segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O PASSADO É MAIS BONITO QUE O FUTURO

Eu tava passando perto daquele prédio da Mobiliadora Líder na Av.Catalão. Aquele que se parecia com um castelinho. Agora virou um prédio híbrido, parte castelo, parte torre de acrílico, modernoso e não muito harmonioso. Avistei um senhor que também olhava o prédio e me falou uma frase que resumiu: O PASSADO É MAIS BONITO QUE O FUTURO. 
O prédio da Líder era assim...
Vejam que lindo o prédio no interior do estado
 Vejam o prédio novo com sua torre de acrílico. 
Só que essa foto é de maquete. 
No edifício mesmo o acrílico é escuro. 
Não ficou harmonioso!
 Em Itaúna um depósito pegou fogo. 
Eu gostava do estilão
 Imponentes as construções 
Vai ver que o marketing chegou à conclusão 
de que as pessoas imaginam que a Líder 
só vende móveis antigos. 
Só se for isso...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

INVEJA DE ITABIRA

Ao contrário da maioria das prefeituras, que acha que fazer cultura se resume a contratar meia dúzia de artistas sertanejos e fazer cavalgadas e eventos agropecuários, Itabira tá fazendo diferente. A administração atual também faz bons eventos agropecuários, mas tem feito algumas coisas bem legais em termos culturais, principalmente abrindo mais espaços para os artistas locais. Em primeiro lugar, investiu no Festival de Inverno, hoje um dos melhores do Estado, com atrações de primeira linha. A diferença é que abriu espaço para os artistas da terra, que tiveram o mesmo palco e a mesma estrutura das atrações nacionais. O que a gente vê muito em algumas cidades, são os artistas principais nos mega palcos e os locais num palco pequeno com telha de amianto, som pequeno e sem camarim. Isso quando tem espaço pros artistas locais né? A prefeitura também passou a pagar melhor os artistas itabiranos e a valorizar a prata da casa. O resultado é que os artistas estão se destacando e fazendo a diferença.

JÉSUS HENRIQUE

Jésus Henrique foi um dos que se destacou no último festival de inverno promovido na cidade e hoje é sucesso nacional no The Voice Brasil da Rede Globo. Eu já tinha visto o Jésus cantar na Banda Agá de João Monlevade. Fiquei impressionado com a qualidade do moço. Tive o prazer de conhecê-lo há poucos dias e o mesmo me disse que o apoio que a prefeitura vem disponibilizando foi fundamental. O Prefeito Damon empenhou-se pessoalmente, buscou apoio de empresários parceiros e juntou-se a todo o povo da região, torcendo com muita fé pelo cantor Itabirano. Com todo o talento que Deus lhe deu, mas também com o suporte e o carinho de toda uma cidade, Jésus vem conseguindo vencer cada etapa e merecendo elogios de grandes artistas nacionais como Daniel, Claudia Leite e Lulu Santos. O cantor chega agora à semifinal entre os 12 melhores do Brasil, numa peneirada que teve milhares e milhares de concorrentes buscando seu lugar ao sol.  Hoje está cantando para o Brasil, tem Itabira e a região inteira torcendo por ele, tá interagindo com figuras exponenciais da música brasileira e tem um incremento muito valioso em sua carreira. Não temos bola de cristal pra saber se vai prosseguir e vencer o The Voice. Mas não existe dúvida quanto à qualidade do rapaz, reconhecida em todo o país e pelos que amam a arte e a música de qualidade.  Daqui pra frente o que se espera é que os promotores de shows, as prefeituras da região e do estado, contratem essa revelação da música mineira, pronto para encantar as multidões com sua arte. Parabéns a Itabira pela sua capacidade de gerar e acolher grandes artistas ( e fiquei sabendo que tem uma nova geração maravilhosa brilhando por lá. Pelo menos mais uma 4 Jésus Henriques prontinhos para o sucesso).

BAIANDEIRA FOREVER.

Sou de Alvinópolis, terra onde há 35 anos é  realizado um dos mais tradicionais festivais de música de Minas. Em uma dessas edições, criamos um grupo chamado Verde Terra e começamos a viajar pelo estado participando em festivais. Mas no ano de nossa estreia, apareceu um grupo de Itabira que faturou o primeiro lugar e arrebatou o público presente. As músicas eram de um tal de Nilton Baiandeira e os intérpretes eram Primo, Fanuel, Dico e outros de que não me recordo. Lembro-me das músicas. Eles venceram o festival com a música São Francisco de Minas. Havia mais duas músicas que marcaram demais o festival. Uma se chamava Semeança e a outra Punhais. Nilton Baiandeira foi um gênio. Mais recentemente conheci o excelente cantor Luiz Bira, que é parceiro e guardião da obra do Baiandeira. Doido pra conhecer o trabalho de resgate da obra do mestre.

OUTRAS CIDADES INVEJÁVEIS

Maravilhosos também os eventos realizados em Catas Altas. O Festival do Vinho já é tradição e outros eventos tem atraído á cidade um público bem bacana e de um bom poder aquisitivo. São Gonçalo do Rio Abaixo também faz um bom Festival de Inverno, além de disponibilizar vasta programação o ano inteiro em seu invejável Teatro. Alvinópolis continua fazendo seu Festival junto com a Festa da Chita. A Exposição de Santa Bárbara é uma exposição de verdade. Contrata os melhores artistas do país, mas também tem o torneio leiteiro e a cultura do campo.  Costumam acontecer umas feiras multi-setoriais bem legais também por lá. Ponte Nova faz um festival de blues muito interessante. Monlevade hoje tem o Festival Marmotas do Coletivo Sete Faces. Catas Altas também faz um evento bacana misturando cerveja com blues. No mais, tudo está por ser feito. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

BOMBA!


