sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

AVENIDA 381

Hoje, dia 21 de abril de 2021, é um dia histórico. Hoje estão sendo entregues as obras completas da duplicação da BR 381. Estamos falando aqui diretamente do trevo de Caeté de Nova União, onde teremos a solenidade simbólica de re-inauguração da rodovia duplicada e revitalizada, após 6 anos de obras. E vamos conversar com uma pessoa que sonhou e lutou muito por esse dia, o sr Afonso Pena. Ele, junto com alguns amigos articulou o projeto AVENIDA 381, transformando-a num corredor de negócios, de vida, de desenvolvimento. 

- Sr Afonso Pena, o que representa esse momento para o sr?
- Representa muito. Lutamos por essa obra há bastante tempo. Não apenas pela obra, mas pela humanização da 381.
- O que significa o AVENIDA 381?
- Significa uma grande avenida que corta todos esses municípios.Uma avenida bem sinalizada, iluminada, pensada em suas possibilidades econômicas...
- Mas vamos voltar ao início. Como começou o projeto?
- Bom, nos idos de 2015 me bateu um click - Meu Deus! Enquanto ficarmos invocando a morte para essa rodovia, vamos conseguir morte. Precisamos inverter essa lógica.
- Mas como inverteram essa lógica?
- Com o seguinte pensamento: fazer da BR 381 uma das rodovias mais seguras do mundo.
- Na época parecia impossível, não é?
- É claro. Curvas assassinas, motoristas suicIdas, cargas em excesso, tudo errado.
- E o que fizeram?
- Começamos a juntar uma turma boa pra pensar a rodovia. Em princípio os encontros eram virtuais, pelo antigo facebook mesmo. Depois passamos às reuniões presenciais. Era um grupo pequeno, mas com pensamento afinado. 
- E o que fizeram 
- Primeiro convidamos os prefeitos das cidades para uma reunião para expor o projeto. Todos apoiaram.Depois fomos até a Associação Mineira de Municípios. Nos reunímos com os presidentes das associações de municípios da região cortada pela rodovia. Ficou acertado que cada município se disporia a adotar a parte da 381 que estivesse dentro do seu território. Todos assinaram um documento, se comprometendo a ajudar e a compartilhar as informações com seus cidadãos.
- E como foi a receptividade?
- Foi excelente. O movimento foi ganhando força. O próximo passo foi falar com o governador de estado, que também resolveu abraçar a causa e intermediar o contato junto a Brasília. 
- Mas você falou que formaram um grupo de estudo?
- Exatamente. Formamos um grupo interdisciplinar muito interessante,  Notáveis da região. Todos com visão supra partidária, pensando no bem comum. Tinha algumas figuras muito doidas, Malucos beleza com a visão além do alcance.
- Sério?
- Pra que você tenha uma ideia, um deles era perito em acupuntura; Sugeriu um Do-in na rodovia. Intervenções nos pontos de maior incidência de acidentes. O estudo dele diminuiu em 20% o número de acidentes.
- E o que mais foi feito?
- As coisas foram acontecendo naturalmente. Importante também citar a participação da agencia de publicidade, que se propôs a ajudar. Fizemos campanhas muito interessantes. Colocamos outdoor nos pontos mais importantes. A mídia também aderiu. Todas as redes de tv veicularam nossos vts. Todos os jornais e rádios, todos ajudaram como puderam.
- E como foi a abordagem com relação ao governo?
- Na época o governo se negava a compartilhar informações. Mas nosso grupo buscou interagir pra entender o que estava acontecendo e compartilhar informações fidedignas, descontaminadas. Criamos o TV 381, com boletins diários compartilhados via webtv 381e rádios
- E isso acelerou as obras?
- Acho que aceleramos a duplicação da boa vontade. A obra ainda teve um bocado de interpéries, mas bem antes da inauguração da parte final da 381, já diminuímos em 95% o número de acidentes, com ações pensadas, estruturadas, humanizantes.
- Pela informação que temos, o painel da rodovia já está apresentando 230 dias sem acidentes. 
- Fora o que a inaugurações de cada estágio da rodovia trouxe para os municípios. Muitas indústrias de tecnologia se instalaram. Na semana passada tivemos a inauguração do Megastore da Mcdonalds no trevo de São Gonçalo do Rio Abaixo. A região praticamente quintuplicou a sua população. Isso sem deixar de cuidar do meio ambiente. Os rios estão despoluídos, mata ciliar foi plantada, nascentes preservadas. Um belo trabalho foi feito.
- E isso sobrevivendo aos vários partidos que se alternaram no poder, não é?
- Exatamente. Foi importante ser um projeto suprapartidário. Tivemos governos de esquerda e direita e pessoas de todos os partidos envolvidos no projeto. Houve atrasos em função das crises. Mas conseguimos resolver muito antes da duplicação a questão das mortes e dos acidentes que tanto atormentavam os cidadãos. 
- Muito obrigado pela entrevista, sr Afonso Pena. 
- O prazer foi meu. Agora vamos a queima de fogos e o discurso do presidente da república...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vai brincar com quaresma...

