quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ROCK PIRA III - ROCK É CULTURA !!!


Já houve um tempo em que a juventude se interessava e se preocupava com o que acontecia na política e no meio em que vivia. Foi assim nos anos 60, quando participava ativamente dos movimentos contra a guerra do Vietnã, quando saia em passeatas pela paz em todos os cantos do mundo,quando pintava a cara pela volta da democracia no Brasil, enfim, a juventude era rebelde,engajada,contestadora. Parece que os novos tempos, ao mesmo tempo em que trouxeram grandes revoluções tecnológicas, como a afirmação da internet como maxmídia difusora de informações, trouxe também um grande vazio de conteúdos. Essa mesma juventude que manipula os computadores com tanta familiaridade, recusa-se a participar da política, não se importa com o que acontece em seu tempo e se alheia, se aliena cada vez mais do mundo.

Pois num evento como um festival de pop rock existe uma enorme oportunidade de diálogo, de interação e de entendimento. O rock e a cultura jovem não podem ser mais encarados como negativos, que só atraem drogados e comportamento inconvenientes. Por isso, a realização do RockPira terá a virtude de dar uma sacudida nos corações e mentes, cutucando fundo essa inércia, provocando a juventude para que se manifeste, chamando a geração do futuro a assumir e exercer o poder.

Fazer o Rock Pira III, 20 depois, é muita responsabilidade e um grande desafio. Primeiro, por retomarmos um projeto tão importante, isso numa época em que outros gêneros como sertanejo ou funk dominam o mercado. Segundo por ser o primeiro festival de pop rock do novo milênio em nossa região, que demandará não só ser uma mostra de rock, mas incorporar outras manifestações da cultura pop, bem como servir de fórum onde possam ser debatidos assuntos de interesse da juventude. Nessa nova edição do Rock Pira, além de abrir espaços para a criatividade da juventude, revelar e difundir novas bandas, pretendemos abrir espaços para o debate de idéias, com temas como os direitos autorais e pirataria na internet, descriminização das drogas, sexo, filosofia, ecologia e desenvolvimento sustentado. Pretendemos também transmitir o evento via internet, dando visibilidade a cena musical não só para a região, mas para o mundo inteiro.

Novamente a cidade de Rio Piracicaba é a escolhida, não só em função do “Pira” de Piracicaba ter tanto a ver com rock (piração), mas pelo fato da cidade já ter sediado os dois primeiros eventos, sempre com excelente acolhida e também por sua boa estrutura de serviços, um excelente parque de exposições, enfim, uma cidade estratégica na região.

É preciso deixar claro que estamos na fase de elaboração e formatação do projeto, análises de viabilidade técnica e econômica, pesquisa para montagem de equipe, definição de orçamentos, prêmios, regulamento e datas. Não sabemos nem mesmo se a conseguiremos viabilizar o projeto em Rio Piracicaba, uma vez que ainda nem conversamos com as autoridades e instituições locais. Mas se notarmos que está muito difícil realizar o evento por lá, levaremos o projeto para outras cidades podendo até se tornar itinerante, pois sabemos que os festivais de rock tem grande relevância sócio-educativa e abrem importantes janelas de exposição para os artistas que não tem tido espaços para mostrar seus trabalhos

(Parte do texto que vocês estão lendo faz parte do argumento do projeto. No próximo artigo abordarei o fenômeno da cena musical de Alvinópolis, uma cidade pequena que tem mais de 20 bandas. Depois, retomarei o tema ROCK PIRA)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

ROCK PIRA – O MAIOR FESTIVAL DE POP ROCK DA REGIÃO

FERNANDA TAKAI NO ROCKPIRA III - ANTES DE SER FAMOSA

Há 20 anos atrás acontecia em Rio Piracicaba o mais marcante festival de Rock aqui da nossa Região até então: o Rock Pira I. Nesta primeira edição em 1989, tivemos várias bandas principalmente de Itabira, com participação especial do grande guitarrista Português Phil Mendes, do grupo DZB de Nova Era e de João Gera com a sua banda, entre outros.

A segunda edição em 1990 aconteceu na Chaminé. Um palco foi improvisado, mas o clima ficou bem rock mesmo, bem bacana. Desta vez, muitas bandas da região também e as participações das bandas Náuplio de Belo Horizonte, Poseidom e Apolium de Itabira e mais uma vez contando com a brilhante participação de Phil Mendes.

