sábado, 31 de outubro de 2009

CD - INICIO OU FIM ?

O principal objetivo dessa coluna é dar uma panorâmica na cena cultura da nossa região, mas na medida do possível, também passar algumas reflexões que considero importantes pra quem tá começando. Uma coisa curiosa que eu estive pensando é o seguinte: o CD, que muitas vezes pode parecer o auge de uma banda, que praticamente sacramenta uma trajetória, muitas vezes também pode significar o seu fim. Se formos fazer uma avaliação estatística, tenho certeza que teremos uma brutal confirmação do que estou dizendo. As razões para isso são várias. As bandas até chegar ao CD, quase sempre tocam em seus shows um repertório misto, composto por 70 a 80% de covers, completando uma pequena parte com músicas próprias. Quanto começam a planejar o CD, começam a aumentar o número de músicas próprias no repertório. O processo de gravação é quase sempre muito doloroso, entre a própria captação de patrocínios, burocracia, escolha de repertório, produção de capa e encarte, uma trabalheira enorme. Na maioria das vezes, as bandas não conseguem o suficiente para bancar toda a produção e acaba que sobra para os membros uma despesa considerável que tem de ser rateada. Assim, depois de muita ralação, o CD fica pronto, para alegria e orgulho de todos. Ai marca-se o dia de lançamento e é criada a expectativa da venda de um número considerável de discos. Até que no dia do lançamento vende-se razoavelmente. Na maioria das vezes, 30% do total imaginado. Com o dinheiro, a banda aproveita para pagar o restante da dívida e tudo é animação. Só que depois, sobrevém certo relaxamento em função da pressão anterior. Quando a banda retoma os trabalhos, será hora de tentar execução em mais rádios e distribuir nas lojas. Tudo tem de ser consignado, afinal, a maioria dos lojistas não está adquirindo mais nas mãos das gravadoras, preferindo ser mais seletivos. O resultado é que as vendas vão devagar, quase parando. A banda tenta vôos um pouco mais arriscados. Consegue um representante na capital, que se propõe a levar o CD nas rádios. Só que nas rádios principais, tem de pagar, senão não toca. O mesmo acontece com as TVs e os preços são enormes, maiores até que a própria produção do CD que já consumiu um capital considerável. As rádios locais até tocam, mas não é suficiente. A banda precisa expandir seus horizontes além da própria aldeia. O problema maior agora é que os músicos só tem prazer em tocar as próprias músicas. Não tem vontade de tocar covers. A motivação anda baixa. Como o trabalho foi muito exposto na mídia regional, outros grupos da região começam a especular e a fazer ofertas para alguns músicos da banda , convidando para irem tocar com elas por um cachê 3 vezes maior do que recebe. Lá vai mais um roqueiro tocar sertanejo ou axé. Pra completar, algum amigo(da onça)pega o CD recém-gravado e disponibiliza na internet de graça para quem quiser baixar. Pessoal, tô escrevendo esse artigo, que à primeira vista parece pessimista, mas tem ai muitas pistas sobre coisas que aconteceram com muitos e muitos artistas, inclusive comigo. Cada caso com suas particularidades, mas coincidentemente tive dois trabalhos que chegaram ao fim logo que os CDs foram lançados. Primeiro aconteceu com o grupo Verde Terra de Alvinópolis. Tocamos de 1980 até 1987 quando lançamos nosso LP. Pouco depois que lançamos, o grupo interrompeu seus trabalhos. Com o República dos Anjos aconteceu algo parecido. Começamos em 1988 e fizemos muitos shows até 1998, quando lançamos nosso CD. Lançamos e pouco tempo depois a banda parou. Não que tenhamos nos desentendido. É que tratava-se de um trabalho próprio e não tivemos dinheiro para divulgar e começaram a pintar propostas muito boas para o guitarrista, que foi tocar com Sideral e depois com Sandy e Jr. Aqui em Monlevade, a banda CALK também teve uma trajetória muito interessante, até chegar ao CD. Mauro Martins também sumiu depois do CD (gostaria até de saber onde ele anda). Repito o que eu já disse: cada caso é um caso e tem também os vários “cases” de sucesso. Porém penso que levantar a discussão ajuda o pessoal a refletir e até a prevenir algum dos problemas elencados. Empresários que saibam administrar, disciplina, profissionalismo e marketing intensivo ajudam, mas são raros principalmente entre os artistas. Outra coisa a se considerar é a própria morte anunciada da mídia CD, que hoje serve muito mais como portfólio de trabalho do que como produto de venda. Por outro lado, hoje todos têm a Internet para divulgar e quem souber trabalhar direito pode tecer uma rede eficiente. O problema maior é conseguir se destacar em meio a uma constelação de infinitas estrelas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ALTERNATIVA, GRANDE DIFUSORA DO CENÁRIO...