Enquanto isso naquele cemitério

- Nó, gente. Que doidêra. Nós aqui no cemitério em plena quaresma.
- Nós somos é muito doidos. Esse lugar é sinistro.
- Sinistro nada, sô. As almas não ficam aqui. Elas descem pra assombrar os vivos.
- Sei lá. E as almas preguiçosas? As almas dos baianos, por exemplo.
- Olha o bullying racial hein?
- Que isso, véi. Até parece que tem alguém ouvindo.
- Você tem certeza que o coveiro não vem aqui, né?
- Claro. Eu vi ele lá na praça e ele tá monitorado. Se sair da praça um broder liga pra mim e dá tempo da gente se mandar.
- Mas ele mora aqui no cemitério?
- Sim. Naquela casinha ali.
- Mas ali não é um túmulo?
- Não, sô. Ele mora ali.
- Que sinistro. Vamos olhar de perto?
- Vamos uai. Por que não?
- Vejam. Ele mora aqui mesmo. Tem roupas no varal...
- Caramba...que doido.
- Ei...me passe a garrafa...deixa eu dar um gole.
- Toma.
- O que você colocou aqui? Que bebida é essa?
- Misturei várias coisas...vodka, rum, Martini, campari, wisck e cachaça.
- Credo. Tá parecendo lava incandescente.
De repente um barulho...
- Caramba. O que foi isso? Um barulho dentro da casa?
- Não...foi atrás da casa.
- Vamos embora, pessoal. Tem alguém aí.
- Calma sô! Não tem muro. Vamos ver o que tem lá.
- Deixa eu tomar mais uma talagada. Urúh. Vamos lá então.
Eles chegaram e viram algo muito estranho.
- Véi. O que é aquilo?
- É...uma jaula...
- E o que é aquilo dentro?
- Parece...um...
- Um lobisomem...vamos embora.
- Veja ali. Tem umas roupas no chão...
- Caralho, velho. Eu conheço aquele boné...e aquela roupa. É do DJ que tocou no baile ontem.
- Será que ele que vira lobisomem?

DE REPENTE A LUA CHEIA SAIU DE TRÁS DAS NUVENS E O LOBISOMEM COMEÇOU A UIVAR.

- Véi. Vão bora daqui. Cremdeuspai...
- Vamos nessa...nossinhora.

OS RAPAZES SAIRAM CORRENDO E CHEGARAM NA PRAÇA OFEGANTES, SUADOS, MEIO PERDIDOS.

- Véi. Perdi meu fone. Tô fudido com pai.
- Que fone, sô. Nós vimos um lobisomem.
- Sei não viu. O que você colocou naquela garrafa? Tinha chá de cogumelo no meio, não tinha?
- Tinha só álcool sô. Nós vimos aquela coisa mesmo.
- Nossa senhora. E o que nós vamos fazer?
- Eu sei que não volto no cemitério tão cedo.
- Véi. Disfarça. Olha quem vem ali.

- Nossa. É ele. O DJ.
- E aí, pessoal. Tudo beleza? Algum de vocês perdeu um fone?
- Eu...
- Encontrei quando vinha pra cá. Imaginei que fosse de um de vocês.
- Valeu.
- DJ...me diga uma coisa. Você por acaso esteve no...
- Estive no cemitério buscando uns discos de vinil antigos. Você conhece o coveiro? Ele tem muitos discos antigos.
- Ah tá. E você esteve lá hoje?
- Sim. Encontrei com uns amigos. Foi muito legal.
- Ah tá. Encontrou-se com amigos em plena quaresma no cemitério. Não tem medo?
- Por que eu teria?
- E que amigos eram esses? A Mula sem cabeça? O saci pererê? A madame mim?
- Não. Uma turma que foi lá pra tomar um porre e profanar os mortos.
- Sei. Mas o que vai acontecer com essa turma?
- Ih. Eles foram expostos à lua de Nosferatu.
- E o que isso significa?
- Que todos os anos na quaresma eles vão virar...
- Credo. Dj. Você só pode estar brincando.
- Vai brincar com quaresma...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CARNAVAL DOS POLÍTICOS

Enquanto isso, as esposas de dois políticos conversavam sobre os planos para o carnaval.

