quinta-feira, 25 de abril de 2013

DESADOECENDO



Está no dicionário Houaiss. Doença significa “alteração do estado de espírito ou do ânimo de um ser”. Significa ainda “devoção excessiva; mania, obsessão, vício”. Pois é!. Há alguns dias fiz um pacto comigo mesmo de desadoecer. Estava cansado de adoecer com o futebol, com a política e com a religião. A primeira coisa que tentei fazer foi desadoecer do futebol. Que fique claro que continuo cruzeirense, mas não doente. Chega de doença. Não poder admirar o bom futebol de um time , nem reconhecer as suas qualidades por ser adversário é uma bobagem. Vou ser sincero. Ronaldinho Gaúcho me ajudou a desadoecer no futebol. A bola que o cara tava jogando no atlético era coisa de outro planeta, mágico, esplendoroso. Diminuiu um pouco a carga, mas convenhamos: não dá pra manter tanta magia por tanto tempo. Até o Messi deu uma apagadinha. Resolvi desadoecer pra poder curtir um pouco mais e não perder algumas boas coisas da vida. Torcer sem distorcer. Essa era a minha ideia. Complicado é que existem torcedores rivais extremamente tóxicos, como o Itabirano José Sana e seu filho Érico. Esses dois, confesso, acabam me trazendo de volta os sintomas da velha doença. Mas só por um pequeno tempo. Tem meu conterrâneo Paulo César Rodrigues também, outro advogalo dos piores ( ou melhores). Mas tudo numa saudável brincadeira. Acontece também de aparecer alguns querendo me dar um calaboca, me chamando de puxa-saco, vira folha e outros “elogios”, mas não tô nem aí. Afinal, tô desadoecendo e isso pressupõe paciência e temperança. Mas saindo do terreno futebolístico, tem a política. Dias desses, falei que estava pensando em não tomar partido de mais nada. E da-lhe retrucagens de toda monta. Veio um amigo e falou: - mas isso não é possível. Não tomar partido também é se posicionar. Mas sabe o que acontece? É outro terreno de gente muito doente. As pessoas se agarram a siglas partidárias como se fosse algo sagrado e no final, são conveniências e nada mais. As ideologias morreram há muito tempo. Pode-se até dividir o mundo em dois blocos: socialista e liberal ou capitalista, mas as coisas estão muito misturadas. Até acho que o Brasil vive um espécie de socialismo capitalista ou vice-versa. Ah, mas se você manifesta ser do partido x ou do partido z, imediatamente faz um monte de inimigos. E se for de uma cidade pequena então, se for amigo de A, imediatamente será marcado e perseguido por B. Hoje em dia, todos os caciques e todos os candidatos são endeusados e demonizados nos facebooks da vida. Ainda estou pra ver um político que desperte admiração de ambos os lados, que não tenha oposição em um dos blocos. Sobre religião, também escrevi algo no facebook que deu alguma polêmica. Escrevi que espero um dia ter coragem pra falar de Deus. Ai pintou muita gente me aconselhando: - Mas o que é isso! Abra o seu coração. Demonstre todo o seu amor pelo senhor. Agora vejam vocês. Dar opinião religiosa significa imediatamente contrariar a fé de várias pessoas. Se digo que acredito em reencarnação, podem me denunciar para o Feliciano e ele manda me queimar numa fogueira. Se digo que não acredito, meus amigos espíritas me estranharão. Inclusive, acho que já falei demais, pois sinto que algumas pessoas muito queridas se afastaram por causa das minhas opiniões. Tem muita gente que adoece pelos seus Deuses e bíblias. Eu me recuso a adoecer desse mal. Fico incomodado com o mercantilismo em torno da fé e de certas vigílias morais e preconceitos quase medievais. Mas fazer o que? É o mundo em que vivemos com suas pessoas e escolhas. Estou procurando maneiras de desadoecer. Ainda tenho muitos pensamentos tóxicos, muitos vícios psicológicos, muitas palavras involuntárias que jorram sem controle, espécie de incontinência verbal. Mas a consciência das doenças, dos sintomas, são os primeiros passos para a cura. No fundo a idade chegando e a sensação de que certos conflitos não valem mesmo à pena.

Um comentário:

  1. Marcos Martino,
    Vc talvez esteja certo. Ficamos doentes por causa do convívio. Exatamente por causa de cruzeirenses malucos tipo seu "correligionário" Paulo Roberto de Almeida, ou meu primo Keilyson Sanna, é que nos tornamos doentes.
    Vc tem sempre umas tiradas neutras, às vezes reconhece os esplendores do adversário, mas esses dois últimos citados, que representam uma tropa de 2 mil burros Maricones, não, nunca, jamais.
    Que vc continue desdoente, mas, creia, o seu parâmetro é apenas um jogo do Ronaldinho. Quis Deus que no Galo ele desse liga. Ele joga para formar um QUARTETO MÁGICO, com Jô, Tardelli e Bernard. Quer dizer, caso o Felipão queira um poder de fogo na Seleção, tem que convocar e escalar os quatro. No mais, acho que vc é muito tendencioso para dar as explicações, porque existem cruzeirenses doentes, embora a origem do clube azul inspire repugnância por causa da origem fascista. E vc veio escolher apenas atleticanos.
    Outro lembrete, Martino, não quero me desadoecer. Já vivi muito e me aposentei. Quero curtir o Galo um pouco mais, pois tenho menos a fazer no meu dia a dia do que nos tempos da revista e do site.
    Para encerrar, vc tem um emprego a oferecer para este seu admirador enquanto não seja cruzeirense?
    José Sana (embora anônimo)

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