quarta-feira, 24 de outubro de 2012

PALAVRAS NÃO TEM VOLTA

Gosto muito de jogar xadrez, dama, um buraquinho, uma canastra. Uma coisa que vale para todos os jogos é: jogou, não tem volta. Meu pai gostava de falar que carta não tem mola, não volta atrás. Assim também são as palavras. Uma vez ditas ou escritas, não tem volta. Podemos até nos arrepender, pedirmos desculpas, rever conceitos, mas o que foi escrito ou feito ficará para sempre. Existe aquela técnica da Alemanha de Hitler, de repetir certas frases à exaustão, até que  se convertam em verdade. Isso pode até acontecer em nível coletivo, mas não em nível pessoal. Se você agrediu, se atingiu alguém com atos ou palavras, aquilo vai ficar que nem nódoa, fantasma  assombrando e abalando a confiança. Isso acontece por exemplo, quando duas pessoas se colocam em lados diferentes da política. Cada um em seu bunker, despejando tiros, mandando mísseis sobre os inimigos. Só que as guerras um dia acabam. E aí? O que fazer? Hastear bandeiras brancas e apertar as mãos daqueles que queriam te esfolar vivo? Engolir as magoas e esquecer as baixas, até mesmo os golpes na reputação, a covardia, a ausência de compaixão e piedade, comuns em todas as guerras? Nunca estive em uma guerra convencional. Não sei como é construída a paz. A ironia é que pode ser que do outro lado estejam pessoas mais afins até que os pares de antes, mas com os quais não se pôde conviver exatamente pelos rigores da guerra e pela completa ausência de contatos com os integrantes do exército do outro lado. Sendo assim, finda uma guerra, hora de revolver os escombros, de reconstruir e tentar se adequar ao mundo configurado no pós conflito. Se haverá faltura ou fartura será consequência das escolhas que se fez e das atitudes futuras, do que foi dito ou não dito e do posicionamento de cada lada...ah...e do seu lado ser vitorioso ou derrotado. Se estiver no segundo grupo, poderá ser cooptado pela nova ordem ou perseguido pela nova inquisição instalada. Só complementando, muito do que pensei, do que vivenciei está nas memórias do cenários. Nesse pequeno recorte de vida, vi gente boa se aviltar, vi pessoas que eram companheiras se descompanheirar da noite pro dia, vi muitos plots de uma novela de final não tão feliz. Agora, vai começar outra novela, com outros atores, outro enredo, outra cara. Nessa trajetória, adicionei novos amigos, acumulei alguns desafetos, outros que me ignoram completamente (antes assim) Alguns, como o Roberto cantou quer ter um milhão de amigos. Eu me contento com bem menos. Nessa trajetória, deixei de publicar muitos textos que estão na memória oculta do cenários. Ainda bem. Poderiam causar estragos. Aliás a publicação de um desses me custou muito caro. Fui aconselhado a apagar num momento de crise,  mas não me arrependo de nada que tenha escrito, pois foram escritos no calor das batalhas. Como diz o rei, se ganhei ou se perdi, o importante é que emoções eu vivi...e vivo...e segue a vida...

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