quarta-feira, 30 de junho de 2010

FRÁGIL

As vezes
nos falta chão.
Tateamos na escuridão
e nada que o tato perceba.
Procuramos saídas,
mas nada de fachos de luz
ou correntes de ar.
Só o silêncio pesado, surdo.
Se gritarmos,
nem o eco responderá,
infinita caverna
que nos cerca,
placenta magnífica, colossal.
Pequeninos,
temos egos gigantescos.
Mas nada
que um dia de cama
não enquadre.

FEIJÃO MARAVILHA !!!

Gonzaguinha chegou a fazer música sobre o Feijão. Chico Buarque escreveu uma canção ensinando como se faz uma boa feijoada. Lembro-me que quando era criança pequena em Alvinópolis, não havia o processamento industrial dos grãos. Juntávamos eu e meus primos para catar feijão pra minha vó e até nos divertíamos com o oficio. Costumava mesmo ter alguns bichos e sobravam algumas impurezas que a gente jogava na horta, pois minha avó aproveitava tudo. Por isso, me surpreendeu negativamente algumas leituras pequeno-burguesas sobre a distribuição de feijão realizada pela Secretaria do Trabalho e Ação Social da Prefeitura. Caramba! Será que catar feijão é tão ultrajante assim? Estarão as atuais gerações tão acostumadas aos confortos do marketing, que não possam ter um mínimo de trabalho? Não há nenhum ponto positivo a ser considerado, como a imensa coleção de nutrientes presentes no feijão e colocada à disposição dos mais carentes? Mas vamos e venhamos. Partindo de quem partiu, a gente até entende. (impressionante como se interpreta e distorce textos segundo as conveniências)

sábado, 26 de junho de 2010

MÚSICA PARA A ALMA e OUTRAS HISTÓRIAS


Uma das provas da jovialidade de João Monlevade está em suas igrejas. Nada de construções coloniais com obras barrocas ou rococó. Tudo novo, arquitetura de linhas retilíneas. Retirando a matriz de São José dos Operários, mais estilosa, um pouco mais tradicional, temos linhas mais próximas das tendências arquitetônicas da metade do século passado. Mas nem por isso, temos um povo menos religioso. Muito pelo contrário. Pelas origens da nossa população, com presença de tantos moradores oriundos das cidades próximas, temos uma forte religiosidade católica. Prova disso foi a Festa do Coração de Jesus em que tive a honra de participar, tocando algumas músicas juntamente com o Julio Sartori, atual secretário de Fazenda do Município. Como não tivemos tempo de ensaiar em função de nossas atribuições, tivemos de listar músicas que sabíamos, tocar algumas juntos e outras em separado. Toquei músicas mais próximas das serenatas e o Julio, canções mais roqueiras. Sinceramente não sei se agradamos, mas pelo menos fomos lá fazer a nossa parte e devolver um ínfimo do que recebemos da providência divina. Mas confesso que o que mais me agradou foi ver a igreja lotada e as missas maravilhosas. A música executada na igreja é uma coisa de chorar de tão bonita. Existe uma cantora com voz de anjo, um cantor com voz de trovão e um coro vocal afinadíssimo. Música celestial mesmo. Tudo acompanhado por orgão e violão executados com extrema correção. Depois, conversando com o amigo Gláucio que também trabalha na Assessoria de Comunicação da Prefeitura, ele me disse que a tradição de cantos corais em Monlevade já vem de anos e me contou a história em rápidas pinceladas. Pensei comigo: - Puxa...precisamos fazer algo à respeito. Vou conversar com o Luciano Roza pra ver se conseguimos abrir espaços para que a música maravilhosa dos corais cheguem até o público. Sim, porque há música feita para o espírito e música feita para o corpo, para os sentimentos mais, digamos assim: físicos. Poderia até terminar a postagem por aqui. Mas falta comentar uma coisa importante. Eu pelo menos, ainda não havia comido tão bem em Monlevade, com todo respeito aos ótimos restaurantes da cidade. Mas os salgados e comidas feitos pelas mulheres da paróquia são, como se diz popularmente "o melhor que tá teno". Além do mais, o ambiente é muito agradável. Minha filha virou a principal cliente da barraca de pescarias e jogo de argola. Eu tive a oportunidade de conversar com muita gente sorridente, pessoas leves após a linda missa que acabavam de assistir, às palavras sempre enlevantes do Padre, enfim. Acabou que fui num dia para tocar e voltei todos os dias seguintes. Ah...antes que me acusem de herege...devo confessar a minha ausência. Minha igreja tem sido qualquer lugar onde esteja, pois não paro de agradecer pela glória da vida, pela filha e pela familia que tenho, pelas oportunidades que me tem sido oferecidas.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

