domingo, 21 de fevereiro de 2010

O LIVRO DOS SONHOS ( PLANO DE GOVERNO)


Minha filha filósofa me inspirou mais essa coluna . Numa tarde morna em meu sitio na região de Vianópolis – município de Betim, estávamos sentados à varanda, quando ela iniciou mais uma das suas impagáveis entrevistas: ( diz que quer ser cantora, mas já revela vocação para repórter) : - Pai... porque que a gente sonha? - Ora filha....pergunta difícil não vale! - Mas pai...eu sonhei com os nossos cachorros aqui do sitio. Sonhei que eles estavam correndo atrás de uma cobra. - Ah...pois é...a gente tem de saber interpretar os sonhos. Os cachorros representam seus melhores amigos, que vão sempre protegê-la dos perigos. - Ah tá!...mas pai... - O que foi, filha! - E quando a gente sonha acordada? - Mas como assim? - Uai...eu sonho com um notebook só pra mim...um na cor rosa ou vinho que vi na internet. - Uai, filha...os sonhos que sonhamos acordados costumam se realizar, viu. - É mesmo? Oba! Então vou sonhar com outras coisas também...uma TV nova...aparelho de DVD... - Pois é, filha....sonhar é muito importante mesmo. Tudo que vemos ao nosso redor é resultado do sonho de alguém. O próprio planeta, o universo, a vida são resultados do sonho de Deus. - Que lindo, pai. - Só não pode ficar só sonhando sem realizar. Tem de sonhar e correr atrás. - Como assim, pai. - Uai...sonhar e não trabalhar para realizá-lo é o mesmo que construir castelos nas nuvens. Acaba desmoronando. - Entendi. Quer dizer...os sonhos tem de ser possíveis, né? - Isso mesmo filha. Tem de sonhar e ter fé. Tem um ditado que diz que a fé remove montanhas. Quem tem um sonho e acredita, consegue construir coisas muito bonitas nessa vida. - Pai...e o prefeito. Você sabe se ele sonha? - Nossa senhora...e como sonha. Os prefeitos quando querem ser eleitos pelo povo, criam um documento chamado Plano de Governo. Ali estão os sonhos do prefeito para governar a cidade... - Uai..então quer dizer que quem sonha melhor ganha as eleições? - Puxa, filha. Eu nunca tinha pensado nisso, mas faz sentido. Quem sonha os melhores sonhos conquista a simpatia das pessoas e quando sonhados juntos, os sonhos ganham uma força inacreditável. - Mas pai. Você tá falando do prefeito que ganhou a eleição. Mas e os que perderam. Eles não sonham- Uai...sonhar eles sonham. Mas a partir do momento em que perdem, ao invés de sonhar, eles passam a tentar transformar a vida do prefeito num pesadelo. Começam a torcer pra tudo dar errado, a falar mal e sonham em tirá-lo da prefeitura a qualquer custo. - Que triste, hein pai. Vocês adultos são muito estranhos mesmo. - É verdade, filha. Só quando você crescer, vai entender. - Mas pai...deixa eu perguntar uma coisa. Nesse livro dos sonhos do prefeito (plano de governo), tem muitos sonhos bonitos né?- Se tem. Cada projeto. Ele por exemplo, tá querendo colocar internet de graça pra todo mundo. - Que bacana, pai. Todo mundo podendo conversar no MSN, vendo Orkut, né? - Pois é...e estudando também né, sua espertinha. - Mas pai...tem alguma coisa pros cachorrinhos? - Pros cachorrinhos filha? - Ah...porque os cachorrinhos nas ruas andam muito maltratados. Não dá pro senhor pedir ao prefeito para colocar no livro dos sonhos dele: cuidar dos animaizinhos da cidade?- Dá sim, filha. Pode deixar que vou dar essa idéia pra ele.-E pai...e o Sr? Qual o maior sonho do Sr? -É vê-la feliz, filha. Ah...e ver o Cruzeiro campeão do mundo.


