sexta-feira, 28 de junho de 2013

UM REPÓRTER NO MEIO DO POVO...

Júnior Difuso, o repórter estava aí no meio

Olá, meu nome é Junior Difuso e estou aqui pela Rádio Brasil Novo cobrindo mais uma manifestação que acontece pelo país. Vamos conversar com um manifestante.

- Qual o seu nome?
- É Jorge...jorginho.
- Mas Jorginho. Você está protestando contra o que?
- Ah...sei lá. O pessoal da minha sala veio e eu vim atrás...
- Mas você não tem uma reivindicação, um protesto qualquer.
- Eu não. Eu tô aqui é matando aula...e esperando uma chance de chegar naquela menina ali ó...
- Bom, vamos ouvir mais uma pessoa aqui...e você? Está protestando contra o que?
- Por mais verbas para a educação, saúde e segurança pública.
- E você?
- Uai. Contra tudo né..
- Mas contra tudo o que?
- Ah, sei lá. Eu vi o pessoal passando e vim atrás...mas tô gostando muito viu.
- Amigo...e você? Protestando contra o que?
- Olha, eu tô protestando contra a demora do governo em duplicar a 381. Um amigo morreu lá.
- Tá certo. Muito bem. E você, gatinha. O que lhe trouxe ao protesto.
- Ah...é que eu gosto muito de festa. Isso aqui tá uma festa, um verdadeiro carnaval.
- Mas você não sabe os motivos dos protestos?
- Sei sim. Por causa da corrupção e por causa da copa do mundo. Brasil! Tumdumdum! Brasil!
- E você, meu amigo. Porque está protestando?
- Eu sou um médico e estou protestando contra nossos baixíssimos salários e pela vinda de médicos de Cuba. Isso é falta de consideração com a medicina brasileira.
- E você?
- Eu estou aqui com a bandeira do meu partido enrolada. Tô querendo me manifestar mas tenho medo de apanhar.
- Melhor não. Mas o que você está achando?
- Eu tô achando excelente. A Dilma tava com 70% de aprovação e o governo achava que tava tudo muito bom. Mas o povo está mostrando que está insatisfeito com muitas coisas.
- Muito obrigado. Vamos entrevistar mais uma pessoa aqui. E você. Está protestando por que?
- Eu? Uai...eu na verdade tô é aproveitando pra matar serviço.
- Mas não é possível? Nenhuma ideologia?
- Você está me chamando de alienado?
- De jeito nenhum. Só tentando passar o clima para os nossos ouvintes.- E você meu amigo? Veio protestar contra o que?
- Eu não vim pra protestar. Eu tenho é ódio de polícia. Vou mostrar pra esses policiais quem é que manda.
- Vamos entrevistar mais uma pessoa. Amigo, porque você está na manifestação?
- Eu sou um anarquista graças ao diabo, pois também odeio a igreja católica. Sou contra qualquer forma de governo.
- E você meu amigo? Porque está protestando?
- Eu sou um anticapitalista e piromaníaco. Minha turma vai atear fogo em algumas empresas multinacionais.
- Vixe. Então você é um vândalo, um baderneiro?
- E você? É um repórter da rede bobo, um representante da mídia capitalista. Ei pessoal. Vamos pegar essa cara...
NESTA HORA, UM MANIFESTANTE FORTÃO INTERCEDE
- Peraí...calma...ninguém vai pegar ninguém não. O cara tem direito de fazer o trabalho dele...
- Puxa...muito obrigado. Foi por pouco...valeu hein?
- Tranquilo. Mas aqui...você está fazendo reportagem aqui no meio da manifestação. Está correndo risco, viu?
- Pois é. Fazer o que né? Eu sou repórter novo e só me botam nessas frias.
- Mas me responda uma coisa. Esse smartphone aí deve ser caro hein?
- E é mesmo. É digital e importado. E eu tive de comprar do meu bolso. Mas me responda uma coisa. Você me parece um sujeito bem informado. Tá aqui pra protestar contra o que?
- Eu não estou aqui para protestar.
- É mesmo? Qual o seu objetivo então?
- Eu estou aqui é pra roubar. Vai passando esse celular top seu ai, seu dinheiro...
- O que é isso...calma...
- Calma nada. Você é da imprensa e já viu que o povo aqui tem ódio de vocês. Se não passar o microfone, vou gritar que você é repórter e esse povo vai te linchar. Agradeça a Deus por eu ter te salvado.
- Calma, sô. Eu já lhe agradeci, Vamos negociar...se você for vender esse smarphone na esquina dos aflitos, vai apurar no máximo uns 300 reais, certo?
- Pode ser...
- Pois é. Topo pagar esse valor.
- Você tá me achando com cara de ladrão bobo? Eu vou levar é essa câmera e o seu dinheiro. E tome aqui o cartão.
- Cartão de que?
- De onde você poderá tentar recuperar seu celular depois.
- Peraí...mas posso pelo menos terminar minha reportagem e depois transmitir a entrevista para o meu email? Preciso entregar lá na rádio...
- Rapidim. Não leve a mal não. Você estava fazendo o seu trabalho e eu o meu.

( Quaisquer semelhanças com a realidade serão puras coincidências...)

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