sexta-feira, 29 de junho de 2012

SAINDO DA FCC, MAS NÃO DA CULTURA

Estou deixando a presidência da FCC, mas sem sobressaltos, sem desgastes. Muito pelo contrário. Sou muito grato ao Prefeito Gustavo Prandini por essa minha passagem pela Casa de Cultura. Gustavo foi um bom chefe, sempre sereno e antenado com o universo artístico cultural,  aliado em diversos projetos, intervindo de forma positiva e propositiva, sempre com inteligência e bom senso. Sou muito grato também aos companheiros da Fundação Casa de Cultura, ao Gladevon que é um sujeito competentíssimo, a Laura também muito solícita, ao Luciano Rosa com o qual foi muito bom trabalhar, a Rosália, que também deixou a FCC há pouco tempo, ao Doca, ao Serginho, a equipe como um todo. Saio por questões de força maior, mas pretendo continuar parceiro da Casa de Cultura e da Prefeitura em diversos ações. Desejo sorte aos companheiros e desde já me coloco à disposição para o que for necessário. Inclusive, quero deixar claro para os amigos que saio da FCC mas não saio da cultura, que sempre foi e sempre será uma das minhas principais bandeiras de luta.


MUITOS AVANÇOS


Penso que a Cultura avançou nesse curto período. Plantamos algumas coisas boas e preparamos o solo para que boas sementes possam germinar. 

TEATRO

Vejo com muita satisfação que o teatro teve um incremento na cidade, principalmente após a realização do Festival de Artes Cênicas. Após o Festival, pudemos perceber o crescimento das CIAS do INFINITO e O SALTO e sua participação efetiva na vida do município. Os grupos já eram ativos, mas não com tanta intensidade. A vinda do Festival de Artes Cênicas representou não apenas a possibilidade da população ter acesso a grandes espetáculos, mas dos artistas locais interagirem com os grupos de todo o país, participarem diretamente dos espetáculos e acessarem conhecimentos riquíssimos junto aos promotores. Outras iniciativas interessantes aconteceram, como a vinda do pessoal da CARAVANA da ARTESANIA e outros espetáculos que vieram somar no esforço de fazer com que o teatro voltasse a ser uma atividade cultural presente na vida da cidade. A Arcelor também encabeçou projetos teatrais interessantes, principalmente voltados para o público infantil. Outros grupos teatrais também começam a se organizar e despontar, favorecendo um cenário ainda mais rico. 

