sexta-feira, 25 de setembro de 2009

BELA VISTA MUSICAL CLUB

Estava em Alvinópolis de bobeira, isso lá pros idos dos anos 80, quando me encontrei com o presidente do Alvinopolense, conhecido como Tuôla. O nobre dirigente, tinha o hábito de fazer propagandas boca-a-boca de todos os eventos que fazia no clube e daquela vez me falou que iria tocar uma banda muito boa no baile daquela noite. Desde aquela época, eu já ficava mais ligado era nas bandas. O Clube podia ficar vazio, mas se a banda fosse boa, pra mim tava ótimo. Cheguei mais cedo no clube pra ficar sapeando a banda, observando seus preparativos pra tocar, afinação dos instrumentos, enfim. Observei que eles usavam uma guitarra diferente. Depois me informaram tratar-se de uma craviola. Como sempre o baile começou com o clube praticamente vazio. Achei até bom, pois pude ouvir a banda tocando as músicas que os músicos curtiam e não apenas os sucessos da época. Eles eram cabeludos e usavam uma roupa branca tipo bata. Os vocais e instrumental eram perfeitos. Eu estava ali abobado com a performance da banda, quando Tuôla chegou perto de mim perguntando se eu estava gostando ( eu era um espécie de consultor de qualidade pra ele) Disse-lhe que sim, que era muito boa. Perguntei a ele se a banda era de Belo Horizonte e ele me respondeu que não. Que era de Bela Vista de Minas. Perguntei a ele o nome da banda e ele me respondeu: Magnus Som. Tuôla, que foi um dos melhores presidentes de clube da história de Alvinópolis ainda me confidenciou que a turma da banda era humilde e boa de jogo e principalmente, que era barateira, que não lesava o clube como outras bandas famosas que vinham de longe, tocavam pouco e pediam até mais do que combinado. Depois desse baile, o Magnus voltou a Alvinópolis muitas vezes, sempre com sucesso. Tamanha qualidade não podia passar despercebida na região e em pouco tempo, o Magnus tornou-se a banda mais solicitada num raio de muitos kms. Se a turma fosse um pouco mais ambiciosa e tivesse um bom empresário, poderia ter ficado muito rica com música, mas na realidade, o que os movia não era a ambição, mas o amor à música. Era engraçado o fato dos bailes terem de terminar num horário determinado, pois a maioria dos músicos trabalhava na Belgo Mineira e tinha de pegar serviço de madrugada. Na época dos festivais, tivemos a oportunidade de nos encontrar com o Magnus por inúmeras vezes. Eles já forneceram sonorização e fizeram shows em 2 festivais em Alvinópolis. Em Bela Vista , também tive a oportunidade de participar em 2 festivais, num espaço conhecido como Caramanchão. Diga-se de passagem: os festivais em Bela Vista eram muito legais, com muitos músicos locais de grande qualidade ( nesse época, com o Grupo Verde Terra, tive a oportunidade de participar em dois festivais em Bela Vista, ganhando o primeiro lugar em um e segundo em outro). Nesses festivais, pudemos ver que o Magnus já preparava a sua segunda geração. Existia uma segunda banda Magnus de boa qualidade, que permitia aos magnâmicos fazer 2 bailes numa mesma noite. Pois é. Mas nem só de Magnus vive a musica de Bela Vista de Minas. Certa vez aconteceu em Alvinópolis um Festival de Música Sertaneja que marcou época. Apareceram violeiros e duplas de todas as partes de Minas. Sabe quem ganhou ? A dupla Barrado e Barradinho de Bela Vista de Minas. Não sei como está a cena musical de Bela vista hoje e podem até me condenar, por não buscar me informar melhor antes de escrever esse artigo. Não tem problema. Quero mais é provocar a turma a levar adiante o legado do Magnus, quem sabe instigar algum remanescente a falar um pouco sobre essa história e homenagear essa cena tão bonita, de uma cidade pequena, mas de rica história. Meu abraço ao Ely, ao Lobão e Cia. Se puderem, nos mandem noticias sobre a música de Bela Vista nos dias de hoje.

