quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

DECADÊNCIA


Decadente não é só o sujeito que só tem 10 dentes na boca. É aquele que já esteve no topo e que depois começou a perder força, o amor próprio, até que finalmente virou uma ruína ambulante. Tá certo que certas coisas não tem freio, como o desgaste do tempo que vai nos consumindo e nos tornando um arremedo do que fomos. Podemos envelhecer com dignidade se soubermos nos reinventar. Isso pode acontecer com pessoas e com empresas. Tomemos como exemplo a coca-cola.  Apesar de quase centenária, tem uma imagem jovem, continua se renovando e sendo consumida em todo o planeta. Mas aí é que está. A coca-cola cuida da  imagem, afinal, sabe que uma das coisas que evidenciam a decadência de qualquer empreendimento humano é o desleixo. Reparem bem uma empresa que acabou de ser aberta. As placas impecáveis, móveis com cheiros de novos, as pessoas atenciosas, entusiasmadas, com aquele brilho esperançoso nos olhos, com tesão e energia positiva. Já a decadência tem seu primeiro sintoma na falta de cuidado com a placa na entrada da empresa. Quando a empresa não cuida, não mantém limpa e reluzente a logomarca na entrada de suas unidades, quando uma letra no letreiro luminoso se apaga e ninguém repara imediatamente, é sinal de que tem algo muito errado. Pra completar a grama é mal cortada, as paredes começam a descascar, tudo aparentando miséria e ausência de energia vital. Pelas estatísticas, 70% das empresas fecham em seu primeiro ano de vida. Esse tipo de decadência é que nem a de um foguete, que sobe e cai rapidamente. Mas queda melancólica acontece mesmo é com algumas empresas tradicionais e aparentemente sólidas, que não tem capacidade e nem atitude para se atualizar. Essas empresas costumam virar tristes ruínas, escombros de um passado próspero, por insistirem em fórmulas caducas. Às vezes a decadência se dá por conjunturas econômicas. Quando eu viajava para Ponte Nova, ficava olhando as antigas usinas de açúcar, prédios majestosos abandonados, com as vidraças quebradas, verdadeiros edifícios fantasma. De repente, o açucar perdeu valor de mercado e o que era prosperidade virou crise.São imagens tristes. Mais tristes são as ruínas do que foi iniciado e parou no meio. Monlevade tem vários prédios que começaram a ser construídos, mas cuja construção foi interrompida e os horrendos edifícios continuam maltratando as visões, esqueletos monstruosos que ajudam a enfeiar a cidade. Em Alvinópolis tem a ruína de um ginásio coberto cuja construção foi interrompida por causa de irregularidades e pelo visto vai continuar ruína do que não foi. O vergonhoso monstro de concreto continua lá, um monumento à corrupção, enchendo de mato e zombando da gente. Mas não são só as empresas que caem em desgraça. As cidades também decaem. Monlevade, por exemplo, tinha a Belgo como mãe, teve a Arcelor como madastra e hoje tem a Mittal, que a abandona e ignora. A prefeitura é muito sobrecarregada. O cobertor da administração é curto e não dá pra cuidar de tudo. A cidade antiga, por exemplo, anda desleixada. Como dito no inicio do texto, o desleixo é o primeiro sintoma. Quem dera aparecessem outras empresas mães. É irônico que uma cidade tão nova, já inspire decadência. E a minha Alvinópolis? Nem sei se está decadente, pois acho que nem chegou a subir. Hoje tem uma indústria têxtil que foi mãe, tornou-se madastra e voltou a ser mãe. Tem outra mãe generosa na indústria de cosméticos. Mas mesmo assim, insiste na inércia. A cidade está feia, esburacada, desleixada...decadente. Ao contrário da vizinha Dom Silvério, que se não desenvolveu tanto economicamente, mas pelo menos está bonita e muito bem cuidada. De qualquer maneira, a decadência das coisas está diretamente associada a decadência das pessoas. As pessoas é que emprestam seu brilho, seu esforço e seus tônus vital para que as coisas e as cidades tenham vida. Manter o olhar no horizonte e a motivação alta são tarefas pra heróis e heróis não nascem todo dia. Temos um vácuo de grandes líderes. Líderes políticos e executivos. Pode até ser sonhador, desde que tenha aliados fazedores. E a decadência está do coletivo e também no indivíduo, numa retro-alimentação permanente. E você? Sua vida tá andando pra frente? Anda lustrando sua marca para aparentar o sucesso que deseja pra sua vida? Anda se reinventando, decodificando os símbolos do tempo em que vive? Seu tempo é o hoje, o amanhã, ou vive repetindo que “antigamente era melhor”? Anda se sentindo “aposentado” ou tendo ideias novas, prospectando perspectivas instigantes e rentáveis? Anda satisfeito com a paisagem do buraco ou acredita que o céu é o limite? O tempo é inclemente e um dia vai nos levar. Que seja, já que não tem outro jeito. Mas que façamos como o lobão e cantemos: DECADENCE AVEC ELEGANTE!

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