Há alguns anos atrás eu trabalhava na conhecida Rádio 98 fm de BH, quando conheci um artista mineiro, na época ainda iniciando carreira. Conversa vai, conversa vem, comentei com ele que eu era de Alvinópolis, cidade que fica entre Monlevade e Ponte Nova. Quando falei "monlevade" ele comentou comigo: - Peraí...Monlevade? Conheço sim. É uma cidade onde tem uma rádio grande né? Aí comentei com ele: - Grande? Não sei dizer. Realmente é uma rádio muito bem estruturada. E ele retrucou: - Grande sim ! Uma das melhores do interior de Minas. Tem uma audiência enorme numa região fantástica. Quem toca lá vende muitos shows. Nunca mais esqueci essa conversa. Pois é! Monlevade tem uma mídia poderosa e de amplitude regional e nem se dá conta. Essa mídia atende pelo nome de Alternativa 1 FM. Não sei nem se o pessoal da Rádio já pensou nisso. Por sorte do destino ou pela visão de seus idealizadores, a torre da rádio fica numa posição que lhe permite chegar muito longe. Muito mais longe do que se possa imaginar. Já vi um folheto de divulgação onde está escrito que a rádio atinge cerca de 90 cidades, mas me arrisco a dizer que atinge muito mais. Há algum tempo, um amigo que se mudou para o Espírito Santo me falou que pegou a rádio por lá. Eu cheguei a duvidar, mas depois meu amigo Weber Ferreira, um dos maiores conhecedores de rádio que conheço confirmou que já receberam diversas cartas do Espírito Santo mesmo. Na BR 381 então, a Alternativa 1 é soberana. A gente vai até Belo Horizonte ouvindo os locutores com o sotaque da nossa região, ouvindo falar dos nossos comércios, das nossas coisas, enfim. Aliás, até já comentei com o pessoal da Rádio que seria interessante colocarem uns outdoors na 381, convidando o pessoal a experimentar essa “excelente alternativa”. Aliás, se a rádio se engajasse na luta pela diminuição de acidentes na Rodovia das curvas, poderia ser de grande valia e evitar muitas mortes. Mas vamos falar agora sobre a programação da Rádio. Sempre tive grande prazer em conversar com o Weber sobre música, aliás, sobre tudo. (principalmente sobre um time da camisa azul, com cinco estrelas vitoriosas). Na época em que eu só era roqueiro, cobrava dele que colocasse mais rock na rádio. Ele me explicava que embora também gostasse de rock, a rádio teria de espelhar o gosto do povo da região, seu público alvo. Eu na época ficava revoltado. Tem aquela frase da música do Caetano: “ narciso acha feio o que não é espelho”. Quem gosta de rock acha que só rock presta, quem gosta de MPB também pensa assim e não é diferente com fãs de música clássica, de sertanejo, de jazz. Pois a Alternativa aposta no ecletismo, hoje com predominância maior do sertanejo, afinal, a maioria das cidades onde o sinal é captado é de ascendência rural. Minas é uma roça cercada de montanhas por todos os lados. E por incrível que pareça e como até já falei em artigo anterior, o povo de Monlevade embora vivendo numa cidade industrial, também aprecia muito a música sertaneja. Também né, é uma cidade pólo que recebe gente de todo lado. Mas a Rádio Alternativa tem outros méritos. Divulga todos os artistas da região. O artista lança um CD e imediatamente encontra na Alternativa um parceiro. Pergunte a Fabrício e Elcimar, Banda Calk, Maycon e Douglas, Infocus, Mauro Martins, Silvana, Ageo, República dos Anjos, Verde Terra, entre outros. A rádio Alternativa é, e tomara que continue sendo, a caixa de ressonância do cenário musical do vale do Piracicaba. Não dá nem pra comparar sua audiência com outras rádios que se dizem rivais , mas que tem ouvintes apenas locais. Além do mais, o som FM de alta qualidade deixa todas as outras no chinelo. E pra completar, ainda tenho alegria de ter a Alternativa agora com som maravilhoso também pela internet. Quer dizer, se já chega via ondas de rádio com som puríssimo para várias cidades, chega agora também com som purinho em qualquer lugar do planeta.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

