segunda-feira, 18 de abril de 2011

CARNE, OSSO e ARROGÂNCIA

Certa vez li uma entrevista do cantor Lobão na revista Bizz em que ele dizia que uma geração deve cortar a cabeça da outra, pra não correr o risco de perder a própria. Maquiavel deve assinar embaixo. Mas a frase tem algo de nazista, de um pragmatismo estratégico que se convém a projetos de poder, me parece destituída de qualquer humanidade. Mas aí os pragmáticos vão dizer: mas de que serve essa bandeira de humanismo, de bom mocismo? O mundo é dos vencedores. Arrogância desmedida! Aliás, a humanidade tem a ilusão de que é dona do planeta. Ela o habita e nem paga aluguel. Mas voltando ao Lobão, em uma entrevista no Manhattan Conection ele detonou Caetano Veloso, diminuiu sua obra a menos que zero, zombou de Gilberto Gil, respeitou apenas Chico Buarque de Holanda, mas mesmo assim tirou um sarro dele também, dizendo que o maior letrista do Brasil foi Tom Jobim. O estopim da briga entre eles parece ter sido a verba disponibilizada pelo Ministério da Cultura para um projeto da irmã de Caetano, Maria Betânia. Diga-se de passagem, um absurdo, porém, não sei se a culpa é tanta do Ministério. Os patrocinadores é que preferem investir em projetos de artistas consagrados, que deem mais visibilidade para as marcas. Mas Caetano deu de defender a irmã e roqueiro tem de manter a fama de mau , disparou contra Betânia e estava armado o circo. Afeito às polêmicas, Lobão nadou de braçada. Agora, tarefa impossível desconstruir a obra musical de Caetano. Nesse sentido ele está anos luz à frente do Big Lobo. No sentido literário também, quem é Lobão com sua verborragia guerrilheira pra fazer frente à obra de Cae. Confesso que gosto também da obra do Lobão. Ele tem músicas e letras fantásticas, algumas nem conhecidas, mas daí até a se prestar a um papel tão destrutivo. Tá certo que o Caetano as vezes é prolixo(quase sempre quando discursa), que seus textos em prosa são longos e difíceis, mas isso não diminui a sua obra musical. Outra coisa: ser "MPB" não é defeito algum, muito pelo contrário O Lobão chamou o Caetano de MPB como se fosse xingamento. Se disse rockeiro como se fosse a coisa mais moderna do mundo e o rock já é bisavô.Transformar rótulos estilísticos em partidos políticos é o fim. Mas é isso. Como disse no inicio, o problema é que as vezes esquecemos que nossos ídolos são de carne e osso, com todos os anjos e monstros que isso possa representar.

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