PRÉ-FOLIA: SÓ FALTOU SOLTAR AS FRANGAS

O Pré-folia foi um sucesso sim e tem tudo para se consagrar como o melhor carnaval antecipado da região. Foi bacana ver Rômulo Rás e banda fazendo animados bailes embalados pelas marchinhas de sempre ( uma boa idéia para o ano que vem é um concurso de marchinhas). Legal também ver o show dos MCs Monlevadenses, cada um com seu estilo de funk , mostrando que o carnaval é mesmo a mais democrática das festas, onde cabe de tudo, menos baixo astral. As bandas de fora fizeram a sua parte, dando um toque de axé e pop. A praça do povo também foi aprovada, bom para começarmos a destruir o estigma de que tudo ali cheira a confusão e desordem social. A estrutura funcionou muito bem e as sementes estão lançadas para um 2º Pré-folia ainda melhor. Pra mim, a única coisa que faltou foi o povo soltar as frangas. Tudo bem que a cidade ficou tanto tempo sem carnaval que uma cultura carnavalesca está por ser construída. Mais que um show musical, o carnaval é um grande teatro popular onde gente séria faz absurdos, onde os machões se vestem de mulher e até rebolam na boca de uma garrafa, onde cabe qualquer fantasia para sairmos dos personagens do dia-a-dia e perdermos o medo do ridículo..Outra coisa que faltou foi mobilidade, blocos do sujo, bloco monlesados, vai-quem-quer, mar de gente inundando as ruas, lavando a cidade com o encantado charme carnavalesco ( mais duas idéias para o ano que vem: concursos de blocos e fantasias). De qualquer maneira, foi bom demais. Quem gorou, se deu mal. Quem ignorou perdeu. Houve quem criticasse por ser oposição. Os do contra não poderiam mesmo admitir o sucesso do Pré-folia. No entanto, é sabido que muitos opositores ferrenhos, traídos pelo swing e pelos graus a mais, foram vistos sorridentes, remexendo o esqueleto nas imediações da Praça do Povo. Admitir publicamente o sucesso do Pré-folia, nem pensar. O máximo de concessão foi chamar de “organizadinho”. Outros implicaram com as despesas decorrentes. Em sua estupidez oposicionista, não conseguiram admitir que a Prefeitura fez uma bela festa com pouco dinheiro. Mas é isso mesmo. A oposição pela oposição, quando não se tem o que criticar, fala do sapato mal engraxado, da camisa faltando botão, do cabelo despenteado. Faz parte. Agora é partir para o Pós e já ir sonhando com o Pré-Folia do ano que vem.

CIDADE SHOPPING II

Criança é fogo mesmo. Na semana passada contei o caso da minha filha que me bombardeou de perguntas, simplesmente porque falei pra ela que Monlevade era uma Cidade Shopping. Todas as manhãzinhas, quando vou para o trabalho, aproveito para seguir com a minha filha filósofa até sua escola e continuamos as conversas interrompidas nos dias anteriores. Pois eis que a danadinha retornou à polêmica da coluna de sábado passado. - Papai, falta muita coisa pra Monlevade ser uma cidade Shopping. - Mas o quê mais, filha? - Olha... esses passeios aqui estão muito feios, quebrados. A minha mochila não consegue rodar. As lojas são bonitas, mas as ruas estão feias. - Tá certo filha. Mas eu fiquei sabendo que a Prefeitura tá com um projeto muito bacana pra deixar o centro da cidade todo arrumado, com passeios novos, fechamento de ruas, plantio de árvores. - Mas tem mais um problema, pai. - Qual é filha? - Tem muitos cachorros soltos na rua, pai. Vi uma “cavalgada” de cachorros essa manhã, muitos até doentes. Vi um cachorro que ta perdendo até o pelo. Acho que vai até morrer de frio. - Você tem razão, filha. Fiquei sabendo também que vão fazer um canil municipal pra acolher os cachorrinhos. - Ainda bem, né pai. Cachorrinho também é gente, né? - Ai também não, né filha. Cachorro não é gente, mas todo ser vivo precisa ser bem tratado. - Papai. É verdade que tem um lugar que o pessoal come os cãezinhos? - É verdade sim, filha. Dizem que na China o pessoal come carne de cachorro. - Credo, pai. - Pois é. Se você for à China e te oferecerem cachorro quente, pode desconfiar. - Mas pai, você é amigo do prefeito Prandini, pede ele pra cuidar dos cachorrinhos? - Peço sim, filha. Pode deixar que vou levar seu recado pra ele

