segunda-feira, 11 de junho de 2012

A FORÇA DO MALDIZER

Há algum tempo um dono de jornal de monlevade, num atmo de sinceridade, publicou um artigo em seu blog confessando que não faz jornal pra agradar ninguém, muito pelo contrário. Ele disse que o que vende é escândalo, polêmica, denúncias, notícias de acidente na 381, se possível com muito sangue e orgãos decepados. Cornos desesperados que maltratam, quando não matam suas antes queridas também dão ibope. Essa é a lógica macabra da demanda por notícias. O tal jornalista tem razão. Esqueceu de citar as mulheres desnudas, futebol, horóscopo e resumo de novelas. Essas coisas aí, pelo menos não são más notícias, mas como se diz, "passatempos". Mas a força do maldizer também campeia em outras plagas. Duas amigas se encontram na rua e dificilmente vão deixar de falar mal de alguém. É o cabelo horroroso de uma lindinha que passou, o short muito curto de uma gostosona que desfilou sua bamboleancia entre nós, o mal hálito da menina que tem o sorriso bonito. Ô língua!  Se não tiver algo pra falar mal é só inventar. Dois músicos trombam no centro e encontram um tempinho para falar mal do outros músicos, das outras bandas. Ô comichão miserável. Ah...e tem vários exércitos de rebeldes sem causa prontinhos para destruir, para detonar qualquer coisa. O Governo então, qualquer que seja, será massacrado pelo exercito do maldizer. Tem aquele jargão anarquista: hay governo, soy contra! Tá certo que existem mesmo coisas a criticar, mas e o que está indo bem? Não deveria ser reconhecido também? Mas não tem jeito! Tudo vira alvo para o comité de apedrejamento. Principalmente por parte daqueles que tem seus interesses partidários. Desde Roma que é assim. Quando chega a época da política então a coisa se agrava. Muitos ódios artificiais são criados. Outros tantos são replicados, amplificados, se espalham feito metástases. O pior é que tem gente boa que embarca no estouro da boiada e acaba pisoteando pessoas que se esforçam e tentam fazer seu trabalho honesto e apaixonado. Mas não tem jeito. Os vudus, os sacrifícios de galinhas pretas, os olhos gordos e a força do maldizer imperam no mundo. 

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