quinta-feira, 11 de abril de 2013

GENTE? PRA QUE GENTE?


A se considerar a velocidade do desenvolvimento tecnológico nos últimos anos, aproxima-se o tempo de se consumar a profecia de um amigo meu de Teófilo Otonni, o compositor e poeta Cristiano Salazar. Ele falou: “ o mundo está se desenvolvendo tanto, que daqui há algum tempo não vamos precisar mais de gente”. Algumas profissões e negócios estão mesmo ficando obsoletos. Os jornais andam capengando mundo afora. Vemos notícias de que sólidos jornais pelo mundo que estão indo a bancarrota por causa da internet, que entrega as notícias de forma instantânea e sem a necessidade de intermediários. Hoje em dia, não existem mais furos de reportagens. As próprias pessoas furam os jornais. Quando uma coisa acontece, segundos depois aparece nos blogs, no twitter e no facebook. Os jornalistas também estão tendo seus espaços reduzidos. Alguns gigantes como a google, oferecem seus feeds de notícias, onde a pessoa pode escolher seus temas preferidos e receber as notícias que quiserem quase em tempo real. Para onde vai o jornalismo? Não sei. Talvez para os tablets, para várias outras plataformas. Existem experiências por exemplo na tal Internet 4.0. Sabe o que isso representa? Simplesmente que a internet avança para outros equipamentos fora dos computadores. Por exemplo, você poderá receber informações em sua geladeira, no fogão elétrico, na mesa de sua sala, no teto do seu apartamento, tudo vira tela. Há experiências também do óculos interativos, como o google glass. Para quem ainda não sabe, trata-se de um óculos com uma tela instalada, onde as pessoas poderão ter acesso aos e-mails, facebook, vídeos e todos os conteúdos inimagináveis. Ah...e notícias instantâneas. Na educação também começa uma revolução que nem sabemos onde vai dar. Além de todas as perdas salariais por que passam os nossos professores, agora eles começam a ter a avassaladora concorrência da educação virtual. Dizem que a tecnologia vem para apoiar os educadores. Será? Se a meninada conseguir realmente aprender através das aulas virtuais, dos games educacionais melhorando a performance e  absorvendo conhecimentos, teremos uma revolução profunda na educação e inevitavelmente, um enorme desemprego na área. E pra completar, no mundo da música, a cada dia os avanços tecnológicos nos trazem dados novos. Pra começar, os cds acabaram com os discos de vinil. Mas o CD também está caindo do galho. Se há alguns anos atrás, artistas como Zezé de Camargo e Luciano lançavam um CD e vendiam 3 milhões de cópias, hoje ninguém mais vende CDS. O artista que vende mais discos, mal chega a 100 mil cópias. E a tendência é que não venda nada. Mas como vender também, se você baixa tudo na internet de graça? Não há regulamentação e com isso, ninguém mais quer pagar pra obter música. Com os filmes acontece a mesma coisa. Com os livros, também. Tem tudo para se baixar de graça. E como se não bastasse, nem baixar mais tá precisando. Através dos sistemas de streammings, você acessa os conteúdos diretos das clounds computers, onde pode ouvir músicas e ver filmes on-line, com toda qualidade. Pois é! A galerinha que está chegando agora talvez se adapte com mais facilidade. Antigamente a gente usava o termo “fritar o peixe de olho no gato”. As novas gerações fritam o peixe, olham o gato, vigiam o cachorro, aceleram a tartaruga, interagem com o mundo, tudo ao mesmo tempo e brincando. Resta saber se nessa virtualização de tudo e de todos, sobrará tempo para respirar o ar puro das montanhas, pra olhar um luar de verdade numa vila sem luz elétrica, para pisar descalço na terra, curtir cachoeira, sol, vento, comer fruta no pé, andar de bicicleta, jogar bola, interagir com os elementos através dos sentidos, essas coisas tão antigas, tão ultrapassadas, tão démodé.

Um comentário:

  1. e nessa história meu tempo está ficando para trás... eu ainda gosto de pegar o livro, sentir o cheiro da impressão no papel, de ter o CD nas mãos, de ler o jornal diariamente... vou acabar demodé...

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