No próximo artigo, voltarei com novidades sobre o Rock Pira IV.

sábado, 19 de setembro de 2009

COM TURMA FICA MAIS FÁCIL

Quando eu era menino pequeno em Alvinópolis, aconteceu um fato que nunca saiu da minha cabeça. Havia um menino grandão e forte que batia em todos os outros meninos e era muito temido. Até que certo dia foi se meter com outro garoto, que era baixinho e franzino. Por causa de um chapeuzinho que levou no futebol, o grandão falou que ia quebrar o outro na porrada depois da pelada. Só que o grandão não contava com uma coisa. O baixinho tinha turma. Quando terminou a pelada e o valentão partiu pra cima do baixinho, juntaram uns 20 meninos em cima do gigantão e o deixaram todo cheio de arranhões, mordidas e escoriações pelo corpo.

Eu conto esse caso pra falar do poder que as pessoas tem quando atuam de forma conjunta, quando se agrupam para buscar interesses comuns. Trazendo para o campo da música, a maioria dos grandes movimentos musicais explodiu por ter um sentido de agrupamento, um conceito de vender um movimento. Aconteceu isso, por exemplo, com a turma do Rock Brasil dos anos 80, quando apareceram vários artistas ao mesmo tempo em que sempre se apresentavam juntas, com a turma do Rock de Brasília, representada pelo Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Capital Inicial, a turma de SP com o IRA, Titãs, Os Inocentes e Ultraje e Rigor, a turma do Rio com Blitz, Barão Vermelho e Kid Abelha e a turma do Rio Grande do sul, com Engenheiros do Haway e Nenhum de Nós. Eles tinham um forte sentimento identidade regional e conseguiam fazer um belo giro de shows e venda de CDS. Depois pintou um movimento ainda maior, que foi o movimento do AXÉ BAIANO. Com forte apoio governamental, foi criada uma fantástica indústria cultural, responsável pelo lançamento de inúmeros artistas, como a Cia do Pagode, Chicletes com Banana, Banda Beijo, Banda Eva, É o tchan, Grupo Harmonia, Timbalada, Carlinhos Brown, Asa de Águia, Babado Novo, Ivete Sangalo, Claudia Leite, quer dizer... a lista é interminável. Pra completar, a música AXÉ se vende com o conceito de grande festival, exportando micaretas para o Brasil afora... tudo isso com um forte conceito de indústria itinerante, vendendo toda a estrutura de trios elétricos, camisetas, abadas e uma infinidade de produtos, enfim, demonstrando que cultura vende e vende muito bem. Depois, ainda tivemos o movimento funk, que teve no programa Furacão 2000 o seu grande catalisador, mas que também consegue vender MCs qualquer coisa pra qualquer lugar, bastando que o famoso tamborzão bata, que as menininhas dancem com os dedinhos na boca e subam e desçam até o chão. Sem juízo de valor ou qualidade, não há como negar que o movimento foi muito bem trabalhado em termos de marketing e também vende e sustenta uma cena bastante fértil. Eu digo isso para chegar ao ponto que pretendo:

Nós da região do Vale do Rio Piracicaba precisamos nos enturmar mais, criar perspectivas para vender nossa arte e nossa cultura com embalagens especiais. Infelizmente, os artistas são por demais ególatras para se enturmar por conta própria. Quase sempre criam rivalidades artificiais, sem perceber que a classe tem muito mais afinidades que motivos para se odiar. Outro detalhe é que o artista quer é criar, praticar a sua arte e tem muita preguiça com burocracia, com venda de seu trabalho, com divulgação e outros detalhes que não seja aquele que lhe dá prazer e que sabe fazer melhor. Sendo assim, essa tarefa pode e deve partir das instancias públicas: criar eventos e até divisões dentro dos departamentos de cultura, que possam criar eventos que possibilitem aos artistas mostrar e aperfeiçoar seus trabalhos, vender esses trabalhos para outras cidades, criar ferramentas de venda como cartazes, CDs coletânea, divulgar a arte produzida na cidade até como forma de divulgar-la através dos seus talentos, que em contrapartida, terão orgulho em dizer que são filhos da cidade que lhes deu toda a condição para que chegassem até onde se encontram.

Digo tudo isso, mas me confesso otimista. Temos na região alguns prefeitos novos com cabeças novas, que reconhecem o valor da cultura e se mostram muito abertos para conversar a respeito desse assunto. Mas terá de haver também boa vontade por parte dos talentos em despir os egos e ter sentido de equipe. Que haja disposição para que cada um analteça as qualidades do outro, ao invés dos defeitos, que todos ajudem a hastear a bandeira comum de sua tribo, da arte da sua cidade, assim será possível criar um ambiente propício para que nossos talentos possam brilhar intensamente.