MONLEVADE, CIDADE SHOPPING

Estava caminhando pela rua com a minha filha que perguntou? - “Pai...aquí tem shopping” ? Aí eu respondi: - “Filha, Monlevade já é uma cidade shopping”. Caminhar pela Getulio Vargas é um exercício de entortar pescoços, tantas são as lojas e vitrines maravilhosamente recheadas de artigos de excelente nível. Tem lojas de tudo: sapatarias, butiques, papelarias, supermercados, lanchonetes, bancos, lojas infantis, de todas as operadores de celular, informática, enfim: tudo que temos nos melhores shoppings do país.Não é atoa que as pessoas de todas as cidades vizinhas vem comprar aqui. O mais interessante é que a alguns anos fiz uma campanha para a CDL local com esse tema: Monlevade, cidade shopping.Mas minha filha, perguntadeira que dói, tratou de me desafiar: - “Mas pai...aqui não é shopping nada. Não tem cinema”!Puxa vida. Aí ela me pegou. Falta cinema mesmo. Aí falei pra ela. – “Pode deixar. Vou falar pro meu amigo Marcelo do Hiper comercial Monlevade pra construir um cinema, uma sala 3-D pro pessoal da cidade. Ele é moderno. Garanto que vai gostar da idéia”. Mas ela não se deu por vencida. Voltou a me metralhar com mais uma pergunta: - “Mas pai...e o estacionamento” ? Nossa senhora...criança é fogo. – “Pode deixar que vou falar pro Prefeito Prandini pra incentivar os empresários a construir prédios de estacionamento e deixar as ruas livres pro pessoal comprar à vontade”. Aí foi a minha vez de perguntar: - “E aí, Mocinha... convencida agora”? Mas ela não se entregou e arrematou: - “Ainda tá faltando a escada rolante”. Pois é. Mas ela não vai mesmo concordar comigo em tudo. Por exemplo: ela é atleticana. Coitadinha, vai sofrer demais!

O BEIJO DA BOCA DO LIXO NA BOCA DO LUXO

As fontes que jorram música em Monlevade parece inesgotáveis. No final de semana passada, tive oportunidade de assistir a vários shows muito interessantes. Foi durante a inauguração da Regional Cruzeiro Celeste e do Conselho Jovem naquele bairro. Joãozinho Trinta, maior carnavalesco desse país, já falava do beijo da boca do lixo na boca do luxo. Do dia em que a "cidade" se curvaria à cultura produzida pela periferia. Pois é. Tá na hora do pessoal daqui começar a prestar atenção na arte desse pessoal. Principalmente porque a cidade já acena com uma certa valorização do lixo. Vou explicar: este ano a maravilhosa decoração de natal foi confeccionada à partir de milhares e milhares de garrafas pet que iriam com certeza, poluir nossos córregos e vias públicas. Nossa cidade mostrou para a região como determinados rejeitos do consumo podem ser transformados em beleza. E pelo visto, a atitude vai se tornar uma constante nos eventos da cidade, pois o Carnaval temporão que leva o nome de PRÉ FOLIA, também terá sua decoração elaborada com material reciclável. Bom, mas vamos retornar ao evento em si. Logo na chegada no Cruzeiro celeste, um choque de cultura com a presença do pessoal da CUFA, Central Única das Favelas de Belo Horizonte, com suas grafitagens coloridas, além de basquete de rua, palestras para jovens e muita chinfra. Depois houve as solenidades de inauguração, com presenças do prefeito e autoridades, com alguns lances engraçados ( como da máquina de música do tipo jukebox, onde as pessoas começaram a colocar vários discos de música brega na hora da solenidade e ninguém conseguia desligar e do cidadão que ficou na frente do prefeito na hora do discurso aparentando uma atitude hostil, mas que lascou um beijo nele logo que terminou de falar). Mas o que me impressinou positivamente foram os shows com os MCs PITBULL, XOCOLATE e SERGINHO e a banda TAMBORES DO MORRO. Posso falar do domingo, pois perdi a programação do sábado. Vou começar falando do MC PITBULL. O rapaz fez um show superenergético, embalado em versões muito interessantes. Levou a galera à loucura quando cantou uma versão funk do Hino do Cruzeiro. Num bairro como Cruzeiro Celeste, não podia ser diferente: 102% de cruzeirenses. Já o MC Xocolate, fez um show mais no estilo FUNK MELODY, mais melodioso e romântico. Antes de seu show, tive oportunidade de ouvir algumas músicas do adocicado cantor, principalmente uma que achei muito original, com o som de um passarinho feito na boca. Aliás, a roupa que o MC Chocolate usava me faz concluir que está certo aquele ditado que diz : pobre gosta é de luxo. Quem gosta de lixo é rico. O MC ostentava uma roupa branca, toda transada, com correntes reluzentes no pescoço, tudo brilhando e tinindo. O rapaz, nas horas vagas é servente de pedreiro, mas a alma é de artista ( ou de passarinho). O MC Serginho, pilotava a parafernária sonora com muita maestria, sendo uma espécie de "homem banda", que acompanhou e discotecou para todos. Muito legal também foi a participação do público . Muita gente dançando, muita animação, muita vida. Tivemos também os Tambores do Morro, uma batucada daquelas de arrastar multidões no estilo Timbalada e Olodum (guardadas as devidas proporções). A garotada está no inicio de uma trajetória, mas tem grande potencial de crescimento, desde que mantenha a humildade e a postura de aprendizado contínuo. Pelo que percebi falta um maestro ritmista que passe disciplina, simultaneidade e coreografia. Mas com um pouco de investimento, de um guarda roupa adequado e cancha de shows, pode ser que em breve tenhamos uma das melhores baterias da região. Potencial a turma tem de sobra pra isso. No PRE-FOLIA deste ano, essa galera vai descer pra detonar seu som pancadão na praça do povo. É isso aí: carnaval democrático com Samba, Axé, Funk, Marchinhas, Sertanejo, Rock, tudo ao mesmo tempo agora, uma geleia geral com tudo que temos direito. Quem sabe assim, não comecemos a plantar as sementes de uma tradição que torne Monlevade conhecida como a cidade onde o carnaval começa mais cedo? Tem muita gente que torce contra. Quem formem o bloco dos urucas, vistam-se como os zumbís no clip de thriller do Michael Jackson e também entrem na festa. E vamos carnavalizar a vida, com muita música e respeito ao meio ambiente. Um abraço a todos.