Mas foi em 1991 que o festival realmente fez história. Participaram novamente as bandas Apolium de Itabira , DZB de Nova Era e Náuplio de Belo Horizonte, mas pintaram outras atrações muito interessantes, como a banda Kaya Devas, com seu rock progressivo e letras viajantes, a banda Tatwa, cover de Cazuza e Barão Vermelho,a Performance Band, cover do Pink Floyd a banda República dos Anjos, deste que lhes escreve, as bandas Católicos Protestantes, Express Band e Kamasutra e uma tal de Fernanda e 3 do povo.

Bom, mas muitos podem perguntar: Fernanda e 3 do povo? O que é isso?

Então deixa eu contar uma historinha pra vocês. Nessa época, eu havia encontrado com Dimdão, que estava organizando o Festival. Aliás, fiquei conhecendo o Dimdão nessa época, pois ele era amigo do Angelo da Krawy, que estava fazendo os cartazes e a logomarca do Festival. Dimdão me falou sobre o festival, com aquele entusiasmo que lhe é peculiar e me perguntou se eu não tinha umas bandas diferentes para indicar.

Naquele mesmo dia eu havia recebido de presente uma fita k7 de uma banda, com uma cantora que tinha uma voz muito afinada e estava curtindo bastante o som. Quem me presenteou com o k7 foi o guitarrista Guilherme Fonseca, que havia tocado guitarra em algumas das músicas com a cantora que tinha um nome que parecia de Japonês: Fernanda Takai. Guilherme me contou que ela havia chegado a Belo Horizonte a pouco tempo, vindo de Belém do Pará e que estava se apresentando acompanhada de uma banda chamada Datavênia. Mostrei o k7 para o Dimdão que também gostou bastante do som e me perguntou se eu não faria a ponte para que ela se apresentasse no RockPira. Assim foi feito. Tudo armado, mas parece que a Fernanda parou de tocar com a Datavênia e teria de recrutar outros músicos pra tocar com ela no Rock Pira...e assim foi feito. No dia do evento, o público mesmo foi médio. Embora fosse época de festa do Jubileu em Rio Piracicaba, só o pessoal que realmente curtia rock apareceu. Mas quem foi teve a oportunidade de apreciar shows de todos os estilos, desde o Heavy Metal do Apolium à doçura da Fernanda. Ah...uma coisa interessante também é que quem acompanhou a Fernanda tocando baixo foi o hoje comentarista da Rede Globo, Bob Faria.

Nesse festival também, houve o encontro da Fernanda com Ricardo Koktus, que toca com ela no Pato Fú até hoje e com o John, com o qual inclusive se casou ( inclusive, estamos tentando uma entrevista com a Fernanda para a coluna).

Achei importante contar essa historinha para que se possa entender como os festivais tem o poder de gerar grandes coisas, de fomentar a interação e de dinamizar a cena musical.

Então vai uma boa notícia: estamos planejando para breve o ROCK PIRA IV – O MAIOR FESTIVAL DE POP ROCK da REGIÃO. Deverá ser uma mostra competitiva, onde cada banda participante poderá inscrever suas músicas, nos estilos POP ROCK, que dizer, pode ser Reggae, ska, Samba Rock, Dance, Eletrônico, Heavy Metal, Punk. Gótico, Emo, Hard Rock....leque aberto em termos de Pop e de Rock. A única exigência é que a música terá de ser em português. Ainda estamos trabalhando no projeto e assim que estiver prontinho, vamos partir para a criação da logomarca, negociação com patrocinadores, enfim, tomar as iniciativas cabíveis para viabilizar o evento. Ainda não podemos adiantar sobre data nem local ao certo, mas só alertamos à galera pra já ir preparando suas músicas. Estamos avaliando também qual será a premiação para os ganhadores, que pode ser a gravação de um single em um estúdio top em Belo Horizonte, até premiações em dinheiro, divulgação em rádios parceiras, no jornal bom dia, enfim. Na próxima semana estarei falando mais especificamente sobre o ROCK PIRA V. De qualquer maneira, desde já estamos abertos a sugestões e colaborações . Enviem seus emails para marcos.martino@gmail.com e vamos trocar idéias.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

40 ANOS DE WOODSTOCK - O ROCK NÃO ERROU!!!



Lobão criou um álbum emblemático nos anos 80 chamado O ROCK ERROU. O significado da palavra erro, no entanto, tem de ser analisado de forma mais profunda. Errar nem sempre significa fracasso. Muitas vezes pode significar aprendizado, escada para um sucesso posterior...que ao final, até pode ser considerado um erro...mas errantes somos todos nós mortais.


Woodstock foi um novo big band, explosão que tirou os jovens debaixo das asas dos pais autoritários, dando voz e afirmando a cultura pop, até então inexistente. O Rock até então era um ritmo popular, com letrinhas açucaradas, cheias de gracinhas, mas apenas para entretenimento.




