sexta-feira, 30 de maio de 2014

FICÇÃO CIENTÍFICA - FALTAM VIBES POSITIVAS

Jornada nas Estrelas é uma exceção.

Não sei porque, mas 90% dos filmes de ficção científica preveem um futuro sombrio pra humanidade. Dizem que o cinema imita a vida. Os ecologistas também não preveem um futuro bacana. São milhares e milhares de filmes de Aliens invadindo o planeta e queimando os terráqueos com suas armas lazers, as vezes comendo os seres humanos, implantando ovos dentro dos pobres mortais humanóides. E as destruições de cidades? Impressionante a quantidade de asteróides caindo na terra, de invasões, extinção da humanidade, monstros, escravização, só desgraceira, desgraceira e desgraceira. Fora os trillers psicológicos dentro de naves claustofóbicas. Pra nos salvar, tem a série Jornada nas Estrelas. Várias ciências se encontram na série. Quais mais? Não consigo lembrar. Adoro ficção, pois amo futurismo, projeções. Mas que tá faltando profetas com vibes mais positivas, isso tá. De qualquer maneira, adoro ver as naves, os saltos dimensionais, o espaço sideral, ir onde ninguém jamais foi...

UZT


Ela deseja o ETsão, mas cobiça o ETsouro. Ela namora o Etmente, mas paquera o ETcétera. Tudo que ela quer ET pra gastar. ET pra esnobar. ET pra mostrar. E embora ninguém perceba, UZT estão infiltrados. UZT na praça. UZT na avenida. UZT nos shoppings. UZT em Hollywood. UZT no passado. UZT no congresso. UZT forever.

JORNALISMO

O bom jornalista é um menino com estilingue na mão. Tudo é vidraça. 

OS INTELECTUAIS E A PASSIVIDADE

Pensar, pensar, pensar, pensar e nada fazer? Sei não! O pensamento costuma ser inimigo da ação. O esforço intelectual não tem utilidade sem esforço físico.

A ÉTICA E A GUERRILHA URBANA

A ética é bonita, lente bacana pra observar o mundo. Mas em alguns casos  não passa de bom mocismo pra manter as feras enjauladas. Ela te faz vacilar antes de dar o tiro. Passa uma história na sua cabeça. A essa altura, o inimigo já teria te eliminado. Sobreviver é a única ética vigente.

DIREITO DE SE FUDER

Eu odeio a hipocrisia, respeito a ignorância. Até suporto a incompetência, mas não tenho paciência com a arrogância. Contudo, visualizo um mundo lindo à minha volta...e não preciso de escolta. Mentalizo coisas boas. Quero ver todo mundo bem. Mas não aguento essas âncoras morais que nos prendem a um passado medieval. Todos tem o direito de se fuder. Masturbação não é crime.

DESCRIMINIZAÇÃO DA BOACONHA

Esse negócio de Má-conha é que não pega bem. Tem o lado mal e o lado bom. Se for medicinal, pra melhorar a vida das pessoas, por que não? E se for recreativo também, para que as pessoas tenham seu lazer, que nem a cervejinha, a cachacinha tão apreciadas, por que não? Proibida por que é porta de entrada das drogas mais fortes, seria o mesmo que proibir a cerveja como porta de entrada pra bebidas mais fortes. Santa Hipocrisia, Batman.

DEPRESSÕES INVENTADAS

Se você quer pintar pra você um quadro horrível, se quer transformar sua vida numa crise, num caos, num inferno na terra, o que posso fazer? Construímos o mundo através dos nossos pensamentos. Se mentalizamos o dia inteiro que tá tudo ruim, certamente vai ficar. Eu é que não vou me contaminar com depressões inventadas. Não me iludo. O Caos é a única ordem. Não vou ficar esperando nada de governo nenhum. Vou viver o indivíduo na plenitude. Não espero que o coletivo se condoa das minhas dores. Já construí minha casa no alto exatamente para não me deixar levar pelos tsunamis alheios. Se você pretende abrir asas negras e agourar o mundo, me inclua fora disso. Alguns me chamam de ingênuo, de sonhador. Devo ser mesmo.

