quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

IDEOLOGIA? QUE IDEOLOGIA?

No fundo, todos votam nas conveniências. Ideologia? Esquerda? Direita? Já foram referências. Hoje meras siglas de aluguel. Quem era de esquerda até ontem,  hoje defende a direita como se direita fosse. Há os que defendem uma nova esquerda, divisão que só favorece os interesses dos conservadores. Devem até existir ainda alguns loucos que acreditam nas bandeiras de luta. Ingênuos num mundo de hienas? Depende. A multidão encurrala as feras. Não é tão fácil assim enxergar o obvio. A realidade crua se esconde sob camadas de falsas verdades. Sabedoria e discernimento nesta hora é tudo de que precisamos. Embora que é quase impossível ter serenidade no meio de um tiroteio.

12 comentários:

  1. nao somos da esquerda nem da direita somos punx

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  2. Garrinha foi o melhor ponta direita que já existiu Martino,rsrsrsrs.Mas gostei de suas observações pois são bem coerentes.

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  3. Acho que neste contexto estou com "os loucos que acreditam na bandeira de luta". Mas,acredito que temos que buscar motivação... Ainda que as forças se esgotem...
    Gosto desta frase e acho que ela ilustra o momento que vivemos: "As pessoas têm medo de mudar, de pensar que as coisas podem mudar. O mundo não é feito somente de merda! Mas é difícil pra quem se acostumou com as coisas como elas são. Mesmo que sejam ruins elas não mudam, então as pessoas desistem... Quando isso acontece todo mundo sai perdendo."

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  4. O problema é quando ficamos cercando as pulguinhas e deixamos passar os elefantes. As peças estão sendo movidas, marionetes sendo manipulados(muitas vezes somos nós mesmos). As verdades são relativadas e monopolizadas por certos grupos que saíram da guerra fria e estão agindo em campo. Os "civís" são instadas a entrar na linha de tiro e as balas perdidas estão no ar. São buchas de canhão nas mãos dos manipuladores. Essa usura é desprezível, mas é bom lembrar que nas guerras não existe ética e todos são massa de manobra.

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  5. Tudo correto, meu caro Martino! Apenas uma reflexão: O termo conveniência é bastante genérico e pode-se assim chegar a uma ideologia (que também acredito não existir!)ou até a tal de direita e esquerda (ideias já ultrapassadas). Acima de tudo, ainda prefiro acreditar no "HOMEM" e nas suas potencialidades, enquanto um ser humano que procura se adequar ao plano que Deus traçou para ele.

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  6. Meu caro Leão. O termo conveniência é adequado. As conveniências são genéricas mesmo. Não tem patente e muito menos partido. As ideologias existem sim, as pessoas é que estão perdendo o lastro, o sentido da lealdade aos princípios. É o salve-se quem puder, como na época das cavernas. Aí é que as conveniências se impõem. Acreditar no homem pode ser perigoso, exatamente por causa das conveniências. O homem é conveniente e não confiável.Quanto ao plano que Deus traçou, intuímos o que seja bem ou mal, mas há quem encare os dois como uma maçaroca só, atropelando bons e maus com seus rolos compressores movidos a dinheiro sujo.

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  7. Peraí. Tem o socialismo histórico,mas tudo evolui. Penso que devemos caminhar para um socialismo holístico,voltado para o homem em interação com o planeta, com o meio ambiente, com o próprio homem.

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  9. Mensagem do Wir, parte 1

    Olá, Martino. Sou mais de ficar no meu canto, mas resolvi entrar nessa discussão de ideologia, direita e esquerda, porque me parece que está tendo sido conduzida no seu blog de um modo um tanto circunstancial. Veja bem: uma hora você manifesta a ideia de que esquerda e direita são expressões que já não fazem sentido, outra diz que “O Sindicato é o tempo sagrado da esquerda em João Monlevade”, noutro instante se diz socialista e, em outro, diz que “No fundo todos votam nas conveniências”.
    Vamos lá?
    As expressões “esquerda” e “direita” vêm da Revolução Francesa e expressavam as posições ocupadas, na casa parlamentar, de dois grupos distintos: aqueles que representavam as elites sociais, e aqueles que representam o “terceiro estado” (expressão que designava as classes populares).
    Ao longo da história, o termo “direita” passou a ser usado para classificar pessoas, grupos ou instituições que defendem o “liberalismo”, a preeminências das leis de mercado, da iniciativa individual, da propriedade privada e demais valores associados a esses princípios. “Esquerda” traduziria a valorização de controles para promover “igualdade de classes”, em maior ou menor grau, o que envolveria limitações às leis de mercado e de propriedade, basicamente.

