sexta-feira, 10 de abril de 2015

ENQUANTO ISSO NO CONFESSIONÁRIO...


- Padre, eu pequei.
- Você é humana minha filha, todos erramos.
- Mas Padre, eu fiz aquilo que não podia fazer.
- É o livre-arbítrio. Você pode até fazer, mas paga as consequências.
- Eu fiz o que não devia. Fiz amor com meu namorado.
- Você o ama?
- Sou apaixonada por ele.
- Paixão antecede o amor. Você só sabe se é amor quando a paixão acaba.
- Pois é. Eu avancei os limites. E agora? O que é que eu faço?
- Calma. Como isso foi acontecer?
- Ele estuda história. No começo estávamos só nos beijinhos. Mas ele me chamou pra ir na casa dele pra estudar história. Veja só a estória. Falou dos livros sagrados da Índia. Eu sempre gostei muito daquelas batas indianas e de incenso, sabe?
- Continue...
- Sabe o que ele queria estudar comigo?
- O que?
- O Kama-sutra.
- E você aprendeu?
- Sempre fui uma ótima aluna, né Padre.
- Mas por que está arrependida? Não foi bom?
- Aí é que tá, né Padre. Dizem que uma menina nunca deve fazer amor muito rápido com o rapaz, pois ele perde a motivação da caça e parte pra caçar outras meninas.
- Minha filha, o proveito é mútuo.
- Como assim, Padre?
- Ele se aproveitou de você, você se aproveitou dele. Se for amor, vai sobreviver. Se não for, vai queimar rápido como fogo de palha.
- Então...o que acha que devo fazer?
- Quer saber mesmo? Valorize-se. Vá num bom salão e dê uma caprichada nos cabelos, na maquiagem, tire umas fotos legais, saia pra rir com as amigas, dê uma focada nos estudos, fique com quem tiver vontade, siga a sua vida, do jeito que for. Mas não deixe ninguém te engaiolar. Seja dona de si.
- Mas Padre, então eu não pequei? Não vai me pedir pra rezar 3000 aves marias, um milhão de pais nossos?
- Minha filha, você peca contra você mesmo e não contra Deus. Paixão é assim. Te traz muito prazer e muita dor. Quer penitência maior?
- Puxa, Padre. Valeu viu ... (e ela saiu satisfeita e aliviada)

ALGUNS SEGUNDOS DEPOIS ALGUÉM ABRIU A PORTA DO CONFESSIONÁRIO E SEGUIU-SE UM DIÁLOGO.

- Olá, Seu Zé. Obrigado por tomar conta enquanto eu ia no banheiro.
- De nada, Padre João.
- Já tem meses que não aparece ninguém pra confessar. Ouvi vozes. Apareceu alguém?
- Teve uma menina sim, Padre João. Uma menina nova, mas era muito novinha, não tinha pecados, graças a Deus. Só essas bobagens mundanas, romances e ilusões da carne, essas coisas.
- Que bom.  Fico te devendo essa. Você é um santo, seu Zé.
- Sou nada , Padre João. Sou apenas jeitoso...

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