POSICIONAMENTO POLÍTICO

Sempre me cobram isso. Dizem que temos de ter lado. Meu posicionamento é o seguinte. Sou parceiro dos bons projetos, de tudo que for bom, de tudo que considerar justo e de boa vontade. E serei crítico ao que considerar ruim, desonesto, desumano, contra a vida.  

quinta-feira, 22 de maio de 2014

TERAPIA OU TERABITS ?

Ficamos tentando interpretar o cotidiano, mas nos frustramos, pois o cotidiano não é estático, mas dinâmico. Constrói-se e se desconstrói a cada segundo Trocamos de pele sem perceber e não somos os mesmos de alguns dias atrás, assim como o rio que passa em nossas cidades é outro. Trem doido. Ficamos, por exemplo, tentando entender o que se passa na política. O problema é que não temos acesso ao “making off” desse filme que foi pensado por alguém ( ou por vários roteiristas), foi editado, tem seus efeitos especiais, cortes e adições, é um simulacro da realidade e não a realidade em si. Há quem diga que para uma análise racional precisamos do distanciamento histórico. Mas acho que nem isso é suficiente. As coisas ficam muito embaralhadas enquanto acontecem. O testemunha sensorial da história deveria ter um conhecimento mais fidedigno. Mas cada um tem suas convicções e interpreta a vida a partir dos próprios filtros. Além do mais, sempre aparece alguém pra reescrever à história a partir dos interesses dominantes. Quem leu 1984 de George Orwell deve se lembrar das passagens em que as notícias eram modificadas a posteriori para agradar o sistema vigente e pra esculhambar os inimigos da vez, quase sempre inventados. O cinema e a história são fábricas de ilusões, mas mesmo sabendo disso, ficamos inebriados, apaixonados pelo enredo. Nos sentimos quase protagonistas, mesmo sendo menos que dublés coletivos. O cinema e a literatura nos influenciam, isso é certo. As mensagens ficam subliminarmente na mente das pessoas. Quem viu “The Wall” do Pink Floyd teve seus impactos. Quando vemos filmes como ”A onda", temos a impressão de que o cinema transbordou e invadiu a realidade. Quantas “ondas” e quantos surfistas? E dá-lhe filmes que parecem ser inspirados na realidade. Quem já viu “a Teoria da Conspiração”? Alguém viu o último do Costa Gravas, “Le Capital”? Conta a história de investidores que manipulam as finanças mundiais, um game global, onde crises são criadas para gerar lucros, um mundinho frio e vil muito longe do mundo dos mortais. Aliás, os mortais são como aqueles monstros dos games que lutam contra os heróis. O sangue que jorra, enfeita a trama. Aliás, que sede de sangue tem a humanidade desde tempos imemoriais. O sangue dos games não suja a sala, não dói fisicamente. Mas que há uma perversidade esquizofrênica, isso há. E esse facebook? Esse negócio é a droga mais viciante jamais inventada e totalmente liberada, sem contra-indicações. Uma espécie de psicanálise compartilhada. As pessoas andam ávidas por audiências, querendo encontrar quem se sensibilize com seus dramas pessoas, suas lutas, seus lutos. Terapia ou Terabits? Eis a questão! Um ex-amigo passou por mim na rua, me olhou no fundo dos olhos e não me cumprimentou. Ficou meu inimigo por causa das minhas opiniões na net. Não admite pensamentos divergentes. Seu partido político é um espécie de Deus inquestionável. Qualquer crítica é encarada como profanação, blasfêmia passível de demonização. Eu hein? Mas esse facebook tem isso. Antes, os grupos de afinidade se reuniam e conspiravam. Hoje expõem na net o seu ponto de vista e fomentam algumas inimizades desnecessárias. As pessoas se encontram e se desencontram por afinidades. Esse face é uma praga. Depois da Bomba H, talvez seja a arma mais poderosa jamais inventada. Ironia que essas invenções da pátria do capitalismo tenham essa denominação de mídias sociais. A esquerda havia se apropriado desse termo "sociais". Mas os americanos vão inventando as modinhas virtuais e disseminando pelo mundo. Hoje tem o whatsapp por exemplo que realmente conecta as pessoas e os mais pessimistas preveem uma geração idiotizada. Será? Hoje em dia, um adolescente pode ir ao polo norte, mas ainda assim estará conectado com sua turma. E da-lhe selfies com esquimós. Se isso é bom ou mal, só o tempo...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

