um estoque enorme, vindo a falir e a perder tudo nos anos sequentes.
- E você aí de Boina?
- Fui vendedor de enciclopédias BARSA. Não contava que um dia teríamos o google e outros recursos. Tenho dois containers cheios de BARSAs encalhadas. Ninguém quer nem como doação.
- E vocês?
- Eu sou ex calculista de obras. Mas depois que apareceu o Autocad, fiquei sem emprego.
- Sou ex bancário. Os caixas eletrônicos e a internet me substituíram.
- Eu tinha uma gráfica e só trabalhava com listas telefônicas. Quebrei há  5 anos e também estou aqui.
- Minha nossa senhora. Nós precisamos fazer alguma coisa...
- Mas fazer o que? Pra que ficarmos nos matando lá fora? Aqui nós temos comida, lugar pra tomar banho, roupa, televisão pra assistir e até internet?
- Mas isso não é viver...é vegetar...
- Que nada. Aqui é muito bom. Pra que ficar dando murro na ponta de faca?
- Mas a gente precisa ser útil.
- Mas quem falou que não somos úteis?
- Quem banca esse lugar?
- Uai. Tem uns empresários aí, uma ONG, tudo em troca de uma coisa muito simples.
- O que?
- Que votemos nos candidatos deles nas próximas eleições e participemos de algumas manifestações. Dizem que eles tem mais um monte de galpões como esse.
- Bem razoável. Nós não somos vagabundos. Somos descartados pelo sistema.
- E ainda ganhamos um cartão, o bolsa dignidade, que a gente vai renovando todo mês para comprarmos alguma coisa pra nós.
- Muito justo. Mas eu não pretendo continuar explorando ninguém. Quero ganhar o meu  dinheiro, fazer meu próprio destino
- Tá certo então. Mas o que você faz mesmo?
- Sou professor...
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

( Tá rindo aí também? De repente tem um lugar  pra você lá na vila.)

sexta-feira, 8 de maio de 2015

CONVERSA DE BARBEARIA


Enquanto isso, numa  barbearia

- E o Cruzeiro hein?
- Tá  mal...sabe quando você junta coisas que não dão liga? Alguns jogadores parece que esqueceram o futebol, como é o caso do Mayke e Marquinhos. Parece que Marcelo já deu o que tinha que dar.
- E o Atrético?
- Uai...capaz deles ganharem do Inter lá dentro. Eles costumam tirar coelhos da cartola. Disparam a rezar e tem funcionado...
- E a Dilma? Também bateu panela?
- Cê não tá doido. A minha muié comprou umas panelas novas e vive lustrando. Eu é que não vou desafiar a jararaca.
- E a sua jara...quer dizer, sua dona? Ela não bateu panela?
- Que nada. Ela bateu foi minha carteira. Só de salão esse mês foi 120 real.
- Eu posso entrar no assunto seus aí?
- Fique à vontade, Zé Inácio.
- Eu acho esse trem da batê panela um desrespeito. É mais uma perseguição ao PT.
- Mas o PT merece. É só corrupção e ladroagem.
- Até parece que vocês da direita não roubam. E não estão nem aí pro social.
- Social é sinônimo de dar boa vida a vagabundo.
- Aqui...vamos mudar de assunto que eu não quero discussão aqui na minha barbearia não. Isso sempre dá problema
- Mas Zé Barbeiro...se é questão de dar polêmica, vamos parar de discutir futebol também. Eu sou atleticano e esse papo de cruzeirense não me agrada.
- Ai, ai, ai. Se não pudermos conversar sobre política ou futebol na barbearia, danou-se.
- Gente, gente. Vamos ficar em paz. Que tal falarmos da Paulinha?
- Paulinha que você fala é aquela que corre na avenida toda tardinha ?
- Ela mesmo. Que perfeição! Ela coloca aquela roupinha de ginástica e faz suas corridas. Ela nem imagina o quanto é gostosa Põe o fone de ouvido e parece que o mundo some.
- E parece que tem um namoradinho né? Cara sortudo. Imagine ela peladinha...
- Pessoal. Vão me desculpar mas eu sou religioso. Se não mudarem essa conversa perniciosa eu serei obrigado a me retirar do recinto.
- Ele tem razão, pessoal. Vamos respeitar a menina. Ela é de família. Vamos conversar sobre alguma coisa mais interessante.
- Tá bom. Então deixa eu contar um babado forte pra vocês. Sabe o Liliu da Farmácia?
- Sei. Aquele que casou-se com a secretária 20 anos mais nova que ele?
- Ele mesmo. Vocês não imaginam o que aconteceu...
- Não me diga que pegaram ela com outro.
- Pior. Ela é que pegou ele com outro. Parece que o casamento acabou.
- Puxa vida. Mas vocês não conseguem conversar nada que preste?
- O sr sugere alguma coisa?
- Já sei...vamos contar piadas. Eu começo. Vou contar uma piada de viado.
- Ôpa, ôpa, ôpa. Pode ir parando por aí...
- Por que?
- Discriminação. Crime previsto na lei da Homofobia.
- Mas você é advogado?
- Sou promotor. Mas aqui nesse instante, sou apenas um cliente.
- Então vou contar uma piada de bêbado...
- Também não pode. Trata-se de uma condição social degradante em que o meliante não responde por si, portanto configurando ação de bullying social também passível de pena.
- Uai. Então não podemos conversar sobre nada?
- Não sou eu quem está dizendo, meu caro. É a lei. Se quer permanecer livre e portador dos seus direitos, não fabrique provas contra você...
- É meus amigos, convenhamos...
- O que foi, Zé Barbeiro?
- A censura está no meio de nós...