INCUBADORA DE CULTURA

Todos os grandes movimentos musicais que se configuraram até hoje, tiveram algum ponto de partida. Algumas vezes, obra do acaso. Mas na maioria das vezes, por visão de oportunidade de algum empresário ou produtor. Os Beatles, por exemplo, só aconteceram por obra de um empresário baixinho chamado Brian Epstein, que formatou os modelitos e praticamente dirigiu o inicio da banda. Engraçado pensarmos que os Beatles no inicio eram uma espécie de Menudo, de Backstreet Boys que tocavam. Usavam terninhos comportadinhos e as letras eram uma xaropada só. Depois é que as individualidades foram aflorando, quando o talento de John, Paul e Harrison principalmente, possibilitaram a criação de algumas das maiores canções da história. Mas podem ter certeza. Os Beatles não teriam acontecido se não fosse Brian. No caso da música Punk também havia um grande articulador por trás. Todos concordam que a banda germinal da cultura punk foram os Sex Pistols, mas por trás daquele movimento havia o produtor Malcom Maclaren, que era empresário da banda e que tratou de trabalhar, difundir a ideologia punk pelo mundo. Na esteira pintou toda uma geração de calças rasgadas e camisas pretas. Trazendo o tema para o Brasil, citaria a Banda Barão Vermelho e Cazuza, que também tiveram seu tutor. É inegável o talento do poeta exagerado, mas ele talvez não tivesse pirado tanto e buscado tantos excessos que culminaram em sua poesia, não fosse o poeta, produtor e empresário Ezequiel Neves, conhecido no meio como Zeca Jagger. Neves levou Cazuza para o , digamos, mal caminho do rock e o grande poeta daí tirou toda a sua força poética. No mundo do Axé, praticamente vivemos a quarta geração da indústria exportadora de micaretas. Engraçado pensarmos que o movimento praticamente começou com Luiz Caldas e seu fricote. Só que o movimento acabou se amplificando. O Governo Baiano da época percebeu que aquele movimento seria uma boa oportunidade de vender a Bahia o ano inteiro, por todos os pontos do país e do Planeta. Os Baianos praticamente abdicaram da intelectualidade dos seus ídolos máximos até então, Caetano, Gil e Betânia, para abraçar o entreterimento puro e simples de bandas como “É o tcham”, Cia do Pagode, Reflexus, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Ivete Sangalo, Banda Eva, Beijo, etc, etc, etc...e dá-lhe etecéteras. Mas...é bom lembrarmos que essa “ nave mãe baiana” não teria saído do chão, não fosse o impulso, o suporte que o governo, que toda a Bahia deu para seus artistas. Digo isso tudo, para dar uma despertada nos empresários e nas administrações dos municípios da nossa região. Temos muitos artistas, muitos nomes, como pode ser visto aqui na coluna Cenários. (vejam as matérias anteriores no blog). Mas se observarmos bem, falta-nos empresários visionários, apoios públicos para dar suporte às nossas cenas e a adesão das próprias comunidades, que ao invés de apoiar, dão razão à máxima de que “santo de casa não faz milagre”. Essa situação só pode mudar com um pouco mais de arrojo, de ousadia, de visão dos gestores culturais da nossa região. Aliás, poderia ser até uma iniciativa conjunta entre secretarias de cultura e de desenvolvimento. É muito comum que as cidades tenham seus distritos industriais e suas incubadoras de empresas. Porque não criarmos Incubadoras de cultura?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

