sexta-feira, 28 de novembro de 2014

HISTÓRIA DE PESCADOR


ENQUANTO ISSO, AQUELES DOIS PESCADORES DAVAM BANHOS EM MINHOCAS...

- É, Amilcar. Acho que não vamos pegar nada.
- Calma. Teve uma vez que tava assim também e peguei 70 tilápias em 2 minutos.
- Como é que é?
- É sério. Eu ia jogando a isca e pegando. No final eles tavam saltando pra dentro da cesta.
- Sério? Que coisa incrível. Então vamos continuar aqui.
- Amilcar. Há quanto tempo você é pescador?
- Ihhhh. Desde pequeno.
- Dizem que pescador é mentirôôôôso.
- Preconceito, Janjão. Pescador é filósofo. Aprende tudo na beira do rio.
- Tá certo. Mas...Amilcar. Você não tem medo de cobra não?
- Isso eu tenho viu, Janjão. Teve uma vez que apareceu uma cobra que era do tamanho de 4 árvores enfileiradas. Tomava conta de quase todo o corgo. Cê precisava ver.
- Jibóia compadre? Sucuri?
- Acho que era uma tal de anapita.
- Anapita? Não era Anaconda, Amilcar?
- Não. Era Anapita mesmo. Ela fumava. Cê já viu a cobra fumar, Janjão?
- Eu não. Credo. mas...mas e aí? Algum peixe beliscou a isca?
- Nada. Nem vento.
- Então vamos embora. Não vai dar nada aqui hoje.
- Calma. Teve um dia nesse mesmo lugar que tinha tanto peixe, que a gente tinha de arredar eles com a mão pra pegar água. Mas... e você.Não é pescador há muitos anos também?
- Eu sou. Mas gosto é de peixe grande.
- E já pegou peixes grandes?
- Ô. Teve num corgo aqui perto eu peguei uma baleia.
- Mas como é que pode, Janjão. Em rio não tem baleia.
- Tá duvidando de mim?
- De jeito nenhum. Pescador não mente.
- Era uma baleia de água doce. Sabe aquele rebojão no terreno do Sô Onofre? Pois é. Eu tava lá oiando, pensando e de repente vi uma água esguichando no meio do rebojo. Pensei comigo: que diacho é aquilo. De repente o bicho chegou na beira da água e ficou me olhando. Peguei uma vara bem resistente. Como vi que o bicho era grande, usei como isca um leitão que tava ali por perto. A Baleia mordeu a isca, deu vários pinotes mas cansou. Nós juntamos 300 homens pra tirar a baleia do corgo. Deu pra alimentar o povoado durante uns 10 anos.
- Deve ter sido a coisa mais fantástica que você já viu né?
- Que nada. Mais incrível foi a Yara mãe d’água.
- Mas não me diga que você sobreviveu ao canto da Iara mãe d’água?
- Mas é claro, uai. Eu tava pescando e de repente enxerguei uma mulher pelada flutuando sobre as águas. Lembrei que eles falam que quem ouvir o canto dela vai pro fundo do lago e morre afogado né? Pois é. Fui mais esperto. Taquei uns pedaços de isopor no ouvido e fiquei sem ouvir nadinha. Ela foi chegando perto de mim, me oiando e eu não perdi tempo. Carquei ela.
- Que legal cumpadre Janjão. Pois é. Coisas incríveis acontecem com os pescadores mas todo mundo duvida. Principalmente as muié.
- Mas Amilcar. Qual outra coisa interessante que você viu nessa vida na beira do rio.
- Uai. Outro dia vi uma coisa realmente incrível.
- O que?
- Eu tava indo embora da pescaria com embornal cheio e apareceu um moço muito distinto e educado.
- Mas o que ele queria?
- Uai. Ele dizia que era político, que nunca havia participado de nenhum ato de corrupção, que trabalhava o dia inteiro, não perdia uma reunião na assembléia, era trabalhador e me pedia voto. Dizia que não ia prometer nada, mas que quando chegasse lá. faria tudo pra honrar a minha confiança.
- Político honesto?
- Sim.
- Ah cumpadre. Você vai me desculpar, mas isso é história de pescador. Eu até acredito nas 70 tilápias com dois minutos, cobra do tamanho de quatro árvores, e que ocê pegou uma baleia de água doce e até que carcou a Mã D´Água. Mas político honesto? Ai você pegou pesado.



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