Woodstock foi um festival que nasceu com espírito libertário. O marketing ainda não havia tomado conta do cenário. Os jovens, pela primeira vez na história, tinham um ambiente de liberdade total, onde podiam se amar, conversar, ficar nus, fumar sua erva e principalmente travar contato com artistas que iriam mudar o rumo da história.


Foi ali que surgiu para o mundo o fenômeno Jimmy Hendrix.


Que me perdoem os fãs do Led Zepelin, mas quem inventou o Heavy Metal foi Jimmy Hendrix, o guitarrista mais genial de todos os tempos. Aliás, ele inventou tudo em matéria de rock. Quem escuta atentamente o trabalho do cara vê que tudo tá ali. Todos os grandes guitarristas tiveram que beber naquelas águas.

Lá também esteve Janis Joplin, com seu estilo riponga, a feia mais bonita do mundo, que assombrou a todos com a sua “Mercedes Benz”.

Lá também esteve Joe Cocker com seu vozeirão, Jefferson Airplane, The Grateful dead, The Who, Joan Baez, além de outros astros não tão conhecidos. Mas quando falamos em Woodstock, não tem como não lembrar Jimmy e Janis.

Mas retornando ao Rock que errou do Lobão, nossos heróis erraram na dose e deu no que deu: OVERDOSES EM CASCATA. Foram astros que brilharam intensamente e explodiram em estilhaços, universo que continua se expandindo até hoje, que nem o BIG BANG. Há quem diga que Woodstock emporcalhou o mundo, que gerou um exército de zumbis maconhados, uma geração perdida que praticamente inventou o tráfico de drogas e as popularizou no mundo. Maldade dos neo-conversadores. O rock foi a ultima grande revolução da história e não há revolução sem tragédias. Infelizmente, incorporou-se o sufixo pop no rock, criando o tal de pop rock, uma espécie de coleira na fúria. O Marketing trata de transmutar toda rebeldia em produto e modismo, mas penso que com o tal rock EMO, chegamos ao fundo do poço. Daí não dá pra descer mais. A história sempre se moveu em fluxos e refluxos. Vamos esperar que o bom rock de conteúdo e rebeldia volte a imperar. Tomara que apareçam vários pequenos Woodstocks pelo planeta. Guerrilhas armadas de guitarras e liberdade.

O POP ROCK DO AÇO


Pra falar sobre o cenário Pop Rock em Monlevade, vou começar transcrevendo um email que recebi. Esse email ilustra bem a situação da falta de oportunidade para as bandas locais. Vamos lá: “EM SE TRATANDO DA CENA POP ROCK TÁ UMA VERGONHA! PRIMEIRO OS MÚSICOS PRECISAM DE UNIÃO. TEM CARA QUE SÓ QUER TE DERRUBAR. ASSIM NÃO TEM COMO REINVINDICAR NADA!!!!ALVINÓPOLIS TEM MAIS BANDA DO QUE AQUI. É ENGRAÇADO ISSO, SEM TIRAR MÉRITO. OUTRA COISA QUE FALTA É ESPAÇO. EU ESTOU COM DUAS BANDAS. SE NÃO SÃO FESTIVAIS DE INVERNO NA REGIÃO E OUTROS TIPOS DE EVENTOS NÓS ESTARÍAMOS SÓ NA BASE DE ENSAIO. PROMOTER SÓ CONTRATA DJ. É FODAAAA!!!!MANDA VER AÍ,CONTO COM SUAS PALAVRAS. QUE ALGUEM ÀS ESCUTE!

Desabafo forte,né?

Bom, pra tentar explicar esse cenário, deixa eu fazer uma pergunta básica: qual o estilo preferido para qualquer adolescente que escolhe tocar guitarra? Resposta: é o Rock.

O garoto já pega a guitarra e fica louco pra aprender aqueles riffs mais famosos.

Só para exemplificar o que digo, deixa eu contar uma historinha.

Há alguns dias atrás me encontrei com o Marcelo do Hiper Comercial Monlevade no centro de Belo Horizonte. Ele foi a uma grande loja de instrumentos para comprar uma guitarra nova pro filho dele. O menino foi pegando a guitarra e lascou logo um dos riffs mais famosos do DEEP PURPLE. Por incrível que pareça, a referência ainda é os anos 70. E olha que o menino deve ter no máximo 12 anos de idade.

Com os outros instrumentos não é diferente.

O cara que quer tocar bateria, geralmente prefere o rock, assim como os baixistas e a maioria dos vocalistas.