SOBRE AMOR À MONLEVADE

Estava eu novamente caminhando com a minha filha para pegar a Rota. Devo informar que ela agora estuda na Papini, uma escola da rede estadual que é modelo. Segundo muita gente, melhor até que as particulares. Pois bem! Mas estávamos no ponto de ônibus abraçados por causa do frio matinal . Ela sempre gosta de me usar como blusa e eu também adoro isso, né. Abraço de filha e pai é melhor que benzeção. Como chegamos mais cedo com medo de perder a rota, ficamos ali conversando:

- Pai, porque será que o pessoal daqui não gosta de Monlevade?

- Uai, filha. Porque você ta pensando isso?

- Ah pai. Minha colega falou que o pai dela gosta mais de Rio Piracicaba do que de Monlevade e ela também.

- Ah filha. Mas deve ser porque o pai dela é de Rio Piracicaba, uai?

- Ela falou que Monlevade pertenceu a Rio Piracicaba e que lá é muito melhor que aqui.

- Olha, filha. Realmente Monlevade já foi distrito de Rio Piracicaba, mas não é verdade que lá é melhor que aqui. Aqui cresceu muito mais que lá.

- Mas pai...ela falou que acha Monlevade feia.

- Ah...mas é normal, filha. Cada um acha sua cidade mais bonita mesmo.

- Mas pai...outras meninas também disseram que preferem outras cidades.

- Mas e você. Acha Monlevade feia?

- Feia eu não acho não. Só acho que falta shopping.

- Mas filha...aqui tem muitas lojas...nós já conversamos sobre isso.

- Ah, pai...mas não é a mesma coisa.

- Mas vai ter shopping ainda, filha.

- Ah...mas vai demorar muiito. O Sr sabe que eu não tenho muita paciência.

- Filha. ...você tem todo tempo do mundo. Mas me diga uma coisa. O que você acha mais bonito em Monlevade?

- Uai...a praça 7 é bonita com aquele coreto, a praça do Bonitinho também é.

- Não é do bonitinho, filha. É praça do Lindinho.

- Eu sei, pai. Mas eu gosto de falar desse jeito pra ficar diferente.

- Você inventa cada coisa. Mas é só isso?

- Não...acho bonitas também aquelas casinhas que ficam lá embaixo quando a gente passa perto da Belgo.

- Filha. Não é Belgo. É ArcelorMittal.

- Uai...mas aquele chofer de Taxi falou que era Belgo.

- Filha. Isso é uma longa história...depois eu te conto.

- Ta bom, pai. Ah...tem alguns prédios bonitos também. Tem aquele lá que parece um navio.

- Ah sei. Da Assembléia de Deus.

- Mas pai. Lembrei de uma coisa. A cidade ficou linda mesmo foi no natal. Aqueles enfeites de natal transformaram Monlevade numa cidade linda. Fala com o prefeito pra decretar natal o ano inteiro, pai. Vai ficar lindo e todo mundo vai gostar.

- Mas filha...assim não tem jeito. Papai Noel vai morrer de tanto trabalho.

- Pai. Deixa de ser bobo. Papai Noel não morre e não cansa. E o melhor é que nós crianças vamos ganhar presentes o ano inteiro.

- Ah ta. E onde eu vou arrumar tanto dinheiro?

- Uai. É só pedir pro Papai Noel.

- Puxa vida. Assim fica simples demais.

- Mas pai. O Sr trabalha com o prefeito. Precisa falar com ele pra embelezar mais a cidade. Podiam arrumar os passeios, o centro, enfeitar, colocar flores.

- Tá certo, filha. Mas falar é fácil. Difícil é conseguir dinheiro pra isso tudo.

- Pois é. Mas se a cidade estiver bonita, todo mundo vai amar mais, vai falar bem.

- Eu concordo com você filha, quem sabe num futuro próximo, né?