- E aí, amiga? Vai passar o carnaval aonde?
- Eu nem sei, viu. Talvez em Londres, París...
- Ah não, amiga. Vai sair do Brasil na época em que ele é mais delicioso?
- Sabe o que é? Alguns opositores estão ameaçando fazer máscaras do meu marido. Não quero ficar aqui pra pagar esse mico.
- Que nada, amiga. Tem de levar na esportiva. 
- Mas o povo tá cruel. Não tá poupando ninguém.
- Que isso. A gente tem de levar na esportiva e até brincar com isso.
- Mas como assim?
- Veja bem. Nós montamos um bloco e vamos desfilar. Convidamos vários amigos eleitores e vamos fazer um ato político em pleno carnaval.
- E como se chama o BLOCO?
- Bloco do Sujo.
- É. Mas no caso do meu marido, tinha de ser BLOCO DO LIMPO.
- Por que?
- Por que a especialidade dele é lavar dinheiro. 
- Mas me diga uma coisa. Vocês vão no baile da associação dos deputados?
- É claro. Não podemos perder essa mamata. É tudo pago pelo governo.
- Pois é. Mas vai se fantasiar de que? 
- Eu ainda não pensei. Mas será uma fantasia bem sensual e lúdica
- E o seu marido? Não vai se fantasiar?
- Claro. Eu já comprei duas fantasias pra ele escolher. Uma de Pirata, pois também opera no contrabando. A outra é de mestre de obras, com capacete e tudo pra ele se fantasiar de pedreiro, pois fatura um gorjeta dos empreiteiros.  
- O meu pode se fantasiar de Homem Invisível. Ele está em várias falcatruas mas não aparece em nada. Tudo em nome de laranjas.
- Tá vendo amiga? A gente tem de levar a vida no bom humor.
- Tudo é carnaval, né? Mas dizem que o povo vai protestar muito esse ano.
- Protestar contra o que?
- Uai, contra a corrupção, a economia.
- Ah...vamos aproveitar e protestar também...tudo é carnaval, não é?
- Mas protestar contra o que?
- Ah...sei lá...por exemplo, contra esse absurdo do político trabalhar 3 dias por semana. Como é que ficam a esposa dos políticos? Nós precisamos viajar e conhecer o mundo e principalmente fazer compras...
- É verdade. Podemos protestar também pela criação de uma bolsa salão. Mulher nenhuma vive sem salão.Seria o projeto Meu Salão, minha vida.
- Boa. E uma bolsa Ricardão também né? Antes galhar galhando do que ser galhada sem estar galhando. 
- Eu não traio meu marido com homem nenhum.
- Sério?
- Eu disse com homem. Agora, rapaz pode. Meu marido fica direto em Brasília e sabe como é né? A gente precisa de um novinho pra passar o tempo..
- Você pode sugerir ao seu marido uma fantasia de Alce. kkkk.
- Sei lá se a minha sombra não tá galhada também...
- Mas meu amor...carnaval de político é assim...os escândalos esquentam a relação.
- É verdade. A gente aprende a viver perigosamente.
- Mas me diga uma coisa...pode me contar que eu não vou copiar: vai se fantasiar de que pra seduzir seu marido? De bailarina? De colombina?
- Não. De propina. Nada o excita mais. 


