quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

CENÁRIO FUTURO, QUASE PRESENTE!

Me permito fazer um exercício de futurologia. Vejo uma construção que parece uma daqueles edifícios projetados por Niemeyer, mas com alguns toques mais telúricos. Dentro do edifício, atividades artísticas de todas as modalidades acontecem. Na galeria principal, uma exposição de quadros e esculturas que integram o circuito nacional de exibições, no teatro a Cia municipal ensaia uma peça multimídia, que mistura música, vídeo, dança e artes plásticas. A cia municipal foi convidada a viajar por todo o país, pela alta qualidade atingida, com patrocínio de uma grande multinacional sediada na cidade. Em volta deste prédio maravilhoso, vejo quadras onde as pessoas praticam esportes, onde os namorados passeiam de mãos dadas e onde se pode conviver com a natureza , respirar ar puro e vislumbrar uma vista maravilhosa da cidade. Muitos podem pensar: - essa cara está viajando na maionese. Mas aí é que está. Esse futuro está muito próximo de acontecer. Tô até com vontade de soltar uns foguetes. O atual Secretário da Cultura, Luciano Roza, acaba de me mostrar o projeto do novo Centro Cultural e Turístico de João Monlevade. Fiquei maravilhado! A comunidade artística de João Monlevade terá um espaço à altura da importância que a cidade tem como catalizadora de várias culturas, como polo onde tantos caminhos se encontram. O Luciano tem os pés no chão. Até me falou que está pensando em algumas correções no projeto inicial para diminuir custos, mas se eu fosse ele não mexia em nada. Ele me explicou que a primeira parte do dinheiro está saindo por intermédio de emenda do deputado Zé Fernando, que é amigo do nosso prefeito, uma parceria que vem dando frutos muito importantes para a cidade, como no caso do centro olímpico que também começará a ser construído já no inicio do ano. Pois é. Depois de um ano dificil, são muitas noticias boas pra gente virar o ano com perspectivas muito positivas.Agora, vamos fazer contagem regressiva para o inicio das obras. Todos os artistas devem não apenas ficar de olho, como fiscalizar, para garantir que o centro cultural saia do papel o mais rápido possível e possa se constituir numa grande “incubadora” das artes, espaço de efervecência, interação e difusão das nossas coisasE para finalizar, gostaria de deixar o meu agradecimento aos leitores pela atenção, pelo carinho com que me abordam para comentar sobre a coluna. Comecei com uma perspectiva apenas cultural, mais restrito até ao universo musical, mas depois vislumbrei outros cenários afins e percebo que foi muito importante abrir o leque. O ano de 2009 foi muito bom e sinceramente tô com um otimismo pra 2010 que nem cabe em mim. E como só vamos nos encontrar reencontrar em janeiro, desejo a todos um natal de sentimentos reciclados e um ano novo cheio de positividade e tesão pela vida.

TRIBUTO À QUALIDADE

Quando ouço a palavra tributo, fico meio ressabiado. Dá uma sensação daquela coisa de show póstumo, de homenagem aos ídolos que já se foram, com direito a homenagens, discursos e algumas lágrimas. Quando me convidaram para assistir ao Show Tributo a Cazuza, em princípio fiquei com essa sensação, mas aos poucos alguns acontecimento foram me dobrando. Na realidade, eu já vinha conversando com a Samira, produtora do evento pelo msn há algum tempo. Ela me contactou exatamente por causa da coluna aqui no Bom Dia. Ela me pareceu bem articulada e veio me rodeando(rs), me seduzindo ( no bom sentido) com suas gentilezas e quando foi à comunicação da prefeitura e me deixou alguns ingressos de cortesia, pensei comigo:- Ok! Vou lá. Mesmo que for pra ficar por um momento, assistir um pedaço do show e devolver a cortesia. Ainda mais quando fiquei sabendo que o Guilherme Bahia, guitarrista da melhor cepa iria participar, tocando sua guitarra sempre original. Assim foi passando o dia e sai direto da comunicação e fui para o Sindicato dos Metalurgicos. Chegando à porta, vi um sujeito vestido de pinguim (rs) muito bem trajado e pensei comigo: Puxa vida. Eles estão mesmo gastando. Colocaram recepcionista de terno. Mas quando me aproximei, percebi que se tratava do onipresente repórter Guilherme de Assis. Adentrei o espaço com o Klark Kent de Monlevade e já fui recepcionado na porta pela Samira, toda feliz, pois tudo ia ás mil maravilhas. Já no interior, fiquei muito bem impressionado com a organização, com o público muito bem comportado, com tudo que vi.Quando falei que queria falar com o Guilherme Bahia, a Samira me levou para os Bastidores e foi ai que me senti em casa mesmo. Chegando lá encontrei o Julio Sartori, meu companheiro de prefeitura e colega músico roqueiro. Quando nos encontramos, foi um festival de besteirol, principalmente com as brincadeiras do Clark Kent. Nos bastidores fui apresentado aos jovens músicos do projeto, novíssima geração de excelentes artistas que me pareceram bastantes concentrados. Antes da apresentação, tive oportunidade de assistir a uma preleção da "treinadora" Samira, que teve de passar algumas reprimendas. Depois houve uma oração e...hora do show. Fui pra frente do palco assistir o espetáculo e a qualidade do som estava ótima, principalmente se considerarmos que o show não foi com banda, mas semi acústico, com os instrumentos plugados, mas sem o apoio pesado de uma banda com batera e intenção de tocar rock. Gostei dos músicos, das participações, de tudo no geral. Desfilaram no mínimo uns 15 artistas, entre cantores da nova geração e alguns veteranos também. Meus únicos senões foram que algumas canções, em minha opinião, casam melhor com vozes masculinas, pois as letras são masculinas ( mesmo com o confesso homosexualismo do autor). Outra coisa também é que algumas das canções escolhidas, funcionam melhor com banda, com peso de rock e não tão bem no formato "acústico". Mas de qualquer maneira, muitos arranjos ficaram muito bons, novas leituras que enriquecem as idéias iniciais, merecendo até quem sabe um CD do Tributo a Cazuza. De qualquer maneira, fica o meu parabéns à Samira e sua equipe, pelo arrojo da produção, que sei, ainda conta com poucos recursos, mas que está criando um público fiel e que deverá crescer em apoio, pela qualidade e principalmente, por abrir uma janela, um espaço de esposição do cenário local. Esperamos que venham outros Tributos. Já vou até listando outros artistas "tributáveis": Lulú Santos, Lobão, Kiko Zambiasnki, Gil, Tom Jobim( com o grupo Ellus), a lista é infinita. Deixa eu dar até mais um pitaco. Podem até rolar dois shows por noite: um com Tributo e outro onde os artistas possam mostrar seus trabalhos próprios. É lógico que isso tem de ser bem programado, pois os públicos quase nunca tem paciência de ouvir trabalhos novos. Mas se tiver um show cover junto e uma programação bem feita, tudo cabe. Agora, sobre esse negócio de tributo, vocês nunca podem deixar de convidar o Julio. Ninguém entende mais de tributo do que ele.