- Mas o Sr não falou que o prefeito vai construir um parque com muitas árvores, passarinhos e banquinhos pra gente passear, namorar. É verdade?

- Peraí...mas que conversa é essa de namorar?

- Calma, pai. Isso pra daqui a alguns anos.

- Daqui a uns bbbbooonnns anos, né? E vai ter de preencher cadastro,viu.

Se for atleticano, nem pensar. Não vou aceitar marmanjo gritando galo lá em casa.

GUERRAS

GUERRA DOS BLOGS

Pode ser que eu esteja enganado, mas o caldeirão político monlevadense deve ser um dos mais quentes do estado. A guerra dos blogs é até interessante. Pelo menos não tem mutilações físicas. Só psicológicas. O curioso dessa guerra é que tem os blogs que são realmente opositores. Estes, cada um com seus interesses, argumentam para defender os seus lados, procurando exaltar as qualidades dos seus "heróis" e atacando os inimigos. Há uma característica aí de guerra balística. Há quem diga que os blogs atingem um público pequeno, mas tem precisão e atingem os alvos cirurgicamente. Quando um blogueiro quer afrontar o outro é só postar que daí a pouco a resposta aparece. Mas tem também os blogueiros anônimos que não tem coragem de assumir publicamente suas posições e preferem ficar em cima do muro. Uma comparação perfeita seria com aqueles rapazes que ficam do alto dos prédios cuspindo na multidão que passa embaixo. Cospem e se escondem, se divertindo com a nojeira de suas atitudes. Um anonimato confortável e covarde.

A GUERRA DAS RÁDIOS

Uma guerra curiosa também é a das Rádios. A cultura desde o inicio do governo passa quase o dia inteiro atacando o governo, seja nos programas jornalísticos matinais, seja em seu jornalismo . Assim vinha acontecendo sem nenhum tipo de contestação. Só que há certa de um mês apareceu o jornalista Zé Geraldo do Espinhaço com um polêmico programa na Rádio Alternativa que pertence ao Deputado José Santana de Vasconcellos. O programa abalou os alicerces da cidade e a chapa esquentou com denúncias que recaíram sobre a esposa de um vereador da oposição. Isso bastou para que começassem a taxar o programa de Xiita e iniciou-se uma campanha em várias frentes para minar o programa do radialista Itabirano. Uai...mas se a Rádio Alternativa é xiita, do que poderíamos chamar a Cultura com seu jornalismo lingua- podre?

GUERRA DOS JORNAIS

Qualquer criança na rua é capaz de apontar os jornais que são favoráveis ou não ao governo. Existe um claro alinhamento e nem cabe hipocrisia nesse sentido. O que chega a ser cômico é certos jornais posarem de éticos e distorcerem tanto as informações. Mais cômico é mandarem piadinhas dizendo que certos releases não são confiáveis ou omitem informações. A capacidade de distorção de informações de certos jornais é tamanha, que a coleção de"cases" geraria uma enciclopédia. De que adianta ter ISO disso ou daquilo, se o mais importante que é a isenção da informação fica comprometida pela opção política?

CORTESIAS E GALANTEIOS

Alguns agentes dessa guerra utilizam muito da arte do galanteio, da teia de elogios pra pegar os mais ingênuos. Costumam mandar recadinhos para os que demonstram qualquer descontentamento e quase sempre são muitos corteses. Eles costumam puxar conversas com as pessoas e as conduzem a passar-lhes, sem querer, informações de suma importância para utilizarem em seus objetivos. Costumam também gravar as conversas para chantagear depois. Muito cuidado com esses lobos em pele de cordeiro.

OS VIRA-CASACAS

Alguns simplesmente viram a casaca por se julgarem excluídos da cúpula do poder. Como participantes ativos das campanhas, almejam para depois da eleição cargos no alto escalão e como não fazem jús à confiança depositada, acabam alijados ou relegados a papéis secundários. Alguns destes tem grande potencial e poderiam mesmo ser muito úteis para o governo e para sua cidade, mas não demonstram suficiente capacidade de articulação e a paciência e têmpera que os cargos exigem. Porém, os egos são enganadores e essas pessoas não procuram dentro de si os motivos de não conseguirem chegarem aos patamares desejados. Mais fácil botar a culpa em alguém. Neste caso, a culpa é do...dele mesmo!