sábado, 7 de fevereiro de 2015

VIDE BULA CORAÇÃO - UMA RECEITA PARA BEM VIVER

Estava ouvindo a música VIDE BULA, CORAÇÃO, da dupla Samyr e Semer e pensando no quanto temos dificuldades hoje em dia em relaxar e curtir a vida. Relaxar faz muito bem pro coração. Viver, gozar o bom da vida também. Samyr é médico. E como doutor o que ele receita e pratica para viver bem? O samba! Precisamos relaxar pra curtir despretensiosamente as coisas simples, a amizade, a informalidade. Quando ouvi a canção imaginei a seguinte cena: a turma no samba, curtindo e cantando naquele clima tribal delicioso e de repente uma das meninas presentes começa a ficar entediada e diz que tá com dor de cabeça, que quer embora, muitas vezes querendo levar seu homem embora do samba.Mas o cantor intervém dizendo pra ela tomar novalgina ou aspirina e relaxar, cair no samba, mostrar sua malemolência, seus predicados, pois a vida é breve e os bons momentos precisam ser vivenciados. Quer viver bem? Faz o que gosta. Siga o Coração. Vide Bula Coração. Não sei se foi exatamente isso que o Samyr pensou, mas é aquele negócio, quando um artista põe uma obra no mundo, naquele instante a obra deixa de ser dele e passa a ser de quem ouve ou sente. E tocando em Vide Bula Coração, um time da bambas: Ronaldo do pandeiro nas percussões, Geraldo Magela no 7 cordas,  Marquinhos Flores no Cavaquim, Rodolfo Mendes nos arranjos, vozes principais de Samyr e Semer, com vocais de Marcos Martino, Rodolfo Mendes e Silvana Martins. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Qualé, véi !

Acabou a mesada e aquele adolescente precisava tirar mais uma grana do pai. Rodeou, rodeou e enfim resolveu se atrever.

- Ô véi...tava precisando ver umas paradas com você...
- Quê que foi?
- É o seguinte...sabe aquela mina que eu tô saindo?
- Qual delas?
- Quê isso, pai. Eu só saio com a Flavinha há um tempão...
- Isso não é bom. Garoto da sua idade tem de variar, conhecer outras meninas...
- Mas eu gosto é dela, véi.
- Você que sabe. Eu na sua idade tinha uns 4 rolos.
- Mas eu não quero rolo. Eu quero é ela.
- Tá bom então. Mas o que é que você tá querendo?
- Tô querendo dinheiro pra me inscrever num curso.
- Sério?
- Sim. Eu quero ganhar dinheiro, trabalhar e poder pagar minhas despesas.
- Puxa. Estou até emocionado. De quanto precisa?
- 699 reais
- Pode contar comigo, filho. Pode me passar o boleto que eu pago.
- Não, véi. Tem de ser no dinheiro. Eu tenho de ir lá fazer um teste.
- Tranqüilo. Tenho dinheiro aqui. Qual o nome da escola mesmo?
- É...esqueci o nome.
- Mas como pode esquecer o nome da escola em que quer estudar?
- Vou olhar e te falo.
- Beleza. Tá aqui o notebook. Tá conectado na internet. Pode pesquisar aí, filhão.
- Sabe o que é, véi?
- Fala filho.
- Não tem escola nenhuma. Eu inventei essa história por que precisava da grana.
- Pôrra, cara. Como pode mentir assim pra mim?
- Uai, se eu dissesse pra que precisava do dinheiro você não iria arrumar...
- Mas pra que vc queria o dinheiro mesmo?
- Pra comprar um celular novo pra Flavinha. Ela foi roubada e ficou sem o dela. Por esse valor consigo um I Phone S6 bala pra ela.
- Presente caro, hein filho?
- Tá vendo? Sabia que não ia querer me ajudar...
- Tá bom então. Vou te arrumar o dinheiro.
- Sério? Nossa, véi. Você é demais, véi.
- Mas tem um porem...
- Que porem?
- Pra compensar, você vai ter de pegar o telefone, ligar e terminar com ela...
- Tá feito. Vou ligar pra ela aqui...vou discar... ... Flavinha, olha aqui...tá tudo terminado entre nós, tá? Não dá mais, eu tô noutra, siga o seu caminho que eu sigo o meu. Tchau.
- Caramba...você ligou mesmo, hein?
- É claro. Cadê o dinheiro?
- Tá aqui.
- Beleza. Agora deixa eu ligar pra Flavinha pra consertar...Flavinha...deixa eu te explicar...hein? Como é que é? Vc também tava pensando em terminar comigo? Tá saindo com quem? Com a Fernanda? Caralho...
- Que confusão é essa, filho?
- Sifudi.
- Pense no lado bom. Pelo menos você sabe que ela não gosta da fruta.
- Que isso, véi. Ela é legal. Gosto dela, indiferente das opções dela.
- Vocês podem continuar amigos.
- E. Vou ver se salvo pelo menos a amizade.
- Desculpe, filho. Eu não queria atrapalhar vocês.
- Véi, pelo menos eu posso ficar com o dinheiro, né?
- Pode. E não fique chateado. Outras meninas vão pintar na sua vida e você vai ser feliz.
- Valeu véi.
ALGUNS MINUTOS DEPOIS O ADOLESCENTE LIGA PRA AMIGA
- Flavinha, deu tudo certo. A festa tá garantida.
- Uhúú...