ENQUANTO ISSO NAQUELE BOTECO, FIM DE NOITE ...

- Uai. Fabrício. Você por aqui?
- Opa. Pois é.
- Mas meu amigo. Você não é de boteco. O que aconteceu?
- Estou muito chateado.
- E afundando a cara no wisck? Você já um pouco alto, Fabrício.
- Deixa eu beber. Eu quero esquecer...
- Mas o que aconteceu? Foi chifre?
- Que chifre, Juarez. A Carolina é fiel. Não é nada disso.
- Já sei. Perdeu dinheiro né? Levou um baita prejuízo. É isso?
- Não, Juarez. Tá frio.
- Tá bom. Eu me rendo. Me diga então. O que te deixou assim tão derrubado?
- É que eu tomei bomba.
- O que? Mas peraí, Fabrício. Você nem estudando está?
- É. Mas tomei bomba assim mesmo.
- Até eu vou querer tomar um wisck. Garçon...por favor, um cowboy pra mim. Mas me diga aí. Que bomba é essa?
- Quando eu era criança,uma vez ouvi um moço perto de mim falando que tinha tomado bomba. Fiquei apavorado.Como seria tomar uma bomba? Será que a gente engolia e ela explodia dentro da barriga? 
- Mas você tomou bomba em que? Tava estudando pela internet?
- Não, sô. Nada disso.
- Você não é um homem bomba, né Fabrício? Não tá com bombas na cintura e vai explodir o bar né?
- Não goze com a minha cara, Juarez. O negócio é sério.
- Então me diga. Que bomba é essa? 
- Foi meu filho quem tomou bomba. 
- Mas então não foi você. 
- Eui eu também. Os pais também tomam as bombas junto com os filhos.
- Ah Fabrício. Mas muitas vezes os pais não tem culpa.
- Claro que tem. Pode ter sido falta de dedicação, de estar do lado dele...
- Mas tem de ter dedicação dele também, concentração.
- Pois é. A gente quer agradar, fazer os filhos felizes e depois arrepende. Eu dei um video-game do jeito que ele queria, um celular de última geração e acho que esse foi meu grande erro.
- Fabrício, esqueça. Pelo menos essa bomba não mata ninguém.
- Não mata mas deixa sequelas. Lá em casa tá todo mundo triste. Minha esposa está arrasada. Até meu cachorro está triste. Minha casa levou bomba junto.
- Então vamos tomar a última e vou levá-lo até a sua casa.
- Que casa? Você diz a ruína da minha antiga casa né? Bomba. bomba. bomba. ecoando na minha cabeça. Várias bombas explodindo. 
- Vamos embora? Vou te deixar na sua ruína, quer dizer, na sua casa. 
- Tá bom. Obrigado, meu amigo. Você é companheiro. 
- Amigo é pra essas coisas. E lembre-se das guerras. Depois dos bombardeios, vem a reconstrução...vida que segue...e veja quem está chegando...o Vinícius. Fala Vinícius.
- Oi, pessoal, tudo beleza? Você estão sabendo da bomba? 
- Vou nessa. 
- Espere, Fabrício. Eu vou lá com você...
- Pode deixar, Juarez...eu vou pra casa sozinho.Tchau
- Puxa, Juarez. Eu falei alguma besteira ( perguntou o vinícius)
- Aff. Santa hora errada, Batman. Mas já que despertou minha curiosidade, conta aí...que bomba é essa que você ia contar?
- Sabe a Luciana casada com o prefeito? 
- O que tem?
- Tá traindo ele com a própria amante dele. Vazaram fotos na internet e tudo.
- Cabruuum...

sábado, 6 de dezembro de 2014

OS GUARDA CHUVAS PERDIDOS


Será que quando a gente morre recupera todos os guarda-chuvas perdidos? Nunca contei, mas não perdi menos do que 50. Outro dia perdi mais um. Mas o de hoje foi inédito. Comprei de um vendedor ambulante e alguns minutos depois fui a um banco. Entrei pra fazer um depósito, corri atrás daqueles envelopes e não encontrei. Um senhor me falou que a gente pegava na máquina. Cheguei defronte a máquina. Cadê o tal envelope? Observei um cara ao meu lado fazendo depósito. O cara me olhava com o canto do olho, desconfiado. O envelope saiu da máquina depois dele teclar algumas informações na telinha. Arremedei. Deu certinho. Consegui pegar o tal envelope e tudo transcorreu bem. Sai de lá satisfeito e fui tomar um cafezinho. Depois fui automaticamente caminhando para o ponto d'onibus. No meio do caminho dei pela falta do morcegão. Retornei apressadamente ao banco, procurei em todos os cantos...e nada. A essa altura, alguém já havia adotado o danado. Mais um que se vai...




sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

US PIRATAS...E OS ETS...


