sexta-feira, 27 de novembro de 2015

ENQUANTO ISSO NAQUELA MULTINACIONAL (TRADUÇÃO SIMULTÃNEA)

- Muito bem. Já que estão todos presentes, vamos dar início à reunião. Pra começar, quero parabenizar a todos pelos cumprimentos das metas bem acima do esperado. Isso prova que estamos no caminho certo. Por favor, sr diretor. Pode expor um resumo dos nossos balanços?
- Pois não senhor presidente. Pelos nossos cálculos, aumentamos nossa lucratividade principalmente na áfrica e américa do sul. Tivemos um aumento de lucro com a customização que promovemos. Claro que tivemos de fazer lobby nos governos locais pra flexibilizar medidas ambientais e outras salvaguardas. Tivemos de disponibilizar um aporte de capital para cooptarmos alguns políticos, mas faz parte dos nossos negócios a devida remuneração dos nossos parceiros.
- Por isso, eu parabenizo a todos e peço uma salva de palmas para todos vocês pelos resultados. 
- Sr. Presidente. Eu queria tomar a palavra e fazer uma observação.
- Mas é claro. Por favor, faça o seu relato.
- Vocês estão sabendo do acidente que houve no Brasil?
- Ficamos sabendo sim. Foi lamentável.
- Mas nosso grupo é um dos principais acionistas da empresa envolvida no acidente.
- Sim. Mas nossa empresa não aparece em nada. Só buscamos nossos lucros.
- Mas não deveríamos ajudar de alguma forma? Direcionar verbas, contratar cientistas pra ajudar?
- Ajudar quem? Os Brasileiros? É um sub-povo, uma mistura de raças impuras, negros, selvagens, portugueses, todos copulando entre si e gerando uma raça ruim que você não imagina.
- Mas presidente. Não deveríamos colaborar para que evoluam? Criando escolas, usando os recursos de que dispomos.
- Para com isso. Pra que? Ali não tem nada que preste. Um povo formado pelos renegados da europa, pelos pobres africanos capturados como animais, por indios selvagens quase na época das cavernas, que andam sem roupa e adoram deuses primitivos. Com uma mistureba genética dessas, não tem jeito de gerar algo que preste.
- Mas espere aí. Lá nasceu Santos Dumont, que inventou o avião.
- Inventou não. Ele foi um dos cientistas que trabalharam no desenvolvimento dos aviões. Não foi o único. 
- Eu conheço um pouco da cultura brasileira. Tem grandes músicos, grandes artistas.
- Cultura Brasileira? Eu não conheço quase nada. Já vi umas cenas do tal de carnaval.. com várias pessoas tocando tambores e mulheres da cor de chocolate quase nuas dançando e se insinuando.
- Desculpe, sr presidente. Mas acho que o senhor está mal informado sobre o Brasil. 
- Pois eu já acho que é vc quem está equivocado. Nosso objetivo aqui é lucrar. 
- Mas e esse acidente ambiental que aconteceu por lá? Dizimou populações inteiras e comprometeu a vida num enorme eco-sistema.
- Bobagem. Todos sabem que exploração mineral tem seus efeitos colaterais mesmo. Sempre teve. Na época da exploração de ouro morreram pessoas demais entre garimpeiros e escravos que pereceram soterrados ou extenuados pelo trabalho desumano. Só que na época não tinha a mídia pra xeretar.
- Pois é. O povo lá tá muito revoltado.
- Isso passa. Nossos fundos mandam no planeta. Nós já compramos a mídia toda. Vão publicar o que a gente quiser. Já compramos os políticos também. Bancamos várias campanhas deles. 
- Não acha melhor encerramos nossas atividades por lá? Vendermos nossas ações para não termos desgastes?Ou investirmos na criação de empresas de tecnologia pra compensar o atraso tecnológico deles?
- Nada disso. O Brasil é uma colônia nossa. Sempre foi. Eles tem minério, nióbio, prata, pedras preciosas, minerais e matéria prima para fazermos nossos produtos de alta tecnologia e vendermos pra eles. Vamos continuar explorando até a última pepita. Mas agora que o senhor já fez seus questionamentos, vamos prosseguir a reunião. Vamos falar sobre o lucro de nossos investimentos na indústria farmacêutica.
- Senhor presidente. Foi um sucesso o lançamento do mosquito com o novo vírus. A infestação já começou. Daqui a 2 meses enviaremos os remédios para o governo do país.
- Já tudo acertado com o governo deles né?
- É claro. Eles vão pagar pelos remédios e nós destinamos um percentual de 20% pros caixas 2 das eleições deles.
- Sr presidente. Eu repudio esse tipo de abordagem. Não deveríamos nos preocupar com as doenças que já existem?
- Você é pago pra isso mesmo. Pra nos questionar. Mas não seja tão ingênuo. Precisamos de doenças novas. A indústria vive disso. E não fique tão chateado. O vírus não mata ninguém. Só dá uma zonzeira e dores por todo o corpo. A pessoa fica uma semana de cama e nós noticiamos que as pessoas precisam tomar nossos remédios. Na verdade nem precisariam tomar remédio. Só uma boa hidratação já seria suficiente. Mas se souberem disso, não vão comprar nossos remédios. Entendeu?
- Entendi, mas não concordo. Tem horas que dá até vontade de...
- Sr Presidente. Eu compartilho da opinião dele. Nossos fundos de investimento estão sendo utilizados de forma não ética. Não podemos concordar que usemos nossos fundos para corromper a alma das pessoas. Eu gostaria de propor uma repactuação.
- Eu compreendo o pensamentos de vocês. Considero o trabalho de todos fundamental para nossa organização. E o objetivo dessa reunião é comunicar a todos que todos vcs terão um aumento de 200% em seus vencimentos, para compensar o comprometimento e dedicação de todos ao cumprimento dos nossos objetivos. Alguma observação?
- Não.
- Então declaro encerrada essa reunião.

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