Isso acontece porque é o estilo mais prazeroso de se tocar, onde os músicos, principalmente os mais jovens, podem demonstrar sua pericia e extravasar a energia inerente à juventude ( mais tarde os músicos acabam se apaixonando pelo jazz, mas aí já é outra história)

Só que acaba acontecendo outro fenômeno curioso.

Depois do sucesso do rock nos anos 80, assistimos a outros modismos musicais tomando conta dos pais e o público se afastou do rock, que no Brasil deixou de ser um ritmo das massas.

Assim, embora todos os dias nasçam novas bandas de rock, não existe público para o gênero.

Isso faz com que muitos músicos, amantes do estilo, acabem sendo contratados para tocar principalmente nas bandas sertanejas, que inclusive incorporaram muitos elementos do rock em suas canções.

O bom rock mesmo, rebelde, engajado, que desafia e propõe reflexões, anda meio em desuso.

As razões dessa decadência do gênero, talvez possam ser explicadas por um estudo sociológico mais aprofundado, mas vou tentar pincelar rapidamente. Os anos 80 foram de grandes revelações. Foi o fim da ditadura militar. Um de sentimento de liberdade e desabafo eclodiu e acabou desembocando numa geração que conseguia equacionar muito bem diversão e arte. Prova disso é que gerou letristas de primeira grandeza como Renato Russo, Cazuza, Arnaldo Antunes, Lobão, entre outros. Só que nos anos 80 os jovens acompanharam o movimento que podia ser resumido na frase da música Comida, dos TITÃS : "A gente não quer só comida. a gente quer comida, diversão e arte”. Depois dos 80, o país caiu numa época de populismo exacerbado e sobreveio uma avalanche de ritmos e gêneros populares.

O resultado é que a juventude já não quer mais conteúdo. Quer apenas diversão sem reflexão, algo como um corpo que dança sem cérebro.

As bandas de rock, para sobreviver, acabaram tendo de se adaptar e incorporaram ao ROCK o sufixo POP, criando assim o estilo conhecido como POP ROCK.

Na esteira da corrente POP ROCK vieram várias bandas como JOTA QUEST, SKANK, WILSON SIDERAL e outras. Esses grupos fazem um som com extrema competência musical e conseguem fazer tanto sucesso como os astros populares do país, mas para isso tiveram de abrir mão da rebeldia, do experimentalismo, da ousadia do Rock. Foi um caminho encontrado para fazer sucesso e sobreviver no mercado.


Falando sobre o cenário Pop Rock de Monlevade, tivemos ultimamente dois trabalhos de relevância. O primeiro, da Banda Calk, capitaneada pelo cantor Guilherme. Conheci a turma quando gravaram seu primeiro disco Demo, que tive oportunidade de produzir, juntamente com o Guilherme Fonseca, que tocou com República, Sideral, Sandy Jr, enfim... Impressionou-me muito o vocal do Guilherme. O garoto tinha um canudasso de voz e a energia jovem da moçada também era muito legal. Tivemos a oportunidade de fazer um show juntos no Marrocos que foi muito bacana mesmo. Na época, eles tinham como empresário o Jocely, pai do Guilherme, alto funcionário da Belgo Mineira. Com seus conhecimentos de Marketing, Jocely tinha um planejamento muito interessante para a carreira dos meninos. Depois eles lançaram um CD, continuaram fazendo shows, mas em algum ponto que não sei identificar, o trabalho se perdeu. De qualquer maneira, uma banda de grande potencial, que deve estar maturando por aí.

Mais recentemente, tive oportunidade de conhecer também a banda Infocus. Comecei a trocar figurinhas com o Marco, vocalista da banda pela internet. Ele me enviou algumas canções e gostei muito de algumas, principalmente da canção TUDO VAI DAR PÉ, que considero um hit pronto para estourar nacionalmente. O Infocus já faz um som mais pop do que rock e tem se apresentado nos melhores espaços de Minas. A banda está bem entrosada e o Marco tem uma voz muito limpa e afinada. A única ressalva que faço é que a banda deveria acompanhar mais o vocalista em sua movimentação de palco. As vezes parece que o vocalista tá dando o maior sangue e a banda fica alheia ao suor do garoto. Mas, nada que não se corrija com uma boa produção.

Aproveito para citar também outra banda que conheci no Festival do Aço, evento que promovi em parceria com a Rádio Alternativa: a banda Ênfase. A turma da Ênfase tem uma música (acho que chama-se RESPOSTA) que é uma das melhores canções pop que ouvi de bandas novas nos últimos tempos.

