domingo, 8 de maio de 2011

A DITADURA DA MAIORIA

Vivemos num tempo estranho. Depois de amargarmos a ditadura militar durante duas décadas, vivemos hoje a Ditadura da Maioria. Só presta o que agrada ao "povão". Qualquer refinamento é imediatamente rechaçado. Só vale o que der retorno em voto. Só importa o que for para a diversão, sem conteúdo, sem questionamentos, sem reflexões. Poesia? Coisa antiga. Poesia é cerveja, rodeio e mulher bonita. O resto é chatice de intelectual. Por falar nisso, e os intelectuais hein? Ô povinho chato. Ficam com seus papos cabeça, quando o que se quer é ficar bêbado, comer churrasco e fazer amor. Música que presta? Só sertanejo, forró e axé. O resto não existe. Mpb? Música chata, sem sal. Literatura? Pra que? Ninguém precisa disso. Legítimo só o que for popular, o que for do agrado da maioria, o que for pra massa, pra "massagada". E assim caminha o meu país.

Um comentário:

  1. Martinho , o que acontece é que o “povão” como você cita , é só aquilo que no meio acadêmico conhecemos como “massa”. A alienação por qual eles passam serve para que o Establishment mantenha seu statu quo. Traduzindo: de ao povo pão e circo para que não nos incomode. Agora caso a massa resolva intelectualizar-se, ou melhor, descobrir que cerveja, rodeio e mulher bonita são algo efêmero, ai o pão e circo não ira manter nenhum statu quo. Segue abaixo um trecho de meu TCC justamente sobre este assunto que fiz quando me formei em jornalismo em 2007. Lembrando que as massas podem sim intelectualizar-se, difícil em países do terceiro mundo, mas já concretizado em lugares como nos países nórdicos
    “As pessoas que compõem as massas não têm a preocupação de analisar a si próprios. Seu objetivo é igualar-se no pensamento alheio, tornando-se parte de uma coisa só. Elas querem sentir-se como iguais e não importam com isto.
    Gasset (1930) afirma: “a massa se sente, como toda gente e, todavia não se aflige por isso, antes se sente à vontade ao reconhecer idênticas aos outros”
    Com esta nova perspectiva, as pessoas que compõem as massas se viram mais importantes no conjunto da sociedade.”

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