sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

ANO ZERO


Olá amigos, eu sou Bruno Sputnik, direto do ano 2300. Eu sou o seu Repórter no túnel do tempo e vou levar vocês para  uma viagem para o passado. Vamos lá, deixa eu configurar a máquina do tempo, atenção, região...Belém, na Cisjordânia, época..ano Zero. Atenção...acionar...zsssssssdepuchummm,,,puxa...já cheguei...essas máquinas do tempo estão cada vez mais rápidas. Bom, mas estamos aqui nas cercanias de Belém, cidade sagrada dos cristãos. Olhando aqui no meu relógio tá marcando 23:50 da noite do dia 24 de dezembro. Estou aqui à beira de uma estrada. Esperem! Vem vindo uma pessoa. Deixa eu ligar meu tradutor universal...

- Meu amigo, por favor. Poderíamos conversar por alguns instantes?
- Hein? Pra que conversar?
- Nada. Eu tava só precisando de algumas informações.
- Informações? Se está precisando de informações não tem problemas. Mas terá de me pagar com algumas moedas de ouro.
- Mas eu não tenho moedas de ouro. Serve esse chicletes tutti frutti?
- Sei lá o que é isso? Chiclete? Tutti frutti?
- Toma aqui. Experimente.
- Deixa eu ver. Humm...gostoso hein?
- Quer ganhar a caixinha inteira?
- Tá bom. Dá pra cá. O que vc quer saber?
- Você sabe o que significa aquela estrela enorme lá no céu?
- É claro. São os anjos celestiais.
- Mas que mané anjos celestiais? Aquela é a estrela de Belém. Vai ficar famosa...
- Pode até ser. Mas o pessoal que desce nessas naves ai  ajudou os egípcios a construírem as pirâmides. Ajudaram vários povos a construir cidades. Eram muito amigos dos Atlantis..
- É mesmo? Que interessante. E o que vc acha que eles estão fazendo aqui?
- Bom, para essa informação você vai ter de me fazer mais um agrado...
- Meu Deus do céu. Que coisa. Corrupção desde a época do Cristo.
- Espere aí. Você falou Cristo? Jesus Cristo?
- Sim. Por que?
- Cuidado. Você não deve falar essa palavra por aqui. Os Romanos estão matando qualquer um que pronuncie esse nome.
- É mesmo? E você sabe a razão?
- Olha. Correm uns boatos à boca miúda...
- Que tipo de boatos?
- Que o Messias, o filho do Deus pai vai nascer por aqui e vai reinar mais que os reis de Roma. Eles não suportam isso.
- Mas você acha que é verdade?
- Ah...sei lá. Tem umas coisas esquisitas. Dizem que o menino vai nascer esses dias e que vai nascer de uma virgem.
- E você acredita nisso?
- Olha. Eu só acredito vendo. Mas sabe esse pessoal que vem nas naves? Dizem que eles dominam umas técnicas que fazem as mulheres ter filhos sem fazer amor com os maridos.
- Inseminação. Mas deixa eu lhe perguntar uma coisa. Você sabe por acaso se passaram por aqui 3 reis montados a cavalo?
- Reis? Não sei. Passaram 3 sujeitos com seus cavalos e algumas cargas. Não pareciam reis.
- Pra onde eles foram?
- Estão pertinho. Ali do outro lado da colina, onde tá aquele clarão que vem... da estrela.
- Venha. Vamos ver isso de perto.
- Mas o que está acontecendo lá?
- Venha. Vamos correr. Trata-se de um momento...histórico, estórico, esotérico, sei lá.
De repente ouviu-se o choro de uma criança. Em princípio houve silêncio e depois euforia, sorrisos, felicidade extrema. Naquele momento a estrela gigante no céu começou a emitir efeitos de luz maravilhosos.  Os galos começaram a cantar, assim como os grilos e cigarras. Os cachorros e lobos uivaram. Os pássaros faziam festa no ar. Deu pra ver José, feliz, cortando o cordão e cobrindo o filho com os trapos que tinha. Maria pegou o filho no colo e nem acreditou no que viu. Era a mulher mais feliz na face da terra.
- Você tem noção do que aconteceu aqui, meu amigo?
- Sim. Aquele moço fez o parto da moça sem ninguém pra ajudar. Não deve ter sido fácil.
- Meu amigo. Essa é a cena do presépio. Acaba de nascer Jesus Cristo, filho de Deus.
- O que? Numa manjedoura onde o gado come? Num local tão pobre assim? Não dá pra acreditar.
- Mas é verdade. Olha lá os Reis magos. Estão entregando presentes para o José.
- Reis magos?
- Sim. Magos e alquimistas. Conhecem o significado desse nascimento.
- Ih. Os Romanos não vão gostar nada disso.
- Não vão mesmo. Vai dar muita confusão ainda.  Depois virá o papai noel...
- Peraí. Noé? Aquele do Dilúvio?
- Não. Papai Noel, um velhinho de barbas brancas que distribui presentes pra todo mundo e anda num trenó puxado por renas voadoras.
- Trenó voador? Que nem aquela nave dos anjos que tá lá no céu?
- Nave dos anjos? É! Pode ser! Esses Ets são esquisitos. Até no nosso tempo eles continuam aparecendo e escondendo da gente. Mas aqui!Tenho de ir embora. Obrigado pela entrevista viu?
- Espere um pouco. O que vai acontecer. Como esse menino vai virar rei? Ele é pobre de dar dó.
- Ele será rei e terá muitos seguidores. E você. Qual o seu nome mesmo?
- Não sei não. Eu sou muito realista. Preciso ver pra crer. E o meu nome é Tomé.
- Então tá explicado. Bom, vou nessa pois na minha época a essa hora tá rolando a maior ceia e não quero me atrasar pois a oração com a família é sagrada...e a comida também é a melhor da galáxia.  Até mais Tomé. Muito obrigado pela atenção...vou nessa... zsssssssdepuchummm.