sábado, 5 de dezembro de 2009

MONLEVADE EM 3 TEMPOS

Para alguns monlevadenses, certas coisas são banais, destituídas de beleza e graça, porque comuns e rotineiras. Já pra mim que estou chegando, tudo é fascínio e descoberta. Ainda estou tateando, procurando entender os signos da cidade, seus códigos, suas memórias fragmentadas. Mas já vou formando meu quebra-cabeça. Como sou de Alvinópolis, sempre fui muito ligado à Monlevade. Primeiro por ser uma cidade pólo, de comércio e setor de serviços sem igual na região. Segundo por ser uma cidade entre Alvinópolis e Belo HORIZONTE. Não há como um Alvinopolense (ou de outras cidades da região) passar muito tempo sem transitar pela cidade. Sou apaixonado pelo tempo, seja passado, presente ou futuro. Então vou falar da Monlevade em 3 tempos. Em primeiro lugar, da que conheci na infancia e adolescência. (importante dizer que tenho a mesma idade da cidade). Lembro-me principalmente da charmosíssima cidade antiga, de quando a usina também tinha o nome muito bonito: Belgo Mineira. Não sei porque, sempre me lembrava o canarinho belga. Era um nome que até amenizava o cenário industrial, cinza e enfumaçado. Mas a monlevade antiga tinha casas muito bem cuidadas, parecendo uma vila inglêsa, vida que pululava ao pé da gigantesca usina. Lembro-me também do "estádio" do Jacuí, com suas arquibancadas e do bairro carneirinhos, que ainda não passava de um "bezerrinho". Lembro-me ainda de ter saido uma vez de Alvinópolis para assistr ao filme Gandhi no cinema antigo. Lembro-me também dos tempos gloriosos dos eventos que aconteciam no Grêmio. Meu grupo de músicas (Verde Terra) chegou inclusive a vencer um festival lá com a música Interior. Mas Carneirinhos cresceu e roubou a cena. A Monlevade antiga, tão decantada por Marcelo Melo, virou um quadro amarelado na parede. A Monlevade de outrora perdeu o glamour. Grande parte dessas memórias afetivas vai sendo desprezada, delapidada, esquecida. Quem sabe não valha à pena um projeto conjunto de tombamento e preservação por parte da Arcelor e do poder público? Não seria uma boa idéia pensar nisso? E por falar em Arcelor, devo confessar que sempre tive vontade de conhecer a usina por dentro (as entranhas de Monlevade). Assim como a alma de Alvinópolis é de pano, a de Monlevade é de aço. Tomara que me convidem um dia para conhecer a usina . A criança que existe em mim tem muita vontade de ver o aço vermelho-laranja saindo do forno, forjado em temperatura de estrela. E sobre o futuro? Ora bolas! O futuro é digital. Não tem outro caminho. TV na WEB, Rádio na WEB, escola na WEB, tudo na WEB. Internet não é despesa. É investimento. E não venha me dizer que não gosta de computador e que odeia internet. Me desculpe, mas pra mim, quem não tem msn não existe. Bem pior que não ter CPF. E por falar nisso, tá passando da hora de Monlevade ter internet de 10,50,100 megas. O que as operadoras tem a dizer à respeito?