quarta-feira, 23 de outubro de 2013

DEMOCRACIA OU PIRATARIA?

Estava assistindo uma matéria na tv em que uma repórter abordava várias pessoas em uma rua movimentada do centro de Belo Horizonte. A pergunta era a seguinte: você é a favor da pirataria? A grande maioria respondia que não. Mas quando perguntados se já haviam baixado alguma coisa na internet, seja música, filmes, livros, vídeos e fotografias, a maioria respondia que sim.  Algumas tinham o hábito de ver filmes on line no youtube. Quase todos também já haviam comprado Cds ou produtos nos chamados shoppings populares. Tudo isso é utilização de material alheio sem prévia autorização, ou seja, pilhagem, ou seja, pirataria. É interessante como a prática não gera nenhum sentimento de culpa. No caso de Belo Horizonte fizeram algo surreal: pegaram os camelôs que vendiam todo tipo de pirataria e colocaram nos shoppings populares com nomes de índios. Mas porque logo nomes de índios, quando eles talvez sejam os únicos originais numa terra onde tudo se copia?  Oiapoque, Carijós, Tupinambás e por aí vai. Vejam a ironia. De vez em quando a polícia dá uma batida pesada e depois passa o rolo compressor em cima de toneladas de cds e dvs piratas. Mas um dia depois o estoque é reposto.  A pirataria é organizada. Tem a pirataria física, os milhões de falsificados orientais que invadem nosso mercado. As pessoas, sem tanta renda para comprar os produtos de primeira linha, recorrem aos xing-lings e quase sempre se dão mal, pois os produtos dão defeito rapidinho. São quinquilharias descartáveis. E a vida continua. Mas voltando a pirataria na internet, recorro aos meus amigos que viajam muito para o exterior: Lá fora também é assim? Na Inglaterra o povo baixa o que quer na net? No Canadá é assim? Como funciona na Itália, na França ou na Argentina? Vi matéria dizendo que nos Estados Unidos já há uma lei em vigor que pune qualquer um que baixe arquivos que infrinja as leis dos direitos autorais. As penas não são brandas. Segundo li, na França também há uma lei semelhante que inclusive pune quem insiste em piratear com pesadas multas e com o impedimento de usar a internet durante um ano. Resta saber se o pessoal continua baixando as coisas a despeito das leis aprovadas. Em tempo, acabo de ler uma matéria em que produtores de uma série inglesa estão preocupados, pois disponibilizam os capítulos primeiro na Inglaterra e apenas 6 meses depois nos Estados Unidos. Mas o povo anda copiando os filmes e postando um dia após serem veiculados na tv. Parece que lá, como aqui, o povo não está nem ai pras leis e prefere correr o risco. É que nem as restrições as ultrapassagem e velocidade nas estradas. O povo sabe que existem as leis, mas continua infringindo as regras do mesmo jeito. Confia na ineficiência das fiscalizações e na consequente impunidade. Já ouvi falar que lá fora o povo tem uma cultura diferente. Sempre haverá aqueles que vivem à margem das leis. Mas o que dizer do Brasil, onde a lei que impera é a do Gerson: “o importante é levar vantagem, certo?” Quando um Senador tentou criar uma lei propondo a regulação da internet, imediatamente foi transformado em vilão público. Também, pra que  criar uma lei que ninguém vai cumprir? Em nosso país, as pessoas conseguem assistir qualquer coisa na internet de graça. Qualquer filme recém-lançado é disponibilizado poucos dias pós-estreia. Costuma sair até antes. O mesmo acontece com outros conteúdos. Confesso que, mesmo tendo postura crítica, também utilizo do expediente. Sou um pirata confesso. Não há regulação e parece haver uma complacência enorme por parte do governo e até por parte da juventude, que adora  a liberdade pirata reinante. Existem correntes que defendem o fim dos direitos autorais, advogando que a filosofia dos tempos atuais é do compartilhamento radical, com tudo liberado para download e streamming. Existe até mesmo um grupo político e simbólico que se denomina PARTIDO PIRATA, cujo objetivo é lutar pela liberdade total da rede, difundindo a cultura do compartilhamento. Tudo muito bonito na teoria, mas pra mim, continua sendo pirataria do mesmo jeito. A não ser que a regra do novo mundo seja essa mesmo e nosso país esteja na vanguarda da neopirataria.E você? Estaria disposto a abrir mão de piratear ou acha que deveríamos tirar de vez a máscara da democracia e assumirmos a bandeira da pirataria?

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