segunda-feira, 5 de março de 2012

PRA ONDE VAI A MÚSICA?

Estava aqui pensando, procurando projetar um futuro para a música. É  formidável o acervo acumulado, isso levando em consideração apenas à música brasileira. Se formos colocar no balaio a música americana e do resto do mundo, teremos números realmente estratosféricos. Mas se considerada apenas a música brasileira, já pensaram nas nossas memórias carnavalescas? São milhares de sambas e marchinhas. E a MPB? Quantos artistas surgiram e levaram a "sigla" ao mais alto nível? E a música sertaneja? Por mais preconceitos contra o estilo, em certa medida trata-se de um movimento legítimo, pois somos um país sertanejo onde o matuto, o caipira ocupa lugar de destaque. Tem o Rock Brasileiro também, que deu suas primeiras guitarradas com a Jovem guarda, mas também já foi progressivo, flower power, soul music, até desaguar no período fértil da década de 80, quando o Rock  Brasil teve o comando das paradas. Mas só que nesse tempo, os vinís e depois os cds tornaram-se elementos de fetiche, de colecionadores mesmo. Vieram os anos 90 e a internet mudou a forma de ouvirmos música. Por um lado, os novos tempos acabaram matando uma tendência que era cruel com os artistas, da necessidade de lançar sempre uma música nova, acabava fazendo com que as músicas anteriores fossem eclipsadas pelas novas. Era até uma imposição do mercado, pois havia a necessidade de lançar novidades todos os dias. Com a internet, houve uma tendência de pulverização. Principalmente a juventude, tendo liberdade de escolhas, passou a agir de forma antropológica, pesquisando as raízes das músicas, ouvindo principalmente o rock na sua orígem. Com isso, deixou de existir apenas a ditadura das novidades. Bandas que estavam esquecidas, quase em estado de aposentadoria, retomaram suas carreiras e começaram a lotar estádios pelo mundo afora. No entanto, nada de lançar trabalhos novos. No Brasil  RPM, BLITZ e OUTROS não conseguiram voltar com tanta força e bandas como Paralamas, Barão Vermelho, Kid Abelha,  O Rappa, Charlie Brown Jr, entre outras, há muito também não lançam nada de novo. Talvez apenas o Capital Inicial tenha se mantido mais na ativa. Da nova geração, poucas referências para a meninada. Talvez a Baiana Pitty e os cariocas do LOS HERMANOS. Em tempos internéticos, o que vemos é um número enorme de bandas, a maioria nas garagens. Com a ascensão das classes C e D, as rádios e gravadoras resolveram apostar todas as suas fichas no potencial de consumo das classes emergentes. Com isso, a chamada música popular, ou popularesca como queiram, ocupou todos os espaços e os outros gêneros foram relegados ao underground. Ai, ficamos nós meio que reféns das nossas memórias musicais, fazendo comparações entre o que era feito antes e o que é produzido hoje, com severas críticas com relação aos conteúdos, mas maravilhados com as possibilidades da tecnologia. Uma coisa é certa. Hoje é mais fácil divulgar, mas muito mais difícil massificar, já que a concorrência é quase infinita. Não sei se passamos por uma grande entre-safra criativa ou se as coisas que tem conteúdo são preteridas, para que a mediocridade possa reinar absoluta. Bom, pelo menos tem a internet para nos salvar...

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