NATAL, ANO NOVO E ESTÚDIO


NATAL, ANO NOVO E ESTÚDIO

Dizer que a cena musical de Monlevade é muito rica é chover no molhado, mas não poderia deixar que passasse em branco a experiência que tive de trabalhar com parte da nata musical da cidade. Na produção da música tema do natal, tive oportunidade de conviver com alguns artistas como Natalia Grigório, que canta na Banda Agaplus e trabalha na Transprata Turismo; a dupla Ronivaldo e João Roberto, que dispensam comentários pela qualidade e solicitude, pela cantora Priscila, que canta no grupo vocal Ellus (sereias que encantam as multidões); Júlio Sartori, cantor de rock e nas horas vagas secretário da fazenda e Vitor Merlo, advogado, guitarrista, vocalista e dono do melhor estúdio de João Monlevade. Depois, produzi ainda música do Ano Novo da Gente com a participação da jovem cantora Carol, dona de uma voz grave e bastante diferenciada; a cantora Márcia, com sua voz de cantora lírica que trabalha no PA, o amigo Rômulo Rás, artista monlevadense da mais alta categoria, além do prefeito Gustavo Prandini, que também participou da música cantando e do motorista Wilson. O bacana das duas produções foi a integração entre os artistas e a percepção da qualidade que sobra e que precisa de espaço e suporte para se consolidar e buscar outros públicos, outras praças, além de meios de sobreviver e se destacar no mercado.Tive a sorte ainda no ano que passou, de produzir a música de aniversário da Rádio Alternativa, quando pude a trabalhar com alguns artistas muito importantes, como Marco Aurélio, do banda Infocus, que está produzindo seu primeiro CD, com a dupla Fabrício e Elcimar e com a Família Alcãntara, um grupo da região de fama internacional. Não poderia deixar de citar também Maycon e Douglas, uma dupla de que gosto muito, Ricardo Monlevade, que tenho ouvido em diversas ocasiões, Guilherme da banda Calk ( que não vejo há muito tempo, junto com o amigo Jocely, de que gosto muito), o pessoal da banda Ênfase, que não ouço falar há algum tempo, além da turma de músicos muito jovens que vi no Tributo ao Cazuza, da turma dos corais locais, das bandas de música, dos grupos gospel, da cena do samba, do heavy metal, de todos os estilos. Tô listando essa turma pra lembrar que em breve, mas em breve mesmo, João Monlevade terá um estúdio de gravação que não vai dever nada aos melhores estúdios de BH e todo mundo vai poder produzir seus CDs por aqui mesmo: trata-se do estúdio do Vitor, cujos equipamentos importados para finalização da parte técnica estão para chegar.

A parte de estrutura física já está montadinha e quando estiver tudo prontinho, vai possibilitar que nossos artistas possam gravar com alta qualidade a um custo menor, por dispensar despesas com locomoção, alimentação e estadia. Mas atenção: melhor reservar estúdio desde já, pois tem tanto artista que a agenda deve ficar ocupada até dezembro de 2050.