ROBIN ZORRO



-Nó, vei. Você não sabe como é bom sair assim da cidade. Esse lugar aqui é bom demais...
-Não é?
- Nó. Não tem nem um barulho de carro. Nadica de nada...mas já tá entardecendo. Não tá na hora da gente ir embora? Vai escurecer e esfriar...
- Quê isso...cê num conhece de roça mesmo né? Agora é que fica bom. Fica de olho na sua vara. E cuidado com as cobras.
- Mas como é que vou ter cuidado com as cobra? Se elas viér...é crew ni mim. Não tem jeito.
- E os peixe?
- Sei lá. Mas a prosa tá boa.
- O que é que tem de melhor aqui?
- Xô ver...ficar sem fumaça de carro?
- Não...
- Ficar sem os foguetes no dia que o outro time ganha?
- Não
- Ficar sem crédito no cartão?
- Não...
- O que então?
- Ficar off line. É muita liberdade.
- Mas não sente falta da turma do whatsapp?
- Ah...tem hora que a gente tem de se desligar.
- Por falar nisso, tá ouvindo o som dos grilos?
- É claro...me parece tão familiar...parece o som do facebook em looping...
- E esse passarinho cantando?
- Parece aquele passarim do whatsapp. Peraí...mas o som é igualzinho o passarinho do whatsapp. Tem alguma coisa errada.
- Ah. Não tem nada de errado. Tudo que o homem faz é imitar a natureza.
- Mas...peraí...você não está entendendo. Esse som é igualzinho ao passarim do whatsapp...
DE REPENTE APARECEU UM HOMEM DO MEIO DO NADA ASSOVIANDO IGUALZINHO O PASSARIM DO WHATSAPP ANUNCIANDO UM ASSALTO.
- Vão passando tudo que tiver, tablet, notebook, fones bacanaS, dinheiro, etc. Vamo...sem conversa
- Mas peraí...você nem armado está.
- Eu não. Mas meu amigo ali em cima com uma espingarda da mira laser está. Dê um alô pra ele.
- Que coisa absurda. Assaltar dois pescadores na beira do rio.
- Vocês são muito ingênuos. Captei os smartphones de vocês com minha captura GPS. Uso essa tática do passarim do whatsapp direto. Sempre dá certo.
- Mas nós não temos dinheiro aqui também.
- Não tem problema. Os cartões de vocês me servem. Transfiro tudo em um segundo.
- Nós não temos cartões.
- Então tirem a roupa.
- Você está brincando?
- Pode estar certo que não. Vai servir para algumas pessoas em asilos que a gente ajuda. Vamos. Tirem as roupas.
- Tá bom...tá bom...mas não são roupas caras.
- Não importa. Pelo menos eu vou me divertir deixando vocês aqui. um conselho que lhes dou. Não andem sem pelo menos um pouco de dinheiro. Alguns colegas meus não tem paciência. Agora tchau. Vou procurar outros trouxas pra limpar.
ELE SE FOI E OS DOIS PESCADORES FICARAM LÁ...
- Que sorte a nossa hein?
- Sem telefones, sem celular, sem dinheiro, sem roupa. Que sorte...
- Pelo menos estamos vivos...e ele não quis, sei lá, nos estuprar.
- Ah não. Ai ia ter de matar.
- nem morto.
- Vamos caminhando até perto da estrada. De repente a gente acha algo pra nos cobrir.
- Mas que o trem tá feio tá. Já tem marginal até na roça.
- Tem marginal até no apito. Viu o time do Cruzeiro? Tá sendo roubado todo jogo.
- Eu acho é bom, pois sou galo. Adoro zuar as marias.
- Eu acho um desrespeito esse negócio de nos chamarem de Marias.
- Uai. Posso chamar você de Jonny.
- Jonny tá bom.
- Jonny Mary...kkk...o hino de vocês é aquela música do Milton...Maria, Maria...kkkk
- Cara...como é que você faz piada numa hora dessas? Estamos fudidos, tá ficando escuro,de repente aparece até lobo aqui, lobisomem, boitatá, sei lá...
- Olhe ...tem um negócio ali...
- É um saco plástico...Deixa eu ver o que tem dentro...são roupas.
- São as nossas?
- Não , mas dá pra vestir...tem um cartão ...
- O que está escrito:
- Cortesia do enigmático Robin Zorro. Não se preocupem. Os equipamentos de vocês serão utilizados para uma boa causa: para a real independência do brasil. Adeus, amigos...