ENQUANTO ISSO NUMA DELEGACIA

- Por favor. Me passe o relatório do dia. Muito sangue hoje?
- Até que não, chefe. Só mais um daqueles casos estranhos.
- Ih...não me diga que é um daqueles malucões que cismam que são homem aranha e saem escalando prédios...
- Mais ou menos por aí, chefe.
- Diz aí...o que esse sujeito é?
- Se segura aí chefe...ele diz que é Pirata.
- Ah...mas isso é normal demais. O que tem de gente vendendo CD pirata, DVD Pirata.
- Não, chefe. Ele diz que é pirata...pirata mesmo...tipo capitão gancho. Saca?
- Mas como ele veio parar aqui? Nem mar aqui tem.
- Pois é, chefe. Achei melhor o senhor falar com ele.
- Mas ele fala português?
- Pior é que fala. Ele é Brasileiro. Se alistou na Pirataria Internacional e foi trabalhar num desses navios piratas. Saca?
- Deixa eu ir lá falar com o homem...
O delegado chega à sala de interrogatório...
- Boa noite.
- Boa noite.
- Quer dizer então que você é Pirata?
- Isso!
- Mas não sabe que pirataria é ilegal?
- Eu sei. Mas roubar do governo também é ilegal. E os políticos não roubam?
- Agora todos os ladrões estão usando essa desculpa. Mas vamos ao que interessa. O sr diz que é pirata. Como chegou aqui?
- Eu tava fazendo exercícios de pirataria nas praias do Chile, quando de repente apareceu uma bola de fogo no céu. Era uma luz muito forte. Perdi os sentidos. Quando acordei estava aqui.
- Sei. Deixa eu ver se entendi. Você está me dizendo que foi raptado por um disco voador e solto aqui em nossa região?
- Se era disco voador eu não sei dizer. Foi uma luz muito forte.
- Sei. E você não tem documentos, CPF, nada disso?
- Eu tenho uma caixa de documentos falsos, passaportes que os companheiros piratas fazem pra gente. Minha identidade real foi totalmente apagada pelos hackers piratas, os melhores do mundo.
- Mas não tem nenhum documento aí?
- Eu não te falei que os Et´s me pegaram e me deixaram aqui?
- Que pena. Então vai ficar mofando aqui até que os detetives pesquisem mais a seu respeito.
- Vou ficar mofando nada. Você não conhece o mundo pirata. Nem os Iluminattis são tão poderosos.
- Você está me ameaçando?
- De modo algum. Tenho o maior respeito pela polícia. Eu não gosto é de político. Já os advogados são amigos, gente da melhor qualidade.
- Mas me conte essa história dos ETS? É algum tipo de código? Esses Ets são piratas chineses, do ramo das quinquilharias eletrônicas?
- Não. Foram Ets de verdade. Você não acredita em Ets?
- Claro que acredito. Em papai Noel também, mula sem cabeça.
- O senhor é muito careta. Não sabia que o fantástico é que é real?
- Eu sou careta mesmo. Quadrado. Só acredito no que é palpável. E você fica zombando de mim com essa história de ET e pirata. Vai é mofar aí...

Os dois se despediram e cada um foi pro seu canto. No outro dia o delegado acordou cedo com som doo celular.Era o comandante. O chefe maior chamou-o á sua sala, agradeceu pelos bons serviços prestados e foi logo comunicando que o nobre delegado estava sendo transferido naquele instante para outra delegacia, num lugar melhor, com melhores condições de trabalho. O comandante, muito simpático, disse também que nem precisaria retornar à antiga delegacia, que seus objetos pessoais já tinham sido transportados para a nova. Foi-lhe dito que em hipótese alguma deveria retornar ao antigo prédio, que estaria lacrado sob segredo de justiça. Ele estranhou a situação, mas obedeceu cegamente ás ordens. Era um militar muito disciplinado e não questionava os superiores em hipótese nenhuma. Foi trabalhar na nova delegacia, realmente muito mais bem equipada e tranquila, inclusive com melhoria de salário. A vida seguiu e ele resolveu esquecer a história. Só que certo dia encontrou-se com o capitão na rua. Ele tava correndo à tarde com seu rottweiler. Foi quando ele percebeu uma coisa que o deixou intrigado. Nas costas do comandante havia uma tatuagem pirata.Será?

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

HISTÓRIA DE PESCADOR


ENQUANTO ISSO, AQUELES DOIS PESCADORES DAVAM BANHOS EM MINHOCAS...

