quinta-feira, 19 de setembro de 2013

OS SIVIROLOGISTAS

Outro dia eu presenciei um diálogo inusitado. Estava em um banco aguardando atendimento. A gerente que iria me atender abria uma conta para um rapaz sentado à sua frente. Ele parecia ser peão de obra, tipo trabalho braçal mesmo. No princípio ela deu a ele alguns papéis para preencher. Mas depois dele errar 3 formulários, resolveu preencher ela mesmo. Ela ia perguntando e preenchendo o cadastro, até que chegou a pergunta que gerou o texto acima. Ela perguntou qual era sua profissão. E ele devolveu a pergunta: - você quer dizer no que que eu trabalho? – Sim. E ele respondeu:  - Uai, eu se viro, né? E ela insistiu: - mas se vira como assim? E ele respondeu: - uai, se precisar de bombêro eu tô lá, se precisar de servente de pedrêro também, se precisar de alguém pra capinar um lote, quarqué coisa que dê dinheiro eu tô dentro. Aí fiquei pensando no quanto somos sivirologistas, brasileiros que sobrevivem fazendo de tudo um pouco, em todas as áreas, em todas as frentes. Hoje somos uma nação de prestadores de serviço, de empreendedores de múltiplas empresas, muitos tentando criar alguma coisa que bombe no mercado pra ficar rico em 2 semanas. Há heroísmo na sobrevivência no mercado selvagem. Estamos de pé porque somos sivirologistas persistentes. Sobreviver é nosso oficio. E vamos criando empresas, as que tem CNPJ e tantas outras imaginárias que só ficam no projeto. Na balada louca dos sivirologistas não tem muito tempo pra descansos, pra ouvir música, pra ver filmes. Não há tréguas, não há espaço para desatenção, não há alegrias fortuitas. Só sobrevivência.

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