sexta-feira, 24 de julho de 2015

VILA DO PERDIDO

Enquanto isso, a equipe do FANÁTICO fazia mais uma das suas reportágens históricas...

Olá, aqui é o repórter Leo Canabrava e estamos chegando no ponto mais remoto do Brasil, a Vila do Perdido, no interior do interior do interior de Minas Gerais,  onde só é possível chegar a pé, onde não tem carro, luz elétrica nem telefone.  As pessoas olham nossa equipe com muita estranheza. Vamos conversar aqui com um nativo.. 

- Boa tarde.
- Booa.
- O sr é daqui mesmo?
- Sou sim senhor.
- Sabia que aqui é local mais remoto do Brasil?
- Sei disso não.
- É verdade que aqui não tem carro, televisão telefone...
- Aqui num chegô.
- Quem é que é o prefeito aqui?
- Num tem prefeito não. Cada um cuida do seu pedaço e todo mundo junto cuida de tudo.
- Mas não é possível. Não tem prefeito, não tem vereadores...
- Eu nem sei o que é isso. É bom?
- É importante alguma forma de organização...
- Mas aqui é organizado. Tudo funciona bem...
- Mas não tem assalto?
- Assaltar o que? Ninguém aqui é rico...
- Sei...e sobre a mobilidade urbana?
- Olha, menino. Nem sei o que que é isso.
- Eu falo de transporte público....
- Não temos não. Aqui é tudo perto. A gente anda tudo a pé.
- Mas não é possível. Vocês não sentem falta de luz elétrica?
- Pra que? Tem o sol e é de graça.
- Mas e a noite?
- Uai. A noite a gente vai dormir.
- Mas vocês também não tem rádio nem televisão.
- Mas pra que que serve?
- Uai...pra tocar música e pra passar novela á noite.
- Num sei não. Prefiro a música dos passarim e das cachoeiras. E novela é a vida da gente, seus desafios, alegrias e tristezas.
- Ah...mas agora eu vou pegar o senhor. E a internet?
- Internet? O que é isso?
- Ah...é uma forma de comunicação em que você é encontrado em qualquer lugar.
- Você me deu uma ideia. 
- Mas que ideia?
- De um nome pra dar pro meu cachorro. Ele acha a gente em qualquer lugar. Vou chamar ele de internet.
- Mas me diga uma coisa. Quantas pessoas moram aqui nessa vila?
- Da última vez que contemos, deu 148 pessoas.
- E o pessoal aqui não sabe ler e escrever?
- O povo aqui sabe é falar. É assim que passamos os conhecimentos.
- Mas me diga uma coisa. Embora não tenham tecnologias, as ruas da vila são limpinhas, os jardins, as casinhas. Tudo simples, porém bonito. Qual o segredo dessa organização toda, apesar da distância da civilização?
- Uai. Acho que é o amor, né?
- E vocês acreditam em Deus? Não vejo igrejas por aqui
- Acreditamos em Deus sim. Rezamos todo dia. Mas só pra agradecer pelas coisas boas que temos. Não ficamos pedindo e clamando, pois Deus já tem trabalho demais.
- E vocês tem médicos aqui? Pra cuidar dos doentes, dos necessitados?
- Médicos nós não temos. Mas o povo adoece pouco. Só tomando água limpinha, sem poluição. Comendo alimentos puros sem agrotóxicos. Dormindo bem. Fazendo as Donas Marias felizes. E quanto alguém tem algum problema de saúde a gente conversa é com o raizeiro. Ele sabe de tudo.
- Espere um pouco. Eu não estou vendo mulheres. Onde elas estão?
- Uai. Elas estão trabalhando.
- Mas como assim?
- Aqui todo mundo trabalha. Assim a vida fica mais leve pra todo mundo.
- E vocês nunca quiseram ter mais contato com as metrópoles? Não tem vontade de virar uma cidade como as outras?
- Pra ter políticos roubando o pouco que a gente tem? Pra termos eleições,  prefeitura, vereadores, deputados, prefeitos, cabos eleitorais e eleitores votando nos mais velhacos e desonestos? É melhor que fique como está.

Nisso apareceram 3 mocinhas lindas trazendo café e quitandas pra equipe, que comeu a valer, bebeu dos sucos naturais e ficou por ali conversando. Num certo momento, Leo Canabrava resolveu perguntar a uma das pessoas presentes.

- E me diga uma coisa. Que fosso é aquele que fica ao lado daquela praça?
- É onde a gente jogou as outras 67 equipes que vieram aqui antes de vocês, depois que o veneno fez efeito.

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