INCONFIDÊNCIAS MONLEVADENSES

Não incomodam as pedras que me atiram. Faz parte do jogo e eu não esperava refresco.
O que incomoda mesmo são os ouvidos nas paredes, os X9s camuflados, comendo nas nossas mesas, partilhando nossas conversas, furando nossos projetos, esmiuçando publicamente
os nossos dilemas. Seres abjetos, traiçoeiros, cânceres malignos que precisam ser extirpados.

CONTRA-ESPIONAGEM

Já estão sendo identificados os ralos por onde as informações escapam.

BANDEIRA BRANCA

Só vi bandeira branca estendida quando cheguei a Monlevade na ocasião das chuvas de novembro, quando três pessoas foram tragadas pelas águas. Naquela ocasião, oposição e situação trabalharam lado a lado em favor das vítimas das chuvas. Lamentável que uma cidade só consiga se unir nas tragédias. Será que não temos capacidade de encontrar outras convergências?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

OUTRA CIDADE

Nos ultimos dias estou tendo a oportunidade de fazer uma pesquisa fotográfica sobre Monlevade. Passeando pelas belas fotos do Morro do Geo, do Sérgio Henrique, da Lutécia ou fazendo pesquisa no google, encontrei coisas muito bonitas, sensíveis, delicadas, vi outra cidade que não se mostra no dia-a-dia. Vi por exemplo fotos de cima, tiradas por um grupo de ciclistas, vistas da Serra do Seara ( que não conheço), fotos maravilhosas de uma Monlevade que penso, a maioria desconhece. Confesso que ainda senti falta de outros ângulos, coisas que avisto em minhas andanças, pedestre que sou. Porém, não possuo a técnica e os olhares treinados dos fotógrafos profissionais. Mas por exemplo, quase não encontrei fotos do interior da Arcelor, aquelas fotos alaranjadas maravilhosas do aço em brasa, do belo e terrível fogaréu que sai da usina, enfim... E embora saiba que vão me criticar em outros blogs, jogar uma pedreira sobre mim, sonho com o que podemos construir, por exemplo o Parque Municipal do Areão, o Centro Cultural, o Centro Olímpico. Sonho também com o centro revitalizado. Já pensaram a Getúlio Vargas coberta que nem alguns boulevards europeus ou mesmo de Curitiba? Já pensaram os passeios e calçadas arrumados, o asfalto tinindo, quem sabe o trânsito interrompido em algumas vias? Caramba. Já me chamaram de aloprado e sou mesmo. Mas sinceramente, quando vejo a Monlevade que pintam na mídia, quando só negativam, começo a pensar no quanto a desamam. E olha que sou forasteiro, hein? Mas nem por isso deixo de amar o solo que me acolhe. Aliás, fui também forasteiro em Belo Horizonte, mas também aprendi a amar radicalmente aquela cidade, a "capitar da roça". Já meu amor por Alvinópolis, como dizem alguns de lá é coisa de "imbigo", falado e escrito errado assim mesmo. Mas eu quero convidar a vocês a essa reflexão: vamos ver e pensar outra cidade?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

SEI LÁ...

O que parece algodão é duro.
O que parece ser prêmio é ônus.
O que parece prazer, martírio.
O que parece ser belo é oco.
O que parece serpente é fio.
O que parece ser frio é crente.
O que parece ter fé, embruste.
O que parece feliz, derrete.
O que parece viver, declina.
O que parece não ser, domina.
O que parece dormir, alerta.
O que parece mentir, acerta.
O que parece gentil, golpeia.
O que parece feroz, carinha.
O que parece sem voz, diz tudo.
O que parece pesar, flutua.
O que parece vestir, desnuda.
As certezas,
ocultas
sob icebergs.
O obvio
não se esconde.
Mas
sei lá...

