terça-feira, 26 de junho de 2012

A CULTURA E O CORAÇÃO

No BATE PAPO CULTURAL do dia 21 de junho, que naquela ocasião aconteceu no Clube da Cerveja , rolou uma conversa franca sobre a cultura e coisas interessantes foram ditas.  Weber Ferreira e Rômulo Rás foram os entrevistadores. A primeira vítima foi o empresário midiático, colunista e agitador político e cultural Dimdão. Depois foi a minha vez de ser sabatinado pela dupla. Como não poderia deixar de ser, muitas perguntas sobre a situação cultural da cidade, sobre minha passagem pela Fundação Casa de Cultura, sobre verbas , projetos, patrocínios, cifras e destinações. O curioso é que, enquanto eu ia respondendo aos questionamento, Dimdão ia tomando a sua nonagésima dose de Veio de Minas. Em certo momento, impaciente com o rumo das discussões, Dimdão se aproximou do Weber Ferreira e falou uma coisa que em princípio pareceu conversa de bebum em avançado estado de embolation. Ele falou o seguinte: -Peraí, gente. "Pra fazer cultura não é preciso dinheiro, nem verba, nem nada. Pra fazer cultura só precisa de coração, de amor". Na hora, ninguém levou em conta o que ele disse. Depois comecei a tocar com a cantora Natália Gregório e me esqueci do fato. Logo após, ainda tomamos mais algumas, conversamos, rimos bastante, enfim, uma noite deliciosa, com conteúdos que ficaram gravados. No outro dia, uma ressaca daquelas e a frase do Dimdão martelando na cabeça. Não é que o moço quase Riopiracicabense tem razão ( quase por ter nascido em Monlevade)? Se formos pensar, os movimentos culturais de maior longevidade são mantidos por causa dos corações, do amor de algumas pessoas. Não é assim com os congados? Alguns quase tricentenários? Não é assim com eventos como o Festival da Música de Alvinópolis, que já está chegando ao 33º ano de realização? Não é assim com as coorporações musicais centenárias? Não é assim com alguns clubes, com alguns conjuntos musicais, grupos de seresta, corais ( como o Alcântara), entre outros? Se não tiver coração, não tem cultura. Dimdão tá certo. Hoje estive com o Weber Ferreira conversando por alguns momentos. Temos uma conversa eterna, que interrompemos e retomamos, quase ao infinito. Ele já tem opinião um pouco diferente. Ele acha que o coração tem importância sim, mas que falta ter coração também nas empresas, nas instituições que formam a cidade. Falta profissionalismo para que os projetos sejam mais perenes, menos sofridos no fazer, mais reconhecidos em sua importância. Falta os corações da cidade estarem abertos, pois os principais patrimônios culturais da cidade estão fechados à visitação. São opiniões hiper válidas de dois bons amigos que seguramente tem coração nobre. Taí, minha gente! Aço é importante, mas que tal voltarmos a investir nos corações?

6 comentários:

  1. Marcos, realmente foi uma boa discussão naquela ocasião. Faço votos, sem demagogia, que nossos corações voltem a bater com mais carinho pela nossa cidade. Afinal de contas nós e nossos filhos merecem uma cidade com uma melhor qualidade cultural. Abraços.
    Weber Ferreira

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  2. Muito bom texto.
    Acredito que ele tenha falado da cultura/ entretenimento
    ''fazer por amor''
    é Imprescindível,se alguém tentar fazer cultura/entretenimento sem amor,pode durar,alguns meses ou poucos anos no máximo.Depois não adianta não continua a mascara cai.
    Qualquer trabalho feito com amor tende a ser feito melhor,e as pessoas percebem isso.
    Vivemos em um mundo capitalista,e como tudo na vida precisa de dedicação e tempo pra aperfeiçoar ainda mais.É dificil viver de arte/cultura,é sim,assim como qualquer outra profissão.Ai sim entra o amor,é ele que faz a pessoa tentar sempre mais.E não desistir.
    Como artista sei das dificuldades e prazeres de tal...
    Os empresários monlevadenses neste caso precisam olhar melhor para a area,A cidade ta com muitos projetos bacanas.Mais precisa deste apoio financeiro,tendo em vista q so sair de casa a pessoa ja gasta.E essa ajuda não é dever so dos governantes não.Todos precisam abraçar esta causa.Se algo tem gasto,precisa do dinheiro para realizar.
    A palavra cultura é muito ampla.Essa minha resposta é referente a cultura entretenimento,essa deve ser valorizada financeiramente tbm ...

    Niel Flávio

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Valeu Niel Flávio. Pois é! É como você disse. A palavra CULTURA é muito ampla. Por exemplo, existe cultura educativa, didática. Aliás, cultura e educação juntos seria o ideal. Não entendo porque separaram. Há uma imagem de que Cultura é lazer e diversão. Nem sempre tem de ser entretenimento apenas. Pode também passar bons conteúdos. Quanto ao apoio, pois é! Creio que com a credibilidade conquistada, com uma coleção de bons trabalhos prestados as coisas vão se abrindo. Mas ainda continuo insistindo: sem amor não vai. Há uma livro, se eu não me engano do Roberto Freire cujo nome é: sem tesão não há solução. Pra muita gente, esse tesão pode vulgarizar a coisa. Pra mim não vulgariza. Realmente, sem vontade, sem amor, sem coração, a humanidade não constrói nada. Pode parecer até piegas. Não consigo deixar de lembrar de uma canção dos idos dos 70 que diz: Só o amor constrói. Pra mim não existe dúvida quanto à isso.

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  5. Palavra do Dimdão no facebook

    Kkkkkk - mas é isso mesmo. Sem coração e amor meu caro - não existia cultura - mesmo porque a Cultura vem de cultivo - e quanto mais tempo o cultivo, mais rico é - como vc disse, dando exemplo - os congados - vejo o lá de Rio Piracicaba - mais de 250 anos - lindo, maravilhoso - todo mundo contribui - não tem fins lucrativos - mas gera emprego e renda - e continua vivo como se fosse criado ontem. Ele tem apenas como força motriz a paixão e o amor dos congadeiros - que carregam a Bandeira de Nossa Senhora do Rosário Mãe dos Pretos. Quanto a fazer cultura com menos sofrimento... arrepare uma coisa - são os momentos mais complexos e complicados de nossas vidas que são relembrados com alegria, carinho e até saudades. Pense nisso...

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  6. Sem conclusão

    Essa é uma conversa que vai gerar mais conversas. Não tem ingenuidade no que digo. É obvio que existe uma economia por trás, que o artista tem de se valorizar, que tem de haver patrocínios de muitas fontes, que os artistas tem de aprender a pescar também, procurar caminhos pra fruir sua arte. Mas definitivamente, sem coração, não vai...

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