segunda-feira, 2 de julho de 2012

AINDA SOBRE A CULTURA E O CORAÇÃO

Algumas pessoas na rua me pararam para comentar sobre um post anterior, sobre a Cultura e o Coração, que também foi a coluna do Bom Dia da última sexta-feira. Umas pessoas aprovaram, mas outras nem tanto. Um dos que me deu  um puxão de orelhas foi um dos grandes nomes da cultura local, o nosso Francisco de Paula Santos, também conhecido como Francisco Barcelona. Quer dizer, cultura local até certo ponto, pois trata-se de um Monlevadense Saudense, oriundo de Dom Silvério, vizinha da minha Alvinópolis. Ele me disse que leu a coluna, mas que tinha ressalvas. Ele entendeu o contexto, acha que realmente o artista quase sempre trabalha movido pelo coração, de forma gratuita, mas que há um pressuposto muito perigoso na matéria. É fato que todo ato artístico-cultural tem um forte lastro na emoção, mas isto acaba servindo de justificativa para que os que detém o poder não coloquem dinheiro, patrocínios,  esforços nas produções culturais. Tá vendo, Dimdão? Como as as razões são relativas? Realmente, sem coração não vai, mas tem de haver também um choque de realidade, pois vivemos num mundo capitalista que impõe suas regras. É como bem disse o Nataniel Flávio. Pra se fazer arte, o artista tem lá suas despesas. Só de sair de casa pra se apresentar tem de pagar pelo traslado, tem ainda despesas de alimentação, vestuário, enfim. Tudo bem que o Congado sobrevive há séculos, mas tem lá seus colaboradores, os Reis, Rainhas e a igreja. O Festival de Música lá de Alvinópolis também vem sendo realizado há muitos anos, mas sempre teve de ter patrocinadores para bancar, quase sempre predominando o poder público como principal patrocinador, mas com alguns entusiastas patrocinando com o que podem. Sei também que as bandas de rock da cidade, a turma da MPB, do Sertanejo, do funk, do samba, seja como for, em primeiro lugar tocam por amor, mas precisam fazer dinheiro , afinal, todos tem despesas, todos tem de botar o sagrado dinheiro em casa. O meu amigo Francisco Barcelona ainda argumentou dizendo que o artista já tem trabalho demais com o seu fazer artístico e desviá-lo deste fazer será gerar prejuízo para o acabamento de sua arte. Nisso eu já discordo um pouco. Penso que o artista precisa sim aprender a vender a sua arte, a ser convincente, criar reputação, coisas inerentes ao capitalismo e ao marketing. Esse negócio romântico de que o bom artista se impõe por si é a cada dia mais raridade, pois em meio a uma imensa quantidade, conseguir se destacar é muitas vezes questão de ter dinheiro para se divulgar ou o acaso ( sorte?) Além do mais, há de se considerar que falamos de um patamar de amadorismo, onde um ou outro poderá se destacar e até chegar ao estrelato, mas a maioria encontra outra profissão que gere mais dinheiro e passa para o rol dos admiradores da cultura (platéia) ou praticam suas artes como hobby. Mas existem outras coisas que me preocupam e de que vou tratar nas próximas postagens. Uma delas é que, embora o cenário seja fecundo, carece de atitude criativa. Pelo menos na música, tem muita gente fazendo cover e poucos compondo seus próprios materiais. Outra pergunta que venho me fazendo: o que essa geração vai deixar para o futuro? Será apenas repetidora de tudo que se faz no mundo ou criará sua própria identidade? 

Nenhum comentário:

Postar um comentário