- É, Amilcar. Acho que não vamos pegar nada.
- Calma. Teve uma vez que tava assim também e peguei 70 tilápias em 2 minutos.
- Como é que é?
- É sério. Eu ia jogando a isca e pegando. No final eles tavam saltando pra dentro da cesta.
- Sério? Que coisa incrível. Então vamos continuar aqui.
- Amilcar. Há quanto tempo você é pescador?
- Ihhhh. Desde pequeno.
- Dizem que pescador é mentirôôôôso.
- Preconceito, Janjão. Pescador é filósofo. Aprende tudo na beira do rio.
- Tá certo. Mas...Amilcar. Você não tem medo de cobra não?
- Isso eu tenho viu, Janjão. Teve uma vez que apareceu uma cobra que era do tamanho de 4 árvores enfileiradas. Tomava conta de quase todo o corgo. Cê precisava ver.
- Jibóia compadre? Sucuri?
- Acho que era uma tal de anapita.
- Anapita? Não era Anaconda, Amilcar?
- Não. Era Anapita mesmo. Ela fumava. Cê já viu a cobra fumar, Janjão?
- Eu não. Credo. mas...mas e aí? Algum peixe beliscou a isca?
- Nada. Nem vento.
- Então vamos embora. Não vai dar nada aqui hoje.
- Calma. Teve um dia nesse mesmo lugar que tinha tanto peixe, que a gente tinha de arredar eles com a mão pra pegar água. Mas... e você.Não é pescador há muitos anos também?
- Eu sou. Mas gosto é de peixe grande.
- E já pegou peixes grandes?
- Ô. Teve num corgo aqui perto eu peguei uma baleia.
- Mas como é que pode, Janjão. Em rio não tem baleia.
- Tá duvidando de mim?
- De jeito nenhum. Pescador não mente.
- Era uma baleia de água doce. Sabe aquele rebojão no terreno do Sô Onofre? Pois é. Eu tava lá oiando, pensando e de repente vi uma água esguichando no meio do rebojo. Pensei comigo: que diacho é aquilo. De repente o bicho chegou na beira da água e ficou me olhando. Peguei uma vara bem resistente. Como vi que o bicho era grande, usei como isca um leitão que tava ali por perto. A Baleia mordeu a isca, deu vários pinotes mas cansou. Nós juntamos 300 homens pra tirar a baleia do corgo. Deu pra alimentar o povoado durante uns 10 anos.
- Deve ter sido a coisa mais fantástica que você já viu né?
- Que nada. Mais incrível foi a Yara mãe d’água.
- Mas não me diga que você sobreviveu ao canto da Iara mãe d’água?
- Mas é claro, uai. Eu tava pescando e de repente enxerguei uma mulher pelada flutuando sobre as águas. Lembrei que eles falam que quem ouvir o canto dela vai pro fundo do lago e morre afogado né? Pois é. Fui mais esperto. Taquei uns pedaços de isopor no ouvido e fiquei sem ouvir nadinha. Ela foi chegando perto de mim, me oiando e eu não perdi tempo. Carquei ela.
- Que legal cumpadre Janjão. Pois é. Coisas incríveis acontecem com os pescadores mas todo mundo duvida. Principalmente as muié.
- Mas Amilcar. Qual outra coisa interessante que você viu nessa vida na beira do rio.
- Uai. Outro dia vi uma coisa realmente incrível.
- O que?
- Eu tava indo embora da pescaria com embornal cheio e apareceu um moço muito distinto e educado.
- Mas o que ele queria?
- Uai. Ele dizia que era político, que nunca havia participado de nenhum ato de corrupção, que trabalhava o dia inteiro, não perdia uma reunião na assembléia, era trabalhador e me pedia voto. Dizia que não ia prometer nada, mas que quando chegasse lá. faria tudo pra honrar a minha confiança.
- Político honesto?
- Sim.
- Ah cumpadre. Você vai me desculpar, mas isso é história de pescador. Eu até acredito nas 70 tilápias com dois minutos, cobra do tamanho de quatro árvores, e que ocê pegou uma baleia de água doce e até que carcou a Mã D´Água. Mas político honesto? Ai você pegou pesado.



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO


O professor entra na sala e a guerra de bolinhas e papel cessa, enquanto os aviõezinhos aterrisam definitivamente.

- Bom dia.
- Bom dia professor( disseram todos os alunos)
- Hoje nós vamos falar sobre uma coisa que está entrando em extinção no Brasil. Alguém sabe me dizer o que é?
- Professor...o que é extinção mesmo?
- Que absurdo. Você não sabe o que é extinção? É quando algo que existia deixa de existir.
- Professor. Então eu sei...
- O que é então, Dona Maria?
- Eu.
- Mas como você?
- É o seguinte. Eu tava com meu namorado num motel mas tava passando um jogo do galo. De repente o galo fez um gol e meu namorado falou: Chupa Maria. Eu obedeci e ele falou: você não existe. Se eu não existo é por que estou em extinção.
- Não é isso... mais alguém quer tentar?
- Eu, professor...
- Senhor Rolando Lero. O que está entrando em extinção no Brasil?
- Essa é muito fácil... é o Michael Jackson.
- Mas como assim Michael Jackson?
- Amado Mestre. Ele não era um negão que depois virou branco? É um ex-tição...
- E você é um excomungado. Não é ex-tição e sim extinção. Sua resposta é preconceituosa e Michael Jackson não é brasileiro e além do mais já faleceu.
- Eu tentei, né...
- Professor...professor...eu sei...eu sei...
- Senhor Bin Laden, por favor...o que está entrando em extinção no Brasil?
- A corrupção, professor.
- Sério, sr Bin? Mas como isso vai acontecer?
- É simples. Vamos explodir o país e matar todo mundo e assim vamos acabar com a corrupção.
- O que vai explodir é o seu boletim. Nota zero. E a pergunta continua no ar. Valendo 5 pontos. O que está entrando em extinção no Brasil?
- Professor...eu vinha passando pelo centro e vi numa loja esse lindo cachecol  e pensei...por que não comprar? E trouxe de presente para o senhor.
- Muito obrigado. Eu poderia até lhe dar alguns pontos por isso, pois a gentileza e o carinho estão entrando em extinção também. Mas não é essa a resposta que procuro. Mas se você me disser o que está entrando em extinção pode ganhar os 5 pontos.
- Seria o Botafogo, professor?
- Nota zero. O Botafogo tá indo pra segunda divisão, mas não vai acabar.
- Professor...professor. Eu sei o que está entrando em extinção.
- E o que é?
- Os rios. Do jeito que estão desmatando e desperdiçando água, dentro de pouco tempo não teremos mais rios.
- Nota 4 pra você. Só não dou 5 por que ainda há esperança. Se as pessoas começaram a se conscientizar, ainda dá tempo de reverter.
- Êêêê.
- Professor...professor...
- Fala seu Lula Lelé..
- Um bicho que merece a extinção  é o tucano. Nunca na história desse país tivemos um animal tão peçonhento.
- É, seu molusco. Mas não vai ser fácil. Esse bicho pode se multiplicar como nunca nos próximos anos.
- Professor. Agora estamos curiosos. O que é que está entrando em extinção no Brasil?
- Tá bom. Pela participação, vou dar alguns pontos pra todo mundo. Mas sabem o que está entrando em extinção no Brasil?
- O que é professor?
- É a verdade.
(UMA HOMENAGEM A UM DOS QUADROS HUMORÍSTICOS LEGAIS QUE JA ASSISTI E AO GÊNIO CHICO ANÍSIO)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ELES NÃO SABEM O QUE É BOM...


- Véi. De boa. Minha mãe tá ouvindo uns sons muito estranhos.
- Ou. Nem me fale. Meu pai também ouve uns sons muito sinistros.
- Ah...não...de boa. Cê não tem noção. Ela gosta de ouvir sabe o que?
- Nem imagino.
- Ela gosta do Black Sabath. Sabe aquele cara que come morcego?
- Sinistro. Já ouvi falar sim. E o som dos caras é muito ruim também.
- Meu pai também tem um gosto horrível. Gosta desses sons dinossauros, saca?
- Coitados. Também, né?. No tempo deles era tudo atrasado, aqueles toca-discos antigos. Não tinha nem CD ainda.
- Nú. Lá em casa tem uma dispensa cheia desses discos. Uma poeirada só. Muita teia de aranha e ratos comendo tudo.
- Sinistro.
- E pra piorar, meu pai de vez em quando recebe uns amigos dele da antiga...eles ficam tomando whisky e ouvindo aqueles sons no último volume.
- Credo.
- Sei lá. Eu acho até que eles pitam uns cigarros diferentes lá. Ficam botando moral na gente, mas eles mesmos...
- A minha mãe tem um disco lá do Led Zepelin que parece que o Diabo tá arranhando as paredes. Muito sinistro. Ela também curte Iron Maden, Nirvana, Metálica. Só esses sons antigos com letras que não tem nada a ver.
- Ninguém merece.
- E toda vez que um desses dinossauros vem tocar no Brasil ela cisma de ir, pega o baú dela e veste aquelas camisetas pretas com desenhos de diabos.
- Você já foi a algum show com ela?
- Já fui sim. Foi um saco, Um monte de velhos se descabelando, fazendo o tal de mosh. Já viu?
- Não.
- Nem queira. Parece aquelas seções de desencapetamento que tem naquela igreja perto lá de casa. O povo fica doido batendo cabeça. Parece que baixa um exú...
- Credo. Nossos pais são muito esquisitos. Ainda bem que não pegamos esse tempo né?
- É mesmo. E aí? Vai na festinha hoje?
- É claro. Dá pra perder não.
- Fiquei sabendo que vai rolar um MC da hora lá.
- É mesmo?
- O MC Guigui com aquele funk novo...a novinha da calcinha molhada.
- Som da hora mesmo. Mas eu prefiro o MC GUGU...aquele da dança do Espantalho.
- Ele é bom também.
- E o que mais vai ter?
- Vai ter uma dupla de sertanejo universitário também...Renato e Cristiano. Daquela música "Nosso amor começou no Open bar".
- Legal. Não dá pra perder. Só som da hora. Eu baixei tudo no meu celular.
- Pois é. Eu fico tentando aplicar minha mãe, pra ela ouvir o que é bom, mas não tem jeito. Ela só gosta daqueles sons esquisitos.
- Coitados. Eles não sabem o que é bom...

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

FUTURO AUTOMÁTICO

ENQUANTO ISSO NAQUELA DELEGACIA...