sexta-feira, 9 de maio de 2014

EU AMO VO...

Ele pegava o trem em Belo Horizonte pra fugir da 381 e desembarcava em sua cidade algumas horas depois. Ele se considerava um sujeito de sorte por vivenciar a experiência de viajar de trem, um travelling por uma região maravilhosa que ele amava. Só que naquela manhã ele não encontrou passagem de trem. Era a segunda vez que ia direto pra estação e não encontrava passagem. O trem tava ficando concorrido demais. Teve de caminhar um pouco até a rodoviária e comprar passagem para a sua cidade. Ele já sabia. Poderia comprar passagem para daí a 45 minutos. Aproveitou para sentar-se numa das mesas próximas ao café, que tem tomadas pra ligar os notebooks e dá pra usar a internet numa boa. Deu uma conferida no facebook, nos emails e ficou ali ouvindo o sotaque da mineirada do sul e do norte. A Rodoviária é ponto de encontro dos capiaus com seus sotaques. Uma covardia tirarem a rodoviária dali. Fico imaginando o matutos do interior, que apeiam ali na meiuca de Belo Horizonte e saem pela cidade olhando o tamanho dos prédios. Eles vão perder essa referência. Terão de descer lá nas lonjuras. Será que BH quer rechaçar os caipiras? Será que BH tem vergonha de suas origens? Vai saber. Mas a Rodoviária pulula de vida. Quem ouve de longe deve imaginar uma colmeia. Ele tomava seu café quando a locutora avisou que daí a 5 minutos saia seu ônibus. Quando ajeitava pra sair, apareceu uma pessoa com a qual não falava há anos. Ela veio puxando papo e ele querendo ser educado. A amiga ainda teve tempo de registrar um selfie pro face. Ele despediu-se e desceu a escada correndo. Olhou o número da poltrona. Número 7. Ele não gostava de ir na frente, mas foi esse número que a vendedora de passagens lhe passou e ele nem conferiu. Ele pegou seu mp3 player e ligou. Queria ouvir as notícias na Bandnews. Ele adorava música e hoje só gostava de ouvir notícias. Sinais da idade avançando. Ele acomodou-se e ficou observando a paisagem, O ônibus seguia devagar. Ligou o smartphone e nada de sinal de internet. Tédio. Resolveu pegar a pasta de trabalho pra escrever qualquer coisa, quem sabe uma poesia. Ficou com a caneta na mão, mordeu a tampa, olhou para o papel em branco esperando que a inspiração viesse. Mas o que veio mesmo foi um caminhão na contra-mão. O impacto foi violento e ele veio a falecer. Em sua mão foi encontrado um bilhete escrito: Eu amo vo...

