sábado, 17 de novembro de 2012

RESSACA ELEITORAL

BOLDO

A maioria das cidades cai num marasmo de doer depois das eleições. Nas cidades em que os prefeitos foram reeleitos, após dura batalha, acontece um relaxamento natural, quer dizer, natural porém imoral, já que os prefeitos e seus auxiliares são funcionários do povo, mas é o que geralmente acontece. Nas cidades em que os prefeitos não foram reeleitos, dá-se uma depressão coletiva entre os que perderam. A ordem é zerar as contas, preparar-se para uma rigorosa auditoria que pode sobrevir e pensar no “day after”, no que fazer sem a fonte de renda dos últimos 4 anos. Os derrotados invariavelmente caem numa amargura terrível, sentem-se injustiçados, abandonados pelos amigos. Muitos deixam as cidades entregues às moscas,  com lixo espalhado pelas ruas, mato invadindo as vias públicas, tudo em nome de um arrocho financeiro recomendável para uma transição tranquila. E por falar de transição, tá aí outra dor de cabeça. A ideia é garantir que os dados e a estrutura não sejam sabotados pela administração que está saindo. A preocupação procede, já que é “normal” que desapareçam arquivos, equipamentos e que haja um sucateamento da máquina. É uma situação constrangedora para os funcionários direitos, mas em função do histórico negativo, não tem outro jeito. Os justos sempre pagando pelas pecadores  A transição transcorre entre a cortesia e a hipocrisia. Na hora da prestação de contas das campanhas, outro drama. Os vitoriosos pagam todo mundo direitinho. Já alguns derrotados se veem tentados a não pagar por certos serviços. Muitos profissionais ficam sem receber e tem de recorrer à justiça para cobrar seus direitos. Não vencer acontece por uma série de circunstancias, mas alguns derrotados não absorvem e ficam fazendo inventários de culpas, empurrando dívidas uns pros outros, não assumindo certos compromissos e prejudicando profissionais sérios, que sacrificaram seu tempo e fizeram seus trabalhos direito, dentro do combinado. A ressaca eleitoral atinge diversos segmentos, mas principalmente a área cultural A partir do mês de julho, as prefeituras sempre tem a desculpa de não poder patrocinar nada por causa da lei eleitoral. Isso faz com que tudo fique praticamente paralisado dos meses de julho a outubro e em novembro e dezembro as prefeituras geralmente estão sem dinheiro e não investe em mais nada. A cultura, que já é o “patinho feio” das administrações, se quiser sobreviver, precisa  preparar planos de contingência para os 6 meses do período eleitoral. Além de tudo, o próprio público parece entrar num período de letargia. A política configura as cidades. Em algumas, serão novos personagens, novas mentalidades, novas marcas. Mesmo onde ocorreu reeleição, mudanças pontuais sempre acontecem e a partir do dia 1º de janeiro começa uma nova novela. A ressaca eleitoral é terrível para cultura. Muitos projetos são suspensos, quando não, cancelados para sempre, uma vez que o próximo governo provavelmente vai querer estabelecer outras diretrizes. Por isso, mais que os outros segmentos, a cultura precisa se preparar para as vacas magérrimas do período eleitoral. Pensar projetos que não dependam de verbas nem de logística. Até sugiro o nome de um projeto para pelo menos aliviar um pouco a ressaca: PROJETO BOLDO CULTURAL.

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