- O senhor me chamou, delegado?
- Alguma ocorrência?
- Até que hoje tá tranquilo. Só um sujeito esquisito que tá aí na sala ao lado para interrogatório.
- Sério? Nenhum assassinado? Nada de sangue hoje?
- Graças a Nosso Senhor Jesus Cristo.
- Aleluia, irmão. Há muitos anos não temos um fim de semana sem sangue.
- O Sr quer que eu interrogue o sujeito?
- Pode deixar que eu falo com ele.
O delegado entrou na sala e encontrou o meliante sentado e as algemas em cima da mesa
- Boa noite.
- Boa noite.
- O soldado não o algemou?
- Algemou. Mas tava desconfortável e eu tirei.
- Sem as chaves? Como fez?
- Com a força do pensamento.
- Engraçadinho, hein? Deixa eu ver a sua ficha aqui... sem documentos, sem profissão... e no seu depoimento tá falando que você disse que veio do futuro...
- Sim. Venho do ano 2097.
- Sei. Outro dia teve um sujeito que teve aqui e falou que era Jesus Cristo.
- Talvez fosse...
- Ele tava cheio de heroína no sangue.
- Pois eu não uso droga nenhuma. Não precisaremos delas no futuro.
- Pois é. Mas você agora está em 2014. Aqui você é apenas um cidadão sem identificação, sem nada. Sabia que isso dá cadeia?
- Calma, sr Delegado. Estou aqui em uma missão.
- Olha aqui. Eu já estou perdendo a paciência. Quem é você?
- Deixa eu pensar... pode me chamar de João da Silva. É um nome comum neste tempo né?
- Você está passando dos limites. Sabe que pode mofar aqui por desacato a autoridade?
- Delegado. Eu fico aqui enquanto eu quiser.
- Ainda por cima é arrogante.
- Não. Eu sou é realista.
- Você é um criminoso.
- Engano seu. Em 2097 não existe crime.
- Sei. Quer dizer que todos vão ficar bonzinhos de uma hora pra outra...
- De uma hora pra outra não.
- O que vai acontecer? Pena de morte?
- Não. Pena nenhuma. Quando todo mundo tem tudo, o crime torna-se desnecessário.
-Conta outra. Como é que a humanidade vai fazer pra acabar com o crime?
- É simples: acabando com os governos e com a política.
- O que? Quer dizer que no futuro não vai ter eleição, deputado, vereador, essas coisas?
- Exatamente.
- Mas como assim?
- É simples. Enquanto existiu política partidária, existiu corrupção. O povo não agüentava mais.
- E o que aconteceu?
- Um técnico em sistemas criou um programa de computador, o Global Executive Manager. Esse programa visava assumir todas as funções executivas de uma cidade. No princípio, as pessoas resistiram. Mas depois que foi experimentado em uma cidade brasileira, deu tão certo que todas as cidades começaram a utilizar. Tudo passou a funcionar com perfeição: saúde, educação, transportes, obras públicas. O sucesso foi tão grande que todas as cidades passaram a adotar. Daí que também chegou aos estados, ao governo e a todos os países do mundo. Deixamos pra trás a era da política, que foi extinta, tornou-se obsoleta, desnecessária.
- E os crimes?
- Pois é. O sistema funcionou tão bem que os crimes também tornaram-se desnecessários.
- Você tem uma imaginação muito fértil. Deveria escrever um livro.
- Estou aqui exatamente pra isso. Pesquisando sobre vocês policiais, uma profissão também extinta no futuro.
- Então quer dizer que aqueles filmes do tipo exterminador do futuro foram profecias fracassadas né? A tecnologia levou a humanidade um passo adiante.
- Exatamente. A revolução tecnológica já está acontecendo sem que as pessoas percebam.
- Mas e aí? Como consegue viajar no tempo?
- Os mega computadores desvendaram a teoria da curva do tempo de Einstein e depois disso, tudo ficou mais fácil.
- Tá certo. Vou liberá-lo então. Mas daria pelo menos pra você me dizer uma coisa sobre o futuro próximo?
- Claro. Só consultar o computado quântico.
- Quem será campeão da copa do Brasil em 2014?...

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

RETRATO DO BRASIL



ENQUANTO ISSO, NO BAR DO SEU ZÉ.

- Seu Zé. Traz a saideira por favor.
- Uai. Fica mais um pouco. O jogo ainda não acabou...
- Vamos embora, seu Zé. O galo não vai virar esse jogo. Tá dando raiva. Feche a conta, por favor.
- Tá bom...aqui...são 12 cervejas, o tiragosto e dois maços de cigarro.
- Pode botar na conta?
- Claro. Tem problema não.
- Então vamos nessa pessoal? Esse galo hoje tá dando raiva. Tchau, seu Zé