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  10. (Mensagem wir parte 2)
    Sempre houve correntes e matizes mais ou menos à direita e à esquerda – e o “centro” é um meio termo que pode tender um pouco mais para um lado ou outro. Esquerda nunca foi necessariamente marxista, e a ideia de socialismo é bem anterior a Marx. Mas foi Marx quem cunhou as expressões “socialismo utópico” e “socialismo científico”. Ele quis diferenciar as ideias socialistas que, segundo ele, baseavam-se penas nas “boas intenções” do que na concretude da realidade, de outras (no caso, as dele), que teriam base “científica”, alicerçadas nas “condições materiais” da sociedade – não estou dizendo que concordo; estou só relatando.
    Marx também desenvolveu um conceito muito particular de “ideologia” no livro “A Ideologia Alemã” – neste livro, ele contrapõe “ideologia”, que seria um mascaramento da realidade, típico da burguesa, ao “saber”, o conhecimento derivado do desvelamento das condições sociais de exploração. Essa diferenciação, no entanto, não foi a que mais vingou nas ciências sociais – ideologia ainda hoje é termo utilizado mais para traduzir a visão ou modelo de sociedade, envolvendo o lugar que, nessa visão ou modelo, se dá ao indivíduo, às classes, às forças de mercado e ao Estado.
    Em meados do século 20, aproximadamente, no meio das discussões sobre o que se cunhou como “pós-modernidade” (expressão nascida lá pelos anos 50, na área da arquitetura, veja só!), passou-se a discutir sobre a crise ou o fim dos “grandes sistemas simbólicos”, como o marxismo, a psicanálise ou até as grandes religiosas. Nesse bojo, conceitos como “esquerda” e “direita” também estariam em crise, dando lugar às “micropolíticas”, às lutas por questões associados ao corpo, ao comportamento, essas coisas, e não a classes, mercado etc.

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  11. (Mensagem Wir - parte 3)
    É dentro desse contexto da crise dos “grandes sistemas simbólicos” que se insere, por exemplo, a postura de pessoas ou movimentos de que são exemplos as ideias expressas num livrinho que tenho comigo, intitulado “A Genealogia do Banal”, do baiano Marcus do Rio, de 1980. O autor, que fazia parte de um “coletivo cultural” que se autoclassificava como “neanarquistas filosóficos”, criticava tanto direita e esquerda e, como bom anarquista, defendia a supressão do Estado para dar lugar à “autogestão desejante”. Ele identifica ideologia a uma manifestação de poder controlador e, por isso, a despreza. Ideologia, para Marcus do Rio, é materialização dos princípios opressores dos “aparelhos ideológicos do Estado”. Visão dele, ou deles (os “neonarquistas”, no caso).
    Hoje, a própria ideia de “pós-modernidade” anda um tanto fora de moda. Ao lado disso, as crises socioeconômicas acabaram alimentando tanto radicalismos de direita (desconfiança quanto às proteções sociais e valorização das iniciativas individuais) quanto movimento de grupos populares à esquerda e, às vezes, sem uma orientação política muito clara. Esse cenário tem recolado a questão da ideologia em pauta – ideologia entendida como um modelo conceitual (conscientemente manifesto ou não) a orientar que tipo de sociedade se quer. Às vezes, certos segmentos sociais não sabem exatamente que tipo de sociedade querem e se apegam a questões pontuais – isso não quer dizer que não se possa depreender daí o perfil ideológico deles.
    Ao mesmo tempo em que, no plano social mais amplo, há embates quanto à sociedade que queremos, na dimensão restrita da política formal – o espaço dos partidos, onde não há apenas um -, têm tido peso os interesses mais imediatos, como cargos em governos ou planos de tomada ou manutenção no poder; então, a história de “modelo de sociedade que se quer” se dilui completamente. Aí, sim, prevalecem as conveniências, que políticos costumam preferir chamar de “pragmatismo”, “realismo” ou outros eufemismos. Isso não quer dizer que “todos votam nas conveniências”, mas que políticos têm se guiado por conveniências, ganham eleitores com discursos de conveniência e muitos desses também se guiam por elas. Daí a concluir que as conveniências passaram a guiar a sociedade como um todo vai uma boa distância.
    O assunto é longo e continuo depois, porque meu tempo está escasso. Mas acho que é preciso muita reflexão.

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  12. Agradeço a todos pelas ponderações. O Wir tem razão. Meu texto é circunstancial,diz respeito a um ponto de vista mas tem conexão com o todo, afinal, o micro e o macro interagem. Ele dá uma aula de história e contextualização. Quanto as ideologias, elas pegam ou não pegam, que nem as leis. Para que sejam dominadores, tem de ser introjectadas e assimiladas. E tem de haver inquebrantável lealdade e em alguma medida, temor às lideranças. Também acho que o assunto é longo e merece mais reflexões. Mas o tempo urge e esse negócio pode render. Ou não...

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