sexta-feira, 25 de abril de 2014

JAPONÊS PICANTE

Estava em São Paulo, cidade pra mim completamente desconhecida. Como participava de um fórum sobre novas mídias, me hospedei  em um hotel próximo ao espaço de convenções. De tardinha, depois de um dia de palestras e debates, resolvi dar uma volta pela vizinhança para comer alguma coisa.  Pensei em pedir um suco e um pão de queijo, mas lembrei-me que os pães de queijo paulistas são horríveis. Optei então por um salgado e fiquei observando a fauna humana ao derredor. Chamou-se a atenção um sujeito numa mesa próxima. Tratava-se de um japonês alto e corpulento que aparentava ter uns 30 anos de idade. Japonês alto é coisa rara. Ele estava tomando uma bebida esverdeada. Parecia ser menta. Como sou muito curioso e adoro puxar um papo, perguntei se podia me juntar a ele para papearmos...e ele assentiu com a cabeça.

- Olá, amigo. Eu vim de Minas e fico meio perdido aqui em São Paulo.
- Imagine eu que vim do Japão.
- Mas você veio do Japão há pouco tempo?
- Não. Cheguei ao Brasil adolescente e nunca tive paz.
- Mas como assim?
- As Brasileiras são muito taradas e arruinaram a minha vida.
- Nossa. Conte-me essa história direito.
- Acho que foi por causa do meu nome. Minha história começou da seguinte forma. Cheguei ao Brasil e fui correr atrás de emprego. Nessa primeira entrevista as coisas já começaram a se complicar.
- O que aconteceu?
- Fui entrevistado por uma mulher mais velha. Ela me perguntou meu nome.
- E daí?
- Daí que meu nome é Tikomo. Quando falei meu nome ela caiu na gargalhada e me pegou ali mesmo.
- Uai. Foi bom então.
- Bom nada. Quando comecei a trabalhar na empresa, a chefe me chamou para explicar o serviço. Ela olhou pra mim e falou
- Meu nome é Daniela. Qual é o seu?
- Tikomo.
- Como?
- Tikomo.
- Então tranque a porta...
E ela realmente fechou a porta e me pegou.
- Nossa. Mas esse nome seu foi uma dádiva.
- Dádiva nada. Foi terrível.
- Mas você continuou fazendo esse sucesso todo?
- Mas que sucesso?  Aconteceu cada coisa. Certa vez fui pego pela imigração. Chegando lá, um funcionário meio desmunhecado me atendeu:
- O senhor está no Brasil há quanto tempo?
- Há 20 anos.
- E qual o seu nome.
- Melhor não dizer.
- Mas eu preciso saber seu nome.
- Tem certeza?
- Sim
- Tikomo.
- É pra já. Deixa eu fechar a porta então...
Consegui o carimbo no meu visto. Mas o sacrifício foi grande.
- Que coisa hein? História trágica.
- E o negócio não parou. Toda vez que eu falava meu nome, vinha uma brasileira e se aproveitava de mim. Até que finalmente eu conheci a mulher da minha vida.
- Sério?
- Sim. Uma japonesinha linda e pura. Namoramos e até moramos juntos, mas descobri que ela era promíscua e assediada por muitos homens.
- Que história triste. Bom, tenho de ir embora pois amanhã terei de acordar cedo. A propósito: como era o nome da japonesinha mesmo?

- Mikome. 

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