QUANTO A TURMA FOI EMBORA, UM FREQUENTADOR DO BAR SE APROXIMOU

- Seu Zé. Você sabe quem são aqueles ali?
- Sei sim. É o Leco, filho da Dona Zizinha e os amigos dele.
- Mas o povo fala que ele é traficante.
- Ah. Eu não vejo nada escrito na testa dele. Ele vem aqui, toma suas cervejas e paga as contas direitinho.
- Mas seu Zé. Não pega bem um cara desses frequentando seu estabelecimento.
- Ô Adãozim. Vem cá. Imagine que você é um dentista. Vai deixar de tratar de dente de alguém por causa da fama?
- Mas o povo fala, né Seu Zé.
- Ah...e fala mesmo. Nisso vc tem razão. Por exemplo. Sabe o Alfredim?
- Sei. O que é que tem o Alfredim? Eu pesco direto com ele. É gente boa.
- Mas dizem por aí que ele é boiola. Também pega mal pra você ir pra pescadinha com ele. não acha?
- Que isso. Alfredim fala direto de mulher. Isso é coisa da língua do povo.
- Tá vendo?
- Ah, seu Zé. Mas ser viado não é ilegal. Pode ser imoral, mas não é ilegal.
- Então tá Adãozim. E esse relógio que você está usando?
- Gostou? Comprei no camelô. Bonito né?
- Bonito? Isso também é ilegal. Um relógio falsificado e pirateado. Também pega mal, viu Adãozim?
- Mas a pirataria tá geral, seu Zé. Até o senhor vende DVD pirata.
- Tá bom. E os políticos com sua corrupção? Você não votou naquela candidato...o Milton Caridoso? 
- Votei sim. Fiz campanha pra ele, uai. Me pagou mil real.
- Pois é. Ele não é um ladrão? Não embolsou um monte de dinheiro?
- Ele rouba mais faz, né seu Zé? Ele não fez aquela pinguela que serve pro povo atravessar o córrego?
- Fez. Mas gastou 200 mil pra fazer. Uma obra que não fica em 5 mil. Não pega mal também?
- Ah, seu Zé. Corrupção é normal. Político rouba mesmo. O povo até gosta de fazer piada. 
- Então? Pra que então implicar com o Leco, que é excelente cliente e trata todo mundo bem?
- Mas ele faz algo que dá cadeia, né seu Zé. O Sr sabe.
- Eu não sei de nada. Você é quem está falando. Se ele faz algo de errado não é aqui. Enquanto isso vc vem aqui todo dia, faz muito fofoca e não gasta nada.
- Puxa, seu Zé. Achei que fossemos amigos.
- Uai. Somos amigos. Mas não gosto de fofoca nem de preconceito. E não gosto de julgar ninguém. Aqui todo cliente é bem vindo.
- Tá certo, seu Zé. Me adesculpa.
- Tá tudo certo. Por falar nisso...esse carro é seu?
- Sim...
- Bacana hein? Comprou onde?
- Comprei na mão de um sujeito que mora perto lá de casa. Vale 30 mil. Mas comprei por 3 mil, já com documentos quentes, tudo regulamentado.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

ROMEU E JULIETA À BRASILEIRA

Aquele casal começou a namorar totalmente por acaso, como por acaso quase sempre começam os romances. Ele estava andando de skate, enquanto ela corria pela pista De repente ele escorregou e levou um tombo feio. Ela ofereceu-se para ajudar. Ele pegou um pouco de mercúrio, algodão e esparadrapo que tinha em sua mochila. Ela limpou cuidadosamente o local com um pouco de água usando uma mangueira que havia próxima a grama, fez um curativo direitinho e finalmente puderam conversar.

- Valeu, hein?
- Por nada.
- Você tem a mão leve.
- Uai. Sou mulher né?
- E muito linda por sinal.
- Obrigada.
- Você corre sempre por aqui?
- Comecei hoje. E você? Anda sempre de skate por aqui?
- Sempre. Eu adoro skate.
- Não se acha...sei lá...meio velho pra isso?
- Besteira. A gente não deve deixar de fazer o que gosta por causa do tempo.
- É. Você tem razão. Tem jovens velhos e velhos jovens, né?
- Mas peraí. Eu não sou velho. Quantos anos acha que tenho?
- Sei lá. Uns 23, 24 anos.
- Rs. Tenho 27.
- Puxa. Então não podemos...
- Não podemos o que? 
- Ah...sei lá...eu tenho 19...
- Você tem medo?
- Não...

ELE ROUBOU UM BEIJO...E ELA CORRESPONDEU...

- Puxa...você não devia.
- Devia sim. Se não eu não fizesse isso, íamos ficar no maior chove não molha.
- Mas você me beijou sem nem...
- Ah...vai dizer que não gostou?
- Gostei...mas...e agora?
- Uai...quer namorar comigo?
- Mas assim? 
- Por que não?
- Então tá, né? 
- Que bom. Estou muito feliz.
- Eu também. Parece que nascemos um pro outro.
- Me fale um pouco de você.
- Bom, eu estudo administração, moro na cidade alta, gosto de rock...e você?
- Eu? Estou estudando para um concurso, moro aqui perto e gosto de MPB. 
- Legal. Que bom que o destino nos juntou. Nós fomos feitos um pro outro.
- Então estamos namorando?
- Depende.
- Depende de que?
- Você é 13 ou 45?
- Sou 45.
- Ih...então sem chance. Não dá pra gente continuar.
- Mas por que?
- Meu pai é 13. Se souber que tô conversando com alguém do 45 ele me bate. Se souber que tô namorando ele mata nós dois.
- Mas não é possível. Ele é tão fanático assim?
- Você não imagina. Ele não aceita quem pensa diferente.
- Então, se não é possível vivermos juntos, prefiro morrer meu amor. Vamos tomar venenos juntos e dar Adeus a esse mundo cruel, cenário inóspito para um amor tão puro como o nosso. 
- Eu tenho uma ideia melhor.
- Qual ideia?
- Só você fingir que é PMDB. Meu pai vai até querer tomar 
cerveja com você. Se der 13 você estará na fita. Se der 45, também... 


domingo, 12 de outubro de 2014

LER É BOM DEMAIS

Li dois livros bem interessantes nesse final de semana. Primeiro da poetisa monlevadense  Maria Mári. Tava guardando pra ler num momento certo. Prazerosa leitura, poesia sensibilíssima, desconcertante. O nome do livro é "Busca íntima". Maria tem vários títulos publicados e está lançando nova obra sobre a poética de Paulinho Pedra Azul, que vem tendo ótima acolhida e será lançado em BH, na livraria da Travessa em 18 de novembro. O outro livro queli foi "Tempo de Espera", do conterrâneo Welis Couto. Achei bem legal a criação da ambiência, a narrativa do cenário no sertão goiano, com seu por do sol avermelhado, bonito, porém terrível pela seca e calor inflemente, também a criação dos personagens, a descrição dos modus operandis dos políticos velhacos do interior e o anticlimax da conclusão. Não vou contar mais para não dar mais pistas. Em breve vou comentar mais à respeito e publicar algumas poesia de Busca Íntima e  de algumas passagens interessantes de "Tempo de Espera".

