terça-feira, 30 de outubro de 2012

SERTANEJO ANTROPOFÁGICO

Há muitas denominações: sertanejo universitário, sertanejo romântico, sertanejo caipira, sertanejo do Mato Grosso, Sertanejo chic, Sertanejo country. Isso significa o que? Significa o que está explícito no título. Nunca vi um estilo mais antropofágico, mais legomusic que o sertanejo. Os caras se apropriam do grande banquete de ritmos à volta, principalmente aqueles aprovados pelo grande público. Primeiro, assimilaram as guitarras, as viradas de batera, as poses do rock. Depois, assimilaram as batucadas. Tem algumas músicas que tem surdo e são meio sambanejas. Depois, assimilaram percussões mortíferas que vinham de Mato Grosso. O grupo Tradição, onde tocava Michel Teló era um exemplo disso. Uma batucada swingada, sensacional. O sertanejo também invadiu a praia do funk. Eu quero Tchu, eu quero tchá, eu quero ficar livre pelo amor de Deus. Mas vejo que não é possível. Mas eles invadem outras praias. Ultimamente canibalizaram o ritmo arrocha, que nasceu no ninho do axé, mas que ganhou mesmo o país foi com Gustavo Lima e outros astros sertanejos. E a coisa não para de dar cria. O sertanejo se adapta, se mistura a tudo.  Ainda não vi o estilo se misturar com a música clássica ou com o jazz, mas a essa altura, não duvido de mais nada. Sobre a foto, retrata um banquete antropofágico, onde selvagens se alimentavam dos guerreiros de outras tribo, acreditando que iriam assimilar a sua inteligência e força. 

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