MÚSICA

No ano passado, tivemos a honra de retornar com o Festival de Música ( FestiAço) Foi muito importante abrir espaço para a criatividade dos artistas. Foram mais de 250 participantes entre compositores, cantores e músicos. Tivemos  110 inscrições de todo o país. Tomara que vire tradição novamente. O PRÉFOLIA pra mim foi um achado. Com a sua realização, a cidade volta a ter um carnaval cheio de entusiasmo e criatividade. Deu gosto ver os foliões mandando muito bem na avenida. Blocos como o Arco Iris, como o "Vai quem quer" , como o "Me puxa que eu te pego", como o "Tambores do Morro", nos fizeram sentir um gostinho de carnaval novamente. Além dessa volta dos carnavais de bloco, tivemos a felicidade de ver no palco a sensacional BANDA AGÁ, as marchinhas com Rômulo Rás e banda e inovando com a turma do Funk. O Rock na Rua também retornou com grande força, abrindo espaço para a dezenas de bandas locais e de outras cidades. Fizemos também o 5ª Cult, em parceria com o Sindicato, projeto que abriu vitrine para as bandas novas e também para os shows de tributos a artistas conhecidos. Fomos parceiros também em eventos como o Metal Attack e Pop Rock Festival. Neste interim, vimos trabalhos se formando e ganhando corpo, como o Audio-Funcho,  como o Esboço de João Freitas, como o Umbigo Trio, o Flying Hight, The Travel,  Roseinblack, o Infocus, a Banda Dirock, a Banda Desarme, o Calk, que voltou para um show, o Concreto, que tem Monlevadense na formação,do Mike Santos, que é meio de rp, meio de jm. Algumas que ainda não vi tocando ao vivo, que são o The Trolls, o The Mistake, o Derramasters, a Heroes from the hell, o Fanzine, o Plataforma 3. O Festiaço nos revelou também alguns artistas que deverão brilhar ainda mais, como a turma do Simple Song, a dupla sertaneja Álvaro e Vinícius, a cantora Isa Lelis que confirmou seu talento, além de Carolina Albuquerque, Duda e o Samba na Sola e Rogério Lima. Não posso deixar de citar também a grande Natália Grigório, que cantou comigo no BATE PAPO CULTURAL. Natália evoluiu uma enormidade como cantora e talvez seja a nossa artista mais pronta (ela não sabe disso). Continuam brilhando também artistas já consagrados em nível regional, como João Roberto e Ronivaldo, Rômulo Rás, Fabrício e Elcimar, Kenny e Kerlon, Maycon e Douglas e a cantora Lívia Bicalho. O Canto coral também brilhou, com a vinda à cidade de diversos grupos no Festival de Corais. Senti falta de mais apresentações daquela que talvez seja a nossa referência cultural mais forte, famoso até em nível mundial, que é o coral Alcântara ( tomara que retorne com força total). Outro projeto fantástico que está quase na fase de finalização é o CENAS DA PERIFERIA, um cd produzido com o melhor da cena funk-rap-hiphop monlevadense. A se destacar também o evento em prol da BR 381, que começou numa conversa que tive com o Aggeu Marques no facebook, que trouxe à praça do povo nomes consagrados da MPB, como o 14 Bis, Paulinho Pedra Azul, Sá ( da dupla Sá e Guarabyra), Ana Christina, Maurício Gasperini ( do Rádio Taxi), Telo Borges, além de músicos da envergadura de um Paulinho Carvalho  (baixo), da banda Fio da Navalha e dos nossos Marco Aurélio ( Infocus) e Rômulo Rás. Excelentes shows nacionais também pintaram na cidade, como do Maestro João Carlos Martins, do Araketu, Fundo de Quintal, Velha Guarda da Mangueira, Pitty, Padre Fábio, entre outros. 

LITERATURA


Foi importante o retorno do CONCURSO LITERÁRIO. No primeiro ano do Concurso Valores da Nossa Terra, houve uma procura maior. No segundo ano, talvez tenha diminuído um pouco o entusiasmo, fazendo com que tenhamos de repensar, tentar algo capaz de captar mais inscrições. Algumas críticas são pertinentes. O grande Francisco Barcelona pensa que limitar o tema faz com que muitos poetas e escritores independentes deixem de entrar, que deve ser estabelecido tema livre para as próximas edições. Além dos concursos, muitos livros foram lançados de forma independente, como a maravilhosa trilogia de Jairo Martins, com romances históricos saborosos; como a trilogia de Diego Ventania, belamente ilustrada por ele mesmo, como o livro PORTAIS de Ledinilson, que vem conquistando seus espaços. O Livro Escritos Esparsos de Raphael Godoy pra mim é dos melhores, cheio de achados interessantes e os livros da poetisa Maria das Graças Gomes também são todos muito bonitos, cheios de lirismo. 


INICIATIVAS INDEPENDENTES

Há de se elogiar a iniciativa de monlevandenses como Marcelo Melo, que por iniciativa própria criou um site fantástico ( Caminho de Riquezas), depositário de grande parte da história da cidade, suas memórias afetivas, suas raízes profundas. Ele, Francisco de Paulo Santos ( Francisco de Paula Santos), Professor Dadinho, entre outros, são pessoas de grande valor, guardiões de um passado belíssimo, de uma monlevade que a cada dia vai sendo eclipsada pela verticalização e pelas necessidades da indústria. Obviamente, a FCC foi parceira do Marcelo nessa empreitada. Acho muito bacana também as iniciativas da turma do MATO A DENTRO, um grupo de caminhantes que todos os domingos pela manhã saem pelas cercanias ainda selvagens da região, fotografando a fauna, a flora e as paisagens. A gente vive em nossas bolhas e se esquece que temos muitas belezas quase inexploradas em derredor. O povo do Mato a dentro nos lembra disso. Tive oportunidade de seguir com eles em uma expedição e fiquei muito feliz. Muito ar puro, muita cultura e boas conversas com Eliane Araújo, Wir Caetano, Werton e cia. A iniciativa tem saído da esfera virtual e gerado exposições fotográficas muito concorridas.  Muito legal também a iniciativa do Rômulo Rás, que criou o Bate Papo Cultural, que começou tendo Marcelo Melo como entrevistador e agora começa a experimentar uma nova fase. O projeto, que começou no Emporium, tornou-se itinerante, uma opção interessante, todas as quintas em algum bar da cidade. Os produtores locais também ousaram. Trouxeram shows nacionais como os RAIMUNDOS, MÁRCIA LISBOA, OBAOBA, NENHUM DE NÓS, MR CATRA, SAMBÔ, entre outros. 