OS PESOS E AS MEDIDAS

JustificarEngraçado. Pelo modo de ver da mídia corjeana agora reforçada pelas moscas verdes, não se deve mexer com as familias, a não ser as familias do outro lado. Já enxovalharam o irmão médico do prefeito em certa ocasião, atacaram seguidamente a secretária de saúde, também irmã do prefeito e agora acham que não é ético falar do suposto crime hediondo da esposa de um vereador do lado deles. Pois é. A mídia Uri Gheler começa a mostrar suas ramificações, seus tentáculos recém crescidos. Até mesmo alguns blogs engraçadinhos começam a mostrar que não são tão isentos assim como tentavam se fazer crer. Será que a mala do mau-mau já passou por lá? Querer colocar no mesmo patamar um crime hediondo com o que consideram nepotismo chega a ser ridículo. Deveriam se lembrar que a irmã do prefeito integrava até a administração anterior, quer dizer: antes era competente, mas deixou de sê-lo ao integrar o novo governo. Lógica perversa. O mais engraçado é tentarem posar de defensores da moral, logo eles que nunca tiveram nem terão nenhuma. Ainda bem que o povo não é bobo e percebe essas coisas.

domingo, 20 de junho de 2010

OS PARAQUEDISTAS E OS FORASTEIROS AJUDARAM A CONSTRUIR ESSA CIDADE

Deveriam ser mais respeitosos com os de fora. São dezenas de colônias que vem de várias cidades vizinhas como Bela Vista de Minas, Rio Piracicaba, Nova Era, Alvinópolis, Dom Silvério, Nova Era, São Domingos do Prata, Santa Bárbara, Barão de Cocais, Catas Altas, São Gonçalo do Rio Abaixo, Dionísio, Goiabal, Itabira, Ipatinga, Coronel Fabriciano, Belo Horizonte, só pra ficar nas mais próximas. Por causa do ódio requentado, muitas vezes atira-se em que se quer e atinge-se até quem não se quer. São poucos os monlevadenses da gema, mas penso que os da gema de verdade estendem o tapete vermelho para os "forasteiros" e se irmanam num abraço fraterno, pois essa cidade tem a tradição de receber bem todas as gentes, proporcionando perspectivas de prosperidade, qualidade de vida e calor humano. Foi assim há muitos anos atrás com um tal de Jean Monlevade e se Deus quiser, assim será com os que virão.

O ÓDIO É UM COMBUSTÍVEL PERIGOSO

Assim como a energia nuclear, o ódio também move montanhas. O problema é a radioatividade, a energia suja, os danos decorrentes. Com toda sinceridade, acho uma pena que as coisas tenham chegado a esse ponto. Existem mentes lúcidas e capazes, mas o problema é que os bem dotados intelectualmente quase sempre são muito vaidosos, orgulhosos, "maiores" que tudo. Apesar de todas as dificuldades, acreditem: esse governo ainda vai dar a volta por cima e cumprir o seu papel histórico. O que está em jogo realmente é deixar para trás uma Monlevade arcaica ( sem descuidar das raízes, senão Marcelo Mello me dá uma cacetada). O plano de governo que os inspirou é realmente muito bom, o melhor que já vi. Se for realizado pelo menos 80% dele será outra cidade. E se formos botar na balança, existem convergências que poderiam unir muita gente boa num projeto comum. Quem sabe isso ainda possa acontecer?

O FILÓSOFO TIRIRICA

Cheguei à conclusão de que o conhecido palhaço-cantor Tiririca é o maior filósofo dos nossos tempos. Quando ele criou aquela música " Ele é viado mas é meu amigo, ele é ladrão mas é meu amigo" , estava escrevendo um verdadeiro tratado político filosófico contemporâneo. Aqui mesmo em Monlevade temos exemplos claros disso. Não importa se o sujeito tem uma vasta coleção de processos, se tem atitudes anti- éticas condenáveis, se rouba de aposentado, se é mensaleiro, se chantageia, se calunia, se engana. Basta ser amigo para que vários advogados do quiabo se arvorem a defender esses "amigos". Nestas defesas vale tudo. Daqui a pouco vão dizer que roubar de aposentado é justificável, já que pela lógica neoliberal tucana, o que vale é o desenvolvimento pleno e os aposentados são uns inúteis que só subtraem a nação. Aos amigos, tudo. Aos inimigos, o rigor da mídia e das linguas podres. Ave Tiritica. Você é que está certo.