MPBM – MÚSICA POPULAR BRASILEIRA by MONLEVADE


Natália Grigório, da novíssima geração da música de Monlevade

A primeira vez que tive contato com a MPB produzida em Monlevade, foi no festival de música que acontecia no Grêmio. Era uma festa maravilhosa, com ginásio lotado e muita animação em torno daquele estilo musical, que na época era preponderante. Difícil acreditar que houve uma época neste país em que shows de Chico Buarque de Holanda, Milton Nascimento, Gilberto Gil, João Bosco, Beto Guedes, Belchior, Mpb4. Gal, Betânia, entre outros, lotavam estádios e eram executados exaustivamente nas rádios do país e até na TV. Havia um programa de MPB na Globo de grande sucesso. Mas voltando ao festival de música, naquela oportunidade, vim de Alvinópolis participar do festival e aconteceu uma coisa curiosa. Inscrevemos a música “Nós os Loucos”, que havia vencido em Itabira e outra música intitulada “Interior” Logicamente, botávamos mais fé em “Nós os loucos”, pela trajetória vitoriosa, porém a música que ganhou a multidão mesmo e o próprio júri foi “Interior”, que venceu o Festival. Essa vitória foi suficiente para nos aproximarmos da cena local e para que conhecêssemos seus talentos. O povo da cidade só falava em uma cantora local chamada Neide Roberto, que segundo todos, tinha qualidade para ser ídolo nacional. Falavam tanto dela, que fiquei com aquilo na cabeça. Infelizmente, não pude conhecê-la naquela época, o que veio acontecer mais à frente. O Verde Terra, na ocasião da produção de seu disco, fez várias promoções pra angariar fundos e um desses eventos foi um show no clube Alvinopolense, com a presença da Seresta Local e da Neide Roberto. Infelizmente choveu muito e o clube não ficou muito cheio, mas mesmo assim a Diva fez seu show como se houvesse 10.000 pessoas presentes. Uma voz marcante, um repertório só de clássicos e um carisma hipnótico. Justificou plenamente a sua fama de grande dama da música em nossa região. Com o passar do tempo, fui conhecendo novos artistas na cena monlevadense, como Roilson, que faturou alguns festivais com a sua música “Cede seu mel”. Depois, tive a grata surpresa de conhecer Rômulo Rãs, um cantor que desde novo já apresentava uma qualidade acima da média, com um repertório de muito bom gosto, um violão correto e uma voz pra lá de afinada. Em princípio, vi Rômulo nos festivais, de forma ainda tímida, mas com o tempo ele foi encorpando, ganhando carisma e devo confessar que poucas vezes vi um cantor conseguir segurar uma platéia munido apenas com seu violão, as vezes com o auxilio luxuoso de um pandeiro. Rômulo criou um estilo próprio e seus shows eram verdadeiros karaokês coletivos. Muitas vezes ele iniciava uma música e deixava a platéia cantar, apenas acompanhando com seu violão suingado, numa catarse de felicidade e de participação. Era até engraçado. Uma vez um amigo meu de Teófilo Otoni falou uma coisa interessante sobre o show de Rômulo. Ele disse: - Puxa vida. Esse cara tem de receber só uma parte do cachê. Ele só começa as músicas. Quem canta mesmo é a multidão! Mas esse era o segredo. A participação era o diferencial. Depois, fiquei sabendo que o Rômulo é parente da Neide Roberto. Tá explicado! Afinidades genéticas falando alto. Mas continuando a falar da cena local, tenho de citar Chico Franco, um compositor local de fino trato. Chico rodava o estado participando em festivais junto com uma cantora daquelas que enchem uma praça com sua voz potente. Várias vezes nos encontramos numa saudável competitividade. Importante citar também Laércio Silvano, um músico de múltiplos talentos e Mauro Martins, que inclusive chegou a gravar uma música minha, Do outro lado do Espelho. Não sei onde se encontra o Mauro, mas também tem grande qualidade e sentimento no cantar. Antes de falar da cena atual, vou abrir um pequeno parêntese: no Festival do Aço que tive a oportunidade de promover junto com o João Carlos da Rádio Alternativa, havia visto um show de uma banda que considerei muito promissora. O nome da banda era Relicário. Eles faziam um show que misturava MPB com elementos do rock e gostei das experiências que faziam. Mas me chamou atenção mesmo a qualidade do vocalista, dono de uma voz potente, agradável e muito afinada. Gostei também do guitarrista, pela originalidade dos arranjos. Infelizmente, parece que a banda não foi pra frente, mas depois fiquei sabendo que o vocalista fazia dupla com outro cantor de grande qualidade. Não era uma dupla sertaneja, mas uma dupla urbana que tocava principalmente MPB de altíssimo nível. O nome da dupla é “João Roberto e Ronivaldo”.


