domingo, 28 de abril de 2013

NEVES QUENTE

O Atelié Poverá Carlim Crepalde

Fui convidado pelo meu amigo e artista plástico Carlim Crepalde para me apresentar no bar atelié que ele tem em Ribeirão das Neves. A turma de Neves tem um Coletivo chamado Cachorro do Mato, que produz espetáculos e promove esses Encontros de Compositores, valorizando a música autoral. Nossa apresentação seria depois do compositor local Thiago Rodrigues. Importante salientar que eu estava parado com música há algum tempo. Só me apresentei esporadicamente em Monlevade, mas sem aquele compromisso de quem tá na estrada. Em princípio, eu me apresentaria apenas ao violão. Só que o guitarrista Guilherme Fonseca, que retornou dos Estados Unidos aceitou meu convite para se apresentar comigo. E pra completar a confusão, o baterista Ricardo Simões, que reside em Curitiba, também estaria na cidade. Logo vislumbrei a possibilidade de reunir a banda República dos Anjos, depois de 12 anos sem tocarmos juntos. Chegamos ao Atelié do Carlinhos e ficamos deslumbrados com as obras do meu camarada, uma espécie de arte primitiva que se utiliza de elementos da natureza para compor paineis, quadros, paredes, tudo muito pós-moderno, com elementos de diversas culturas, quase barroco de tão detalhado. Ficamos por lá conversando, tomando algumas biritas, ouvindo o som da turma local ( excelentes músicos) e enfim chegou a hora de subirmos ao palco. Foi emocionante o que rolou, principalmente pra "nós, os anjos". Tocamos como se tivéssemos ensaiado, isso sem termos feito um ensaio sequer. Eu tive de tocar o baixo, mesmo sabendo que há pelo menos10 anos nem encostava no instrumento. Eu havia feito contato com o baixista Caio Valente, mas no meio da semana fiquei muito atarefado e não interagimos mais. Caio faz uma falta danada. Mas enfim...deu tudo incrivelmente certo. O público presente não tinha noção do que estava acontecendo ali no palco. Mas a generosidade do público presente foi muito bacana. Os músicos  nos trataram de forma respeitosa, reverenciaram o som, rolou uma canja do Guilherme com eles, enfim, muita energia boa. O público não músico também interagiu, dançou, mesmo a gente tocando só próprias.Começamos o show tocando coisas do Verde Terra. O povo nem deve ter entendido muito bem. Comecei tocando Serenata, que é uma música de seresta mesmo, dos tempos das serenatas que fazíamos em Alvinópolis(a preferida da minha mãe).Depois tocamos Nós os Loucos e Interior, duas músicas marcantes do Repertório do Verde Terra. Carlinhos subiu e cantou Nós, os Loucos conosco. Impressionante o efeito que a música tem sobre o público. Finalmente entramos no repertório do República. Foram 2 horas de show, de muitas emoções, de uma performance que foi surpreendente pelo fato de realmente não termos ensaiado e por termos ficado tanto tempo sem tocarmos. Como disse um amigo de Pedro Leopoldo que estava presente, a gente não desaprende a andar de bicicleta. Tenho de agradecer muitíssimo ao Carlim Crepalde, que em Alvinópolis conhecíamos como Carlim Gipão e que a galera de Ribeirão das Neves chama de Henrique. Tem até um caso interessante que eu não contei no show, mas que diz respeito ao Carlinhos. Quando éramos garotos em Alvinópolis, todo mundo gostava muito de desenhar. Eu me esforçava muito para me aperfeiçoar como desenhista, mas o Carlinhos era muito superior a todos nós. Desenhava super bem e botava todo mundo no bolso. Por isso na época eu decidi que iria mexer era com música, pois no desenho, o Carlinhos nos humilhava. E ele tem papel muito importante na minha trajetória na música. Primeiro por que integrava o Verde Terra. Depois, porque foi quem me apresentou pro Ricardo Simões, baterista que veio a tocar no Verde Terra e depois integrou o República dos Anjos comigo e com o Guilherme Fonseca. Tocar com esses caras é o máximo. A energia e o prazer que rolam no palco quando a gente toca, fazem a vida valer a pena. Não sei se conseguimos passar isso para o público. Somos cabeças duras. Tocamos só nossas músicas. Somos uma banda autoral. O que tem de gente que fica perto do palco pedindo: toca Legião...toca Raul. E nós vamos contrariando...e abrindo os corações. Talvez por isso nem sejamos viáveis...mas somos verdadeiros. O que virá? Vamos ver...

6 comentários:

  1. Grande Marcos, grato pelas palavras, e o que posso dizer é que seria muito bacana vc retomar o seu trabalho e botar pra quebrar, tamo juntos!

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  2. Tenho certeza de que vcs conseguiram passar a energia para o público, pois eu a senti lendo. Que delícia pensar no República tocando de novo.

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  3. Grand Simmons, super batera, super amigo, super irmão, há anos que tenho o disco do República e volta e meia escuto aquelas loucuras sonoras como a versão do mestre jonas ou TO NAMORANDO UMA PUTA, clássico que já recheou a programação dos 4 programas de rádio que faço na web. Realmente o Ricardo simões tem um amor muito grande por essa trupe e por esse som, essa banda é sua vida e sempre que falamos de som o república cai na mesa sob forma de assunto. As coisas boas são assim, não fazem sucesso de massa, não se espalham pelo pais facilmente, mas ficam no coração das pessoas que realmente amam fazer música. Esse é o valor importante disso tudo.

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  4. Parabéns nós Repúblicanos pelos 25 anos de estrada....foi lindo show mesmo sem tocarmos juntos a quase 12 anos....

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  5. Parabéns mesmo!!!! Como eu gostaria de estar presente!!! Muitas saudades!!! Abraços

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  6. Tive o grato prazer de estar presente a este evento.
    Ao ouvir Nós, os loucos, fui transportado ao ano de 1982, quando a banda Verde Terra a defendeu no 1º FEMPEL em Pedro Leopoldo. Na ocasião, eu participava da banda Farrapos, que também concorria aos prêmios. Foi grande a emoção.
    Parabéns a todos da organização deste evento e a todos os músicos que se apresentaram, tornando a noite mágica nos sons e nos encontros com pessoas maravilhosas. Afins.

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