sexta-feira, 8 de maio de 2015

CONVERSA DE BARBEARIA


Enquanto isso, numa  barbearia

- E o Cruzeiro hein?
- Tá  mal...sabe quando você junta coisas que não dão liga? Alguns jogadores parece que esqueceram o futebol, como é o caso do Mayke e Marquinhos. Parece que Marcelo já deu o que tinha que dar.
- E o Atrético?
- Uai...capaz deles ganharem do Inter lá dentro. Eles costumam tirar coelhos da cartola. Disparam a rezar e tem funcionado...
- E a Dilma? Também bateu panela?
- Cê não tá doido. A minha muié comprou umas panelas novas e vive lustrando. Eu é que não vou desafiar a jararaca.
- E a sua jara...quer dizer, sua dona? Ela não bateu panela?
- Que nada. Ela bateu foi minha carteira. Só de salão esse mês foi 120 real.
- Eu posso entrar no assunto seus aí?
- Fique à vontade, Zé Inácio.
- Eu acho esse trem da batê panela um desrespeito. É mais uma perseguição ao PT.
- Mas o PT merece. É só corrupção e ladroagem.
- Até parece que vocês da direita não roubam. E não estão nem aí pro social.
- Social é sinônimo de dar boa vida a vagabundo.
- Aqui...vamos mudar de assunto que eu não quero discussão aqui na minha barbearia não. Isso sempre dá problema
- Mas Zé Barbeiro...se é questão de dar polêmica, vamos parar de discutir futebol também. Eu sou atleticano e esse papo de cruzeirense não me agrada.
- Ai, ai, ai. Se não pudermos conversar sobre política ou futebol na barbearia, danou-se.
- Gente, gente. Vamos ficar em paz. Que tal falarmos da Paulinha?
- Paulinha que você fala é aquela que corre na avenida toda tardinha ?
- Ela mesmo. Que perfeição! Ela coloca aquela roupinha de ginástica e faz suas corridas. Ela nem imagina o quanto é gostosa Põe o fone de ouvido e parece que o mundo some.
- E parece que tem um namoradinho né? Cara sortudo. Imagine ela peladinha...
- Pessoal. Vão me desculpar mas eu sou religioso. Se não mudarem essa conversa perniciosa eu serei obrigado a me retirar do recinto.
- Ele tem razão, pessoal. Vamos respeitar a menina. Ela é de família. Vamos conversar sobre alguma coisa mais interessante.
- Tá bom. Então deixa eu contar um babado forte pra vocês. Sabe o Liliu da Farmácia?
- Sei. Aquele que casou-se com a secretária 20 anos mais nova que ele?
- Ele mesmo. Vocês não imaginam o que aconteceu...
- Não me diga que pegaram ela com outro.
- Pior. Ela é que pegou ele com outro. Parece que o casamento acabou.
- Puxa vida. Mas vocês não conseguem conversar nada que preste?
- O sr sugere alguma coisa?
- Já sei...vamos contar piadas. Eu começo. Vou contar uma piada de viado.
- Ôpa, ôpa, ôpa. Pode ir parando por aí...
- Por que?
- Discriminação. Crime previsto na lei da Homofobia.
- Mas você é advogado?
- Sou promotor. Mas aqui nesse instante, sou apenas um cliente.
- Então vou contar uma piada de bêbado...
- Também não pode. Trata-se de uma condição social degradante em que o meliante não responde por si, portanto configurando ação de bullying social também passível de pena.
- Uai. Então não podemos conversar sobre nada?
- Não sou eu quem está dizendo, meu caro. É a lei. Se quer permanecer livre e portador dos seus direitos, não fabrique provas contra você...
- É meus amigos, convenhamos...
- O que foi, Zé Barbeiro?
- A censura está no meio de nós...

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