João Roberto e Ronivaldo


Tive a oportunidade de fazer um pequeno trabalho com eles na gravação da música de aniversário da Rádio Alternativa e pude entender porque eles tem carregado essa fama de nomes do momento. Os dois têm belíssimas vozes e um casamento perfeito de tons. Estão inclusive gravando seu CD que deve sair em breve e para minha alegria, também vão gravar “Do outro lado do espelho”. Outro trabalho de grande qualidade que tive oportunidade de conhecer é do Grupo Ellus, formado na Funcec. As meninas do Ellus tem vozes angelicais, lembrando grupos como Quarteto em Cy ou como as vocalistas que faziam backing para Tom Jobim, enfim, .uma musicalidade que faz muito bem aos espíritos. Quando ouvi as meninas da Ellus cantando, pensei comigo: - Puxa vida! Esse é um grupo que gostaria de produzir. Mas esse barco já tem timoneiro e muito bom. Ah.Importante dizer que o Ronivaldo também toca na Ellus. Esse cara também hein? Tá em todas.


Grupo Ellus - um grupo vocal de alta qualidade.


Não poderia deixar de citar também a cantora Natalia, vocalista da Banda Agá Plus ( foto lá em cima) . Tive a oportunidade de fazer alguns trabalhos com ela e muito me impressionou a sua afinação, seu sentimento e facilidade no cantar. É isso, minha gente. A cena local é muito fértil. Precisa mesmo é de produção para alavancar essas potencialidades. Seja no Rock, na MPB, no sertanejo, Monlevade tem ótimos representantes. Algumas coisas vêm sendo pensadas para gerar palco para essas cenas. Mas isso eu deixarei para próximos artigos. Sobre o Rock Pira, deverá ser realizado no próximo ano. Para o corrente, a maioria das prefeituras não tem disponibilidade de verbas e não existem brechas orçamentárias para bancar mais eventos. De qualquer maneira, não é um projeto cancelado, mas apenas adiado. Enquanto isso, continuaremos tomando outras medidas e adiantando o que for possível, para que na hora que houver uma configuração positiva, possamos realizá-lo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

ANTIGAMENTE É QUE ERA BOM!


