sábado, 14 de maio de 2011

BR 381 - NOVO TRAJETO - A VIDA HUMANA VALE MAIS


O feixe de interesses em torno da BR 381 talvez seja o principal empecilho à sua duplicação e melhoria geral. Tomemos como exemplo a última informação divulgada, de que pelo novo traçado, a BR não passará por Monlevade. Já se levantaram várias vozes, algumas até então na moita, para reclamar dos prejuízos. Alegam que a iniciativa trará prejuízos incalculáveis para Monlevade e para os comerciantes do entorno. Realmente não existe nenhuma obra radical que não acarrete algum tipo de consequência. Alguns comerciantes sairão perdendo, muitos terão de rever seus negócios, outros serão até beneficiados. Quanto à Monlevade, a cidade perderá um pouco de visibilidade pelo fato de uma das mais importantes "artérias' do país deixar de passar dentro da cidade. Por outro lado, o município acaba sendo referência nos noticiários nacionais quase sempre por causa dos acidentes constantes, ou seja, não é exatamente uma imagem positiva. Imagino que outras polêmicas estejam acontecendo pela rodovia afora. As intervenções vão contrariar muitos interesses. Muitos restaurantes e bares deverão ficar fora do trajeto. Assim como muitas construções, muitos terrenos terão de ser desapropriados, principalmente próximos a Belo Horizonte, nas imediações de Santa Luzia e Sabará. Digo isso até para reconhecer que não deve estar sendo fácil para o DNIT lidar com tantos interesses contrariados. Assim como Monlevade, imagino que alguém em Caeté deve sair perdendo, próximo a Nova União também, assim como em Roças Novas, São Gonçalo, etc. Cada uma dessas cidades deve ter seus deputados e políticos majoritários fazendo lobby em prol dos seus interesses, muitos deles afinados com o governo federal, outros com o governo estadual. Ai fica uma confusão de politicagem barata, em que cada um fica querendo puxar a sardinha pro seu lado, em que a inércia política é instaurada. Em Monlevade é inegável que muitos interesses serão contrariados mesmo. A rodoviária e o Graal são exemplos disso. A cidade continuará tendo sua importância com muita influência sobre as cidades circunvizinhas, com linhas de ônibus regulares para diversos destinos, com muitas linhas extras que vem de cidades próximas, mas haverá perdas significativas. Imagino que os empresários mesmo estão observando os movimentos como quem observa uma nuvem pequena no horizonte, mas uma nuvenzinha carregada, trovejante, que depois de certo tempo, vai virar tempestade. Mas é bom saberem que, se for mesmo uma resolução de estado, se for mesmo a prioridade do governo Dilma como tem sido apregoado, a BR será mesmo duplicada doa a quem doer. Eu acompanhei parte de um processo semelhante em Belo Horizonte. Muitos duvidavam da duplicação da Av. Antonio Carlos e ela saiu. Muitos empresários da Av. Cristiano Machado em Belo Horizonte também duvidavam que da instalação da Linha Verde, ligando BH ao aeroporto e ela é uma realidade. Só que os empresários que não se precaveram faliram, por não se preparar adequadamente para as mudanças radicais que aconteceram. Por isso, é melhor o pessoal se preparar, pois a mudança virá atropelando as dificuldades e os interesses, com tempo curto ou estendido. E olha que tenho sido até ácido em minhas críticas à demora dos processos. Pra mim já começava essa obra amanhã. Assusta-me a impotência de um país para resolver uma questão tão básica de proteger seus cidadãos do perigo eminente. Assusta-me a insensibilidade do sistema para com a perda de tantas vidas. Mas sei que, seja esse ano, seja no outro, a BR será mesmo duplicada e todos terão de se adaptar. Então, melhor que já se comece a pensar nisso desde já, ao invés de ficarmos chorando sobre o leite derramado. Acho que de uma coisa ninguém tem dúvidas: os usuários da rodovia ficarão satisfeitos, seja em que trajeto for. Os prejuízos financeiros advindos não valem uma vida humana sequer. Será que um proprietário de algum restaurante ou posto de gasolina na 381 trocaria a vida de um ente querido por lucratividade? Duvido muito!

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