Bem, pessoal.Termina aqui o repórter no túnel do tempo de hoje. Já estou em minha casa, com meus familiares e vamos orar agora, agradecer a Deus pelo ano maravilhoso que tivemos e pedir que os bons ensinamentos de Jesus continuem iluminando os nossos dias. FELIZ NATAL PARA TODOS...

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O MATUTO, O PROFESSOR, UMA PESCARIA....


ENQUANTO ISSO NUMA PESCARIA

_ Nem sinal de peixe...
- Caaaaalma.
- Tá bom. Então vamos conversar um pouco pois tá um tédio isso aqui.
- Você é professor lá em Bilizonte, né?
- Sim. Por que?
-  Ocê que é intelectuá da capitar me isprica uma coisa. Hoje o Padre falou que a gente tem de curtivá os valor. Eu fiquei sem entendê. Curtivá valor? Será que é pra nós prantá dinheiro? Valor não é dinheiro, patrimônio, posse?
- Não, Zé. Na cidade quando a gente fala de valor, estamos falando daquelas qualidades tipo honestidade, sinceridade, entendeu?
- Ah tá. Engraçado qui outro dia teve um moço que fez uma palestra pra nós, os produtor rurar da área aqui. Ele também veio com esse papo de valor, de planejamento.
- Pois é. Toda empresa quando faz planejamento tem o desafio de determinar quais serão os valores que nortearão a conduta da empresa. Tem também de determinar missões, objetivos, mas o alicerce é construído sobre os valores. E esses valores quase sempre são: ética, comprometimento, Desenvolvimento Sustentável, excelência, responsabilidade social e por aí vai.
- Mas funciona?
- Funciona nada. Na maioria das vezes só pra constar mesmo e dar um charme ISO isso, ISO aquilo.
- Mas João...que pito é esse que ocê tá pitano?
- Ah...é pra espantar musquito...ganhei de um cumpadre hoje.
- Bão hein?
- Ah...sei lá. No fundo é consumismo,
- Consumismo? Nunca vi essa marca de fumo.
- Não, Zé. Prestenção. Não é o cigarro, mas o produto. Num mundo marcado pelo consumismo psicótico, os considerados valores humanos são atropelados, quando não ignorados no dia a dia.
- Vixe. Agora ocê falou difícir. Mas entendi. Antigamente as pessoa eram mais respeitadora, não eram como hoje em dia.
- Exatamente. Quem tem mais de 40 anos se lembra bem. Vivemos uma época em que havia mais temor a Deus. A igreja católica difundia mais a fúria de Deus e sua inclemência com os pecadores. Havia castigos e penitências, como o ato de ajoelhar-se sobre bagos de milho para pagar pecados mais fortes, tinha penitências de 1000 aves marias para pecados um pouco mais leves.
- É mesmo. Eu já rezei 300 terços uma vez.
- Pecadim pesado esse, hein cumpadre?
- Naaada.
- Mas já foi até pior. Num passado um pouco mais remoto, havia as guilhotinas e fogueiras santas pra excomungar o demônio do povo cortando algumas cabeças em praças públicas.
- Eles gostavam de cortar o negócio duzotro também, né?