Se tem uma frase que me irritava, era quando alguém mais velho me dizia: - Antigamente é que era bom! E ainda exemplificavam: - As mulheres se vestiam bem, os homens usavam ternos e os caçais dançavam boleros, salsas e salsas, sempre coladinhos. Achava isso de uma caretice sem tamanho. Imagine eu, um rapaz que gostava de usar calças rasgadas, camisas de malha com estampas de rock e tênis, me vendo numa situação daquelas? O cúmulo da cafonice. Pois é! Mas cada tempo tem seu figurino e seus rituais. E pra complicar a confusão, vivemos hoje a era da pós-modernidade, quando o antigo, o novo e o que virá se encontram. Pelo menos aqui em Belo Horizonte, tem vários bares e cursos de dança de salão cheios de meninas, adolescentes, balzaquianas, todas as gerações aprendendo a rodopiar com as danças dos tempos das nossas tataravós. Ao mesmo tempo quem tem essas festas retrô, tem as raves, com música eletrônica, alta tecnologia de luzes e drogas high tech. Tem ainda shows de pagode, de funk, de forró e da (argh!!!) música emo, uma das piores encarnações do rock em minha opinião. Mas aí apita meu sentido de aranha. Cá estou eu com aquela sensação dejavu de que ANTIGAMENTE é QUE ERA BOM. É que fui colonizado musicalmente pelo Yes, Pink Floyd, Led Zepelin, Deep Purple, ACDC,Beatles, Stones, Sex Pistols, The Clash, Genesis, Van Halen, Aerosmith, Nirvana, além dos mestres da MPB, Tom Jobim, Vinicius de Morais, Caetano, Gil, Rita Lee, Milton, Lô Borges, Toninho Horta Raul Seixas. Ah, tem também o pessoal do Rock Brasil, os Titãs, Barão Vermelho, Lobão, Cazuza, Paralamas, Lulu Santos, Legião. Olha que deixei de citar muitos hein? Mas pois é! Com essas referências, fica difícil gostar do conteúdo literário da galera EMO. Por um lado, isso me deixa com um tremendo complexo de estar ficando gagá, de estar perdendo a capacidade de me atualizar, de gostar do que é novo. Mas como sou dialético comigo mesmo, fico pensando e ruminando : será o povo que está preferindo mesmo esse estilo de rock baba romântico ou é a mídia que empurra isso goela abaixo do povo? Muito bem disse a Fernanda Takai do Pato Fú na entrevista que nos concedeu. A internet nos salva da massificação e da esterilidade das rádios sucesso. É só não termos preguiça de pesquisar, de navegar os mares virtuais e caçarmos tesouros musicais. Eu mesmo nos últimos tempos encontrei coisas geniais revirando sites como Myspace, Palco mp3, entre outros. Mais uma vez me vem a cabeça a frase do Titãs que resume tudo: Tudo ao mesmo tempo agora! Hoje temos toda a história da humanidade disponível numa grande nuvem cultural que paira sobre o planeta. Todos os ritmos, todas as etnias, todas as tribos, tudo está disponível. Nesse novo mundo que se descortina, o “antigamente” pode ser o “novo” e o “novo”, muitas vezes imposto pelo imperativo capitalista de lançar sempre produtos novos, pode ser rechaçado por uma nova humanidade emergente, mais seletiva na hora de escolher o que ouve, assiste, veste ou faz, diante de um grande self-service virtual onde cada um se serve apenas do que gosta. Tudo isso que foi falado, também me salva do ANTIGAMENTE É QUE ERA BOM. Todo tempo é bom. Cada um que escolha o fundo musical para sua vida. Finalizando, aproveito para me desculpar por ter levantado o assunto do FESTIVAL ROCK PIRA e por não ter noticias mais concretas para vocês, embora tenha prometido em vários artigos, divulgar as novidades. De qualquer maneira, os sonhos sempre antecedem os feitos. Só que muitas vezes, não dá para concretizá-los com a velocidade desejada. O projeto continua evoluindo sim, mas temos impasses que precisam ser resolvidos antes que possamos divulgar regulamento, premiações e dados mais exatos. Então, pedimos um pouco mais de paciência. O festival de Rock tá meio garrado, como se diz no popular, mas vai sair.