sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vai brincar com quaresma...

Enquanto isso naquele cemitério

- Nó, gente. Que doidêra. Nós aqui no cemitério em plena quaresma.
- Nós somos é muito doidos. Esse lugar é sinistro.
- Sinistro nada, sô. As almas não ficam aqui. Elas descem pra assombrar os vivos.
- Sei lá. E as almas preguiçosas? As almas dos baianos, por exemplo.
- Olha o bullying racial hein?
- Que isso, véi. Até parece que tem alguém ouvindo.
- Você tem certeza que o coveiro não vem aqui, né?
- Claro. Eu vi ele lá na praça e ele tá monitorado. Se sair da praça um broder liga pra mim e dá tempo da gente se mandar.
- Mas ele mora aqui no cemitério?
- Sim. Naquela casinha ali.
- Mas ali não é um túmulo?
- Não, sô. Ele mora ali.
- Que sinistro. Vamos olhar de perto?
- Vamos uai. Por que não?
- Vejam. Ele mora aqui mesmo. Tem roupas no varal...
- Caramba...que doido.
- Ei...me passe a garrafa...deixa eu dar um gole.
- Toma.
- O que você colocou aqui? Que bebida é essa?
- Misturei várias coisas...vodka, rum, Martini, campari, wisck e cachaça.
- Credo. Tá parecendo lava incandescente.
De repente um barulho...
- Caramba. O que foi isso? Um barulho dentro da casa?
- Não...foi atrás da casa.
- Vamos embora, pessoal. Tem alguém aí.
- Calma sô! Não tem muro. Vamos ver o que tem lá.
- Deixa eu tomar mais uma talagada. Urúh. Vamos lá então.
Eles chegaram e viram algo muito estranho.
- Véi. O que é aquilo?
- É...uma jaula...
- E o que é aquilo dentro?
- Parece...um...
- Um lobisomem...vamos embora.
- Veja ali. Tem umas roupas no chão...
- Caralho, velho. Eu conheço aquele boné...e aquela roupa. É do DJ que tocou no baile ontem.
- Será que ele que vira lobisomem?

DE REPENTE A LUA CHEIA SAIU DE TRÁS DAS NUVENS E O LOBISOMEM COMEÇOU A UIVAR.

- Véi. Vão bora daqui. Cremdeuspai...
- Vamos nessa...nossinhora.

OS RAPAZES SAIRAM CORRENDO E CHEGARAM NA PRAÇA OFEGANTES, SUADOS, MEIO PERDIDOS.

- Véi. Perdi meu fone. Tô fudido com pai.
- Que fone, sô. Nós vimos um lobisomem.
- Sei não viu. O que você colocou naquela garrafa? Tinha chá de cogumelo no meio, não tinha?
- Tinha só álcool sô. Nós vimos aquela coisa mesmo.
- Nossa senhora. E o que nós vamos fazer?
- Eu sei que não volto no cemitério tão cedo.
- Véi. Disfarça. Olha quem vem ali.

- Nossa. É ele. O DJ.
- E aí, pessoal. Tudo beleza? Algum de vocês perdeu um fone?
- Eu...
- Encontrei quando vinha pra cá. Imaginei que fosse de um de vocês.
- Valeu.
- DJ...me diga uma coisa. Você por acaso esteve no...
- Estive no cemitério buscando uns discos de vinil antigos. Você conhece o coveiro? Ele tem muitos discos antigos.
- Ah tá. E você esteve lá hoje?
- Sim. Encontrei com uns amigos. Foi muito legal.
- Ah tá. Encontrou-se com amigos em plena quaresma no cemitério. Não tem medo?
- Por que eu teria?
- E que amigos eram esses? A Mula sem cabeça? O saci pererê? A madame mim?
- Não. Uma turma que foi lá pra tomar um porre e profanar os mortos.
- Sei. Mas o que vai acontecer com essa turma?
- Ih. Eles foram expostos à lua de Nosferatu.
- E o que isso significa?
- Que todos os anos na quaresma eles vão virar...
- Credo. Dj. Você só pode estar brincando.
- Vai brincar com quaresma...

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