domingo, 8 de abril de 2012

BR 381 - 30 ANOS DE PROMESSAS

Eu me mudei para BH em 1985. Durante muito tempo, fui para Alvinópolis todos os finais de semana. Desde essa época, sempre nas temporadas políticas apareceram promessa de duplicação da BR 381. Mas imagino que as promessas até antecedem minha mudança para a capital. E dá-lhe plaquinhas nas estradas anunciando obras, tratores aqui, maquiagens ali e o povo como sempre engalobado. Viajar pela rodovia sempre foi um espetáculo sangrento. Muito difícil uma viagem limpa, sem avistarmos carros amassados e panos sobre corpos inertes. Nem sei qual a estatística desse tempo todo, mas creio que mais de 10 mil pessoas deve ter perdido a vida na rodovia assassina, sem contar os acidentados, sequelados, prejudicados por essa monstruosidade. A omissão governamental para com essa obra tão vital para o povo da nossa região é inonimável. Parece não se esgotar o repertório de desculpas para adiar, adiar e adiar a duplicação. Desde a corrupção descoberta, licenças ambientais e ultimamente até a possibilidade de sitios arqueológicos ou paleontológicos servem como justificativas para a não realização das obras necessárias. Não isento nenhuma esfera de culpa. Os governos federais não fazem. Os governos estaduais se omitem, com a justificativa de que o problema não é do estado. E os governos municipais também se omitem, também com o argumento de que rodovia é fora de sua área. Se esquecem que as pessoas que transitam pela rodovia moram nas cidades. Que vergonha para nós cidadãos, que votamos em políticos que viram as costas para as nossas necessidades mais básicas e que não temos força suficiente para fazer com que cumpram suas funções de nos garantir o direito a vida, à segurança, ao bem estar.  Hoje pela manhã, conversava com o vocalista e baixista da banda Rose in Black de João Monlevade. Ele me mostrou uma letra de uma música. Na letra ele falava que o número da besta não era 666, mas 381, um demônio ceifador de vidas, que espera nas curvas, que dilacera famílias, que tem como adoradores senhores engravatados sem alma e sem piedade. Pra exorcisar esse demônio, precisaremos bem mais que de orações. Embora algumas atitudes tenham sido tomadas, embora tenhamos feito shows com artistas, embora várias manifestações tenham sido feitas,embora os jornais tenham dado destaque, embora até a globo tenha enviado o jatinho do JN, precisamos de algo mais forte. A ONU respondeu email sugerindo que impetrássemos ação no ministério público. Aí eu pergunto aos advogados: isso funcionaria? E se o governo fosse obrigado a indenizar as vítimas por negligência? Mas o ministério público também não é governo? Não sei! Será que vamos esperar um pai, uma mãe, um filho, um ente próximo pereçam para nos sensibilizarmos com a situação e fazermos alguma coisa? Será que só um dia de fúria coletiva resolverá a questão?

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