Imagino que no momento várias bandas novas devem estar sendo formadas em cada bairro da cidade e espero que a turma envie seu material, inclusive para que um segundo artigo atualizado sobre o cenário PopRock da Cidade. Por falar nisso, mais duas noticias sobre o Rock. Estamos unindo esforços para promover o ROCK PIRA III, evento que marcou época no final dos anos 90, uma oportunidade de ouro para os rockeiros da região. Para os fãs do República, estamos gravando um trabalho novo que vai se chamar AMERICAZ, gravado metade no Brasil, metade nos Estados Unidos.

No próximo artigo, escreverei sobre o ROCK PIRA, evento que marcou época na região e que deverá acontecer novamente em breve.

Um abraço a todos...

sábado, 8 de agosto de 2009

Monlevade é uma espécie de capital regional.


Por causa das oportunidades de trabalho, principalmente por causa da gigante Belgo Mineira, pessoas das cidades próximas acabaram se mudando pra Monlevade, buscando empregos e melhores condições de vida.

Por um lado, esse êxodo resultou na formação de um considerável público consumidor e no desenvolvimento do comércio e do setor de serviços. Por outro lado, os efeitos colaterais desse êxodo, foram a identificação desses públicos com suas cidades de origem e pequeno sentimento de pertencimento, de amor à cidade.

Aí o pessoal pode perguntar: Peraí, mas o que isso tem a ver com a temática da coluna ? Ora, tem tudo a ver! A arte produzida por um povo representa as abstrações, criações provenientes do inconsciente coletivo, de sua história para se adaptar aos contextos econômico, social, religioso,etc É dessa massaroca que se configura o mosaico que denominamos cultura.

Pois bem! Se formos imaginar que a cidade praticamente cresceu a partir de uma pequena "revolução industrial", da produção do aço, como pensar que grupos sertanejos tenham tão boa acolhida, senão por causa da ligação que a gente daqui ainda tem com suas origens rurais? Monlevade não deveria ter uma cultura industrial, como acontece em Manchester ou Cubatão?

Hipoteticamente sim, mas como comentei antes, a cidade foi povoada por pessoas das cidades vizinhas, quase todas de perfil agropecuário. Mais que um estado minerador, somos eminentemente agrários e o campo fala muito forte dentro de nós. Prova disso é que a Rádio Liberdade de Betim, que só toca sertanejo está em primeiríssimo lugar há 10 anos.

Faço essa introdução para falar de duas belas duplas da cidade: Maycon e Douglas e Fabrício e Elcimar.

Maycon e Douglas, conheci há algum tempo. Estiveram em contato comigo, pois desejavam gravar a música "Do outro lado do Espelho". Curioso que sou, pedi que me enviassem uma gravação. Fiquei muito bem impressionado por um detalhe. Eles não procuram imitar o jeito tradicional de cantar sertanejo. Cantavam do jeito deles, sem empostação exagerada, sem os vícios do gênero. No entanto, penso que devem ter tido alguma dificuldade, pois não é fácil remar contra a maré. Quando você faz algo diferente, ao invés de se louvar essa busca pela originalidade, muitas vezes acontece do mercado fechar as portas, esperando que você imite a fórmula padrão. Maycon e Douglas buscam um caminho próprio e penso que devem mesmo insistir na formula e lapidar melhor o trabalho. Vitor e Leo, por exemplo, conseguiram fazer sucesso no ambiente sertanejo, sem cantar da maneira padrão.

Já Fabrício e Elcimar, ouvi falar da primeira vez quando estava trabalhando com o João Carlos da Rádio Alternativa no primeiro Festival do Aço. Um barraqueiro que trabalhava no evento nos falou: - Vocês estão fazendo esse festival aí, mas deviam ter um show de Fabrício e Elcimar também. Garanto que iriam atrair pelo menos umas 3.000 pessoas.

Perguntei ao João: - Quem são Fabrício e Elcimar? João me falou que era uma dupla nova que estava arrebentando, levando muita gente aos shows. Depois, fui acompanhando de longe e só notícias boas chegando, de que haviam fechado um contrato com a Farmácia Barros que os estava patrocinando, que estavam produzindo com o Midas da música sertaneja conhecido como Pinóquio, enfim, eles tem tinham tudo pra estourar em nível nacional. Só que o mercado anda saturado de duplas e não é fácil conseguir visibilidade. No entanto, isso não abala a credibilidade conquistada nem põe em dúvida a qualidade da dupla. Eles têm apenas de ter paciência e perseverança pra encontrar as brechas certas. E que a cidade industrial, que também é rural continue apoiando seus cantantes. No próximo artigo, vou falar sobre o cenário POP ROCK da cidade.