sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

OS ODIOTAS

Um livro recorrente em minha vida é o profético 1984, do visionário George Orwell. Ele previu um futuro sombrio para o ano de 1984, quando todos seriam vigiados e as coisas estariam sobre o controle de um líder conhecido como Big Brother. (o livro inspirou o programa televisivo).
Vou ater-me a maneira como eles lidavam com o ódio.
Todos os dias as pessoas eram obrigadas, antes das refeições, a assistir filmes mostrando cenas dos inimigos do estado e depois da exibição e até durante, as pessoas deviam manifestar seu ódio ao inimigo, xingar, desabafar.
Era ao mesmo tempo um descarrego e uma lavagem cerebral.
Os inimigos estavam sempre mudando, mas as pessoas nem percebiam. Elas gostavam é de xingar a valer na chamada “hora do ódio”.
A profecia não se fez exatamente em 1984...mas será que foi apenas um erro de 30 anos?
Não é que a ficção está virando realidade?
Será que existe um Big Brother nos controlando?
Hoje a “hora do ódio” tá rolando é na internet.
Vejo uma galera destilando veneno, disparando petardos de ódio, incitando à violência, praticando a intolerância, o preconceito, todo o esgoto dos sentimentos humanos.
Será o ódio sentimento inato da humanidade, necessário para a sanidade das pessoas?
Embora as pessoas expressem que almejam a bondade, há sintomas que nos fazem duvidar da propensão para o bem.
Precisamos de alvos para os nossos ódios e ficamos procurando Judas pra malhar.
Precisamos de times de futebol e seus adversários pra malhar.
Precisamos torcer pra algum lado e odiar o outro.
Precisamos de um partido político e todos os outros para odiar.
Precisamos de uma ideologia e das outras para odiar.
Precisar de um Deus e todos os outros pra profanar e odiar.
As mulheres odeiam todas as outras mulheres bonitas, rivais em potencial.
Os países precisam de inimigos pra odiar e guerrear se possível.
A coreia do norte precisa da do sul pra odiar.
Mas o ódio pelo ódio?
Veneno no ventilador?
Talvez fosse melhor recorrer à masturbação ou dar margem à sexualidade reprimida.
Os games também ajudam ou talvez algum artifício químico.
Em outro livro profético “Admirável Mundo Novo”, o escritor Audous Huxley,  falava de um futuro em que foi criada uma droga perfeita que não causava mal algum, nenhum efeito colateral, mas que deixava as pessoas tranquilas, sem tanta pressão capitalista.
O nome da droga era SOMA.
É isso. Tomamos partido demais. Estamos precisando é de soma. Mas é uma droga ainda não inventada e mesmo que alguém inventar, será considerada ilícita pelo lobby das lícitas, que não vão querer concorrentes. Também será combatida pela indústria militar, maior patrocinadora do ódio.
Eu também tenho minhas indignações, as vezes raivosas, mas não são sinônimas de ódio. Muitas vezes as indignações são legítimas, a tal ira santa de que falava Teotônio Vilela . Quando a indignação é legítima, pode ser um importante motor e nos mover a agir por justiça.
Mas e quando os sentimentos de ódio não são justificados?
Será que alguém precisa de justificativa pra odiar?
Sei não. 
Acho que pra muita gente, o ódio é diversão.
São os odiotas...

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