quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O CAPETALISMO

Nada mais infernal que o dinheiro. Por isso meu amigo Dindão prega o negócio do “Viver melhor com menos”. É uma forma de se distanciar da dependência do dinheiro, a droga mais viciante do universo. Mas como fazê-lo? Como escapar da roda viva? A pulsão acumulativa esmaga a poesia e relega a arte a um lugar desimportante na escala dos fazeres. Alguns artistas driblam o capitalismo assumindo papeis medíocres nos contextos sociais e empregatícios. Banca suas produções subversivas (qualquer forma de romantismo é visto como uma forma de profanação ao Deus Mercado). Carlos Drumond de Andrade, por exemplo, era funcionário público. Assim, tinha como se sustentar e erigir sua poesia. Assim acontece com muitos artistas que emprestam seus talentos para a publicidade, para o jornalismo, para a política esperando o momento de quem sabe, viver só de arte. É claro que existem inúmeros artistas que vivem exclusivamente de suas produções. Mas são raros. Quem não fizer arte vendável tem dificuldades pra pagar as contas. Conheço senhoras que se mantém há anos pintando quadros de flores, quase todos idênticos. Elas fazem e vendem tudo na Feira da Afonso Pena. As pessoas por sua vez vão a praça pra comprar quadros com flores pra colocar na sala, pra combinar com o sofá, com a decoração, com a cor da parede. As pessoas não prestam muita atenção no valor artístico. É a arte utilitária. A replica, da réplica, da réplica, artesanato que acaba suplantando os originais no volume de vendas, sem pagar royalties, sem ônus. É o Capetalismo perverso. Quando Andy Warhol criou sua Pop Art não sei se pensou que iria dar nisso. Com o advento dos computadores, todos que tem um corel draw viraram artistas. Vacas leiteiras para todos. Arte como Hobby. O capitalismo tem uma característica terrível. Se apropria de tudo, é adaptativo , descarado, vem vergonha, sem escrúpulos. Quando o movimento punk surgiu, os jovens vestiam roupas rasgadas ou remendadas porque não tinham dinheiro pra comprar roupas novas. Os capetalistas viram que os jovens ricos estavam gostando e abriram boutiques pra vender roupas rasgadas pros ricos a preços estratosféricos. É uma ideologia que podemos chamar de marketing, que consiste em vender, vender e vender. Dominar através do marketing. Hollywood foi importante nesse sentido. Depois eles tiveram domínios físicos através das ditaduras implantadas pelo planeta. E agora tem uma arma incrível de dominação massiva que é a internet. Ela mesmo, o youtube, o facebook. Em princípio parecem coisas livres, libertárias. Mas não sei se você já pensou que escreve de graça para o dono do facebook.Você escreve e ele vende as publicidades. Milhões de pessoas escrevem de graça pra ele. Agora os irmãozinhos do norte tem o poder de criar rebeliões em todo o planeta através de infalíveis técnicas virais. Fora os espiões, que estão sabendo tudo que você fez no verão passado. É, meus camaradas¹ Tem muitos demônios nesse inferno, mas é inegável: os norte-americanos são mestres no capetalismo. 

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