- Isso eu não sei.  Eu já tive muito temor quando criança. Do meu catecismo, lembro-me de uma senhora nos dizendo que não podíamos mastigar a hóstia, pois estaríamos mastigando Deus.  Eu botava a hóstia na boca e ficava muito tempo esperando ela derreter.
- Eu até qui gostava. Tinha um gostim gostoso.
- Que isso, Zé. É pecado.
- Brincadeira.
- Mas naquele tempo, a moralidade da igreja e da sociedade é que determinava as relações. As pessoas aprendiam sobre a importância de estender a mão aos que tinham necessidades. A sinceridade era outro valor cultivado. As pessoas que caíssem no pecado da mentira teriam de se entender com Deus pai todo poderoso, sentado em seu trono gigante e julgando os vivos e os mortos.
- Nossa senhora. Eu tinha um medo dele jogar um raio na minha cabeça.
- Pois é. Por essas razões, a honestidade era um valor. Humildade também era considerada um valor, com exemplos como São Francisco de Assis e o próprio Jesus Cristo. Mas a moralidade religiosa foi perdendo terreno para a moralidade midiática.
- Aí vc falou difícir...
- Vou explicar. As pessoas deixaram de frequentar os templos e passaram a criar templos em suas próprias casas, botando nos altares suas tvs e hoje os computadores.
- Peraí, cumpadre. Mas vc acha que as tvs tomaram o lugar das igrejas?
- Mas é claro. Foi o fim do monoteísmo. As Tvs disponibilizam uma imensa quantidade de líderes, de pastores, de santos e Deuses. E esses Deuses tem outros padrões morais, quase sempre conflitantes com o recato de alguns anos atrás.
- Mas peraí, cumpadre...Tem os crente...
- Bem lembrado, Não só os evangélicos. Tem católicos, budistas, muçulmanos, tem até ateus que tem uma vida alicerçada em valores humanísticos. Não podemos ser injustos com aqueles que conseguem viver à margem desse mundinho do consumo, onde os valores são difusos, hiper segmentados, pragmáticos e quase sempre desumanos. Mas devemos reconhecer que representam uma absurda minoria.
- E teve uns que nem é santo, mas tem valor né? Esse tar de Mandela por exemplo, parece um santo.
- Pois é. Algumas pessoas são santas mesmo.  Se vivemos a época do narcisismo, da exposição das vísceras, do jeitinho brasileiro que justifica a corrupção, há também aqueles que escapam por encontrar um sentido para sua vida, com valores bem definidos e compartilhados.
- Mas João. Tenho de ir embora pois a Jandira tá me esperando pra jantá. Só uma última pergunta. Será que nós brasileiro não temos valor nenhum?
- Eu também vou nessa. Mas também não é assim Zé. Temos valores sim. O povo brasileiro é hospitaleiro, solidário, tem suas qualidades, mas precisa cultivar outros bons valores pra dar um salto civilizatório...e eliminar algumas ervas daninhas. Inté.
- Inté!