sábado, 19 de janeiro de 2013

DESAPÊGO


Como é difícil escaparmos da gravidade dos planetas.
Não é atoa que mal chegamos à lua.
Além do volume, da força magnética, 
todo um cipoal de sentimentos.
Por isso os foguetes tem estágios, 
que vão abandonando durante as subidas.
Por isso os balões para subir, 
tem de descartar o que for desnecessário.
Metáforas à parte, uma vez na polis, 
uma vez decorados os hinos, dói a partida.
Dói olhar o planetinha pela janela. 
Ao mesmo tempo é como se fosse uma amputação, 
e nós, as partes amputadas, indesejadas, repelidas.
Só não viramos comida para os urubus e formigas, 
porque no fundo temos  DNAs dos répteis.
Um novo coração e uma nova alma haverão de surgir. 
Mais fortes, mais resistentes, mais duros e mais tristes.
A alegria é uma brisa que de vez em quando nos alenta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário