sexta-feira, 2 de março de 2012

A VILA DO ARCO DE MONLEVADE

Quem tem quarenta e poucos anos se lembra de uma novela que passou na antiga rede Tupi, chamada Vila do Arco. Foi uma novela hilariante, acho que do início dos anos 80, que contava uma história de uma cidade em que todos foram parar no hospício. Acabo de consultar São Google que me afirmou que a novela foi em 1975. Puxa, eu só tinha 10 anos de idade e me lembro. Na verdade, a novela era meio uma metáfora da vida, pois o que mais vemos é gente muito maluca em todas as partes. Tudo bem que a relação é civilizada, mas tem muito maluco solto por aí. A começar pelos volantes. Depois dizem que o Brasileiro anda desarmado. Mas introduzo o assunto para falar da Av Getúlio Vargas onde moro. Vocês não imaginam o que a gente ouve e vê passando de madrugada. Vou contar só dois casos para que tenham uma ideia. Outro dia, por volta de 3 da manhã passou um sujeito bêbado gritando: Viva Satã! Ele ia e voltava, cantou, gritou, sempre elogiando seu amigo, o capeta. Outra vez, era mais ou menos 3 da manhã de novo, quando minha esposa me cutucou dizendo: - O que é isso, Martino. Porque você está fazendo isso? Eu perguntei: fazendo isso o quê? E ela falou: - Uai, toda hora você diz assim: Ai, ai. Naquele instante pintou mais um ai ai. Eu fiquei ressabiado. Parecia que era dentro de casa. Fiz uma revista na casa e só depois fui perceber que tratava-se de um sujeito meio pancadão, não sei se por causa do alcool ou por causa naturais. Mas ele ficou ali parado e de tempos em tempos falava o seu Ai, ai. Isso ocorreu por umas 2 horas direto. Outra noite apareceu um maluco gritando feito um louco, dizendo que fulano de tal era pedófilo. Ele gritava, gritava e gritava, depois os gritos pareciam estar mais distantes. Tem gente que passa chorando, milhares que passam falando sozinhos Nas madrugadas, passa uma procissão de malucos, muitos recitando poesias, cantando músicas bêbadas. Tem um sujeito que gosta do Pink Floyd e canta todas as músicas no seu Inglês embromation e ainda faz os solos de guitarra na boca. Pra completar, tem as alcateias de cachorros vagabundos que andam assombrando pela noite, dos cachorros seresteiros, que fazem serenata as 5 da manhã da janela das casas,  além dos fantasmas de tantas eras. Mas noite é até tranquila. Inferno é nos sábados pela manhã, quando alguns marketeiros resolvem colocar locutores e caixas acústicas bem cedo, perturbando a vida de quem mora e frequenta. Eu digo isso, mas apesar de tudo, gosto da Getulio Vargas. Além do mais, tem aquele ditado: "os incomodados que se mudem..."Só que na minha questão particular, não vou mudar por algo que me incomoda, mas lutar para conscientizar e tornar a avenida mais humana. 

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