No próximo artigo, voltarei com novidades sobre o ROCK PIRA IV, que terá na próxima semana alguns capítulos decisivos. Mas podem ficar tranqüilos que não será uma novela. No máximo, uma mini-série (rs).


sábado, 12 de setembro de 2009

ENTREVISTA COM FERNANDA TAKAI

Amigos, na edição de hoje, uma entrevista muito bacana com a cantora, compositora e escritora FERNANDA TAKAI, uma das criadoras da consagrada banda Pato Fú e que mais recentemente emplacou também um belo trabalho solo, cantando músicas que foram sucessos na voz da diva Nara Leão. Fernanda vem conquistando vários prêmios, foi recentemente considerada uma das 10 melhores cantoras do planeta e mesmo assim, conserva a simplicidade, o bom humor, o carinho com os fãs e com todos que a procuram.O mais interessante é que algumas cenas da história dessa grande cantora aconteceram aqui perto, no Rock Pira III. Ela esteve por aqui numa época em que ainda nem era famosa.( quem quiser, pode saber um pouco mais nas postagens anteriores) Mas hoje, do alto de uma carreira pra lá de estelar, convivendo entre os maiores astros da mpb, Fernanda deu essa entrevista pra gente, que inclusive passa dicas muito legais pra galera que tá começando e nos dá pistas do porque de tamanho sucesso.Mas então, vamos à entrevista

1) – Você é autodidata ou fez faculdade de música? Tem formação teórica?

Não tenho formação teórica. Fiz aulas de violão pra aprender a ler as cifras apenas, mas foi muito bom pra eu ser capaz de tocar as músicas que mais gostava e também começar a compor as minhas canções. No Pato Fu faço apenas base no violão ou guitarra, nada complicado. Em meu show solo, apenas canto.

2) – Você é Amapaense né. Você acha que existe alguma coisa das suas origens que reflete na música que faz ou se sente quase 100% mineira ?

Saí de lá muito nova antes de 2 anos de idade e depois morei na Bahia por 6 anos antes de vir pra Minas Gerais. Sinceramente acho que a música que faço não se prende à geografia. Podia ser feita por alguém em São Paulo ou Porto Alegre. Sou uma pessoa mais indoor, não me apego muito à natureza ou raízes pra compor. Talvez seja esse lado pop que é mais universal. Mas não tenha dúvida que represento a cena mineira com muito orgulho. Adoro morar aqui e não me mudaria pra outro lugar.

3)- Quando é que você percebeu que o seu negócio era música?

Sempre gostei de música mas nunca pensei que fosse viver de música. Fiz faculdade na UFMG, sou formada em Relações Públicas, trabalhei na área e gosto muito de Comunicação em geral. A música ocupava um espaço de quase hobby na minha vida e de repente passou a tomar mais tempo do que eu previa. Foi tudo muito gradual.

4) – Lembro-me que ouvi pela primeira vez o seu trabalho numa fita k-7, onde você tocava com a banda Data Vênia. Inclusive nesse k7 havia uma música que você gravou com o Pato Fu que se tornou um grande sucesso. Já no Rock Pira III ,você se apresentou com a banda Fernanda e os 3 do povo. Me mate uma curiosidade: esse nome Fernanda e 3 do povo foi criado na época, no improviso para participar do Rock Pira ou não tem nada a ver?Como foi a formação dessa banda? Estou enganado ou o Bob Faria tocou com você no Fernanda e 3 do povo?

Naquela época o Data Vênia já não existia mais. Sim, colocamos esse nome só pra essa apresentação. Não queria fazer um show solo... O Bob Faria tocava com a gente. Ele e o John tiveram uma dupla por algum tempo: Sustados Por Um Gesto. Eu até toquei numa das formações, quando virou trio. Logo depois, Bob saiu e John chamou o Ricardo. Daí surgiu o Pato Fu que lançou os dois primeiros discos com essa formação.