LUZ AMARELA ACESA

Começa a temporada de compra de corações e mentes. Em função da aproximação de um pleito majoritário, acende-se uma luz amarela. Como já escrevi num post anterior ( Quanto custa a sua alma?), algumas práticas mafiosas já se encontram em curso e podem sim acontecer muitas "viradas comportamentais" nos próximos dias. Inclusive, começam a aparecer entre os moscas verdes alguns tipos de comportamento comuns às táticas corjianas. Tentam transformar ilações em fatos concretos. Pegam uma capa do jornal o Celeste não tão favorável e já começam a jogar veneno, dizendo que o mesmo está bandeando para o outro lado em função das sabidas dificuldades momentâneas. Ora bolas! Até mesmo os semanários opositores de vez enquando aliviam, muitas vezes por não ter nada de concreto para detonar o governo ou por razões que só seus editores e seus proprietários para saber. Já a Rádio opositora só alivia quando alguns populares ligam para elogiar o governo e atravessam o filtro. O fato é que o jornal do Gilson também é de utilidade pública e deve mesmo dar voz às comunidades onde circula, algumas vezes de forma crítica ao governo. Porém, a luz amarela está acesa e os bastidores estão fervendo de propostas indecorosas. Vamos ver quem resiste às tentações e quem se mantém fiel às convicções.

sábado, 19 de junho de 2010

O DIREITO DE BATER


Engraçado alguém me arguir sobre a liturgia do cargo que ocupo. Devo dizer que a comunicação moderna pressupõe interação, debate e uma boa dialética. Devo então me calar e apenas assistir a boiada passando? Parece que no pensar de algumas pessoas, só elas tem o direito de bater, de atirar em qualquer alvo que se mova. Ora bolas! Até pensei mesmo em deixar de postar sobre política em meu blog, mas mudei de idéia. Não dá pra me calar sobre certas coisas. Posso ter uma certa "ingenuidade" por não ter vivenciado parte da história. Porém, também tenho isenção que me dá certa vantagem, pois não tenho contaminação de ódio , como sinto por parte de algumas pessoas. Aliás, aprendi com a vida que a ira é péssima conselheira. Quase sempre nos aponta os caminhos errados. Bom, mas isso nem vem ao caso. Sinceramente, quando aqui cheguei - vou repetir mais uma vez - fui um dos primeiros a repetir para os meus pares, que não se vence uma guerra sem exército. Ao ler alguns blogueiros, imaginei que poderia ser possível re-costurar certas amarrações que se romperam. Porém, estou vendo que a intolerância, a falta de vontade, a temperatura do ódio são tão altas que não cabe diálogo. Pelo que pude perceber por uma postagem recente num blog da cidade, já existem até aproximações reais em curso e a tendência é mesmo de adesão ao bloco opositor ou da corja, como é popularmente conhecida. Uma pena, pois além de derivarem para o grupo que combatiam, acabam optando também pela direita, quer dizer, além da opção de grupo, tem uma virada na posição ideológica. Então, se não se pode contar com velhos soldados, o jeito é recrutar novos guerreiros. Ah...e quanto ao Governo, sinto dizer que ele irá decepcionar algumas pessoas, pois tenho certeza que embora persistam alguns problemas, existem também claras perspectivas de saná-los e de realizar coisas grandiosas ainda neste mandato. É no que acredito e pelo menos no que tange à Assessoria que dirijo, trabalharei dia e noite para concretizar.

INSCRIÇÔES NA CORJA

Dado o comportamento de algumas figurinhas carimbadas da política local, melhor que assinem suas inscrições desde já na corja. Já que estão fazendo visitas nas sedes, nos ambientes, nas bases corjeanas. Já que concordam com a maioria dos argumentos corjeanos. Já que fornecem inclusive material para os editoriais da corja em seus programas radiofônicos e blogs de ataque. Já que implicam com qualquer coisa e já que começam a defender uma das mais altas patentes da corja, tentando insinuar que o suposto delito hediondo de sua esposa é insignificante, amortecendo o impacto da noticia e desviando o assunto para atacar a irmã do prefeito, sem dó nem piedade. Já que são mais ferinos que a própria oposição constituída e assumida. Já que mantém suas miras sempre apontadas para tudo que diga respeito ao governo atual e seus ocupantes, melhor que andem de braços dados com os aqueles que há pouco tempo atrás eram seus adversários, melhor que assumam suas posições de vira-folhas definitivamente, que saiam de cima do muro e gritem com todo orgulho: eu também quero ser corja! Pelo menos o Thiago Moreira teve a hombridade de assumir isso de forma contundente. Embora que ficar em cima do muro é uma posição confortável para atirar nos dois lados. Porém, como estão alvejando só um lado ultimamente, já não cabe mais dizer que estão sobre o muro. A inscrição na corja é o mais recomendável. Quer dizer... isso se a corja os aceitar.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

QUANTO CUSTA A SUA ALMA ?