DIVULGAÇÃO E DIFUSÃO DO CENÁRIO


Humildemente, neste tempo, fiz questão de jogar a cena local pra cima, divulgando as ações culturais da cidade tanto em meu blog, como em todas as instancias possíveis. Fiz o que pude também para motivar os artistas, para despertar talentos adormecidos, para exaltar a qualidade que se tem aqui, que diga-se de passagem, é alta. 


MUDANÇA DA LOGO DA FCC


Sabemos que a logomarca anterior foi feita com muito carinho e marcou uma época. No entanto, sentimos a necessidade da criação de uma marca nova, que passasse uma ideia de modernidade, de conexão com o mundo, ao mesmo tempo de uma sementeira. A mudança, como não poderia deixar de ser, deu alguma polêmica. Vamos ver o que os próximos administradores da cidade vão resolver à respeito.


SOLDADOS DA CULTURA


Não posso deixar de exaltar o trabalho de uma Lutécia, que com seus olhos verdejantes e sua câmera mágica, vem registrando e filmando os momentos recentes de tudo que acontece em termos culturas na cidade e região. Importante também citar Carla Lisboa, uma produtora com quem gosto muito de trabalhar, pela mansidão de caráter e bom gosto. Também a turma da ACORDAR CULTURAL, a Andréa Abade e Nataniel Flávio, que iniciaram um núcleo que espero, cresça cada vez mais e abarque todas as artes. 


O QUE FALTA FAZER


Vixe...muito ainda por se fazer, mas sem dúvidas, fica mais fácil à partir do que já se construiu. Penso que no quesito dança, não houve muitas atividades. Na FCC tem o curso de dança de salão. Rose Machado tem sua escola e promove apresentações regulares, mas é pouco. Na área das artes plásticas, também penso que devem ser projetadas mais ações, exposições,  que novas vitrines sejam criadas para fruição da produção local. Nesse sentido, penso que não avançamos em quase nada, a não ser pelas exposições da própria escola de artes da FCC. Outra iniciativa fantástica da atual administração foi a criação dos conselhos e da lei municipal de incentivo à cultura. Ainda tramitam, mas a questão é que a gente vai aprendendo que o tempo da política é diferente do tempo cronológico convencional. Nem sempre as coisas andam na velocidade que a gente deseja, mas andam. O importante é que se concretizem e estão bem encaminhadas para isso. Mas sem dúvidas, vai depender da vontade política, vontade esta que existe, mas que precisa ser sempre soprada, como uma brasa adormecida. Existem algumas coisas importantes ainda a serem ditas mas o farei num segundo momento, pois assunto não falta. Essa geração está produzindo cultura, mas para que marque, para que seja lembrada no futuro, precisa de um algo mais. É disso que irei tratar em próximas postagens...


PERÍODO ELEITORAL


Fase complicada para a cultura em geral. De agora, até o final do ano, teremos um período de entressafra cultural, que infelizmente acontece em todos os pleitos. Hora da turma da cultura inclusive se organizar pra avaliar quais os candidatos que tem propostas claras para fazer com que a cultura local possa continuar sua trajetória evolutiva. Infelizmente, para alguns, cultura é só sertanejo e ponto final. Bom ficar de olho, viu pessoal? 

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