5)– Se não me falha a memória, o Koctus que faz parte do Pato FU hoje, naquela época tocava numa banda chamada Náuplio. Imaginava até que vocês haviam se conhecido no Rockpira, mas li num site que se conheceram na loja do John, onde parece que o Koktus também trabalhava, A segunda opção é que é a correta?

A gente já se conhecia da loja do John. O Náuplio era a banda do Jorge Amaro, baterista e designer que foi meu sócio numa pequena agência de publicidade.

6) – A banda Pato Fu é uma das mais diferentes do Rock Brasil, que não freqüenta tão assiduamente o cenário comercial, sendo considerada mais cult. Vocês estão satisfeitos com essa condição ou gostariam de ser mais populares ?

Somos uma banda de 17 anos de carreira. Tivemos momentos bem populares, com várias músicas tocando em rádio, novela, ganhamos discos de ouro, participamos dos maiores festivais do Brasil, fizemos turnê fora, mas hoje somos dos poucos artistas que podem frequentar a cena independente e também a das majors sem qualquer desconforto. Conseguimos uma autonomia de produção para nossos discos que nos deixa muito seguros quanto à continuidade de nossa música. Gosto da discografia que construímos e das coisas que saem com nossa chancela.

7) – O pop rock brasil que toca nas rádios hoje em dia, anda dominado pelas chamadas bandas EMO. Como contemporâneos de compositores como Renato Russo, Cazuza, Lobão, Titãs, o que acham do atual cenário: opção da mídia de massa pelo que supostamente vende, entressafra criativa, opção do próprio público jovem por mais diversão e menos conteúdo ou nenhuma das alternativas?

Sempre se critica a cena atual...na época em que começamos éramos criticados também. Se dizia que não haveria mais bandas tão legais quanto Paralamas, Titãs... mas o país produz muita coisa boa e vai continuar a produzir. Se os grandes meios não dão muito espaço, hoje temos a internet como aliada pra dar mais visibilidade a novos e velhos artistas. O público que gosta de ter mais de uma fonte de informação vai achar coisas legais. Quem só ouve uma rádio jovem, vai ficar com as mesmas 30 músicas rodando na cabeça.

8) – Para vocês que vivem linkados no que acontece lá fora, pensam que lá, como aqui, o cenário anda estagnado?

Não penso que o cenário esteja parado criativamente falando. Continuo a comprar discos interessantes e a ver muito artista novo aparecendo. Tanto aqui quanto lá fora. O que existe é uma dificuldade em se gerar receita com a música que se faz. Quem não se apresenta em shows, praticamente não tem renda. Quem vive só de direitos autorais e não é um grande nome, enfrenta a falta de prestação de contas generalizada. Isso é cruel. As pessoas tinham que viver dignamente de suas criações.

9) – Qual a mensagem mandariam para as bandas novas que estão começando a tocar, cheios de sonhos e idéias na cabeça ?

Costumo dizer que as bandas novas não precisam de ninguém dizendo pra elas o que devem ou não fazer. Os erros e acertos na carreira sempre acontecem de um jeito diferente pra cada um. Formatar o som pro que as pessoas estão ouvindo também é um erro. É incrível mas muita banda me pede pra ouvir o CD e dar sugestões sobre repertório, jeito de cantar... Acho que cada artista tem gostar muito e acreditar na sua música, sem ficar mudando aqui e ali por causa do mercado. Tem que dar uma chance à música como ela é. E ter uma boa dose de acaso.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

FERTILIDADE MUSICAL DE ALVINÓPOLIS


Banda Sistema Confuso - novíssima geração

A economia de Alvinópolis produz prioritariamente 5 produtos: tecidos, cosméticos, produtos agropecuários, mulher bonita e música.

Como a coluna é sobre cultura, vou me ater ao último item.

Se buscarmos as razões históricas de tanta efervescência musical, retornaremos ao inicio do século passado, quando já havia na cidade músicos extremamente virtuosos, que formavam grupos de jazz, chorinho e de música instrumental de cair o queixo

Depois, veio a onda dos conjuntos de baile, como o famoso “OS MORCEGOS”, fundado por Vidrilho, tendo como componentes Humberto, Tão de Ruão, Lete, Ze Carlos Paulo Cesar,Franklin Barcelos e Paulo Nicolau, os HELTONS, 007, com músicos fabulosos como David de Cindinha, Neguinho, Julio Papa, Zé Resende, Jorge de Nêgo, Nicolau, José Mauro, Gomes, Branco, Cuca, Letícia, Ronaldinho Fango, Vicente, entre outros.