Há jogadores profissionais que usam as pessoas como quem manipula cartas de um baralho maldito. São pessoas de fino trato, educadas, cordatas e pragmáticas em suas cartadas. Quando não conseguem atingir o coração, golpeiam as periferias, procuram pontos fracos por onde penetrar, procuram mercenários de almas baratas pra comprar, infiltram espiões, corrompem os fracos, minam as resistências. Esses mercadores de almas não se mostram. Agem na surdina, não aparecem em locais públicos, costumam utilizar agentes, emissários, telefones com números confidenciais, tudo para manter-se anônimos. Quando conversam, costumam tecer uma teia de elogios onde caem os mais afoitos. Em sua teia, quase sempre ficam presos os egos inflados, os vira-folhas, os sem caráter. Agora eu pergunto a você: e se ele te oferecer um cheque de 100 mil reais para que você aja segundo suas vontades? Se ele pedir preço pela sua alma? Quanto vale à sua alma? Pois bem! O diabo vai às compras. Está tentando comprar várias almas e agora será o momento de ver quem tem têmpera, quem está mesmo vestindo a camisa, em quem se pode confiar, quem se deve isolar. No entanto é preciso considerar que a tentação é grande. Imagine que alguém lhe ofereça um valor grande, com muitos dígitos. Agora imagine que a condição é romper com todos os seus companheiros de fé e passar a conviver com todos aqueles que você sempre odiou, andar com eles, compartilhar suas "verdades", tornar-se um arremedo de si, um virafolha, um traidor de suas ideologias. Eu sei que é tudo é realmente tentador, mas também sei que um corpo sem coração não é nada. Não me arrisco a julgar ninguém e até aposto que a esperança vai vencer o medo e que Ulisses, mais uma vez, vai se agarrar ao mastro do navio para resistir ao canto da sereia. Que Deus nos ajude, pois está aberta a temporada de caça aos votos e as almas sem dono.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

MAESTRO JOÃO CARLOS MARTINS EMOCIONA MONLEVADE

Dizem que os homens não devem chorar. Pobres de nós que temos de represar ou esconder nossas emoções genuínas. Fiquei com os olhos marejados por várias vezes na apresentação da Orquestra Bachianas no Centro Educacional. Já comecei a chorar no filme que antecedeu o show. Que eu me lembre, só me emocionei tanto num show do Tom Jobim que assisti em Belo Horizonte. O Centro Educacional estava lindo, completamente lotado e com uma platéia educada, maravilhada, sabendo aplaudir nas horas certas.Tudo bem que o repertório era somente de clássicos populares, mas sob medida para uma reeducação auditiva, já que os ouvidos gerais vem sendo massacrada com estilos quase únicos. Foi bom até para percebermos que nem só de sertanejo vive o homem. O Maestro estava de ótimo humor, arriscando até algumas piadinhas de vez enquando. Além da maravilhosa música proporcionada ao público, a história do maestro é um exemplo de superação. Ele era considerado um dos maiores pianistas do mundo, quando sofreu de uma doença degenerativa que o impediria de tocar piano pelo resto da vida. Mas o maestro não se deprimiu com isso. Fez exatamente o contrário.Como não conseguiria mesmo tocar piano, resolveu fazer curso e virar maestro. Daí até chegar a Monlevade, apresentações em New York, Londres e por aí vai. E mais...da sua maneira, ainda consegue tocar piano, as vezes com um dedo só ou com as articulações dos dedos, com a sensibilidade e senso de harmonização dos mestres. Humildemente, agradeço à Fundação ArcelorMittal pela oportunidade de fazer parte da equipe que proporcionou esse espetáculo. Quando estivemos na Arcelor, eu e o Luciano Roza, diretor da Fundação Casa de Cultura, já nos entusiasmamos com os projetos. Caberia à Prefeitura contrapartidas que iam de espaços, infraestrutura, divulgação e integração também da Secretaria de Educação, principalmente neste projeto do Maestro João Carlos Martins. Além da apresentação de gala, o projeto se estende também à inclusão social, com aulas no EMIP para varios alunos, com chance inclusive de serem encontrados "diamantes", ou seja, músicos com potencial de integrar a Orquestra Bachianas e viajar pelo mundo com o maestro. No que tange à Prefeitura, pode-se esperar sempre uma parceria construtiva. Outros projetos de grande qualidade vem por aí em parceria com a ARCELOR. Agradeço a Deus pela oportunidade de presenciar um espetáculo tão grandioso em todos os sentidos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Os santos de hoje...