sexta-feira, 2 de maio de 2014

PESQUISA MALDITA

Estava sentado na rodoviária de Belo Horizonte esperando um ônibus, quando se aproximou uma moça que aparentava uns 18, 19 de idade. 
- Meu senhor. Se importaria em responder um questionário? É que estou fazendo meu TC da faculdade e preciso entrevistar algumas pessoas.
- Pois não. Fique à vontade.
- O senhor pode responder tudo e nem precisa dizer seu nome, tá?
- Ok. 
- O senhor é casado ou solteiro?
- Casado.
- É catolico ou evangélico.
- Eu acredito em Deus. 
- Eu não tenho essa opção aqui. Escolha a que simpatizar mais.
- Eu não posso fazer isso. Não seria honesto.
- Tá bom...vamos deixar essa sem resolver. Vamos à próxima. É cruzeirense ou atleticano?
- Sou Cruzeiro. Mas o que isso tem a ver com a sua pesquisa?
- Tem tudo a ver. Reflete no perfil psicológico. Vamos à próxima. Qual o seu estilo musical preferido: Sertanejo universitário, funk, pagode, arroxa ou axé?
- Nenhum desses aí. Eu gosto é de rock.
- Ih...seu gosto musical tá muito antigo. As pessoas ouviam esse tipo de música mais nos anos 60 a 80. São os ritmos da época dos nossos avós. Já para os bisavós e tataravós tem os boleros, os tantos, os foxtrotes. Vamos deixar essa sem responder então. Vamos à próxima.O senhor vai votar no PT ou no PSDB?
- Em nenhum dos dois. 
- Mas simpatiza com a esquerda ou com a direita? Com o capitalismo ou com o socialismo?
- O ideal seria pegar o que tem de bom nos dois lados e fazer um só.
- O sr é a favor da copa?
- Eu acho o seguinte. Já que tá tudo pronto, que foi tratado há 7 anos atrás, já que ta aí, vamos curtir,  
 É temente a Deus?
- Eu respeito.
- Acredita em discos voadores e extraterrestres?
- Claro que sim. E o mundo espiritual então? Tem criaturas de luz e seres das trevas.
- O senhor se considera de qual classe social?
- Depende. Econômica eu sou classe C. Temos o necessário pra viver. Sem excessos. Agora, em termos de cultura acho que sou B. Nisso tem um disparate.
-  Tem quantos computadores em casa conectados?
- Deixa eu pensar...4
- E smartphones? 
- 6.
- Tudo conectado 24 horas?
- S...im!
- Você conseguiria viver desconectado?
- Já pensei nisso. Mas vou lhe dizer uma coisa. Quando a gente vai para um lugar e não tem sinal nem de celular, dá uma aflição danada.
- Acha  que conseguiria viver off-line?
- Minha querida. Você é que é muito nova nesse planeta. Eu passei a maior parte da minha vida vivendo num mundo analógico. Não havia internet nem essa cultura virtual que vem da informática.
- Eu sempre me perguntei isso. Como é que passaram esses milênios todos sem whatsapp?
- Me desculpe, mas tá quase na hora do meu ônibus.
- Só mais duas perguntas. Você vai sempre para o interior, não é?
- Sim.
- E o que acha da saída da rodoviária desse lugar aqui?
- Acho muito ruim mesmo. Pra gente que vem do interior, principalmente pros que vem pra resolver problemas no centro, a gente descia na rodoviaria, já almoçava por ali perto, costumava ter até hotéis baratos por ali. Pra quem vai pouco então é muito útil. Agora vão mudar a rodoviária pra longe. Será que consultaram o povo? Com certeza que não. 
- E para o governo de Minas? O que o senhor acha que vai dar?
- Vai ser ardido de qualquer jeito.
- E quem ganha a copa?
- Eu não ouso arriscar. Vamos ver se nossa seleção vai empolgar. Os maiores craques do mundo estarão jogando no Brasil. Acho que vai ser legal.
- Meu senhor, muito obrigado. Sua entrevista será bem útil. Pode me passar seu email? Quando estiver com o material pronto, faço questão de lhe encaminhar a pesquisa.
- É claro. Deixa eu anotar pra você.Seu trabalho é sobre o que mesmo?
- Sobre o comportamento das pessoas que estão entrando na melhor idade que nem o senhor.
- Ah...tá! Só uma coisa. Melhor idade é o caralho! Deve ter sido essa boina que me deixa mais velho ainda.
- Não tire não. É simpática.
- Aqui...tenho de ir. Meu ônibus vai sair.
E saí dali com aquela frase na cabeça: Melhor idade é o caralho. Melhor idade é o caralho...