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PRESTAÇÃO DE SERVIÇO, CUMPADRE!!!

 

Enquanto isso, numa vendinha do interior.

- Tarde.
- Tarde.
( silêncio de 1 minuto)
- Tempo tá virado...
( silêncio de mais 1 minuto).
- Mas vem chuva de tanajura.
- Dia 20.
- Que tem dia 20?
- Vai chuver.
- Como sabe?
- Cumpadre Antônio falou.
- Ele é vidente?
- Não. Ele ouve o climatempo na rádio
- E a política...
- O que tem a política?
- Você gosta de política?
- Mas é claro, uai...vixe...fica quieto que tá chegando um home aí.

Um sujeito gordinho e falante adentrou pela vendinha

- Seu  Zé, seu Zé. Tô precisano docê.
- Mas é claro. Em que posso serví-lo.
- Sabe o que é? Tá vindo a eleição, né? Nós estamos trabalhando com o candidato Dr Alfredo. Ele é o candidato da saude, é o que tem as melhores propostas para a cidade, inclusive para o fim de mundo de vocês aqui, quer dizer, a comunidade de vocês.
- Mas é claro que nós vamos votar nessa ratazana, quer dizer, no bacana do Dr. Alfredo. Aqui eu arrumo voto pros candidato mesmo.
- Que bom. Então nós podemos contar com o senhor?
- Mas é claro. Só tem uma condição.
- Mas qual que é?
- É deixar uma pequena colaboração de 300 real pra caixinha dos funcionários.
- Ah...claro. Tá aqui ó.
- E pode contar comigo sim. Traga os demônios, quer dizer os santinhos do seu candidato que eu vou distribuindo.
- Então tá combinado. 

Depois que o cabo eleitoral saiu, o companheiro que tava na moita falou

- Mas ocê é ordinário mesmo, hein Zé?
- Mas mode porque, cumpadre?
- Você pediu dinheiro pro caixa dos funcionários...mas só tem você de funcionário.
- Ah cumpadre Jorge. Você tá muito preocupado com miudeza. Mas o que a gente tava conversando mesmo?
- Sobre política. Eu perguntei o que você tá achando da politica.
- Ah...eu não gosto muito desse trem. Gosto mais de futibor. Veja o tanto de fotos de time com título que eu tenho. Ser Cruzeirense é muito bom, né cumpadre Jorge?
- É bão mesmo. Ih...olha lá...lá vem mais um...

ENTROU MAIS UM CABO ELEITORAL FALADOR

- Seu João. Como é que estão as coisas?
- Opa. Você não é filho do Pedro Polycarpo?
- Sou eu mesmo...
- Seu pai tocava sanfona muito bem. Tocava Luiz Gonzaga e música sertaneja da boa.
- Pois é. Mas o senhor vai me desculpar mas tenho de ser objetivo. Sabe como é né? Sou pragmático.
- O sr é o que? 
- Pragmático? 
- Pragmático é um espécie de macumbeiro?
- Macumbeiro?
- Que joga praga na gente.
- O sr é brincalhão hein?
- Mas que tal irmos ao que interessa?
- Mas claro. Eu queria pedir ao senhor pra apoiar o nosso candidato, o Chico Picareta. 
- Mas o que que ele pode fazer pelo povo aqui da região?
- Ele vai trazer mais emprego, mais segurança, saúde, lazer, cultura, desenvolvimento, educação, tudo que tiver no menu.
- Uai. Ele é bom então, hein? Pode contar com meu apoio.
- Sério mesmo? Então posso trazer os santinhos pro senhor?
- É claro...mas com uma condição.
- Que condição é essa?
- Que você deixe 480,00 para o caixa dos funcionários. 
- Mas é claro...deixa eu depositar aqui...
- E vou ficar esperando os capetinhas hein, quer dizer...os santinhos.
- Ok...agora vou andando...

QUANDO O MALA ELEITORAL SAIU O CUMPADRE RESOLVEU FAZER SUA CONTABILIDADE

- Deixa eu ver aqui...vou fazendo os bolinhos de 100 cruzeiro...2.500 cruzeiro. Tá bom né?
- Cumpadre, você é muito esperto.
- Sou nada...
- Mas me diga uma coisa. Todo dia é assim?
- Vareia. Tem dia que dá menos um pokim.
- E o Sr trabalha pra todo mundo mesmo?
- Mas é claro. Deixa eu te mostrar como funciona. Fecha o olho.
- Pra que?
- Feche o olho e não discute............agora pode abrir
- Mas o que é isso?
- É meu baralho de candidatos. Chega gente aqui e me pergunta se eu tenho algum candidato pra indicar. Eu falo que tenho vários pra indicar. Só gente boa. Ofereço o baralho e peço pra pessoa escolher um. Tem gente que até agradece.
- Tá certo cumprade. No final tá ajudando as pessoas, né?
- Prestação de serviço, cumpadre...