Durante muitos anos, o vaticano teve a primazia sobre as santidades. Apenas os papas podiam definir quem iria ou não ser chamado de santo. Só que o tempo passou e depois de reformas e contra-reformas mil, os santos padres perderam seus poderes, suas prerrogativas históricas. Outra coisa interessante é que na idade média, até em grande parte da vida contemporânea, os critérios para se chegar à santidade eram principalmente a virtude, o sacrifício, a penitência. Pois nos novos tempos as coisas mudaram radicalmente.Quem passou a determinar quem vai ou não vai ser “santo” é a mídia. Mas muitas coisas diferentes aconteceram. Em primeiro lugar, as santidades de hoje não precisam de virtudes. Até a nomenclatura mudou. Santo hoje é sinônimo de celebridade. Esses bbbs de tempo integral nem se importam com a perenidade. Querem sucesso imediato, descartável, serem adorados por pouco tempo. Precisam é manter-se no foco, na mídia, na moda, ganhar algum dinheiro até a próxima melancia no pescoço. Precisam ter uma vida social pública, cheia de escândalos e lances polêmicos. Se for mulher, deverá ter disposição pra posar nua pra revista masculina. Se não tiver um corpo perfeito, nada que um bom photoshop não resolva. Se for homem, será um pouco mais difícil. Agora, vamos e convenhamos. Nos tempos atuais, se tem uma pessoa que merece ser canonizada é o Lula. O nosso presidente tem uma trajetória próxima de uma saga, um ser humano que saiu de baixo, encarou a hipoteticamente impossível ascensão social nesse pais de castas sublimadas. Além do mais, é um autodidata chefiando milhões de PHDs, de doutores, sociólogos, especialistas, teóricos, sábios e sabiás. Um orador capaz de hipnotizar platéias, negociador habilidoso, que teve o dom para retirar o Brasil do terceiro mundo e elevá-lo a algo próximo do primeiro. Pode ser que a história prove o contrário, principalmente porque costuma ser reformada pelos detentores do poder. Então, vamos nos aproveitar do santo enquanto ele vive. Padre Cícero que se cuide!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

POESIA? PRA QUE POESIA ?


Eis um assunto completamente sem importância.

Ninguém precisa de poesia para viver.

As pessoas precisam basicamente de comer, beber, dormir, moradia, vestuário e saúde.

Educação, só para o básico.

Lazer é importante, pois não dá mesmo para ficar sem um futebolzinho, sem um churrasquinho com cerveja e sexo... muito sexo.

Quanto à tal da poesia, ah...ninguém precisa de poesia.

As pessoas também precisam de trabalho, de um emprego para passar o tempo e pagar as contas.

Precisam também de fábricas para fazer carros, computadores e todo tipo de produtos.

Precisam ainda de aviões, trens e navios para carregar o mundo.

Precisam de porcas, parafusos, válvulas, chips e petróleo.

Mas poesia? De que serve a poesia?

O mundo precisa de contadores, comerciantes, bancários, advogados, donos de bar, jogadores de futebol, médicos, dentistas, professores, contrabandistas, políticos, prostitutas e cafetões.

Mas os poetas são uns inúteis.

Pra que poesia, se a vida real é tão pragmática, áspera e cruel?

Poesia, cultura, arte, não são prioridades.

São supérfluos.

Esqueçamos Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Vinicius de Moraes, Pablo Neruda, Cecília Meireles, Paulo Leminski, Chico, Caetano, Gil, Fernando Brant, Cazuza, Renato Russo e esses vagabundos que nunca gostaram de trabalhar.

Quanto a essas livros todos cheios de bobagens, vamos queimá-los todos e fazer uma mega fogueira. A chama será tão alta que periga atear fogo nas nuvens.

Mas deixa eu parar por aqui, senão vão me acusar de estar tentando fazer (argh) poesia.