A terceira onda já veio com os Festivais de Música. Se já havia o gosto pela música, pela primeira vez os Alvinopolenses acordaram para o fato de que podiam fazer suas próprias canções e pintou a geração dos compositores. Até houve um movimento anterior de compositores principalmente de marchas carnavalescas e de dobrados e peças para banda, mas nada comparado à efervecência gerada pelo festival.

Os festivais são importantes, na medida em que possibilitam uma interação maior e o aperfeiçoamento técnico dos artistas locais, no contato com outras culturas.

Como consequência do festival da música, nasceu o grupo Verde Terra da cidade, que saiu pelo estado afora e faturou cerca de 40 prêmios, inclusive em Monlevade, no ginásio do Grêmio lotado. O Verde Terra chegou inclusive a lançar o LP “Nós, os loucos” em 1987, o primeiro lançado por um artista local.

Só que após mudar-se para Belo Horizonte, o compositor do Verde Terra, acabou conhecendo músicos de várias partes do país e montando a banda de rock República dos Anjos, que de certa forma, também nasceu em Alvinópolis.

O Festival ainda gerou muitos outros filhos e movimenta a cena local o ano inteiro.

No festival também apareceu pela primeira vez a artista Alvinopolense Márcia Prímola, que tem se apresentado em várias cidades do estado sempre com muito sucesso.

Podemos citar ainda várias bandas que se formaram por causa do festival, como a banda de Reagae Black Swing, que inclusive chegou a vencer um festival de Rock realizado pela prefeitura de Monlevade, além dos Protótipos Mentais e dos Católicos Protestantes, que depois iriam se transformar no Pau com Arame.

Na realidade, tamanha ebulição, também deve ser creditada a outro fator: a escolinha do professor Rogério. Trata-se de uma escola de música totalmente anárquica, onde o professor Rogério não dá aulas da maneira convencional com partitura e teoria, mas ensina aos alunos exatamente o que querem aprender. Vão direto pro laboratório-estúdio e já tocam desde o primeiro dia de aula. A escola do Rogério é uma verdadeira fábrica de músicos e quem entra rapidinho aprende a tocar.

Para que se tenha uma idéia da exuberância da cena local, no festival de música deste ano pintaram dezenas de artistas locais: Banda Ponto Morto( média de 12 anos); Banda Case( só adolescentes – ganharam prêmio de melhores intérpretes do festival); Mariana e Julia ( duas meninas também adolescentes hiper afinadas); Banda Simulacro ( fãs do Radio Head); Banda Fator Alma. Lado B do Porão, Vovó Piluca, Banda Sistema Confuso, Thulio, Luluth e turma, além dos Sertanejos do Thiago e Admilson. E olhem que algumas bandas não tiveram como participar, como a já veterana Kalamidade Pública, a banda Black Morro, a banda de pagode raízes do samba, entre outras.

Sou até suspeito pra falar, pois sou de lá e de bebi muito daquelas águas.

O grande problema é que as bandas locais não tem onde se apresentar.

Em primeiro lugar, porque a grande maioria gosta de tocar Rock e como já falei por aqui, o público hoje está preferindo outros gêneros como sertanejo e funk. Assim, quem tem tido um belo mercado na cidade é a dupla Thiago e Admilson, que tem agenda cheia.

Já as outras bandas, passam o ano inteiro aguardando o festival e ensaiando ou tocando no colégio, com equipamento ruim e estrutura pequena.

Por isso, eventos como o Rock Pira, são importantes para dar vazão a tanta energia jovem e movimentar a cena, provocar faíscas, acelerar os átomos. O rock é necessário, minha gente. No dia que a juventude perder a capacidade de se indignar, estaremos perdidos.

Por isso, já estamos pensando até além, em fazer do Rock Pira um festival itinerante, levado a várias cidades para abrir espaço para as bandas locais e movimentar a cena.

Mas para isso, precisamos da participação da galera. Entrem no blog, deixem a opinião de vocês, não deixem as pedras dar limo.

Por falar nisso, para o próximo artigo, vai rolar uma entrevista com uma banda muito bacana, que faz parte da história do Rock Pira. Até lá...